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Aizenman e Marion (2002) argumentam com base em um estudo empírico realizado para uma amostra de 125 países em desenvolvimento, durante o período de 1980 a 1996, que a demanda por reservas em mercados emergentes pode ser explicada por um modelo de poupança preventiva generalizada. Mais recentemente, Pina (2014) modela sob uma perspectiva monetarista a gestão de reservas internacionais em emergentes, visando explicar as diferenças no corte transversal observadas, chamando a atenção para a visível discrepância nas políticas praticadas entre os emergentes e as economias desenvolvidas. Claramente, nos últimos vinte anos, as economias em desenvolvimento divergem das demais, optando por políticas excessivamente conservadoras, quando considerados os níveis de reservas em relação aos respectivos níveis de riqueza mensurada pelo PIB. Este estoque excessivo apresenta padrões de crescimento ainda mais fortes na última década.

Uma das mais relevantes diferenças neste excesso de conservadorismo generalizado está no fato de que em países da América Latina, segundo Jeanne (2007), os benefícios associados à prevenção das crises parece justificar e assim compensar os custos com essa gestão, enquanto nos emergentes asiáticos tal compensação não se evidencia.

Além das razões teóricas consensuais comuns a todos os países em desenvolvimento, há ainda aspectos idiossincráticos e reações muito próprias às crises por parte de cada economia que tornam as análises destas gestões únicas e diferenciadas. Neste complexo contexto, este estudo vem agregar à linha desenvolvida por Ford e Huang (1994), Ramachandran (2004), Cavalcanti e Vonbun (2008) e Pina (2014), em que cada um dos BRIC é estudado individualmente, enquanto aqui se considera os possíveis efeitos cruzados decorrentes das evidências prévias de contágio e integração financeira neste bloco. A possibilidade dos efeitos cruzados intrabloco, permitiu identificar o papel relevante desempenhado pela volatilidade das reservas brasileira e russa, assim como dos spreads chineses na explicação da gestão de reservas em alguns dos demais BRIC.

Corroborando Summers (2006), as posturas evidenciadas aqui sugerem que Rússia e Índia adotam a partir de 2002 uma postura excessivamente conservadora nessa política de gestão, possivelmente consequência impensada associada às contas correntes destas economias em alguns momentos, enquanto a China apresenta um comportamento próximo do desejável. O Brasil oscila entre posturas mais ousadas e conservadoras, estas durante as crises do começo e do final da década passada.

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Benzer Belgeler