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Yargıtay CGK kararı Işığında Konuya İlişkin Kanaatimiz

E. Belgede Sahtecilik Suçlarında Yer Alan Aldatma Kabiliyeti, Sahte Belge Düzenleme ve Kullanma Suçlarının Bir Unsuru mudur?

3. Yargıtay CGK kararı Işığında Konuya İlişkin Kanaatimiz

A leitura na escola, para os alunos leitores da Oficina de Leitura, é objetivamente direcionada à interpretação de textos, visando a uma preparação para exames vestibulares, nas disciplinas de formação geral, e à atuação no campo profissional, nas disciplinas técnicas específicas. É uma leitura utilitária (decodificadora, mecânica, individualista e cientificista) que se opõe a uma quase inexistente leitura dialógica (crítica, criativa, compartilhada e humanística). Segundo os alunos participantes da oficina, a metodologia de leitura, empregada na escola técnica, valoriza a competência linguística, a decodificação da palavra escrita, e, por isso, o texto desempenha um papel mais importante do que o próprio professor, pois o que importa é que ocorra a tão desejada “compreensão do texto”, e não a preparação prévia e necessária à intelecção e fruição de sua forma e de seu conteúdo (SILVA, 1986, p. 39). Temos plena consciência de que ler é, antes de tudo, compreender, porque o “propósito básico de qualquer leitura é a apreensão dos significados mediatizados ou fixados pelo discurso escrito, ou seja, a compreensão dos horizontes inscritos por um determinado autor,

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numa determinada obra” (SILVA, 2000, p. 43). Mas, mais do que isso, ler é uma possibilidade de tomada de consciência, um “modo de existir no qual o indivíduo compreende e interpreta a expressão registrada pela escrita e passa a compreender-se no mundo” (Ibidem, p. 45). Quando não existe essa conexão entre o ato de ler a tomada de consciência do aluno leitor em relação ao seu horizonte de mundo, então o sentimento que surge naturalmente é o da inexistência de uma pedagogia de leitura direcionada à vida e à existência humana, conforme mostram os relatos de alguns dos participantes da Oficina de Leitura:

O método de leitura da oficina é muito diferente do da escola, que é voltado a livros “exatos”, sem histórias, [...] apenas necessário para o aprendizado da nossa área, tornando-se muitas vezes monótono e chato. (Participante 4).

Na oficina você lê o livro que tem vontade, na escola o que tem que ser lido [está] de acordo com a série [do aluno], ou que venha a estar relacionado a questões de vestibular. (Participante 5).

Em minha opinião, na escola não há incentivo à leitura. (Participante 6).

A leitura utilitária, decodificadora e obrigatória está associada a uma atividade monótona, entediante. Por não haver uma relação voluntária com os textos, uma busca pessoal motivada por interesses próprios, por ser uma atividade “forçada”, não espontânea, a Participante 6 considera ausente uma política de incentivo à leitura na escola. Aqui nos defrontamos com as duas vertentes da leitura existentes, segundo Roger Chartier, citado por Petit (1999, p. 19-20): o poder absoluto que se atribui ao texto escrito e da liberdade do leitor. A escola utiliza os textos escritos com o intuito de moldar leitores, submetê-los a uma “identidade coletiva” homogênea. Para Manguel (2011), a razão é muito clara, e diferencia um leitor de um mero decodificador de palavras escritas:

En nuestros tiempos, la mayoría de la gente del mundo es superficialmente letrada, capaz de leer un anuncio y de firmar un contrato, pero eso no basta para volvernos lectores. Leer es la capacidad de entrar en un texto y explorarlo al máximo de nuestras habilidades personales, tomando posesión de él en un acto de reinvención. Pero un sinfín de obstáculos […] se interponen en el camino de ese logro. Precisamente por el poder que la lectura le da al lector, los diversos sistemas políticos, económicos y religiosos que nos gobiernan temen a semejante libertad de la imaginación. La lectura en su mejor expresión puede llevar a la reflexión y el cuestionamiento, y la reflexión y el cuestionamiento pueden llevar a la objeción y al cambio. Eso, en cualquier sociedad, es una empresa peligrosa.28 (MANGUEL, 2011, p. 461).

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Em nossos tempos, a maioria das pessoas no mundo é superficialmente letrada, capaz de ler um anúncio e assinar um contrato, mas isso não é suficiente para nos tornarmos leitores. Ler é a capacidade de entrar em um

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A Oficina de Leitura surge então como um espaço de reflexão e debate, com a presença de livros literários, para que a convivência e a troca de experiências com outros interlocutores possam permitir um maior desenvolvimento do sujeito leitor, a partir do desenvolvimento da leitura competente.

A linguagem expressiva (textual, audiovisual, musical etc.) é empregada como um instrumento de fomento de ideias, de interação verbal, de maneira que a linguagem interior de cada leitor participante é afetada pela linguagem exterior dos textos e dos discursos dos seus interlocutores. Nesse aspecto, diferentemente dos suportes linguísticos informativos empregados pela escola para o desenvolvimento cognitivo e profissional dos alunos, a Oficina de Leitura propõe uma discussão interdiscursiva visando, primeiramente, ao envolvimento dos alunos com os temas, autores e textos trabalhados para, somente depois, considerar aspectos formais associados a competências lingüísticas. Os relatos abaixo mostram a diferença entre o método empregado pelo professor leitor e a escola:

[O professor leitor] não se limitou só em falar para nós e em indicar livros, utilizou de outros meios como internet, música e filmes para passar o seu ponto de vista. (Participante 1).

[Na oficina], a leitura não se prende apenas à leitura tradicional, mas também a visual, que é muito útil, pois exercitamos o senso crítico. (Participante 7).

Na escola, geralmente trabalhamos com textos curtos, exercícios de interpretação, citação de autores. [...] Na Oficina de Leitura conhecemos obras de autores, discutimos sobre livros ou partes de algum livro, sobre a leitura em si; nossas percepções de leitura, as influências disso em nós, enfim, a interação com esse universo das letras é maior. (Participante 8).

A leitura dialógica realizada na oficina, ao se diferenciar do modelo “tradicional”, direcionado à interpretação de textos, cria um ambiente intimista, mais propício às mudanças no comportamento leitor. Segundo Petit, é importante que, visando à permanência e ao interesse literário dos alunos voluntários, seja criado um ambiente de aconchegante hospitalidade, em que muitos livros estejam presentes e que possam ser apresentados por um facilitador leitor. “En efecto, ‘encontrar vida en las palabras’ supone ‘estar con los libros sin escrúpulos’. [...] Es decir, esos objetos no deben convertirse en monumentos intimidatorios,

texto e explorar o máximos de nossas habilidades pessoais, tomando posse desse ato em um ato de reinvenção. Mas inúmeros obstáculos [...] interpõem-se no caminho dessa realização. Precisamente por causa do poder que a leitura dá ao leitor, os vários sistemas políticos, econômicos e religiosos que nos governam temem tamanha liberdade de imaginação. A leitura em sua melhor expressão pode levar à reflexão e ao questionamento, e a reflexão e o questionamento podem levar à objeção e à mudança. Isso, em qualquer sociedade, é um negócio perigoso. (Tradução nossa)

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repulsivos”29 (PETIT, 2009, p. 43). Nesse aspecto, considerando que as representações sociais são criadas por pessoas ou grupos específicos, uma vez que elas são o produto de ações e comunicações humanas, o ambiente de interação verbal proporcionado pela Oficina de Leitura pode estimular a desconstrução de certas representações e a construção de outras novas.

Podemos afirmar que o que é importante é a natureza da mudança, através da qual as representações sociais se tornam capazes de influenciar o comportamento do indivíduo, participante de uma coletividade. É dessa maneira que elas são criadas, internamente, mentalmente, pois é dessa maneira que o próprio processo coletivo penetra, como o fator determinante, dentro do pensamento individual. (MOSCOVICI, 2010, p. 40).

A utilização de distintos suportes discursivos é uma indicação concreta de uma mudança ou transformação de paradigmas. Essa prática de leitura, quando dialógica, poderia provocar reflexões críticas e comparativas que, se discutidas e compartilhadas coletivamente, estabeleceria novas representações sociais sobre a leitura dos livros literários, que devem estar à disposição durante os encontros, para a “propaganda” do professor leitor, empréstimos dos alunos e, inclusive, para que os próprios alunos possam mostrar uns aos outros os livros que leram ou que têm interesse em ler (PETIT, 2009, p. 36).

A leitura dialógica surgiria então a partir de uma diversificação maior de suportes discursivos e de uma troca maior de ideias entre os participantes, que representariam a própria diversidade do mundo e a própria maneira de estar no mundo, em constante contato com uma grande variedade discursiva, em um ambiente de acolhimento afetuoso e respeitoso, em que o respeito e a escuta são virtudes extremamente valorizadas.

Una vez más, es necesario deshacernos de las formas dualistas de pensar. Lo “no literario” y “lo literario” representan dos formas de lectura. Dado que ambos aspectos, el referencial y el afectivo, siempre estarán presentes en cierta medida durante la transacción, estas formas de lectura son diferentes pero no contradictorias. Forman parte de um continuum.30 (ROSENBLATT, 2002 [1938], p. 15).

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"Na verdade, ‘encontrar vida nas palavras’ implica ‘estar com os livros sem escrúpulos’. [...] Ou seja, esses objetos não devem se tornar monumento intimidantes, repulsivos" (tradução nossa).

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Mais uma vez, é necessário que nos desfaçamos das formas dualistas de pensar. O "não-literário" e o "literário" representam duas formas de leitura. Uma vez que ambos os aspectos, o referencial e o afetivo, sempre estarão presentes, até certo ponto, durante a interação, essas formas de leitura são diferentes, mas não contraditórias. Formam parte do um continuum (tradução nossa).

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Dessa maneira, a leitura dialógica – diversificada e interativa – permitiria uma melhor construção de um “ponto de vista” pelo grupo de alunos da Oficina de Leitura e, nesse aspecto, coincide com a própria função da representação social.

Benzer Belgeler