3. ÇAĞDAŞ TÜRK LEHÇELERİNDE YARDIMCI FİİLLER
3.1. Yardımcı Fiiller
A história da aparição da Virgem é bem conhecida de todos. Frei Juan de Zumárraga
118 Bernal Diaz de Castilho nasceu em 1492 e morreu em 1584. Conquistador e cronista espanhol que escreveu um relato sobre a conquista do México liderada por Hernán Cortés, com o qual serviu. Disponível em <
Http://pt.wikipédia.org > acesso em 08.05.2014.
119 Francisco López de Gómara. Eclesiástico e historiador espanhol que se destacou como cronista da conquista espanhola do México, apesar de nunca ter atravessado o Atlântico. Disponível em < Http://pt.wikipédia.org > acesso em 08.05.2014.
120Antonio de Tello foi um espanhol franciscano que morreu no ano de 1653. Escreveu várias crônicas e foi considerado o mais qualificado de Nova Galícia. Refletiu sobre alguns dos enfrentamentos entre espanhóis e indígenas, chegando a sustentar que o demônio havia se apropriado dos títulos divinos que aparecem na Sagrada Escritura, em relação a certas crenças indígenas. Por outro lado, descobriu reminiscências de monoteísmo, restos de uma primitiva Revelação, entre alguns povos belicosos daquela zona. Mesmo quase todas as nações do mundo após o dilúvio terem caído no politeísmo, algumas reconheciam apenas um ser divino que chamavam Piltzintli, um deus em figura de criança que lhes dizia que havia um Deus no céu, de grande poder criador e, também, uma Senhora que era soberana virgem e que dela os homens haviam recebido a carne e que pedia que confiassem na sua ajuda. SARANYANA, Josep-Ignasi (Dir.). GRAU, Carmen-José Alejos (Coord.). Teología em América
Latina, Desde los Orígenes a la Guerra de Sucesión (1493-1715). Vol. I. Madrid: Iberoamericana; Frankfurt AM
Main:Vervuert, 1999, p. 564-565.
121 Referência a Moctezuma II, cujo título, na época da chegada dos espanhóis era aquele que tem a palavra
preciosa, que o tornava chefe dos exércitos, autoridade religiosa e juiz supremo. Seu poder era conferido por
eleição entre um pequeno numero de pipiltin (nobres ou principales) que, após dias, deveriam chegar a uma decisão unânime. Seu cargo era completado por um assistente conselheiro, chamado de cihuacoatl ou serpente
fêmea, que apesar do nome, também era exercido por um homem. SANTOS, Eduardo Natalino dos. Deuses do México Indígena: estudo comparativo entre narrativas espanholas e nativas. São Paulo: Palas Athena, 2002, p.
77.
122 UGARTE, Ruben Vargas, S.J. História del Culto de Maria em Iberoamérica y de sus imagenes y santuários
era bispo do México, na época, quando no cerro de Tepeyac, perto da capital, de 9 a 12 de dezembro de 1531, foi procurado por um índio batizado com o nome de Juan Diego, dizendo que Maria teria aparecido e falado com ele. Dada a incredulidade do bispo, ao oferecer a Zumárraga as rosas que a Senhora mesma teria enviado ao religioso como um sinal de sua real aparição, Diego, sem querer, derrubou-as e no manto onde foram carregadas durante o trajeto, teria surgido ali, semelhante a uma pintura, a imagem de Maria, a Morenita. A Virgem de Guadalupe teve a tem uma importância fundamental para a história do México e está representada na Catedral de Puebla. Como podemos ver, a imagem da santa está localizada bem ao centro da cena e rodeada por diversos medalhões que narram as suas aparições. Nas cenas secundárias aparecem anjos que levam os atributos guadalupanos. Segundo alguns especialistas, esta seria a interpretação mais correta da Virgem, uma obra atribuída a Luis Berrueco.
Figura18- Os milagres da Virgem de Guadalupe, anônimo, séc. XVIII. 123
123 Catedral de Puebla, México. MARTÍN, Maria Isabel Fraile. La iconografia mariana en la catedral de Puebla.
Na realidade, tais relatos das aparições ocorreram pela primeira vez no texto indígena Nican Mopohua (aqui se narra), atribuído a um índio ilustre, Antonio Valeriano (1520-1605), talvez parente de Moctezuma II (que foi contemporâneo dos fatos), aluno e depois professor do colégio Santa Cruz de Tlatelolco, fundado pelos missionários franciscanos em 1536. Os relatos das aparições guadalupanas foram muito questionados desde o ponto de vista histórico e sobre eles surgiram muitas e diversas interpretações. A própria autoria do Nican foi bastante discutida. 124
As fontes escritas sobre as aparições surgiram no pontificado de Alonso de Montúfar, sucessor de Zumárraga. Isso significa que os primeiros testemunhos mais precisos, datam de 1555-56, uns 25 anos depois do fato ocorrido. Diante da situação, os anti-aparicionistas argumentavam que a devoção inicialmente se dera apenas entre os criollos, e que a difusão entre eles teria sido tardia, generalizando-se apenas depois de 1648, por obra do bachiller e criollo mexicano Miguel Sánchez. 125 Os indígenas, portanto, não teriam começado a compartilhar seriamente tais crenças até a segunda metade do século XVIII. Além do mais, os críticos consideravam tudo uma invenção de Miguel Sánchez, que teria tido uma grande habilidade de propor aos criollos mexicanos um símbolo de sua identidade, supostamente estampado no manto do índio batizado com o nome de Juan Diego.
O fato é que não se pode negar que em Tepeyac havia o culto a Virgem Maria desde os primeiros momentos da “conquista” do México e que este culto competia com outras nomeações marianas, como, por exemplo, a Virgem dos Remédios, mais popular, no começo. Bernardino de Sahagún 126 chegou a escrever sobre o seu temor de que tal culto massivo viesse a constituir um sincretismo religioso que, na realidade, começou a ser detectado por
124 Segundo Ugarte, Antonio Valeriano era um índio natural de Atzapotzalco, aluno do Colégio de Santa Cruz de Tlaltelolco em 1553 e professor mais tarde deste mesmo colégio. Valeriano teria escrito de seu próprio punho os relatos da aparição na língua nahuatl, muito pouco depois de ocorrido o fato, e, embora o original tenha se perdido, diz que existia o documento até final do século XVII, pois testemunhos o haviam visto. Das mãos de Valeriano teria passado às de um nobre descendente dos reis de Texcoco, D. Fernando de Alba (1570-1648), que ao morrer deixou o manuscrito e todos os seus papéis a Carlos Sigüenza y Góngora que, quando morreu passaram à Biblioteca do Colégio da Companhia de Jesus do México. Segundo, ainda, Ugarte, é desta relação que procedem as publicações do presbítero Miguel Sánchez, da Congregação do Oratório. UGARTE, Ruben Vargas, S.J. História del Culto de Maria em Iberoamérica y de sus imagenes y santuários mas celebrados. Madrid: Talleres Gráficos Jura,1956, p. 165.
125 Miguel Sánchez publicou em 1648, La Imagem de la Virgen María de Dios de Guadalupe, que influenciaria nos sermões posteriores. SARANYANA, Josep-Ignasi (Dir.). GRAU, Carmen-José Alejos (Coord.). Teología em
América Latina, Desde los Orígenes a la Guerra de Sucesión (1493-1715). Vol. I. Madrid: Iberoamericana;
Frankfurt AM Main:Vervuert, 1999, p. 499-500.
126 Bernardino de Sahagún que nasceu em 1499 e morreu em 1590, foi um franciscano espanhol. Estudou Artes e Teologia em Salamanca, provavelmente entre 1514 e 1520, época em que ingressou na ordem franciscana.
volta de 1560, em substituição ao culto asteca da deusa Tonantzin. Esse medo relatado por Sahagún poderia representar, precisamente, um testemunho da antiguidade e da popularidade do culto guadalupano entre os indígenas. Logo abaixo, uma representação da deusa, que se encontra no Museu de Antropologia do México.
Figura19-Representação da deusa Tonantzin. 127
De fato, pouco a pouco a devoção à Virgem de Guadalupe foi se tornando praticamente universal em todo vice-reinado da Nova Espanha chegando, inclusive, nas ilhas Filipinas e na Europa. “Filho meu, muito querido”, havia dito a Virgem ao índio batizado Juan Diego, “eu sou sempre a Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus, Autor da vida, Criador de tudo e Senhor do céu e da terra, que está em todas as partes”. A seguir, orientava que “é meu desejo que se construa um templo neste lugar, onde como Mãe piedosa tua e de teus semelhantes mostrarei minha clemência e a compaixão que tenho com os naturais”. 128 Segundo Octavio Paz, a figura de Guadalupe/Tonantzin está gravada no coração do México e é impossível entender aquele país e a sua história, se não se entender o que foi e o que ainda é Desempenhou vários cargos na Ordem e foi intérprete nos processos contra os idólatras. Conheceu com perfeição o náhuatl. Entre as várias obras que escreveu, destaca-se a Historia general de las cosas de Nueva España. 127 Tonantzin, Museu de Antropologia, México. < http://es.wikipédia.org > acesso em 22.09.2014.
128UGARTE, Ruben Vargas, S.J. História del Culto de Maria em Iberoamérica y de sus imagenes y santuários
o culto guadalupano. A Virgem foi o ponto de união de criollos, índios e mestiços e uma resposta a uma tripla orfandade: a dos índios porque Guadalupe/Tonantzin era a transfiguração de suas antigas divindades femininas; a dos criollos porque a aparição da Virgem converteu a terra da Nova Espanha em uma mãe mais real que a da Espanha; a dos mestiços porque a Virgem foi e é a reconciliação com sua origem e o fim da sua ilegitimidade.129 De certa forma, a cada um desses grupos correspondeu uma imagem teológica-social capaz de movê-los em torno de um objetivo em comum. Posteriormente, em 1754, Bento XIV proclamou-a oficialmente patrona do vice-reinado e, em 1910 Pio X confirmou-a como patrona principal de toda América Latina.