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A DOCUMENTAÇÃO É ORIUNDA SERTÃO RIBEIRA PIAUÍ Sertão do Piauí Sertão de Gorgueia Sertão de Parnaguá Sertão do Parnaíba Sertão do Ribaji Ribeira do Piauí Ribeira de Piracuruca Ribeira de Itachim Ribeira do Gorgueia Ribeira do Parnaguá Ribeira do Parnaíba Ribeira de Maratavan Ribeira do Corimatã Ribeira do Piauí Ribeira do Canindé Ribeira das Guaredas Ribeira de São João do Piauí

CEARÁ Sertão de AcaracúSertão do Ceará

Ribeira do Ceará Ribeira do Jaguaribe Ribeira de Aquiraz Ribeira de Acaracú Ribeira do Icó Ribeira do Aracati Ribeira do Pacati Ribeira de Ceará Grande

Ribeira do Curuajú Ribeira do Sitiá Ribeira do Caracú Ribeira do Banabuiú Ribeira de Canindé Ribeira de Coxitoré Ribeira do Inhamum Ribeira do Riacho do Sangue

RIO GRANDE DO NORTE

Sertão do Rio Grande do Norte Sertão do Açu

Sertão de Santa Cruz Sertão do Mossoró

Sertão do Seridó

Ribeira do Rio Grande do Norte Ribeira do Ceará-Mirim Ribeira do Açu Ribeira do Apodi Ribeira do Seridó Ribeira do Upaneminha Ribeira do Potengi Ribeira do Trairi Ribeira do Jundiaí Ribeira do Cunhaú Ribeira de Goianinha Ribeira de Mopebu Ribeira do Upanema Ribeira do Mossoró Ribeira do Sul PARAÍBA Sertão da Paraíba Sertão do Cariri Sertão do Piancó Sertão do Rio do Peixe Sertão do Cariri de Fora

Sertão das Piranhas Sertão do Meriri Sertão do Jacu Sertão do Seridó Sertão do Quintorore Sertão de Mamaguape Sertão do Patú Sertão da Natuba Ribeira da Paraíba Ribeira dos Brancos Ribeira das Piranhas Ribeira de Piancó Ribeira de Inhaém Ribeira do Inhobim Ribeira do Seridó Ribeira do Rio do Peixe

Ribeira do Patu Ribeira do Cariri de Fora Ribeira do Riacho Salgado

Ribeira do Taipu Ribeira do Pajeú Ribeira das Piranhas de Cima

Ribeira dos Moios

PERNAMBUCO Sertão do MaxotóSertão do Pajeú Ribeira de Pernambuco Ribeira de Goiana Ribeira do Beberibe Ribeira do Capibaribe Ribeira do Tracunhaém Ribeira do Camaragibe Ribeira do Ipojuca Ribeira do Una Ribeira de Barcarena Ribeira de Curaú Ribeira do Moxotó Ribeira do Paudalho Ribeira do sertão do Pajeú

Ribeira do Panema Ribeira do Pão Ribeira Curuangi

Ribeira Pirapora Ribeira do Capibaribe da Mata

Ribeira do Panaema

BAHIA

Sertão da Bahia Sertão de Aporá Sertão do São Francisco

Sertão de Inhampube Sertão do Rio Pardo Sertão de Vaza Barris Sertão do Rio das Contas

Distritos do Sertão Sertão do Rio Real Sertão de Água Fria Sertão de Inhambupe de Cima Sertão de Cima do Arcebispado da Bahia

Sertão do Tijuco Sertão do Sul Sertão dos Morrinhos

Sertão do Gavião Sertão de Baixo Sertão de Cima Sertão de Jacobina

Ribeira da Cidade da Bahia Ribeira da Bahia

Ribeira de Pena Ribeira do Rio Vermelho

Ribeira do Itapicurú

Menções a “sertões” e “ribeiras” das capitanias do Norte nos documentos do Arquivo Histórico Ultramarino (AHU) disponibilizados na rede mundial de computadores pelo Projeto Resgate.

Obs: Obviamente nas milhares de páginas arquivadas no AHU deve haver menção a mais sertões e ribeiras. Livre construção da autora.

Constata-se assim a pluraridade de sertões que o conceito genérico ocultava e oculta. “SERTAÕ

Regiaõ, apartada do mar, & por todas as partes, metida entre terras”68. Sertão assim aparece

conceituado no século XVIII no dicionário do Pe. Raphael Bluteau e se refere a qualquer zona interiorizada, ganhando designativos como norte e sul, e outros mais específicos relacionados a topônimos locais como vimos na tabela acima. O significado mantém-se nos dicionários do século XIX (“o interior, coração das terras”69) e nas definições subsequentes.

“Vou lhe falar. Lhe falo do sertão. Do que não sei. Um grande sertão! Não sei. Ninguém ainda sabe. Só umas raríssimas pessoas – e só poucas veredas, veredazinhas”

(ROSA, [1956] 2001: 116). A literatura, seguindo as designações do IBGE e da SUDENE, eternizou um conceito uno de Sertão

Nordestino, cristalizando no imaginário coletivo um retrato desse sertão entre tantos outros. Colocou

em foco as entranhas do Brasil, seus costumes e sua gente. Embora cada autor tenha escrito do ponto de vista do seu próprio “lugar” geográfico (José de Alencar - Ceará; Graciliano Ramos - Alagoas; Gustavo Barroso - Ceará; Rachel de Queiroz - Ceará; Guimarães Rosa - Minas Gerais; Euclides da Cunha - Bahia), o termo sertão findou abrangendo um imenso território que apesar de

68 BLUTEAU, Raphael. Vocabulario Portuguez & Latino,:aulico, anatomico, architectonico... Coimbra: Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1712 - 1728. 8 v.

69 GUERRA, M. J. Julio. Diccionario topographico para uso dos engenheiros civis e seus auxiliares. Lisboa: Typographia Universal, 1870: 104.

suas características naturais e humanas distintas, aparece representado a partir do que lhe é comum, quase arquetípico, como o lugar da seca, da resistência, das lutas etc, terminando por delimitar um território social fortemente reconhecido por seu cotidiano parecido para além das fronteiras políticas dos atuais estados da região e das paisagens naturais e humanas heterogêneas que o constituem. Para Antonio Carlos Robert de Moraes (2009: 97 - 98), “o sertão é uma figura do imaginário da

conquista territorial, um conceito que ao classificar uma localização opera uma apropriação simbólica do lugar, densa de juízos valorativos que apontam para sua transformação”, configurando-se como

“um símbolo imposto - em certos contextos históricos - a determinadas condições locacionais, que

acaba por atuar como um qualificativo local básico no processo de sua valoração” (MORAES, 2009:

89). Conclui Moraes (2009:89) que “o sertão não é um lugar, mas uma condição atribuída a variados

e diferenciados lugares”.

Segundo o autor (2009: 91), o sertão “só pode ser definido pela oposição a uma situação geográfica

que apareça como sua antípoda”, ou seja, “para existir o sertão é necessária a existência de lugares que não sejam englobados nessa denominação, que apresentem condições que exprimam o oposto do qualificado para tal noção”. Compartilha dessa assertiva, Nísia Trindade Lima:

“A idéia de um país moderno no litoral, em contraposição a um país refratário a modernização, no interior, quase sempre conviveu com concepção oposta, que acentuava a autenticidade do sertão em contraste com o parasitismo e a superficialidade litorâneos” (LIMA, 1999: 33).

Na mesma linha de discussão, a antropóloga Maria Cristina Pompa (2001) caracteriza a maneira como os diferentes sertões foram descritos no período colonial:

“[...] por meio de imagens em oposição, representando ao mesmo tempo espaço vazio e lugar de riquezas, reino da barbárie e da selvageria e paraíso de liberdade: território vazio, o sertão é o espaço que, no pano de fundo da nascente colônia, povoa-se de imagens, construídas a partir de elementos existentes em seu imaginário e conforme as situações específicas criadas pela situação colonial” (p. 200).

Para Pompa (2001), “[...] mais que uma delimitação geográfica, o sertão é um espaço físico e

também um lugar cultural, que vem sendo construído aos poucos pelos agentes e, principalmente, pelos relatos coloniais” (p. 199). Também, Guedes (2006) diz que “[...] o sertão colonial pode ser melhor compreendido como um registro simbólico do que como um espaço físico delimitável [...] o sertão se constitui numa fonte abundante de representações forjadas pelo imaginário social da época e pelas relações sociais que foram se configurando ao longo do tempo (GUEDES, 2006: 25).

Concordamos que, diante do exposto pelos autores supracitados, sertão não pode configurar uma unidade de análise de nossa tese, porém entender sua apropriação é fundamental para perceber a dinâmica das relações sociais que delimitaram socialmente o “nosso sertão” e nele deixaram vestígios materiais na paisagem cultural contemporânea. Esses sertões foram timidamente adensados, e assim perduraram no século XIX e subsequentes. As freguesias e vilas ali instaladas mantiveram-se discretas. Ainda hoje, é um universo inóspito, marcado por longas distâncias e imensos vazios. Além da resistência indígena, a geografia física é inóspita, fato que dificultou sua ocupação. Para fazer face a esse quadro, Regimentos Militares foram essenciais no controle de um território marcado mais pelos vazios que pelos cheios. Na documentação do AHU encontramos diversos Regimentos direcionados ao controle dos sertões e ribeiras do Norte.

TABELA 2: REGIMENTOS MILITARES PARA CONTROLE DAS RIBEIRAS E SERTÕES DO NORTE

Benzer Belgeler