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6. AYDINLATMA

6.8. Yapay Aydınlatma Ürünleri

Como se caracterizam as escolas em que atuam os três professores coordenadores indicados como bem sucedidos por seus pares? Essa é uma questão central para analisar o

trabalho desempenhado na coordenação pedagógica. Por isso, antes de dar-lhes a “voz”, caracterizaremos brevemente as escolas.

Os professores entrevistados atuam em escolas que têm algumas características em comum. Considerando o número de alunos matriculados, todas as unidades escolares são de porte médio104: a escola de Bauru tem 545 alunos e 32 professores, em Jaú há pouco mais de 800 alunos e um corpo docente formado por 60 professores, já em Araraquara há 780 alunos e 53 professores. As escolas de Jaú e Bauru oferecem o Ciclo II do Ensino Fundamental e o Ensino Médio. Já a escola de Araraquara tem apenas turmas do Ensino Fundamental.

Sintetizando algumas características físicas dessas escolas, podemos perceber que:

ITENS ESCOLA BAURU ESCOLA JAÚ ESCOLA ARARAQUARA

Nº salas de aula 15 23 23

Porte Médio Médio Médio

Prédio Déc. 70 com muitas adaptações Déc. 60 construção ainda original Déc. 60 c/ algumas adaptações

Est. conservação Bom Ótimo Bom

Tamanho salas Pequenas Amplas Pequenas

Ventilação salas Pouco arejadas Arejadas Arejadas

Biblioteca Pequena e improvisada Sala própria e grande Sala própria e pequena

Quadra Coberta Coberta Coberta

Pátio Pequeno Amplo Amplo

Refeitório Pequeno Grande Grande

Sala professores Pequena Grande Pequena

Sala reuniões Não há Não há Não há

Sala coordenação Minúscula Pequena Pequena

Sala direção Não há Ampla Pequena

Corredores Estreitos Amplos Amplos

QUADRO 20 - Características físicas das escolas em que atuam os três PCs.

Em relação às condições físicas das escolas podemos dizer que elas apresentam bom estado de conservação: em nenhuma delas foram observadas paredes pichadas e salas de aula

104 A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo identifica as escolas que tem entre 300 e 1000 alunos como

deterioradas ou carteiras quebradas e amontoadas (situação muito comum nas escolas paulistas). Já a disposição dos cômodos e suas condições são bastante variáveis, podendo ser encontradas desde salas amplas, agradáveis e arejadas, como é o caso da Diretoria de Jaú, até salas de aula pequenas e apertadas, como ocorre em Bauru e Araraquara (com a diferença que as salas da escola de Araraquara são bem arejadas).

Na Diretoria de Bauru, onde trabalha a mais experiente dos PCs, é que encontramos um espaço físico menos aconchegante. A escola foi construída em 1958 em um terreno bastante pequeno105, onde um muro a separa de uma igreja católica. Não há espaços para amplos jardins ou áreas de convivência ao ar livre. Em seu interior, tudo é bastante apertado e improvisado, seus corredores são estreitos e não há sala específica para direção que acaba dividindo espaço com a secretaria. A biblioteca é pequena, apesar de ter bastantes livros. A sala dos professores é pouco ampla e serve também como espaço para as reuniões, já a sala da coordenação106 é extremamente apertada e, apesar dos esforços da PC em mantê-la organizada, parecia estar sempre “fora de ordem” com muitas coisas para serem guardadas, o que lhe dava um aspecto de depósito e obrigava a PC a movimentar-se com dificuldades entre as caixas e materiais acumulados nos cantos.

A escola de Jaú ocupa uma quadra completa na região central da cidade. Ela foi construída107 em 1963 e apresenta salas de aula amplas e arejadas. Ela tem amplos espaços ocupados por jardins e árvores, onde há bancos para os alunos sentarem, lerem e conversarem. Tem um grande refeitório, pátio coberto e despensas. A biblioteca é grande, com muitos livros organizados por seções e tem, até mesmo, uma videoteca. A sala dos professores é ampla, organizada e mobiliada com armários antigos, sendo um local bastante

105 A impressão que tivemos é que o prédio foi construído para atender uma clientela pequena e de ensino

primário. Mas, talvez, com os passar dos anos e com a expansão urbana, ela tornou-se exígua para atender a clientela que vive em seu entorno.

106 A sala da coordenação era extremamente pequena. Havia na sala apenas uma pequena escrivaninha, uma

cadeira, um armário, um computador e um pequeno banco onde a coordenadora recebia as pessoas.

107 O prédio atual foi construído na década de 60, mas a escola já funcionava como grupo escolar em outro local

aconchegante. Os corredores são amplos e nos espaços que separam a ala administrativa das salas de aula há muitos vasos de coloridas flores. Há salas separadas e muito bem arrumadas para direção e vice-direção. A secretaria é bem ampla e arejada. A sala da coordenação, apesar de pequena, é organizada e com muitos materiais à disposição dos professores.

A escola de Araraquara, cuja construção é a mais antiga, data de 1946, ainda conserva muitos aspectos de sua construção original e tem um amplo espaço externo onde também se observa a presença de muitas e grandes árvores. Ela apresenta salas de aula pequenas, mas muito bem arejadas. Suas janelas são cobertas por limpas cortinas e seus corredores são amplos. A secretaria e a sala da direção ficam próximas às salas de aula e apresentam tamanho adequado, sendo que ambas tem ainda móveis antigos que compunham o mobiliário escolar, tais como chapeleira e grandes escrivaninhas. A sala da coordenação, muito arrumada, foi improvisada em um espaço externo, onde anteriormente funcionava uma despensa. A sala dos professores foi acomodada em um espaço improvisado, mas ela é ampla e com muitos armários para os professores guardarem os materiais. A biblioteca funciona em uma sala pequena e não há espaços para os alunos circularem ou fazerem consultas.

Considerando as características pedagógico-administrativas das escolas, temos:

ITENS ESCOLA BAURU ESCOLA JAÚ ESCOLA ARARAQUARA

Rotatividade pequena Pequena Pequena

Condição funcional Maioria profs. efetivos Maioria profs. efetivos Maioria profs. efetivos

Experiência escola Mais de 5 anos Mais de 5 anos Mais de 5 anos

Itinerância Pequena (exceto noturno) Pequena (exceto noturno) Pequena (exceto noturno)

Atuação na docência Superior a 5 anos Superior a 5 anos Superior a 5 anos

Direção Efetiva Efetiva Efetiva

Quadro 21 - Características pedagógico-administrativas das escolas em que atuam os três PCs.

Em relação às características pedagógico-administrativas, as escolas apresentam alguns traços em comum: todas são de médio porte com maioria do corpo docente efetivo e

trabalhando na escola há mais de cinco anos, portanto, há uma relativa estabilidade do corpo docente. A maioria dos professores também não acumula aulas em diferentes redes, por isso a itinerância é pequena e, os casos de professores que circulam entre várias escolas é comum apenas no período noturno.

Nos três casos a direção é efetiva e o cargo é ocupado por diretores que trabalham na unidade escolar há mais de cinco anos. Os três PCs afirmaram ter uma relação cordial com a direção, havendo respeito pelo trabalho desenvolvido pelos ocupantes da função. Apesar de se sentir respeitada, a PC de Jaú diz que sofria uma “leve” pressão da direção para fazer os projetos que vinham da SEE e, afirma que, na maioria das vezes, os realizava para não se indispor com a diretora e manter um clima agradável na escola.

Quanto às características do entorno social e da comunidade atendida pelas escolas, temos:

ITENS ESCOLA BAURU ESCOLA JAÚ ESCOLA ARARAQUARA

Localização Periferia Centro Bairro classe média

Clientela Camadas populares

Moradores bairro

Camadas médias e populares Moradores de diferentes bairros

Camadas médias e populares Moradores de diferentes bairros

Part. comunidade Pequena Grande Pequena

Quadro 22 - Características do entorno social e da comunidade atendida pelas escolas em que atuam os três PCs.

Em relação à clientela atendida pelas três escolas, notam-se algumas diferenças evidentes entre elas. A escola da Diretoria de Jaú está localizada no centro da cidade e atende alunos de diversos bairros, alguns bem distantes, e de diferentes frações de classes sociais, havendo um predomínio de alunos da classe média baixa que foge dos elevados preços cobrados pelas escolas particulares das cidades da região, já que não há no município escolas privadas. A escola da Diretoria de Araraquara está localizada em um bairro de classe média próximo ao centro da cidade. No passado, a escola atendia os filhos de ferroviários que moravam em seu entorno, mas com o passar dos anos, a escola passou a ser circundada por

bairros mais nobres, o que a levou a atender uma população de classe média que, atualmente, divide o mesmo espaço com alunos de áreas rurais e de bairros mais distantes. Já a escola da Diretoria de Bauru está localizada em um antigo conjunto habitacional situado na periferia da cidade e bastante distante do centro. Ela atende apenas alunos de camadas populares que são moradores dos arredores.

A participação dos pais na escola da Diretoria de Bauru é pequena e a direção utiliza algumas estratégias para atraí-la para as reuniões bimestrais e para as festas comemorativas, tais como a distribuição de cestas básicas e o sorteio de brindes. Porém, nesta escola, há um aspecto que facilita a relação dos professores com os pais no cotidiano: o tempo de atuação dos docentes na escola. Por trabalharem há vários anos na mesma escola, os professores conhecem os alunos e seus pais, bem como as dificuldades que são por eles vivenciadas. Quando não há possibilidade dos pais irem até a escola, os professores utilizam o contato via telefone. Na escola de Araraquara, a participação dos pais no cotidiano da escola também é pequena, porém eles participam maciçamente das reuniões bimestrais marcadas pela escola. Já a escola da Diretoria de Jaú é a que apresenta uma atuação mais efetiva dos pais, diferentemente das cidades maiores. Nesta escola, a comunidade participa ativamente das atividades propostas, tais como festas e gincanas. Além disso, os pais participam também das reuniões de Conselho de Classe/Série, pois elas são abertas à comunidade.

A imersão no cotidiano das escolas em que os PCs trabalham, permitiram apontar alguns elementos importantes que ajudaram a interpretar o bom desempenho na função de coordenação pedagógica. Nas escolas em que eles trabalham há pequena rotatividade do corpo docente, pois é elevada a presença de professores experientes e efetivos na rede estadual de ensino. Além disso, a itinerância é pouco freqüente, pois seu corpo docente atua prioritariamente na rede estadual. Infelizmente, há itinerância no período noturno, pois as escolas apresentam poucas salas de aula para compor a jornada dos professores. Em razão da

pequena rotatividade e itinerância, o grupo de professores é coeso e articulado. À permanência dos docentes pode ser somado o papel da direção que, nos três casos, é efetiva e representada por diretores que estão há mais de cinco anos na unidade escolar, além do tamanho das escolas que apresentam porte médio (entre 300 e 800 alunos). A articulação do coletivo se reflete na presença de projetos políticos pedagógicos que tem objetivos claros e postos em prática pela equipe escolar.

A coordenação pedagógica nestas escolas atua com uma relativa autonomia, não havendo sérios conflitos entre a direção e os PCs. Por outro lado, os investigados além de serem professores experientes, apresentaram mais de cinco anos consecutivos de trabalho na função na mesma escola. Eles evidenciam também um forte compromisso com a profissão e com a educação dos alunos, seja no sentido pedagógico ou social.

Consideramos que essas características das escolas e do corpo docente ajudam a explicar porque o trabalho se diferencia em relação tantos outros PCs que ocupam a mesma função nas demais escolas. Inúmeras pesquisas algumas mais recentes (Dias-da-Silva, 2001; Dias-da-Silva e Lourencetti, 2002; Lourencetti, 2004; Marin e Guarnieiri, 2002; Sampaio e Marin, 2004; Oliveira, 2003; Zibas, 2005; Almeida, 2006) e outras produzidas em décadas passadas (Pereira, 1969; Pereira, 1967; André e Mediano, 1989; Mediano, 1998) apontam a importância e a necessidade de se considerar as condições objetivas de trabalho para a

“sustentabilidade pedagógico-cultural de qualquer política educacional” (Zibas, 2005).

À escola só é possível ser lócus de formação e de profissionalização se esta tiver condições mínimas de desenvolvimento coletivo. Diferentemente da maioria das escolas paulistas “cujos ritos e regras parecem mais promover o aprisionamento que o

aprimoramento do desenvolvimento profissional” (Dias-da-Silva, 2001), as escolas em que

trabalham os três PCs oferecem oportunidades de construção de formas de enfrentamento para os problemas cotidianos.

Barroso et al (2006, p. 167), ao analisar instituições portuguesas de destaque em função de sua atratividade, afirma que as escolas investigadas apresentam alguns fatores que contribuem para oferecer um ensino diferenciado. Naquele contexto, são apontados como fatores importantes: a localização geográfica, o bom estado de conservação dos edifícios, a estabilidade do corpo docente e sua mobilização em torno dos projetos da escola e a existência de projetos educativos e planos de atividades que formam um conjunto de princípios orientadores muito fortes. Esses fatores são bastante semelhantes às escolas que pesquisamos nas três diferentes Diretorias Regionais de Ensino, o que confirma a importância das condições de trabalho para o desempenho satisfatório da função.

Também André e Mediano (1989) já apontavam há quase vinte anos atrás que a escola bem sucedida, alvo de investigação do tipo etnográfica, apresentava algumas características que interferiam de maneira positiva no desempenho dos alunos. Algumas dessas características são semelhantes às apresentadas por nossas escolas investigadas, tais como: a ênfase na disciplina escolar, o compromisso pedagógico e social dos professores e equipe escolar com a aprendizagem dos alunos e o comprometimento da supervisão escolar108 com a melhoria da qualidade do ensino.

Em síntese, as três escolas apresentam características gerais que divergem da situação comum vivenciada historicamente pelas escolas da rede pública estadual paulista. É nestas três escolas com condições de trabalho minimamente favoráveis, com pequena rotatividade e itinerância, presença de professores experientes, direção efetiva, entre outras coisas, que nossos entrevistados trabalham. Mas, quem são esses coordenadores? Como se caracteriza a trajetória individual de cada um deles? A seguir conheceremos um pouco mais esses sujeitos.

Benzer Belgeler