2. NANOTEKNOLOJİ
2.2.2.1 Yapısal Nanomalzemeler
A classificação do léxico em classes de palavras é, como vimos, uma preocupação central da tradição gramatical do Ocidente. No geral, há muitos problemas relacionados aos critérios majoritaria-
3 Como se esclarecerá no próximo capítulo, a Gramática Discursivo-Funcional, principal base teórica deste trabalho, dá total reconhecimento teórico ao cará- ter autotélico dessas frases, que, como atos discursivos, são um exemplo cabal de que uma teoria linguística não pode tratar apenas de sentenças completas, a não ser que não estejam comprometidas com o discurso, como ocorre geral- mente com as teorias formais.
mente nocionais de classificação, cujos traços definidores, preten- samente universais e excessivamente heterogêneos, não são mais que o reflexo de traços específicos da estrutura gramatical do grego e do latim.
Uma crítica óbvia à definição nocional simples de que um verbo denota ação é a de que basta comparar uma forma como atacar com um nome como ataque, por exemplo, que denota a mesma coisa. Outra crítica contumaz é a de que essas definições nocionais que povoam a gramática tradicional consistem num verdadeiro círculo vicioso, quando aplicadas a nomes abstratos, como eletricidade, ver-
dade, beleza. A única razão, segundo Lyons (1979), para dizer que
essas palavras denotam “coisas”, ou entidades, é que as palavras que as exprimem são nomes.
A ambiguidade na definição das classes também é motivada pela aplicação de critérios pouco esclarecedores. Segundo Lyons (1982), rótulos denominadores de classes, como nome, verbo etc., são empregados com a mesma ambiguidade que o termo palavra na expressão classe de palavras.
Longe de ser um problema meramente terminológico, distin- guir o item lexical “menino” de suas formas de manifestação me-
ninos, menina etc. se torna um procedimento metodológico neces-
sário, que impediria, por exemplo, o reconhecimento pela tradição gramatical de que uma mesma palavra poderia pertencer a duas di- ferentes classes. Esse problema é afeito principalmente a línguas de morfologia menos complexa, como o inglês, em que a forma broken pode ser classificada, conforme a distribuição sintática, como um
adjetivo ou um verbo.4
O que definiria a classe, nesses casos, não é somente o núcleo semântico, que, preservado no morfema lexical da palavra, fornece- ria critérios para afirmação equivocada de que a mesma “palavra” pode ser categorizada em diferentes classes. Numa interpretação distribucional, é a posição sintática da forma broken que permitiria
4 Já em português, pelo menos o particípio em tempos compostos se distingue do adjetivo por diferenças flexionais.
incluí-la ora numa classe de particípios verbais ora numa classe de adjetivos em inglês; assim, duas formas têm a mesma função sintá- tica se, e somente se, possuem a mesma distribuição, isto é, se são intercambiáveis em todas as sentenças gramaticais de uma língua (cf. Lyons, 1982, p.111).
O círculo vicioso se rompe quando se inclui na definição no- cional do nome que essa categoria denota entidades em função dos critérios de distribuição formal. Palavras como eletricidade, verdade e beleza distribuem-se na mesma classe formal de menino, pedra,
árvore e cachorro, ainda que estas pertençam, ao mesmo tempo, à
categoria de palavras que denota entidades físicas. As duas subclas- ses não são semanticamente coextensivas, mas a classe de distribui- ção formal permite incluir tanto as palavras que denotam entidades físicas quanto as que não denotam (Lyons, 1979). Só a partir da noção de distribuição formal é que seria possível uma caracteriza- ção adequada e não circular.
As formas que pertencem à mesma classe de distribuição va- riam de acordo com a aplicação de diferentes tipos de morfemas flexionais, que acabam servindo como um critério morfológico reforçador da identificação das categorias. Assim, os nomes se fle- xionam em caso, número e gênero, no que são acompanhados pelos determinantes e modificadores, e o verbo é conjugado de acordo com pessoa, número, tempo e modo.
A dependência distribucional das classes, que se vê em várias partes da proposta de Lyons (1979), abre caminho para a adoção de perspectiva teórica mais recente, que veio a ser conhecida como Teoria dos Protótipos. A ausência de coextensividade entre classe nocional e classe formal, ligeiramente esboçada aqui, dá margem para pensar que nomes denotadores de entidades abstratas apenas não constituem membros prototípicos de sua classe, que seriam justamente os que denotam entidades físicas e discretas.
Nessa possibilidade alternativa, em si mesma dificilmente su- jeita a controvérsias, a caracterização semântica é circunscrita a atributos criteriais que permitem a formulação de categorias proto- típicas. Nas duas últimas décadas, a proposta de que objetos físicos
são protótipos de nomes e a de que ações físicas são protótipos de verbos vem sendo discutida como enfoque alternativo à abordagem formal (Lyons, 1979; Givón, 1979, 1984; Hopper; Thompson, 1984; Langacker, 1987). Um traço geral desses trabalhos é a recusa em assumir a posição já tradicional na lógica formal de que o signi- ficado é redutível às condições de verdade da proposição.
Defendendo a possibilidade de definições nocionais de catego- rias gramaticais básicas, Langacker (1987) afirma que os argumen- tos contrários mais comuns são em geral superficiais e crucialmen- te dependentes de princípios dúbios. Sustenta a impossibilidade teórica de estabelecer uma definição semântica para categorias de nomes e verbos somente com base em critérios de inclusão catego- rial, determinados seja por condições suficientes e necessárias, seja por princípios lógicos baseados em condições objetivas de verdade.
Outro argumento comum contra definições nocionais é que tanto o nome quanto o verbo podem descrever o mesmo estado de coisas, como ocorre com o paralelismo entre atacar e ataque, acima mencio- nado. Assume-se tacitamente, numa concepção objetiva, que, como o significado da expressão é independente de concepção humana, é absolutamente determinado pela situação que ela descreve, ou seja, suas condições de verdade. Recusando essa visão, argumenta Langacker (1987) alternativamente que, como o nome e o verbo constroem o evento a partir de imagens contrastivas, representam não o mesmo estado de coisas, mas dois estados de coisas semanti- camente distintos, principalmente porque o uso da nominalização implica uma espécie de “reificação” conceptual do estado de coisas.