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Yapının Türkiye’deki Mevcut Yönetmeliklere Göre İncelenmesi

3. Örnek bir Hafif Çelik Yapının İncelenmesi

3.2. Yapının Türkiye’deki Mevcut Yönetmeliklere Göre İncelenmesi

Após a apresentação dos modelos de civilização apresentados por Sigmund Freud e por Herbert Marcuse, podemos perceber a intrínseca relação entre subjetividade e sociedade. Dado seu caráter intrínseco, faz-se primordial estabelecer algumas relações entre a esfera pública e a individual.

Freud falava de como a realidade e o jogo de repressão em que o momento histórico coloca o homem fazem com que este permaneça alheio de si:

O significado e evolução da sociedade nada mais é que ‘a luta entre Eros e a Morte’. As mudanças nas estruturas sociais são desprovidas de significado em si mesmas; elas afetam as condições dos seres humanos somente na medida em que fornecem saída para as necessidades psíquicas. (FREUD apud POSTER, 1979:47).

Podemos notar assim em que medida o homem está relacionado com a sociedade em que vive.

Essa sociedade pode ser repressiva ou permissiva (no caso desta última a abolição da propriedade privada no comunismo, por exemplo), e seja do modo que for afetará a subjetividade do homem de seu tempo. A sociedade repressiva do sexualismo, a Viena vitoriana na qual Freud nasceu e completou sua formação, forneceu-lhe pacientes em sua maioria do sexo feminino e que apresentavam também em sua maioria traços histéricos, os quais foram relacionados à repressão social dos instintos eróticos.

O século XX é marcado por essa consciência. Não apenas Freud, como inúmeros outros autores falam da relação entre subjetividade e sociedade. Como explicar o homem social?

Marcuse é um dos autores que aproxima o pensamento marxista do pensamento freudiano, afirmando que a acumulação de capital que se vive hoje representa um retorno “orgásmico” do reprimido, onde o trabalho é transformado quase que em uma atividade “lúdica” na qual os êxitos do capitalismo ao vencer a escassez econômica disponibilizariam as condições materiais para a alegria “órfica”. O apoio nos instintos é pré-social, mas não somente, também é social uma vez que esses instintos

se transformam na forma de acúmulo de capital; são o elo entre a estrutura psíquica e a estrutura social.

O modo como os valores são internalizados no indivíduo depende de como esses valores são apresentados na realidade. Sendo assim, o acúmulo de capital e a exaltação da riqueza econômica formariam a subjetividade do indivíduo alienado de si, voltado para o trabalho e que tem como objetivo e fim a possessão de bens, pois é com esses bens que o sujeito se identifica e através dos mesmos que ele se coloca no mundo como indivíduo social.

O campo das relações humanas no sentido freudiano é semelhante ao comércio, ou seja, é uma troca de necessidades biologicamente dadas.

Segundo Freud, qualquer acontecimento, seja no plano individual ou no plano cultural, se desenvolve por meio de forças que lutam e se reposicionam sempre. É devido então à repressão que homens podem estabelecer-se em comunidades, convivendo e construindo laços sociais, uma vez que a falta de controle sobre as forças instintivas tornaria desenfreada a busca de satisfação das mesmas, impossibilitando as relações sociais.

(...) finalmente – e isso parece o mais importante de tudo -, é impossível desprezar o ponto até o qual a civilização é construída sobre uma renúncia ao instinto, o quanto ela pressupõe exatamente a não-satisfação (pela opressão, repressão, ou algum outro meio?) de instintos poderosos. Essa “frustração cultural” domina o grande campo dos relacionamentos sociais entre os seres humanos. (FREUD, 1997a: 52)

No entanto, Marcuse denuncia o exagero da contemporaneidade em lidar com o controle pulsional, desviando completamente os objetivos instintivos e inibindo sua força para que essa mesma energia instintiva passe a ser utilizada a favor da manutenção das condições atuais de sociedade.

Sociedade essa onde a democracia toma sua compreensão de homem como máxima, propagando a mediocridade; anunciando a individualidade e os desejos individuais como soberanos, espaço onde o ideal solitário reina poderoso enquanto o poder se concentra em mãos de poucos. Assim, cada indivíduo faz cada ato seu mais

ou menos consciente, sem saber de qualquer intenção definida nem se há afinal intenção alguma; e nem tampouco podemos chamá-lo de indiferente.

Acabo de sugerir que o conceito de alienação parece tornar-se questionável quando os indivíduos se identificam com a existência que lhes é imposta e têm nela seu próprio desenvolvimento e satisfação. Essa identificação não é uma ilusão, mas uma realidade. (MARCUSE, 1979:31)

E segue:

Em sua fase mais avançada, a dominação funciona como administração. E nas áreas superdesenvolvidas de consumo em massa, a vida administrada se torna a vida boa de todos. (MARCUSE, 1979:234)

A sociedade organiza então os instintos, nomeando seu lugar e finalidade, por meio do princípio de desempenho e da mais-repressão.

Talvez a evidência mais reveladora se possa obter simplesmente vendo a televisão ou ouvindo o rádio durante uma hora inteira por alguns dias, sem desligar nos momentos dos anúncios, mudando-se vez por outra de estação. (MARCUSE, 1979:20)

Neste cenário, onde indivíduos são “mantidos incapazes de serem autônomos, enquanto forem doutrinados e manipulados (até seus próprios instintos)” (MARCUSE, 1979:27), somente a fantasia permanece livre do controle alienante, preservando a libido em sua forma mais livre e original. Afinal, tudo o que pensamos se situa inicialmente no campo da imaginação, cujo sentido existencial serve de base para todo o trabalho ulterior da razão.

Dessa forma, Marcuse conclui que a felicidade é busca, é infinitude prática, e por isso não pode ser alcançada em cada novo bem material. Três condições seriam necessárias para que o homem se visse livre dos malefícios da repressão e consciente de sua condição, vivendo genuinamente, podendo discriminar valores e desfrutar inteiramente de sua vida: primeiro e fundamental, é o livre transitar de Eros como

instinto de vida; segundo, a diminuição do tempo de trabalho por meio da máxima mecanização (direção apontada pela sociedade industrial); terceiro, a transformação do trabalho alienante em jogo lúdico.

O jôgo voluntário com possibilidades fantásticas, a aptidão para agir de boa consciência, contra naturam, para experimentar com homens e coisas, para converter a ilusão em realidade e a ficção em verdade, são testemunho do quanto a Imaginação se tornou um instrumento do progresso. (MARCUSE, 1979:227)

A felicidade é como um horizonte orientador de nossos objetivos que não se atem a nenhum deles, daí a fugacidade do prazer orientado pelo consumo, e o aumento da infelicidade, dada a conceituação manipulada de que a felicidade é eterna.

A impressão é de que não haveria condições, dentro do capitalismo, para a formação da autonomia individual e para a conseqüente consciência do jogo da felicidade, dado o nível em que se apresenta o processo de alienação.

A perda do controle sobre o próprio tempo e espaço aparece em todos os âmbitos da sociedade, onde os ditames da mídia corroboram com essa posição alienante do ser humano, administrando totalmente necessidades e prazeres.

É, na verdade, uma visão contraditória, de que cada vez mais o indivíduo é considerado e respeitado em sua individualidade. Como podem, todos e ao mesmo tempo, ser considerados em primeiro lugar? Tal é “um dos aspectos mais perturbadores da civilização industrial desenvolvida: o caráter racional de sua irracionalidade.” (MARCUSE, 1979:29).

As criaturas se reconhecem em suas mercadorias; encontram sua alma em seu automóvel, hi-fi, casa em patamares, utensílios de cozinha. O próprio mecanismo que ata o indivíduo à sua sociedade mudou, e o controle social está ancorado nas novas necessidades que ela produziu. (MARCUSE, 1979:29)

O sujeito está subjugado aos objetos, impossibilitado de pensar para além do que lhes foi encomendado, exigindo cada vez menos o pensar, e reduzindo o trabalhador a um órgão automático de reprodução. A criatividade é restrita, e a

compreensão é limitada; o acúmulo de capital é equivalente ao empobrecimento da identidade.

Segundo Marcuse, a sociedade atual é sociedade tecnológica de racionalidade institucional. Seu caráter unidimensional se dá pelo controle e nivelamento das consciências, “a tal ponto que toda contradição parece irracional e toda ação contrária parece impossível.” (MARCUSE, 1979:30)

O que determina a liberdade quando a introjeção dos controles sociais altera, em suas raízes, até mesmo o protesto individual?

O que determina a liberdade é o poder de escolha, em contraposição à alienação objetiva. O próprio conceito de liberdade deve ser reapresentado:

Assim, liberdade econômica significaria liberdade de economia – de ser controlado pelas forças e relações econômicas; liberdade de luta cotidiana pela existência, de ganhar a vida. Liberdade política significaria a libertação do indivíduo da política sobre a qual ele não tem controle eficaz algum. Do mesmo modo, liberdade intelectual significaria a restauração do pensamento individual, ora absorvido pela comunicação e doutrinação em massa, abolição da “opinião pública” juntamente com os seus forjadores. (MARCUSE, 1979:25).

Para Marcuse, a Grande Recusa é o caminho para o processo de emancipação das imposições da sociedade industrial avançada. É a recusa absoluta de todos os valores vigentes e comportamentos pré-determinados: “(...) é o protesto contra a repressão desnecessária, a luta pela forma suprema de liberdade – “viver sem angústia” (MARCUSE, 1982:133).

No caso, o ideal revolucionário se concretizaria por meio da ação da juventude, e não mais pelo povo, transformado em alicerce do capitalismo. De certa forma, neste momento Marcuse concorda com Freud quanto ao caráter revolucionário da juventude intelectual.

Pois, afinal, a quem serve esta sociedade administrada senão somente ao capital?

Na verdade, parece não haver razão alguma, pelo menos no quanto estejam compreendidas as necessidades da vida, para que a

produção e distribuição de mercadorias e serviços se dêem por intermédio da concorrência competitiva das liberdades individuais. (MARCUSE, 1979:24)

A administração capitalista altera hábitos, necessidades, conceitos e valores e enfim, o modo de ser. Como já foi visto, também os instintos são modificados por meio da repressão.

Para explicar tal movimento, Marcuse destaca o termo “introjeção”:

Introjeção subentende a existência de uma dimensão interior, distinta e até antagônica das exigências externas – uma consciência individual e um inconsciente individual separados da opinião e do comportamento públicos. (MARCUSE, 1979:30)

Mas, se a dimensão interior já está tomada pelo espaço exterior, como falar nesses termos?

“O resultado não é o ajustamento, mas a mimese: uma identificação imediata do indivíduo com a sua sociedade e, através dela, com a sociedade em seu todo.” (MARCUSE, 1979:31)

É dessa forma que o pensamento e o comportamento são padronizados, tornando-se unidimensionais. O reinado da Razão é tamanho que consegue inclusive abrigar em seu seio a metafísica e a espiritualidade, sem que estes constituam uma ameaça ao sistema material; tudo está sob controle.

A autolimitação do pensamento representa a ineficácia da oposição, onde miséria e injustiça são razoáveis; revolução e rebelião tornam-se sem sentido. Desenvolvimento, crescimento e progresso são instrumentos de dominação.

Ao dissertar sobre o conceito de progresso, Marcuse aproxima a automatização total da sociedade à realidade tecnológica atual. Tal progresso técnico seria suficiente para suprir todas as necessidades vitais dos seres humanos, propiciando ainda uma radical diminuição no tempo de trabalho.

No entanto,

(...) o status quo desafia toda transcendência. Defrontando com a possibilidade de pacificação com base em suas

conquistas técnicas e intelectuais, a sociedade industrial madura se fecha contra essa alternativa. (MARCUSE, 1979:36)

A sociedade industrial está apta para libertar o homem da labuta, fornecendo-lhe condições para a autonomia, tais como espaço e tempo próprios, livre pensamento e ação. A pacificação da existência (termo utilizado para conceituar uma alternativa histórica à repressão e dominação), à medida que se apresenta cada vez mais palpável, é também cada vez mais rejeitada.

Mais uma vez faz-se presente o elemento irracional da racionalidade tecnológica e política.

As principais tendências são familiares: concentração da economia nacional nas necessidades das grandes corporações, sendo o Governo uma força estimulante, sustentadora e por vezes até controladora; deslocamento dessa economia para um sistema mundial de alianças militares, convênios monetários, assistência técnica e planos desenvolvimentistas, assimilação gradativa das populações de operários e “colarinhos brancos”, de tipos de liderança nos negócios e no trabalho, de atividades das horas de lazer e aspirações em diferentes classes sociais; fomento de uma harmonia preestabelecida entre a erudição e o propósito nacional; invasão da vida no lar pelo companheirismo da opinião pública; abertura da alcova aos meios de informação em massa. (MARCUSE, 1979:38)

O objetivo não é livrar o homem da labuta, mas sim diminuir o preço do produto pela substituição do homem pela máquina; mas não de todos os homens, nem de todas as funções.

Assim sendo, o homem aprende a controlar a máquina, mas serve à mesma e ajusta-se a ela. Seu trabalho torna-se mais e mais específico e alheio ao trabalhador, que nem mesmo vê seu fim e participa indiretamente de sua produção; apertando botões.

À medida que o trabalho técnico torna-se tecnológico e informatizado, não somente a resistência para superar a monotonia ou a avalanche é física, mas também é mental. Além da força bruta, a força mental é exigida, e sob as mesmas características

de alienação: o trabalhador não tem interferência original no processo, apenas reproduzindo o que lhe é requisitado, sem autonomia nenhuma para criar ou recriar algo.

Também os produtos de seu trabalho perdem a originalidade, a exclusividade, pois são tão padronizados quanto seus produtores e consumidores. Dado que a sociedade, além do controle dos modos de produção, também manipula os meios de comunicação e a educação dos indivíduos.

A educação dos indivíduos?

Quanto a isso, Marcuse salienta em nota de rodapé:

A modificação na função da família desempenha aqui papel decisivo: suas funções “socializadoras” são cada vez mais tomadas por grupos e meios de informação externos. (MARCUSE, 1979:30).

Se tudo serve às necessidades do mercado, como então desafiar tamanha hegemonia político-econômica?

O ideal é a substituição de necessidades falsas, pela consciência das verdadeiras necessidades.

O prevalecimento de necessidades repressivas é um fato consumado, aceito na ignorância e na derrota, mas um fato que deve ser desfeito, no interesse do indivíduo bem como no daqueles cuja miséria é o preço de sua satisfação. As únicas necessidades que têm direito indiscutível à satisfação são as necessidades vitais – de alimento, roupa e teto ao nível alcançável da cultura. (MARCUSE, 1979:26).

Será possível a aplicação de sua teoria na prática?

Ao propor o livre movimento erótico, com a exaltação da estética permeando todas as relações, e por elaborar uma teoria distante da esfera prática (como um estrangeiro), Marcuse foi criticado como pensador de utopias. Porém, Marcuse apresenta sua defesa contra tal crítica já nas primeiras páginas de A Ideologia da Sociedade Industrial (1979):

Esse caráter ideológico da crítica resulta do fato de a análise ser forçada a partir de uma posição “externa” às tendências da sociedade, tanto positivas como negativas, tanto produtivas quanto destrutivas. A sociedade industrial moderna é a identidade penetrante dêsses opostos – é o todo que está em questão. (MARCUSE, 1979:18)

Marcuse não deixa de pensar criticamente a sociedade afluente em momento algum, caracterizando-a sempre, na tentativa de aproximação entre teoria e prática, sem deixar de considerar ambos os aspectos. A respeito disso, tem muito a dialogar.

Segundo ele, a prática não tem início quando finda a teoria, pois o movimento genuíno ocorre dialeticamente, onde os termos “prática” e “teoria” não podem jamais ser considerados como excludentes entre si. A prática apresenta suas falhas, sucessos e necessidades, colocando-se em questão para que a teoria possa vir a pensá-las; antecipando, imaginando e criando desfechos. Por fim, teoria e prática tornam-se um, distanciando-se apenas na linha do tempo.

Assim, Marcuse acredita que a semente da crítica da sociedade industrial está sendo cultivada. Ao defender que a tecnologia contemporânea está apta para auxiliar na libertação dos homens de sua relação com a labuta, permitindo espaços cada vez maiores para a realização do ser humano não-administrado, Marcuse está de fato afirmando que o fim da repressão é possível e, portanto, que também a felicidade em seu mais amplo conceito está ao alcance próximo dos homens; basta o olhar atento.

A superação da lógica capitalista abriria terreno para a satisfação. Não mais acorrentado a um meio extremamente competitivo, o homem é livre para experimentar- se. Ë livre para criar e é livre para ser.

A intensidade de sua obra, permeada por afirmações perturbadoras sobre a sociedade industrial, está em sua capacidade crítica. Mas, a crítica de Marcuse é feita com base em um otimismo consciente; anseios utópicos representam uma contraposição ao pessimismo.

Marcuse é um pensador utópico por idealizar uma configuração social nitidamente distinta da realidade existente, e atreveu-se a sê-lo no contexto de uma sociedade onde a razão objetiva e a técnica permitem cada vez menos o livre curso da imaginação.

Ao verificar a possibilidade de ressignificação na obra de Freud, Marcuse atenta para o fato de que também uma sociedade “velha” traz consigo a possibilidade de uma

sociedade “nova”. Ou seja, a concretização de uma utopia está na transformação de uma sociedade existente, e não no olhar externo a essa sociedade que elimina as possibilidades da mesma.

Assim, na obra de Marcuse a utopia é vista como um projeto para uma nova sociedade, que supõe um deslocamento do ideal como potencial para o presente.

O agravamento dos males sociais pede a transformação de toda a humanidade. A utopia, mais do que nunca, é necessária, desejável e possível, dado seu conteúdo moral de justiça, dignidade, liberdade e igualdade. É o próprio desenvolvimento do capitalismo que permite o contraponto do dilema e sua possibilidade, pois o enorme desenvolvimento das forças produtivas, assegurando a satisfação das necessidades básicas, fornece os limites da competitividade, rumo a uma sociedade solidária.

Para sua efetividade, deve haver consciência de sua necessidade por parte de cada indivíduo na sociedade. Deve haver condições reais e objetivas, que vão depender justamente do conhecimento sobre as características do nível de desenvolvimento histórico-social atual. A partir de então, faz-se presente a necessidade de uma intervenção organizada e prática de todos os homens

A visão de Marcuse é, por isso, uma visão não conformada, não determinista nem fatalista da história. É possível de consumar-se.

Benzer Belgeler