2.2 Sürdürülebilir Mimari Ölçütler
2.2.8. Yapım Sistemleri
No regime político de Sócrates, as ações de cada homem devem se desenvolver plenamente. Exercitá-las conduz o homem ao que há de melhor nele mesmo e a transformar a cidade na melhor cidade possível. O parâmetro para esse retorno a si mesmo é a prática da virtude.
Sócrates explica, no Livro I no diálogo com Polemarco, o sentido de areté, comumente traduzido por “virtude”. A passagem não é diretamente sobre cidadãos, mas sobre cavalos. A virtude não é exclusivamente do homem, mas também dos animais. Sócrates diz que os cavalos se tornam piores em relação à sua areté, o mesmo acontece com os homens. Ele se refere ao desenvolvimento pleno, a perfeição do que torna cada coisa o que ela é (355b).
As virtudes que participam das diferentes classes da cidade são a sabedoria, a coragem e a temperança (429a-432b). A sabedoria manifesta-se nas ações de seus governantes, “pela qual esta cidade delibera, não sobre uma parte, mas sobre o conjunto de si mesma, para conhecer a melhor maneira possível de se relacionar tanto consigo própria como com as outras cidades” (428d). A coragem se destaca na classe dos guerreiros porque estes auxiliam os chefes a salvar a cidade dos males vindos de fora ou gerados interiormente. A última, a temperança, responsabiliza-se pela relação harmoniosa entre os governados e governantes, os mais fracos com os mais fortes, “para decidir quais dos dois deve governar, tanto na cidade como no indivíduo” (432a). Dessa forma, aqueles que não têm a força natural do guardião,
cientes de sua fraqueza, devem se submeter aos fortes na medida em que a condição natural destes possui o atributo de zelar pela totalidade.
Sabedoria aos governantes; coragem aos guerreiros; temperança aos demais governados. Apesar da temperança também se aplicar aos governantes, que devem exercer o comando, ela é a única virtude que deve se manifestar nas ações da classe produtiva. Em que lugar se encontra a justiça? Sócrates procura a justiça nas divisões da cidade e não a encontra. Se ela não está em nenhuma classe só resta um lugar, todas as classes. Assim, a justiça é o elo de todas as divisões.
Na cidade, a justiça é um bem porque harmoniza o homem consigo mesmo, com sua classe e com toda a estrutura do regime político. O movimento harmônico entre indivíduo, classe e cidade se dá através do exercício de ser justo. Viver justamente é viver segundo o princípio de desempenhar cada um a sua tarefa sem se ocupar com outras que lhes sejam naturalmente diferentes, assim, a prática da justiça traz a perfeição para a cidade (433a-b). A sabedoria, a coragem e a temperança ajudam a delimitar, por um processo de abstenção, o campo de atuação da justiça, ao permitir ver com maior nitidez o que transforma algo prático, como o regime político, em algo que reflita perfeição.
A cidade é boa quando permite a convivência harmoniosa dos diferentes habitantes. Portanto, sem a presença do princípio que cada qual deve agir de acordo com sua natureza, a cidade se transforma em caos. Se em algum momento um chefe se mistura com tarefas de outras classes, por mais que se diga sábio, está longe de tal posto. O emprego da justiça verdadeira permite o exercício da perfeição transformando a cidade em um lugar bom para viver, uma cidade plenamente boa.
A justiça é algo indispensável na formação de uma cidade plena, porque dá a cada um aquilo que lhe pertence sob o comando do guardião perfeito; assim, é harmonia. O governante administra a justiça através das leis e de sua execução com o auxílio dos guerreiros e define o ser justo baseado no que é melhor para a cidade e, por sua vez, o ser injusto, no que é prejudicial para todos.
Nessa perspectiva, uma vez que a justiça é promovida pelo governante no ato de administrar, uma vez que a sabedoria em conjunto com a coragem é inerente ao guardião no ato de proteger a cidade; e uma vez que a temperança preserva a relação entre governante e governados, mantém-se a unidade na cidade.
Porque só há quatro virtudes? Sócrates não diz nada desse por quê. Bloom é quem observa que não há prova de que as virtudes capazes de tornar uma cidade
boa são somente quatro. Também, não há qualquer indicação de que todos os personagens sabem o que significa sabedoria, temperança e coragem, mais do que sabem o que é justiça. Sócrates não discute o que são essas virtudes. Em outros diálogos, diz Bloom, quando as discute não chega a nenhuma conclusão. Ainda, sem dar qualquer motivo, Sócrates assume apenas que ele e seus companheiros têm a intenção de provar que a justiça é algo próprio à cidade boa (BLOOM, 1991, p. 373).
O contexto pelo qual argumenta Bloom não se preocupa com a questão analógica que envolve as quatro virtudes. Assim, ele não percebe que, se há alguma justificativa da escolha de quatro e somente quatro virtudes presentes na cidade de Sócrates, é pelo motivo de que há uma harmonia que organiza a vida da cidade. Sócrates explica cada uma das virtudes no contexto dessa harmonia. Dois pesquisadores que exploram essa questão é Erickson e Fossa. Eles constatam que há repetição de uma estrutura: temperança, coragem, sabedoria e justiça; elementos concupiscível, irascível, racional que participam da alma; as classes produtoras, a classe dos guerreiros e a dos governante; a aritmética, geometria, astronomia e harmonia, música (próximo capítulo); e assim acontece com as demais esferas da condição humana.
Estipular quatro virtudes harmoniza o desenvolvimento de cada homem ao desenvolvimento da cidade. Sócrates diz que há ao menos essas quatro virtudes porque elas são suficientes na divisão da cidade segundo a necessidade de disseminar uma estrutura harmônica entre indivíduo, ações individuais e divisões da cidade. Desse modo, a cidade precisa se dividir, no mínimo, entre os que trabalham braçalmente e no comércio, os que a protegem de ataques e os que a governam (REP, p. 427e-434b).
Se as ações do governante precisam ser sábias, as ações dos guerreiros precisam ser corajosas e dos demais devem ser temperadas, a justiça é o que une a todos. Logo, o que faz a cidade boa não será somente a coragem, ou a sabedoria, ou a temperança, e sim a participação de todos os habitantes em uma vida justa.
Há cidades, constata Sócrates, que possuem essas virtudes e, no entanto, não são verdadeiramente boas. Como a cidade boa é administrada por filósofos que consideram como algo justo a tentativa de “impedir que cada uma das partes possua bens da outra ou seja despojada dos seus” (433e), é preciso concordar que “a justiça consiste em reter apenas os bens que nos pertencem como próprios e
exercer apenas a nossa própria função” (439e-434a). Nenhum dos homens da cidade boa se ausenta de ser justo e também não há um grupo específico em que suas ações precisam ser justas, todos devem agir justamente. Desse modo, a justa cidade é criada. Essa nova cidade, não tem origem mais no querer suprir o que falta aos homens materialmente. Sua origem se revela apaternal e amaternal, sem pai e sem mãe, não só porque os pais e todos os demais parentes são expulsos e deixam seus filhos com tutores segundo o convencimento de que terão a melhor vida possível, mas porque cada um é pai e mãe de si mesmo e irmão de todos (BLOOM, 1991, p. 387-388).
A cidade d’A República renega as crenças, deuses e heróis daqueles que foram os pais biológicos dos primeiros habitantes. A cidade que Sócrates legisla abandona sua formação terrena e a supera. Mais à frente se vê como ela se torna mais sublime que qualquer outra cidade. Sua formação não é só a força dos homens, melhores homens e mulheres, não é só a força dos deuses, perfeitos e imutáveis. Neles se confundem homens e deuses.
A função da cidade é conceder felicidade aos homens e os salvar de imperfeições e impurezas. Não só é divina pelo caráter de perenidade, mas é heroica por ser governada pelo melhor dos homens, o filósofo rei.
Após Sócrates expor o que entende sobre justiça, prepara-se para levar a conversa a um nível de dificuldade maior. A justiça não é o último fundamento da cidade, há algo maior pelo qual as virtudes se justificam. Dizer que um grupo específico de virtudes guia a vida dos homens para a condição de melhores homens, exige um fundamento que as supere. A questão enfrentada por Sócrates até o momento aponta a prática virtuosa como sendo uma postura suficiente e necessária para a cidade se tornar justa. Mas Sócrates percebe que deve haver algo que fundamente as próprias virtudes em uma situação que não se reduza à vida prática do homem. Se as virtudes se justificarem apenas pela sua praticidade, elas seriam fundamentadas na vontade daqueles que determinam os costumes e leis da cidade. Assim, as virtudes seriam fruto da vontade de seus governantes e os mitos que as disseminam seriam visto também como arbitrários e convencionais.
Sócrates percebe que algo diferente do devir da praticidade deve fundamentar as virtudes e, por consequência, toda a cidade. Esse algo não pode estar submetido aos homens, nem as crenças que disseminam contradições e mutabilidades, nem a mudança constante da natureza, nem a inconstância da
linguagem. Esse algo precisa estar além de todo devir, além do visível. Sócrates admite: “a demonstração efetuada careceu, a meu ver, de exatidão [tò ellipés]. [...] Mas, [...] em tais assuntos toda medida que se afasta por pouco que seja da realidade [toû óntos] não é uma justa medida; pois nada de imperfeito [atelès] é justa
medida de coisa alguma” (504b-c, acréscimos nossos). Se tudo o que Sócrates falou está a desejar, é porque precisa ser superado. A crítica ao visível se dá porque há algo invisível para compará-lo.
Mas como perceber esse algo? Se ele está além de toda condição humana, como ser percebido pelo homem? Sócrates, então, observa que há alguns estudos que possuem um conteúdo sobre um saber mais elevado e o método adotado exige que se comece com as coisas próprias à vida prática, para passar a uma condição diferente e superior a ela. Esse algo é o que ficou conhecido por “ideia do bem” que é explicada através da analogia sol e ideia do bem, visível e invisível.