BÖLÜM II GENETİK PROGAMLAMA VE YAPILMIŞ ÇALIŞMALAR
2.8 Yapılmış Çalışmalar
A nova estratégia de Meneses, em La mano junto al muro, ao apresentar o narrador, cria a incerteza, a dúvida: eram dois ou três marinheiros? Inclusive lançando o próprio narrador como um dos possíveis suspeitos. Meneses leva o leitor a iniciar o ato, voltar a ler e a questionar; deixa que o texto faça parte da vida do leitor para tentar descobrir aonde a história pode chegar. No entanto, a presença do real, do imaginário e da metáfora é muito marcante na obra de Meneses, principalmente quando o narrador afirma, (1968 :186):
[...] Ella nunca recuerda de nada. Nada sabe. Aquí llegó. Había un perro en sus juegos de niña. Juntos, el perro y ella ladraban su hambre por las noches, cuando llegaban en las bocanadas del aire caliente las músicas y las risas y las maldiciones […]
.
Gaspar de Márquez, em seu texto “Teoría y Práctica del Cuento” (In: Barrera Linares, 1992: 503), chega a comentar: ”Literatura como ação construtora de mudanças, experiência verbal que inventa a realidade na medida em que se constrói a si mesma e inventa o fazer poético”. Percebemos que essa afirmação é cabível no conto de Meneses, porque existe um diálogo da própria obra consigo mesma
quando a história não avança entre “muro”, “mano”, “castillo”, “camino de historia” e “en el espejo”. Também não avança com o mundo, aqui representado pelo mar, que poderia ser a abertura para novas perspectivas de vida; entretanto, o espaço em que a história se desenvolve, uma fortaleza, se situa entre o mar e a cidade, um espaço muito limitado.
Logo na primeira frase do conto o narrador emprega dois vocábulos determinantes, que chamam a atenção do leitor: “relâmpagos” e “fogonazos”. De acordo com Chevalier (2009: 776-777), o relâmpago é comparado à ejaculação masculina, e simboliza o ato viril de Deus na criação. A associação simbólica do relâmpago e da fecundidade é frequente no pensamento oriental e pré-colombiano; esse elemento poderoso da natureza, assim como o raio, abre a nuvem para transformá-la em água, podendo também provocar o parto na mulher grávida. O vocábulo “fogonazos” em espanhol pode ser traduzido por “chamas”, que se entende, conforme Chevalier (2009: 232), ”No sentido pejorativo e noturno, chama pervertida, ela é o pendão da discórdia, o sopro da inveja, a brasa calcinante da luxúria, o clarão mortífero da granada”.
Acreditamos que o narrador se expressasse a respeito do lugar onde as pessoas iam para passar algum tempo de prazer pelo fato do castelo ter-se transformado em centro de prostituição. A mulher que o narrador descreve é a que “[...] ascedía el escándalo sobre el cielo del trópico.”(1968: 177). É a mesma que ele inocentou ao afirmar (1968: 180): “Cuando ella llegó, el comercio de los labios, de las sonrisas, de los vientres, de las cadenas, de las vaginas, tenía ya sentido tradicional”.
Em outro momento o narrador chega até a afirmar que o próprio bairro já era centro de práticas sexuais (1968: 180) “Se nombra al barrio como al centro comercial de los coitos en el puerto. Cuando ella llegó ya esto era entre las gruesas paredes de lo que fue fortaleza”. O porto, o bairro, o Castelo, se transformaram em locais marginalizados e cruéis.
1.2 Os personagens e as máscaras em La mano junto al muro
Quanto aos personagens, destacam-se alguns, como os marinheiros, que, desde o início, o leitor não sabe ao certo quantos são, dois ou três marinheiros.
Inclusive o narrador poderia ser um deles. O que ocorre no conto é um jogo do tempo. Se por um lado, os dois gorros indicam que a narrativa se encontra no passado, o que Bull Shit viveu; por outro lado, os três gorros sugerem o presente, quando ocorre o crime. Essa incerteza, gerada pelo jogo temporal permite ao leitor interagir com a narrativa breve, porque logra uma expectativa por parte do receptor em querer saber o motivo ora dois ora três gorros reais de marinheiros, e se o narrador também estaria entre eles.
A presença de uma mulher, a principal personagem, intensifica o mistério do conto. Essa mulher, que compartilha o espaço com outras, não é identificada pelo nome, a não ser por Bull Shit, um suposto nome como o de qualquer prostituta, porém pejorativo que (1968:186):
[...] desde ninã, en aquello oscuro, decidida a arrancar las monedas. Ella, en la entraña del monstruo en la oscura entraña aunque afuera hubiese viento de sol y de sal. Ella, mojada por sucias resacas junto al perro. Como después, junto a los otros grandes perros que ladran sobre ella su angustia y los nombres de sus sueños [...].
A personagem feminina do conto de Meneses não se sente segura em sua vida à margem da sociedade. Esse sentimento de insegurança e fragilidade dos vínculos humanos e dos desejos conflitantes de apertar os laços e, ao mesmo tempo, mantê-los frouxos, é o que Zygmunt Bauman identifica como o medo 4.
A consistente crítica histórico-política e sua penetração no seio das ideologias dominantes e dos mecanismos de controle social, tratada por Michel Foucault (1985), iniciam com as confissões da Igreja Católica no século XVII para demonstrar um dos “mecanismos de poder”, que principia no lar, passa pela comunidade e atinge a sociedade. Para Bauman (2001), na modernidade, o trato da intimidade é determinado pela lógica da individualização, que torna cada vez mais viáveis a apresentação pública e a devastação da privacidade.
Ressaltamos também os estudos de Francisco Ortega (2000) que condiz com a lógica da intimidade que tenta operar com o princípio de que todos os males se devem ao anonimato e à alienação, oriundos das falhas comunicativas. Em La
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[medo] Para Chevalier, monstro é o guardião de um tesouro. Ele está presente para provocar ao esforço, a dominação do medo, ao heroísmo. Já para Diel Paul, monstro simboliza uma função psíquica, a imaginação exaltada e errônea, fonte de desordens de infelicidades.
mano junto al muro, isso torna-se evidente quando a personagem Bull Shit não interage com os marinheiros e “ella nada sabía” (1968: 181).
É muito marcante no conto a ausência de comunicação entre os personagens. Por isso que a filosofia da sociedade de que fala Ortega, seria, então, aquela calcada nas teorias da comunicação, segundo as quais todos os problemas se reduzem a falhas de compreensão, causadas pela ineficiência comunicativa ou pela função e disfunção do ato de comunicação. A força da palavra em contraposição ao silêncio pode provocar ambiguidades. A palavra foi empregada para dizer a verdade, e o silêncio para calar perante as forças repressivas, a serviço dos tabus ou da covardia. No entanto, nem sempre ocorre desta maneira. Às vezes a palavra não é suficiente para expressar o que vem na alma do personagem ou dos que a cercam, e o silêncio torna-se eficaz, como o anonimato da personagem no conto de Meneses e a aceitação por esta de um nome falso. O que leva Bull Shit a calar-se e rir, concordando com o nome que lhe foi atribuído? Certamente o medo de ser identificada. E como todos eram identificáveis por não possuírem nomes, certos gestos como o riso, era uma maneira de todos expressarem as suas atitudes, como vemos no conto: “Cuando él decía Bull Shit en un grupo de rubios marineros extranjeros, todos reían. Ella metía su risa en la risa de todos...” (1968:183). A presença do riso como atitude comportamental de Bull Shit e do grupo são determinadas reações dela e do grupo diante da situação que viviam naquele prostíbulo. Rafael Fauquié no seu texto, Llenos y vacíos comenta as possíveis situações que o riso pode representar (2004: 10):
[…] O riso é muito eficaz para enfrentar o inaceitável ou para encarar o absurdo. É o gesto que nos distancia do desagradável. É sempre inovador. Sorrimos com os sorrisos dos outros e nosso sorriso repete, como um eco. Pela risada os dogmas se desfiguram e as razões se transformam. A risada nos distancia do brilho, da celebração. A risada pode ser a mais destruidora resposta contra a festividade, sobretudo, quando ela for desnecessária ou excessiva.
Dessa maneira, é possível entender melhor a razão pela qual a risada era para os personagens um subterfúgio para continuarem no anonimato e esconderem suas histórias nesse prostíbulo. Não ocorre o mesmo quando Jorge Luis Borges (1992: 441), ao buscar um personagem para o seu conto El Zahir, comenta em seu ensaio o modelo de mulher pensado por “[...] Edgar Allan Poe quando escreveu seu
famoso poema El Cuervo, na morte de uma maravilhosa mulher”. Borges (1992: 441) segue citando a Poe: “[...] a quem podia impressionar a morte dessa mulher, e deduziu que tinha que impressionar alguém que estivesse apaixonado por ela”. A mulher que Poe descreve por intermédio de Borges se chama “Leonor”. Borges (1992: 441), por sua vez, chega à “[...] ideia de uma mulher, de quem estou apaixonado, que morre, e eu estou desesperado”. Mas Borges (1992: 441-442), ao apresentá-la como personagem do seu conto, afirma: “mas não decidi mostrar essa mulher de um modo satírico, mostrar o amor de quem não esquecerá; todos os amores o são para quem os vêem desde fora”. Por fim Borges (1992: 442) acaba apresentado a personagem: “[...] uma mulher bastante trivial, um pouco ridícula e não muito bonita. O homem que se apaixonado por uma mulher, não sabe viver sem ela e, ao mesmo tempo, ela é a única para ele”, e isso é o que se pode observar no conto El Zahir de Borges. No entanto, no conto de Meneses não sucede o mesmo com a mulher “Bull Shit” . Os homens se aproximavam dela apenas para prática de sexo e não lhe queriam como se fosse a única mulher de sua vida.
De uma maneira ainda mais surpreendente, em se tratando de mulher como personagem, Mario Vargas Llosa (2003: 11-12), em sua obra Pantaleón e as Visitadoras, apresenta as mulheres em uma missão-piloto para satisfazer as necessidades sexuais dos soldados, que permaneciam isolados durante muito tempo no meio da selva: “[...] a tropa da floresta anda traçando as 'cholas' (mestiças de índio com branco), violações por todo o lado e os tribunais não estão dando conta de julgar tanto safado. A Amazônia está que é uma falatória só”. Diante dessa confusão o capitão Pantaleón Pantoja, um dos personagens da obra de Vargas Llosa, envia o seguinte ofício ao General (2003: 29): “O abaixo assinado, capitão EP (Intendência) Pantaleón Pantoja, encarregado de organizar e pôr em funcionamento um serviço de Visitadoras para Guarnições, postos de Fronteiras e Afins (SVGPFA) em toda a região amazônica [...]”. A partir desse momento ficou oficializado o serviço das Visitadoras junto às tropas.
Podemos dizer que tanto na obra de Vargas Llosa, quanto na de Meneses, a figura da mulher está representada pela prostituta. A diferença consiste no que tange ao comportamento. Enquanto a personagem em Vargas Llosa vai ao encontro das tropas, em Meneses ela fica esperando, recepcionando os que chegam, e sempre em atitude de prontidão, embora tivesse que buscar apoio no muro.
Ao retomar o conto La mano junto al muro, além da personagem feminina não possuir nome, os demais personagens também não possuem, exceto Dutch e um homem citado no conto. Ao ficarem no anonimato, não queriam revelar suas histórias. Inclusive, não davam valor a suas vidas, por serem desconhecidos, marginalizados e por frequentarem um ambiente considerado desprezível. Em alguns momentos, eles mesmos não se reconheciam como alguém. “Todo era igual. Alrededor de todos, junto a todos, sobre todos -llamáranse Dutch, Bull Shit o Juan de Dios” (1968: 183), como se fosse um “João ninguém”.