MONTE CARLO VE TERS MONTE CARLO SİMÜLASYONLAR
4. İşlem 2 adımdan tekrarlanır.
3.2.5 Yapılan Ortak Yanılgılar
A partir do conceito, derivam-se fortes características da Igreja Eletrônica. O peruano ROLAND PÉREZ observa que, nas últimas décadas, a igreja eletrônica tem chegado a constituir
uma igreja paralela às outras congregações comunitárias. Haveria igreja sem templo, igreja sem território, igreja sem vínculo local. Atesta que
E este fenômeno está conectado a todo um movimento para-eclesiástico que se move no mundo dos megaeventos, dos movimentos missioneiros transnacionais. É dizer, estamos assistindo à construção de Igrejas desterritorializadas, onde os códigos da cultura de massas se incorporam facilmente154.
154
PÉREZ, Rolando. La iglesia y su misión en la opinión pública en Iglesias, medios y estrategias de
evangelización. Buenos Aires: Asociación Mundial para la Comunicación Cristiana-América Latina, 1997,
Segundo FELIX WILFRED, em artigo para a Revista Concilium – Revista Internacional de
Teologia, as religiões em fase da globalização teriam que passar por uma metamorfose155. Noutras palavras, a fé devia necessariamente transformar-se numa religião com embalagem atraente para ser acoplada pela aldeia global156. As igrejas não enfrentam apenas a sociedade moderna, mas a indústria cultural. A força desta indústria só tem aumentado, tornando-se uma briga desleal para as igrejas. É a mídia que ora passa a definir os padrões éticos da sociedade. Exatamente a área de atuação da igreja. Sendo assim, “a religião se tornou parte da indústria cultural”157. As igrejas começaram, envolvidas num movimento de mercado, a trabalhar como uma empresa. E como a indústria cultural faz da cultura, um bem que se vende para a obtenção de lucro, a fé entrou também nesse sistema de troca. Cunhou-se assim o termo igreja eletrônica, que compreende a explosão dos programas religiosos, em especial de pastores evangélicos, visando arregimento e conquista de fiéis.
Segundo dissertação de Mestrado pelo Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação da Universidade Católica Portuguesa, este modo eletrônico de levar a mensagem da fé não passa da transformação da religião num produto de mercado158.
Na verdade, este modo eletrônico (grifo do/a autor/a) de se evangelizar é uma forma de divulgar a religião como se ela fosse uma mercadoria de cunho essencialmente comercial. Certamente, os programas religiosos da televisão, não apenas no Brasil, mas em outras nações ao redor do mundo em estão presentes, pautam pela lógica do mercado...159.
Esse fenômeno mundial, objeto de estudo também em nosso país, é questão de discussão e debate entre sociólogos, teólogos, comunicadores... As Igrejas estão mudando cada vez mais os seus púlpitos. Abandonam seus métodos tradicionais. Redefinem seu campo de atuação, outrora confinado à abordagem personal e limitado às paredes de seus templos. É um processo de novas estratégias organizadoras e reguladoras da experiência religiosa no Brasil.
155
WILFRED, Felix. As religiões em face da globalização. Concilium - Revista Internacional de Teologia, nº 293, 2001/5.
156
Termo próprio do sociólogo Marshall McLuhan já explicado na nota 1.
157
RAMOS, Ana Paula. Pastores na Telinha. Pesquisa em www.canaldaimprensa.com.br, em 22.01.07.
158
A Atuação das Igrejas Neopentecostais e as Mediações Culturais, autor (a) não identificado(a), Lisboa 2005, acervo da Biblioteca da PUCRS, número T 301.16 D192a.
159
O professor da UNISINOS160 ANTONIO FAUSTO NETO exprime assim esse fenômeno midiático-televisivo, onde acontece uma transferência do templo para o espaço midiático:
Desse ponto de vista, o foco para se estudar esta questão deve ser o das estratégias midiáticas postas em cena pelos movimentos neo-pentecostais, especificamente desenvolvidos na esfera da televisão, através de práticas telemidiáticas. Estratégias existentes procuram se sobrepujar, reciprocamente, através de embates simbólicos que visam não apenas a contenção da ação dos seus adversários, mas, ao mesmo tempo a conquista dos mercados de potenciais seguidores. Assim sendo, nas últimas duas décadas, diferentes Igrejas cristãs deslocam, mediante projetos concretos, da esfera do templo para o espaço telemidiático um conjunto de ações simbólicas que visam constituir novas formas de relacionamento com parceiros e adversários. Abandonam-se as formas tradicionais de comunicação estruturadas nos limites e nos parâmetros dos próprios rituais religiosos, bem como as comunicações alternativas centradas nas experiências dos grupos, e se instauram estratégias mass mediáticas envolvendo uma complexidade que ultrapassa, largamente, as tradicionais formas de interação com que cristãos estruturam suas práticas e sua fé. A midiatização da religião redefine o que os sociólogos e especialistas chamam de novas estratégias organizadoras e reguladoras da experiência religiosa, no Brasil161.
Há um abandono dos espaços restritos dos templos para se buscar no novo espaço midiático a conquista e construção de uma nova forma de atuação religiosa, na procura de outros rituais e novas modalidades de práticas de religiosidade162. Abandonam-se as formas tradicionais limitadas à pregação aos fiéis que chegam aos templos e abrem-se novos púlpitos, num espaço midiático mais amplo. Nessa nova igreja eletrônica sempre cabe mais um fiel, pois não há limites de bancos e de espaço físico.
Novos espaços religiosos estão se criando, extensão do templo, do púlpito da igreja de pedras. As comunidades virtuais se agregam, somando ou contraponto às comunidades presenciais. Estratégias e alternativas, para além dos rituais fechados, se criam e se moldam. Potenciais seguidores são procurados não mais pessoalmente, de porta em porta, que continua sendo uma característica forte dos evangélicos. A mensagem persuasiva entra na casa dos fiéis via aparelhos televisivos, pelas ondas eletromagnéticas analógicas ou digitais, podendo ser reforçadas pelo contato pessoal.
Há dois processos, nessa nova igreja: uma desvinculada totalmente da comunidade, puramente midiática; outra vinculada ao comunitário. A primeira, tão somente eletrônica,
160
Universidade do Vale do Rio dos Sinos – São Leopoldo-RS.
161
NETO, Antônio Fausto. Processos Midiáticos e Construção das Novas Religiosidades - Dimensões
Discursivas, UNISINOS, http://www.intexto.ufrgs.br/v7n7/a-v7n7a3.html, visitado em 02.02.07 – grifos do
autor.
162
NETO, Antôno Fausto. A Igreja Doméstica. Estratégicas Televisivas de Construção de Novas
explicitamos anteriormente, quando apontávamos que hoje o fiel encontra na TV uma maneira de fabricar uma religião despersonalizada, fabricada em seus próprios moldes, num crescente self
service religioso. A segunda, a vinculada à igreja-templo, parece ser a mais própria em nossa
aborgagem. Delineia-se aí não uma igreja televisiva isolada, desvinculada da comunidade. A estratégia midiática vem como reforço ou captação de féis ao culto no templo, mantendo-o o dia inteiro, 24 horas, envolvido com a fé que abraça. Quando a porta do templo se fecha, abre-se a janela da televisão, sintonizado no mesmo canal da fé, fechado horas antes. Edir Macedo, por exemplo, propôs que até o meio-dia seus templos permanecessem abertos para que à tarde se abrisse as portas da fé por meio dos programas televisivos. O plantão continua na TV. O circuito é mantido e o fiel permanece conectado via TV. É, sem dúvida, uma estratégia estonteante e persistente.
Trata-se de um espaço que age 24 horas no desdobramento e na articulação de ações que se fecham entre o espaço do templo e o espaço das telemídias. Se os templos ficam abertos de 8 a 12 horas por dia, os programas de tevês ao longo do dia, reforçam iniciativas que visam não apenas levar os crentes para o templos, mas também atrair pessoas que se encontram na esfera da domesticidade do mundo da
vida. Quando cessam as atividades na igreja, a televisão se transforma no espaço do
templo, num deslocamento que visa, dentre outras coisas, se converter num espaço para aqueles que requerem a permanência deste plantão. São os fiéis do terceiro
turno que, possuídos pelos mesmos males e sofrimentos daqueles que a Igreja
procuram, não dispõem, muitas vezes, da mobilidade para buscar na rua as condições para os enfrentamentos aos seus infortúnios. Se pela manhã, participam de cultos e de
rituais que vão do exorcismo à posse, via emissão televisiva, se estruturam novas
formas de interações, onde os peritos se colocam aparentemente em situação de escuta, espécie de psicoterapeutas a prover as pessoas das chaves compreensivas de suas dificuldades. Nestes termos, o dispositivo se fecha num anel (no dia a Igreja, à noite a TV) que age sobre uma totalidade de homens e mulheres, e, possivelmente, não deixa fora de seus limites o exército de desesperados e de sofredores163.
Por isso, a Igreja Eletrônica não seria apenas uma alternativa, espaço e modalidade da construção da fé. É um reforço a uma vivência de fé já existente, mesmo que intente à busca de novos adeptos. É o que opina REGINA MORAES, pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião
(ISER). “A TV é vital para garantir que o crente vá a um templo e lá entregue dízimos e ofertas”164. Por esse prisma, vê-se que a intenção é não somente a captação de fiéis, mas a captação de fiéis
163
Idem – grifos do autor.
164
MANSUR, Alexandre e VICÁRIA, Luciana. O exorcismo é a atração da noite, In:
contribuintes, dizimistas para encherem os tesouros dos cofres do templo165. O telespectador tão somente não colabora financeiramente, senão com sua audiência, que por sua vez poderia também ser contabilizada, quando existe, sobretudo, a venda de produtos religiosos pelos apresentadores. A conquista de novos contribuintes, para a manutenção dos programas, objetiva já a realização dos mesmos. Segundo NETO, “fatores distintivos apartam, hoje, a importância que tem o campo
midiático em processos pelos quais são desenhados essas estratégicas de construção de novas formas de religiosidade”166. Essa nova maneira de captar “clientes” tem sua importância, num quadro de uma grande valorização da Televisão Brasileira pelos telespectadores, havendo a conquista de novos crentes, e consequentemente, novos contribuintes para a manutenção dos mesmos programas que, por sua vez, os conquistam.