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4. BULGULAR VE TARTIŞMA

4.4. Yapılan Çalışmanın Performans Değerlendirmesi

Lutero não foi o primeiro a se levantar contra as práticas abusivas da Igreja. Em toda a

Europa cristã, homens cultos sonhavam há anos com uma reforma como a que ocorreu, sendo

que alguns traduziram esse desejo em seus escritos. Exemplo disso é o fato de que “logo que

apareceram os primeiro escritos de Lutero, logo que o seu nome passou de boca em boca

através de toda a Europa, foram as pessoas cultas que primeiro se sentiram emocionadas”

(FEBVRE, 1976, p. 114). Quentin Skinner (1996, p. 309) corrobora essa idéia, afirmando que

essa linha de ataque contra os erros clericais e na tentativa de estabelecer uma Igreja

apostólica, mais simples e menos mundana, já era adotada

por um número crescente de pensadores anticlericais da geração imediatamente anterior à Reforma. Muito da literatura polêmica e crítica que dali resultou se deve aos humanistas mais eruditos da época, mas de modo geral essas obras foram escritas num estilo deliberadamente demótico, sendo publicadas o mais das vezes em vernáculo e expondo-se seus argumentos sob a forma de peças ou sátiras diversificadas.

Contudo, estudiosos não conseguiram fazer repercutir seus desejos por uma reforma

na Igreja, pois, de acordo com Lucien Febvre (1976, p. 127), “(...) uma reforma interior do

cristianismo só podia ser então tentada por um homem da Igreja, actuando de dentro e com

prudência. Isso, Erasmo sabia-o. Lutero, muito pior”.

Dessa forma, à idéia de que era necessário que pessoas ligadas à Igreja promovessem

um movimento de reforma em sua estrutura e prática para que este tivesse sucesso, contrapõe-

se o fato da existência de outros religiosos que em séculos anteriores já haviam levantado

críticas à Igreja em prol de mudanças, contudo, foram considerados hereges e mortos. Essas

experiências fracassadas no sentido de promover uma reforma da Igreja suscitam uma

reflexão sobre o papel e atuação de Lutero, bem como sobre a possibilidade de terem se

tornado senão exemplos de coragem, iniciativas contra uma ordem estabelecida pela Igreja.

Os dois reformadores mais conhecidos e considerados como precursores de Lutero são

John Wycliffe (1320?-1384), que atuou na Inglaterra e John Huss (1368-1415), na Boêmia

(região que ocupa os terços ocidental e médio da atual República Checa), locais onde se

opuseram aos abusos e estrutura da Igreja e atraíram muitos partidários. Contudo, os

seguidores desses mártires não conseguiram “partir para a ofensiva e conquistar novas áreas

para suas crenças” (RANDELL, 1995 p. 24), mas deixaram viva uma chama da necessidade

de reformas na Igreja.

John Wycliffe publicou uma série de escritos heréticos sobre a jurisdição pontifícia,

inclusive um tratado em língua vernácula, em 1384, intitulado “A Igreja e seus membros”, o

qual se inicia atacando os bens mundanos do papa e denunciando todo o estamento clerical

como os homens mais gananciosos da terra. Wycliffe passa, então, a questionar o poder

exercido pelo papa e o exorta a abandonar a glória mundana e a viver em “pobreza cristã”,

como o próprio Cristo teria ensinado. A resposta oficial dada na Inglaterra ocorreu por

primeira vez, um quadro legal que permitia a perseguição religiosa. Apesar do ocorrido, o

movimento lolardo sobreviveu por todo o século XV, além de conseguir exportar seus ideais

para o continente europeu, onde conseguiu boa recepção e desenvolvimento por parte dos

hussitas da Boêmia (SKINNER, 1996, p. 317).

John Huss, um dos maiores destaques, foi considerado por alguns o precursor de

Lutero ou até mesmo, segundo D’Aubigné (s.d. p. 98), o “João Batista da Reforma”, que

praticamente um século antes de Lutero atacou, em sua região, a vida escandalosa do clero e

os erros da Igreja romana. Formado sacerdote em Praga, conhecedor dos escritos de Wycliffe,

seus ensinamentos e ataque contra a prática do papado de oferecer a remissão dos pecados por

meio da venda de indulgências e de colocar sua autoridade acima da de Cristo, renderam-lhe

não somente o exílio em Boêmia como, posteriormente, por continuar lutando contra os erros

da Igreja, condenação como herege pelo Concílio de Constança em 1415, sendo queimado

vivo em uma fogueira. Em relação aos lolardos, os discípulos de Huss alcançaram maior êxito

“tanto integrando suas convicções num programa mais definido quanto se organizando

melhor para lutar por sua implantação” (SKINNER, 1996, p. 317).

Posteriormente, deflagrada a Reforma Protestante por Lutero, na Alemanha os hussitas

começaram a fundir-se com os luteranos já em 1519, sendo reconhecida pelo próprio Lutero,

no ano seguinte, como uma parte legítima da reforma evangélica que continuou a propagar

por uma ampla área da Moravia e da Boêmia a doutrina luterana da justificação pela fé e sua

oposição aos poderes da Igreja. Já as comunidades lolardas ainda existentes na Inglaterra,

também deram sua contribuição à difusão da reforma luterana, pois “parecem ter adquirido

confiança na década que se seguiu a 1517 e à explosão inicial de Lutero, e rapidamente

somaram forças a esse movimento mais novo e mais veemente de oposição aos poderes

nessas fundações sincréticas que, no correr da geração seguinte, a estrutura do pensamento

protestante inglês foi sendo gradualmente erigida” (Ibid., p. 331).

No entanto, como já ressaltado, esses não foram os únicos religiosos a se apresentarem

contra a Igreja. D’Aubigné (s.d.), ao relatar os antecedentes da Reforma em sua obra “História

da Reforma do décimo sexto século”, traz uma série de outros nomes de religiosos e doutores

que antes de Lutero já haviam apresentado uma posição contrária a algumas práticas abusivas

da Igreja e também discordado de pontos doutrinários. Quentin Skinner (1996, p. 318)

confirma a idéia de que havia dentro da própria Igreja “uma longa tradição de resistência à

idéia oficial de uma monarquia absoluta pontifícia. Essa resistência aparece, pela primeira

vez, no século XII, reagindo à crescente centralização da administração papal que resultara

das reformas gregorianas”. O relato da posição desses homens em relação à Igreja auxilia a

sustentar o argumento de que a Reforma Protestante apresentou-se, também, como fruto de

sua época.

Contudo, mesmo que os acontecimentos do século XVI fossem favoráveis ou até

mesmo suscitassem posições contrárias à Igreja, não foram todos os críticos dessa época que

aceitaram manter uma oposição à Igreja até a sua forma mais radical de rompimento com ela.

Contemporâneo a Lutero, Erasmo de Rotterdam (1446-1536) foi, sem dúvida, um crítico

severo das práticas abusivas da Igreja como evidencia em sua obra “Elogio da loucura”

(1509), a mais célebre sátira humanista, na avaliação de Quentin Skinner (1996, p. 311), que

usa o artifício de tratar os vícios como loucuras e culmina com um ataque devastador contra

as corrupções e abusos cometidos pelo papado e por toda a Igreja Católica.

Ele se torna um homem influente na cristandade e, além da sátira e crítica direta aos

vícios da Igreja, propõe para a Teologia um estudo do Novo Testamento e para a Igreja, uma

porém preferia “uma paz desvantajosa” a uma ‘justa guerra”, temendo que uma reforma na

Igreja, como a proposta por Lutero, pudesse destruí-la.

Contudo, seus escritos e combates foram de fundamental importância para a

preparação de uma reforma. Ele atacou os erros da Igreja até onde não precisasse romper com

ela. Segundo D’Aubigné (s.d. p. 142), “por seus escritos, por suas palavras, Erasmo, mais que

nenhum outro, havia preparado a reforma e, quando viu chegar a tempestade que ele mesmo

tinha suscitado, tremeu”. Por esse receio de destruir a unidade da Igreja, Erasmo discorda de

Lutero em diversos pontos e desaprova suas ações mais radicais em prol da Reforma.

Sendo assim, pode-se constatar que, na sua luta contra os abusos da Igreja, os dois

tinham muito em comum e “enquanto a aliança durou, ajudou a divulgação e a penetração da

mensagem de Lutero” (ELTON, 1982, p. 27). Contudo, Lutero foi ainda mais longe, talvez

porque seus objetivos partissem de um ponto diferente dos de Erasmo: Lutero não apenas

ultrapassou

Erasmo em paixão e violência: Lutero partiu duma posição diferente e mais revolucionária. As preocupações éticas dos humanistas [...] pouco tem a ver com o seu pensamento. Na sua doutrina profética, a Reforma desempenhava, quando muito, um papel acidental. A essência da Reforma, o que lhe deu o seu atrativo esmagador foi, repetimos, não o seu ataque aos abusos, mas a sua reinterpretação positiva e necessariamente revolucionária da religião cristã. (Ibid., p. 226).

Apesar das diferenças de posições e ideais, formação e tempo de atuação, o fato é que

Lutero não foi o primeiro nem o único a se rebelar contra os erros da Igreja. Contudo, partiu

dele uma proposta de Reforma que chegou na sua forma mais radical com a cisão da Igreja.

Entretanto, o mérito não se deve somente a sua pessoa e nem foi sozinho que conduziu o

movimento da Reforma, aliás, para que ela se desencadeasse, ele precisaria de adeptos aos

seus ensinamentos; também se deve lembrar, como já ressaltado, a relevância que tiveram os

Visto que “[...] as circunstâncias fazem os homens assim como eles fazem as

circunstâncias” (MARX; ENGLES, 2006, p. 66), pode-se afirmar que o movimento da

Reforma iniciado por Lutero teria dado frutos e se propagado por inúmeras razões, além de

sua atuação e características que lhe eram particulares e que ele foi desenvolvendo:

Existiam os outros, todos os outros, os comparsas, os anônimos, a massa inumerável dos Flugschriften, dos panfletos ardentes redigidos ‘em vulgar’ e forçando as portas. Existiam as pregações, as conversas, as palavras veementes dos amigos de Lutero, existia o antigo fermento dos ódios sociais, das rivalidades de classe, dos antagonismos de interesses que fermentavam. Acima de tudo isso, palavras que voavam, palavras penetrantes que se cravavam nos corações, penetrando os espíritos, não mais esquecendo. (FEBVRE, 1976, p. 166-7).

Benzer Belgeler