4. ARAŞTIRMA BULGULARI
4.1. Yansıma Engelleyici Kaplamaların Üretim ve Karakterizasyonları
Após discorrer sobre a estrutura física, organizacional e metodológica, tentaremos descrever os passos de um jovem ou adulto que se matriculava em qualquer CES do país na função de suplência. Faremos isso a partir de uma situação hipotética,
22 LOGOS II foi um programa de educação a distância implantada pelo Governo Federal através do Ministério da Educação (MEC), com vistas à formação dos professores leigos em regime emergencial, com habilitação em segundo grau para exercício do magistério. O Logos II utilizava o sistema modular, tinha um plano de atividades diversificado e flexível, no qual o estudante caminhava de acordo com seu próprio ritmo de aprendizagem, participando de encontros mensais com o orientador de ensino, quando acontecia também a aplicação de testes.
visto que, como já alertamos anteriormente, cada sistema de ensino tinha poder para modificar aspectos do regimento e do funcionamento dos centros sob sua responsabilidade. Para orientar melhor o leitor, apresentamos (Anexo-A) um modelo de CES que funcionou em João Pessoa - PB, citado por Mafra (1979/80, p.59), no qual constam a planta baixa, o layout e a circulação dos estudantes.
O CES de João Pessoa foi criado pelo Decreto Nº 6.130, de 10 de abril de 1975, e se instalou num prédio alugado pelo governo do Estado da Paraíba, e contando inicialmente com o apoio técnico e financeiro do MEC. Como podemos verificar no
layout do referido CES, o mesmo se estruturava nos cinco setores fundamentais para o
funcionamento de um CES, apresentados por Mafra (1979/80) e já descritos em momento anterior: Coordenação, Tráfego, Orientação da Aprendizagem, Setor de Audiovisual e Biblioteca23. Este último setor não está bem detalhado, pois funcionava em outro pavimento do prédio.
Nos CES prevaleceram os cursos de suplência, que concediam graus de escolaridade, porém em algumas unidades se ofertavam cursos com a função de suprimento24. No caso do CES de João Pessoa – PB, de acordo com Cavalcante (1983), era ofertado o curso de suplência de educação geral em nível das quatro últimas séries de 1º grau, que, nos dias de hoje equivale à segunda fase (ou terceiro e quarto ciclos) do ensino fundamental.
Mafra (1979/80), alertado por experiências já realizadas, indicava a necessidade de uma preparação psicopedagógica aos que buscavam os CES, antes que os mesmos iniciassem as atividades de ensino-aprendizagem. Essa preparação deveria ser realizada pelo setor de triagem em duas fases. Na primeira, seriam apresentadas as instalações físicas e a dinâmica de funcionamento, cumprindo-se os seguintes passos:
1º - preenchimento da ficha de informação para o levantamento de dados sobre o candidato (profissão, cursos que frequenta, grau de escolarização, experiência de trabalho);
2º - entrevista com o candidato para verificar se ele poderá inscrever- se no CES ou se deverá ser encaminhado a outras programações supletivas;
23 Neste CES, também existia o setor responsável pela promoção dos chamados estudos por correspondência, que não serão enfocaremos neste trabalho.
24 Félix (1986) relata que os nove CES do Estado do Rio de Janeiro, a época já haviam ofertado os seguintes cursos de suprimento: Alemão, Artes Cênicas, Artesanato, Cartazismo, Desenho, Desenho Técnico, Economia de Alimentos, Espanhol, Física, Francês, Inglês, Interpretação de Textos, Laboratório de Redação, Língua Portuguesa, Matemática, Noções de Direito e Legislação, Oficina de Literatura, OSPB, Pintura em Tela, Preparatório para Exame Supletivo, Relações Humanas no Trabalho e Revisão de Textos.
3º - informação sobre a dinâmica de funcionamento do CES, com visita aos seus diversos setores. (MAFRA, 1979/80, p. 45)
Passado esse momento de reconhecimento, o estudante deveria receber informações sobre a metodologia. Na sequência, seria aplicado um teste de sondagem por disciplina, a fim de identificar o nível de conhecimento do mesmo. Esse teste faria o levantamento prévio com vistas a orientar todo o trabalho, pois o resultado indicaria em que ponto o estudante poderia iniciar os estudos ou se necessitaria de atividades para atingir tal condição. Supondo que o estudante fosse habilitado na sondagem, este seria encaminhado novamente ao setor de triagem para participar do fluxo diário.
O estudante tinha a liberdade de priorizar determinado componente curricular ao longo do seu curso. Recebia os módulos didáticos desejados no tráfego e iniciava seus estudos. A programação do CES de João Pessoa-PB era composta pelos componentes curriculares divididos nos módulos indicados no quadro abaixo.
Quadro 10 – Distribuição dos módulos didáticos por componente curricular.
COMPONENTE CURRICULAR NÚMERO DE MÓDULOS
Matemática 30 História Geral 25 Comunicação e Expressão 22 História do Brasil 17 Ciências Naturais 11 O.S.P.B. 11 Geografia 23 Fonte: Cavalcante (1980).
Cavalcante (1980) alertava em sua pesquisa que os módulos didáticos utilizados nos CES naquele momento eram de autoria de uma equipe de professores do Estado do Rio Grande do Norte, mas já estavam sendo paulatinamente substituídos pelos módulos do PLIDESU, organizados em quatro áreas de estudos: Comunicação e Expressão, Matemática, Ciências Naturais e Estudos Sociais. E que, a partir da substituição, seriam incluídos na área de Estudos Sociais, módulos de Geografia e História da Paraíba.
Como indica Félix (1986), o estudante dirige todo o processo de aprendizagem. Além da flexibilidade na escolha dos componentes curriculares, também se verificava essa mesma condição na programação, pois o cronograma de atividades dentro do CES e o tempo de conclusão do curso eram estabelecidos a partir dos critérios
do estudante. O CES em questão funcionava, de acordo com Cavalcante (1983), nove horas por dia, ininterruptamente das 13 às 22 horas25, podendo o estudante poderia comparecer nos dias e nos horários que fossem mais convenientes, em razão de não existir uma frequência mínima exigida26.
Durante o tempo de permanência nas dependências dos CES, o estudante tinha possibilidade de utilizar os diferentes espaços. Na biblioteca, poderia estudar ou pegar materiais, via empréstimo, para estudos adicionais, indicados pelo orientador de aprendizagem ou pelo bibliotecário. Também tinha acesso à sala de recursos audiovisuais, onde recebia orientações e poderia estudar com a ajuda dos recursos tecnológicos disponíveis.
Supondo que as dúvidas de um determinado módulo didático não fossem diluídas na autoinstrução, o estudante poderia recorrer a um orientador da aprendizagem para expor suas dificuldades, num atendimento, individual ou em pequeno grupo, que ocorria com frequência na cabine de atendimento. O tempo médio estimado de atendimento, segundo Mafra (1979/80), deveria ser em torno de dois estudantes por hora. Após receber as orientações, o estudante retornava novamente ao módulo e, caso a dúvida persistisse, poderia solicitar novo atendimento individual com o mesmo orientador, ou outro, caso acreditasse ser necessário.
Mello (1982) descreve que muitos estudantes não entendiam a proposta dos CES e procuravam o orientador para estudar, alegando não ter entendido determinado conteúdo programático, embora sequer houvesse folheado o módulo didático. Nesses casos, o orientador de aprendizagem percebia o problema e conscientizava o estudante de que a função do orientador não seria estudar junto com ele: “[...] mas tirar as dúvidas, as que surgem depois que ele realizou as atividades propostas” (MELLO, 1982, p. 29). Portanto, a função do orientador era esclarecer o que era realmente considerado dúvida. É preciso considerar que essa postura do orientador de aprendizagem pode ser vislumbrada hoje como autoritária ou antipedagógica, considerando ser uma postura com vistas à preservação da metodologia do ensino individualizado, segundo a qual o estudante deveria participar ativamente do processo e não ser um mero receptor da fala do professor. No papel central do processo, cabia ao estudante buscar o conhecimento
25 Esse horário não fazia parte de uma regra. Vemos nos estudos de Torres (1997), Castro (1989), Souza (2005), entre outros, horários diversificados, cobrindo os turnos da manhã, tarde e noite.
26 Em outros CES, exigia-se uma frequência mínima para manter a matrícula ativa. Segundo Félix (1986), os CES do Estado do Rio de Janeiro requisitavam do estudante quatro frequências no intervalo de dois meses.
de forma mais independente possível, utilizando todas as possibilidades e tendo o professor realmente como um orientador, e não como o senhor do conhecimento do ensino tradicional.
Sentindo-se apto, o estudante realizava a pós-avaliação junto ao orientador de aprendizagem. Obtendo o nível de proficiência desejado, avançaria para o módulo didático subsequente e repetiria, ao seu ritmo, os passos de ter acesso ao novo módulo e iniciar as atividades de aprendizagem, até alcançar novamente ao momento da pós- avaliação para tentar avançar novamente, movimento que se repetiria até superar todos módulos de determinado componente curricular. Nos casos em que o estudante não alcançava o mínimo exigido, ficava retido e voltava a desenvolver as atividades do mesmo módulo, dedicando-se a ele por mais um tempo, até adquirir as condições necessárias para prosseguir.
Após ser aprovado em todos os módulos, de todos os componentes curriculares, o estudante solicitava, junto ao tráfego, a certificação de 1º grau.