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Information Security Risk Management and Risk Assessment Methodology and Tools

N. YALÇIN 1 ve B.KILIÇ

A eficácia horizontal dos direitos fundamentais, previstos na Constituição Federal de 1988 é tema extremamente relevante que povoa os cenários de discussões jurídicas. Mais relevante ainda é a horizontalidade desses direitos fundamentais nas relações laborais.

A eficácia vertical dos direitos fundamentais é a limitação jurídica ao poder

160 PIOVESAN, Flávia. Direito Constitucional – Módulo V: Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, 2006.

governamental em relação aos governados, visto que entre eles há uma notória relação vertical de poder, sendo o Estado o ente dotado de poder e, portanto, mais forte em relação ao indivíduo, que está em posição juridicamente mais frágil ou hipossuficiente.

A eficácia vertical, portanto, está diretamente relacionada às transformações do Estado Absoluto em Estado Liberal. Esse Estado liberal, deverá então respeitar e assegurar os direitos fundamentais civis e políticos, também denominados de direitos de primeira dimensão. E, dentre estes, deverá garantir, em especial, os direitos à vida, à propriedade, à liberdade e à igualdade formal. A eficácia vertical dos direitos fundamentais tem por desiderato mitigar interferência estatal na vida privada dos cidadãos, ideologia insculpida pelo liberalismo estatal. Por essa razão, afirma-se que os direitos de primeira dimensão são direitos de defesa do indivíduo frente ao Estado.161

Nessa nova configuração das relações entre cidadão e governo, ensejada pelo Estado liberal, as relações entre os particulares passam a ser regidas pelos princípios da autonomia plena da vontade e do pacta sunt servanda, devendo o Estado se abster de qualquer intervenção nessas relações. Há então uma clara dicotomia entre direito público – consubstanciado pelo Direito Constitucional (ramo que regulamenta as relações entre o Estado e os particulares) – e direito privado – cujos regramentos são trazidos, sobretudo, pelo Direito Civil (ramo jurídico que regula das relações entre os cidadãos).162

Nesse diapasão, o Direito do Trabalho deveria apenas e tão somente regulamentar o contrato de trabalho, restringindo-se a garantir a plena autonomia da vontade dos seus sujeitos na sua elaboração, execução e extinção.

No entanto, observou-se um novo câmbio das feições estatais, mediante as novas configurações insculpidas pelo Estado de Bem-estar Social, cuja ontogênese se fulcra na necessidade de inserção de direitos sociais nas Constituições, surgindo daí a chamada teoria do status positivo, pois o Estado, além de proteger os direitos (liberdades) individuais, passa a atuar positivamente – o que significa que não bastaria mais se abster de certas condutas intervencionistas na vida privada dos cidadãos, mas também deveria agir ou promover ações para a realização dos direitos sociais, seja por meio de intervenções nas relações privadas entre os cidadãos, exercendo o chamado dirigismo contratual, seja atuando diretamente por meio de prestações estatais positivas.

161 BARBAGELATA, Héctor Hugo. El camino hacia la integración del derecho del trabajo em el sistema de los derechos fundamentales y su aplicación efectiva por los tribunales de justicia. Derecho Laboral. Montevideo, v. 51, n. 232, p. 725-746, oct./dic. 2008.

162 GEMINIANI, Teresa Aparecida Asta; GEMINIANI, Daniel. A Eficácia dos Direitos Fundamentais nas Relações de Trabalho. In: Revista CEJ, XIV, n. 49, abr/jun. Brasília, 2010, p. 59-67.

A partir então da concepção dessa nova dimensão dos direitos fundamentais, o indivíduo passa a poder exigir do Estado, além do dever de garantir os direitos de primeira dimensão por meio de condutas de abstenção, ações protetivas desses direitos sociais de segunda dimensão, por meio de uma atuação positiva.

O Estado Social então deve promover, diretamente, prestações de serviços de interesse público, por meio de políticas públicas, garantindo direitos fundamentais, saúde, educação, trabalho, assistência social, lazer, cultura, etc. O Poder Público poderá e deverá exigir o efetivo exercício desses direitos sociais.

Porém, o exercício desses direitos fundamentais não se esgota nessa eficácia vertical, ora tratada, que vincula os Poderes estatais aos direitos fundamentais, conferindo aos cidadãos a faculdade de exigi-los diretamente do Estado. O exercício dos direitos fundamentais é de vital importância para a vida em sociedade e para o pleno exercício da cidadania, de forma que não se encerram na eficácia vertical de seu exercício. É necessário ampliar seu exercício, de modo que não se restrinja sua eficácia. Sustenta Canotilho que a teleologia da Constituição, ou seja, sua finalidade precípua, aponta para uma eficácia horizontal dos direitos fundamentais, por estarem visceralmente ligados à promoção e à proteção da dignidade humana.163

Nota-se que o Estado não é o único ente a obliterar o exercício dos direitos fundamentais. Há outras relações jurídicas que não aquelas entre o Estado e o particular em que existem elementos fático-jurídicos que aportam a essas relações desequilíbrios entre as partes, restando uma das partes em situação de hipossuficiência. Essa hipossuficiência de uma parte em contrapartida a um poder exercido pela outra parte é um fator de alto risco para ocorrência de abusos no exercício desse poder. Nesse campo, temos as relações de trabalho como um paradigma dessas situações. Há, nas relações de emprego uma relação fático-jurídica de exercício de um poder diretivo do empregador em face da subordinação jurídica do empregado. O assédio moral decorre, dentre outros fatores do exercício desequilibrado e lesivo desse poder diretivo. Daí a importância da ampliação da eficácia horizontal desses direitos fundamentais, ou seja, a exigência da efetiva garantia do exercício desses direitos também nas relações entre entes privados, no caso ora aventado, entre empregadores e empregados.164

A eficácia horizontal dos direitos fundamentais, também chamada de eficácia dos direitos fundamentais entre terceiros, é trazida pelo neoconstitucionalismo e enseja um novo

163 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. 5. ed. Coimbra: Almedina, 2002.

164 BEZERRA LEITE, Carlos Henrique. Eficácia Horizontal dos Direitos Fundamentais nas Relações de Emprego. In: Revista Brasileira de Direito Constitucional. n. 17, jan/jun, 2011.

paradigma na ciência jurídica sobre a efetividade dos direitos fundamentais nas relações privadas entre os cidadãos.

Nas relações de emprego, a eficácia horizontal dos direitos fundamentais é de visceral importância em razão da assimetria ensejada pelo poder diretivo do empregador que se consubstancia em três categorias fundamentais: o poder disciplinar, o poder fiscalizador e o regulamentar, que está previsto no art. 2° da CLT. Nesse diapasão, Oscar Ermida Uriarte assevera que o direito ao emprego não está vinculado somente ao princípio da proteção. Os princípios constitucionais dos direitos fundamentais também devem orientar a aplicação do direito, para que se possa efetivamente efetivar o princípio da proteção e, desse modo, dirimir as desigualdades econômicas e sociais que existem entre empregador e empregado. Por essa razão, a aplicação da horizontalidade dos direitos fundamentais nas relações de trabalho são verdadeiramente uma conditio sine qua non para a eficácia do próprio direito do trabalho.165

A Constituição Federal, no Título II, Capítulo I, elenca um rol de “Direitos” e de “Deveres” Individuais e Coletivos, não apenas em relação ao Estado, mas também tendo por sujeitos as pessoas naturais e as jurídicas de direito privado, sobretudo pelo fato que estas podem estar posição superior em relação a outros sujeitos – como os empregados ou os consumidores, por exemplo. Essa superioridade pode ser dar tanto economicamente, quanto política ou socialmente.166

Portanto, é de vital necessidade a aplicação da eficácia horizontal dos direitos fundamentais nas relações empregatícias, para a efetiva promoção das políticas de trabalho digno, na prevenção de problemas relacionados ao trabalho, como o assédio moral, bem como a utilização dos princípios constitucionais dos direitos fundamentais pelo Judiciário, ao dirimir conflitos atinentes às lesões aos direitos fundamentais trabalhistas. A horizontalidade da eficácia dos direitos fundamentais nas relações de trabalho também se constitui em uma forma de efetivação dos princípios que sustentam o Estado Democrático de Direito, elencados no art. 1° da Constituição Federal de 1988.

165 ERMIDA URIARTE, Oscar. La estabilidad del trabajador en la empresa: ¿protección real o fictícia ? Montevidéo: Acali, 1983.

166 CANOTILHO. José Joaquim Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. 5. ed. Coimbra: Almedina, 2002.

CAPÍTULO 2: A DINÂMICA DO ASSÉDIO MORAL

Benzer Belgeler