1. SAĞLIK ÇALIŞANLARI HARICINDE KALAN TEMASLI TAKIBI
1.4. Yakın temaslılarda karantinanın sonlandırılması
Conforme já assinalado, a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo foi promulgada pelo Decreto nº 6.949/2009 e suas normas possuem status de normas constitucionais.
Da análise do seu preâmbulo, é possível verificar que diversos considerandos se referem a fatos sociais (contexto) que foram abordados no item “2.2 Direito como fato: a
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realidade das pessoas com deficiência e a desigualdade de fato”, sob as luzes dos valores
(item “2.3 Direito como valor: a igualdade como valor a ser concretizado”).
Nesse sentido, verifica-se que, embora existam diversos instrumentos e compromissos, “as pessoas com deficiência continuam a enfrentar barreiras contra sua participação como membros iguais da sociedade e violações de seus direitos humanos em todas as partes do mundo” (letra k do preâmbulo).
Ademais, reconhece-se que as mulheres e meninas com deficiência são mais expostas à discriminação e à violência (letra q do preâmbulo).
Também é levado em consideração “o fato de que a maioria das pessoas com deficiência vive em condições de pobreza e, nesse sentido, reconhecendo a necessidade crítica de lidar com o impacto negativo da pobreza sobre pessoas com deficiência” (letra t do preâmbulo).
Por outro lado, para fins de garantir o valor liberdade, é reconhecida “a importância, para as pessoas com deficiência, de sua autonomia e independência individuais, inclusive da liberdade para fazer as próprias escolhas” (letra n do preâmbulo).
Contudo, a liberdade apenas será garantida com a observância do valor igualdade, de forma que seja possível a igualdade de oportunidades na sociedade, o que impõe seja garantida a “acessibilidade aos meios físico, social, econômico e cultural, à saúde, à educação e à informação e comunicação, para possibilitar às pessoas com deficiência o pleno gozo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais” (item v).
Depreende-se da letra y do preâmbulo que o objetivo da Convenção é a promoção da igualdade de oportunidades na vida econômica, social e cultural, por meio da correção das profundas desvantagens sociais das pessoas com deficiência.
De acordo com Geilson Salomão Leite, a Convenção observou os seguintes princípios: a) o respeito pela dignidade inerente, a autonomia individual, inclusive a liberdade de fazer as próprias escolhas; b) a não discriminação; c) a plena e efetiva participação e inclusão na sociedade; d) o respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas com deficiência como parte da diversidade humana e da humanidade; e) a igualdade de oportunidades; f) a acessibilidade; g) a igualdade entre o homem e a mulher; h) o respeito pelo desenvolvimento das capacidades das crianças com deficiência e pelo direito das crianças com deficiência de preservar sua identidade323.
323 LEITE, Geilson Salomão. O direito tributário e a pessoa com deficiência in Manual dos direitos da pessoa
103 Ademais, ela disciplinou as variadas esferas da vida da pessoa com deficiência, reconhecendo diversos direitos que ainda não são respeitados: direito à igualdade e a não- discriminação (art. 5); direitos das mulheres e meninas com deficiência (art. 6); direitos das crianças com deficiência (art. 7); direito à acessibilidade (art. 9); direito à vida (art. 10); direito das pessoas com deficiência em situações de risco e emergências humanitárias (art. 11); direito ao acesso à justiça (art. 13); direito à liberdade e segurança (art. 14); direito à prevenção contra tortura ou tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes (art. 15); direito à prevenção contra a exploração, a violência e o abuso (art. 16); proteção da integridade da pessoa (art. 17); liberdade de movimentação e nacionalidade (art. 18); direito à vida independente e inclusão na comunidade (art. 19); direito à mobilidade pessoal (art. 20); direito à liberdade de expressão e de opinião e acesso à informação (art. 21); respeito à privacidade (art. 22); respeito pelo lar e pela família (art. 23); direito à educação (art. 24); direito à saúde (art. 25); direito à habilitação e reabilitação (art. 26); direito de participação na vida política e pública (art. 29) e direito de participação na vida cultural e em recreação, lazer e esporte (art. 30).
A Convenção também prevê que os Estados reconhecerão que as pessoas com deficiência gozam de capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas em todos os aspectos da vida (art.12, 1) e devem adotar as medidas necessárias para prover o acesso de pessoas com deficiência ao apoio que necessitarem no exercício de sua capacidade legal (art. 12, 3), com o objetivo de garantir à pessoa com deficiência o direito de possuir ou herdar bens, de controlar as próprias finanças e de ter igual acesso a empréstimos bancários, hipotecas e outras formas de crédito financeiro, e assegurarão que as pessoas com deficiência não sejam arbitrariamente destituídas de seus bens (art. 12, 5).
Há também uma preocupação com a dignidade da pessoa com deficiência no que se refere às condições mínimas para uma vida digna e a necessidade de proteção social adequada (art. 28), pois os Estados “reconhecem o direito das pessoas com deficiência à proteção social e ao exercício desse direito sem discriminação baseada na deficiência, e tomarão as medidas apropriadas para salvaguardar e promover a realização desse direito” (art. 28, 2). Dentre as medidas apropriadas, cabe aos Estados:
Artigo 28
Padrão de vida e proteção social adequados [...]
2. [...]
c) assegurar o acesso de pessoas com deficiência e suas famílias em situação de pobreza à assistência do Estado em relação a seus gastos ocasionados pela
104 deficiência, inclusive treinamento adequado, aconselhamento, ajuda financeira e cuidados de repouso.
Observa-se que a Convenção não apenas determinou a observância do princípio da igualdade em seu aspecto formal, como também em seu aspecto material, in verbis:
Artigo 5
Igualdade e não-discriminação
1.Os Estados Partes reconhecem que todas as pessoas são iguais perante e sob a lei e que fazem jus, sem qualquer discriminação, a igual proteção e igual benefício da lei.
2.Os Estados Partes proibirão qualquer discriminação baseada na deficiência e garantirão às pessoas com deficiência igual e efetiva proteção legal contra a discriminação por qualquer motivo.
3.A fim de promover a igualdade e eliminar a discriminação, os Estados Partes adotarão todas as medidas apropriadas para garantir que a adaptação razoável seja oferecida.
4.Nos termos da presente Convenção, as medidas específicas que forem necessárias para acelerar ou alcançar a efetiva igualdade das pessoas com deficiência não serão consideradas discriminatórias (grifo ausente no original).
No tocante ao direito ao trabalho, a Convenção impõe aos Estados não só que disponibilizem acesso efetivo a programas de orientação técnica e profissional e a serviços de colocação no trabalho e de treinamento profissional e continuado (art. 27, d), como também a promoção de oportunidades de emprego e ascensão profissional para pessoas com deficiência no mercado de trabalho (art. 27, e). Ademais, os Estados deverão empregar pessoas com deficiência no setor público (art. 27, g) e, no setor privado, promover o emprego “mediante políticas e medidas apropriadas, que poderão incluir programas de ação afirmativa, incentivos e outras medidas” (art. 27, h).
Importante mencionar o voto do Relator, Min. Celso de Mello, nos autos do Ag.Reg. no Recurso Ord. em Mandado de Segurança n. 32.732/DF324, em que, por unanimidade, se decidiu por ilegítima a exigência de comprovação de que a deficiência produza dificuldades para o desempenho das funções do cargo objeto de vagas reservadas. Restou consignado do voto do Relator que a Convenção, ao assegurar o direito de acesso ao trabalho e ao emprego, busca instituir mecanismos compensatórios que se traduzem em ações afirmativas a serem promovidas pelo Poder Público para proteger os direitos e a dignidade dessas pessoas, com a finalidade de corrigir as profundas desvantagens sociais.
324 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Ag.Reg. no Recurso Ord. em Mandado de Segurança n. 32.732/DF.
105 Destarte, a imposição da realização da igualdade material por meio da adoção de ações afirmativas no direito brasileiro, inclusive no âmbito tributário, é corroborada por referida Convenção.