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Localizado na parte Norte-Noroeste da Grande São Paulo, o município situa- se a uma distância de 30,5 quilômetros da capital em linha reta. Fazendo o percurso de carro, a distância é de 45 quilômetros e, por via férrea, operada pelos trens das CPTM, a distância é de 43 quilômetros. Ao longo de nossa pesquisa, fizemos os dois trajetos, que serviram para facilitar nosso deslocamento, e também para medirmos com exatidão como é o deslocamento das professoras que moram na cidade e precisam vir à capital para alguma consulta médica, ou para satisfazer alguma outra necessidade.

Francisco Morato faz divisa ao norte com a cidade de Campo Limpo Paulista, a nordeste com Atibaia e a oeste e sul com Franco da Rocha, município do qual se emancipou em 21 de março de 1965.

O município tem 45 quilômetros quadrados e é tipicamente uma cidade dormitório.

O último censo ali realizado (IBGE – 2008) apontava que, dos seus 157.294 habitantes, 45,4% da População Economicamente Ativa (PEA) saem para trabalhar fora do município, sendo que, aproximadamente, 21 mil pessoas deslocam-se para a capital todos os dias.

Em Francisco Morato, não há cinemas, teatros ou centros culturais. O espaço da cidade é praticamente todo ocupado, sem áreas livres. Seus morros e encostas foram, aos poucos, sendo ocupados pelas famílias de imigrantes, ou por aqueles que perdiam o emprego ou seus locais de moradia na capital ou em cidades próximas.

A população de Morato é, em sua grande maioria, formada pela parcela mais pobre e excluída da classe trabalhadora da Grande São Paulo.

Apenas metade do esgoto é coletada na cidade. Para todo o esgoto, não há tratamento. Tudo é despejado nos rios que cruzam a cidade, os ribeirões Tapera Grande e Euzébio Matoso.

Espalhadas pela cidade, encontramos escolas de educação infantil e creches particulares, ou formadas por associações de moradores e ONGs. Escolas municipais de ensino fundamental (EMEF) e escolas estaduais de ensino

fundamental e médio, além das escolas de educação infantil (EMEI), que atendem mais de 40 mil crianças e jovens.

Estabelecimentos escolares – ano 2008 Quantidade Escolas - Ensino fundamental 43

Escola pública municipal - EMEF 22

Escola pública estadual 17

Escola privada 4

Escolas - Ensino médio 19

Escola pública estadual 17

Escola privada 2 Escolas - Ensino pré-escolar 37

Escola pública municipal - EMEI 33

Escola privada 4

Fontes: Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - INEP - Censo Educacional 2008 e Prefeitura do Município de Francisco Morato / Secretaria Municipal de Educação.

Em 2008, 67.794 pessoas compunham a População Economicamente Ativa do município. Deste total, 16.511 habitantes estavam desempregados, o que representava 24,35% dos residentes.

Desde 2008, a cidade conta com um Conselho Municipal de Cultura e o Conselho da Comunidade Negra, que abrigam grupos de dança, teatro e música, além de uma orquestra experimental. Os movimentos culturais locais são impulsionados pelos Núcleos de Ação Cultural, que existem em três bairros e no centro. A cidade dispõe, também, da casa de Cultura Vinícius de Moraes.

O município conta com três Unidades Básicas de Saúde – UBS – e dois hospitais: a Santa Casa e o Hospital Estadual, inaugurado no governo de Geraldo Alckmin para atender a toda a região, que é administrado pela Unisa – Universidade de Santo Amaro.

Na cidade, não há indústrias e tampouco espaço para futuras instalações. Também não há espaços disponíveis para grandes empreendimentos, pois a cidade tem 99% de sua área ocupada.

O Produto Interno Bruto do município em 2007 foi de, aproximadamente, R$ 579 milhões, e o PIB per capita, cerca de R$ 3.400,00. Este PIB corresponde a 0,072% do PIB do estado de São Paulo.

Ainda que o PIB seja um indicador discutível, pois um alto índice não significa necessariamente boas condições de vida para a população, um número muito baixo é revelador das condições estruturais de vida dos habitantes de um local.

Em 2007, Francisco Morato apresentou o pior PIB per capita de todo o estado de São Paulo, sendo considerado o município paulista mais desfavorecido.

O IDH – Índice de Desenvolvimento Humano da cidade é de 0,738. Entre os 645 municípios paulistas, Francisco Morato aparece em 606º lugar11.

A taxa de mães adolescentes (menos de 18 anos) no município é de 9,15%. Consideramos este um dos índices mais importantes dos municípios, pois está diretamente relacionado com a continuidade do estudo das meninas – principalmente – mas também dos meninos que serão pais. Em pouco espaço de tempo, haverá uma exigência para que o poder público passe a atender a demanda em vagas de creches. Este índice também pressiona a educação de jovens e adultos. Nossa experiência nas escolas públicas pode afirmar que várias destas novas mães abandonam os estudos durante a gravidez e no ano seguinte; depois, voltam para estudar e terminar os estudos, seja o ensino fundamental ou médio, na educação de jovens e adultos – EJA.

As ruas do centro da cidade estão asfaltadas e as principais dos bairros também, mas muitas são de terra. Várias escolas localizam-se em ruas como estas. Como veremos mais adiante, em dias de chuva, a caminhada é bastante difícil.

11Da mesma forma que o PIB, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) não abrange a totalidade

da qualidade de vida das populações e certamente apresenta várias distorções. No entanto, é uma medida comparativa que nos ajuda na análise da qualidade de vida das populações em seus locais de moradia. O IDH engloba três dimensões: riqueza, educação e esperança média de vida. Foi desenvolvido em 1990 pelo economista paquistanês Mahbub ul Hag e vem sendo usado desde 1993 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no seu relatório anual. O índice varia de zero (nenhum desenvolvimento humano) até 1 (desenvolvimento humano total). A divisão da classificação é da seguinte maneira: Quando o IDH de um país está entre 0 e 0,499, é considerado baixo. Quando o IDH de um país está entre 0,500 e 0,799, é considerado médio. Quando o IDH de um país está entre 0,800 e 1, é considerado alto.

A população do município cresceu assustadoramente desde sua emancipação. Dos 5 mil habitantes em 1965, o número foi multiplicado por cerca de trinta vezes em menos de meio século.

A luta da população sempre esteve vinculada à melhoria de suas condições de vida. É uma luta incessante por obter a satisfação de suas necessidades mais elementares: saneamento, habitação, pavimentação de ruas, escolas, transporte coletivo e saúde.

As outras necessidades que não aparecem como vitais (cultura, lazer, meio- ambiente, locais para recreação, praças, arborização, urbanização e embelezamento da cidade, deslocamentos da população, viagens e turismo) somente nos últimos anos passaram a fazer parte da luta cotidiana de seus moradores.

Em Francisco Morato, há três praças e uma praça central (Belém da Serra) que tem uma fonte luminosa e um coreto.

Benzer Belgeler