A racionalidade da ciência moderna problematiza o sentido da existência do homem como objeto de si mesmo, quebrando aquela visão de fé absoluta da Idade Média da obra divina “dogmatizada”, porém, com a ruptura o homem desenvolveu seus próprios meios de sobrevivência na prática do cotidiano, pois ele constitui um sentido profundo sobre sua existência, oferecendo um sentido pleno a sua complexidade de “ser”, já que a ciência moderna tornou-se impiedosa ao questionar as circunstancialidades da vida humana que não estavam mais atadas a uma visão aleatória que determinava os fatores existenciais, ou seja, a ciência moderna trouxe uma racionalização objetivada.
A ciência moderna traz essa disposição técnica, principalmente pela própria racionalização do homem nas formas de produtividade no trabalho e convívio. Para Habermas (2009, p.53), “a disposição da técnica existente, o projeto de uma natureza como interlocutor, em vez de objeto, refere-se a uma estrutura alternativa da ação racional teleológica”. Com efeito, a natureza não é objeto a ser destruído, no entanto, deve haver essa relação de respeito entre o homem e a natureza.
As culturas superiores encontram-se estabelecidas sobre a base de uma técnica relativamente desenvolvida e de uma organização do processo de produção social, mediante a divisão do trabalho, que torna possíveis produtos adicionais, por conseguinte, uma excedente de bens para além da satisfação das necessidades imediatas e elementares. Devem precisamente a sua existência à solução do problema que só surge com a produção de um excedente, isto é, o problema de distribuir de modo desigual e, no entanto, legítimo, a riqueza e o trabalho segundo outros critérios diversos dos que um sistema de parentesco tem a sua disposição (HABERMAS, 2009, p. 61).
Desse modo, a técnica aparecerá como instrumento a ser desenvolvido de maneira que possibilite dar mais “poder” ao próprio homem. Segundo Habermas (2001, p. 55), “se a
técnica se transforma na forma englobante da produção material, define então uma cultura inteira; projeta uma totalidade histórica, um mundo”. De todo modo, essa repercussão do progresso técnico-científico4 engloba todo um sistema de sociedade, as estruturas e os comportamentos racionais.
O dilema da razão se encaixa nessas discussões do homem como interlocutor desse novo modo de conviver, ou seja, as da racionalidade que legitimam uma relação de produção ou um retorno à inocência do próprio técnico-científico. Nesse sentido, esse avanço de modernização dos meios sociais traz estratégias e regras técnicas bem determinadas gerando um saber pela sua própria forma, ou seja, sua intencionalidade.
Nessas discussões, adentramos no universo do pragmatismo para entendermos os aspectos da formação pragmática na Arquivologia. Para Habermas (1987, p. 90), “à medida, porém, que o positivismo dogmatizava a fé das ciências nelas mesmas, ele assume a função proibitiva de blindar a pesquisa contra uma autorreflexão em termos de teoria do conhecimento”. Segundo Habermas (1987), o positivismo violava a estrutura do saber e todo o seu processo evolutivo, pois era necessário que houvesse um caráter reflexivo e autofundamentado, ao qual ele denominou de teoria crítica. Essa teoria crítica era auferida e contextualizada pela hermenêutica.
Diante disso, o pragmatismo assumiu os formatos do empirismo tradicionalista americano. Esse mesmo empirismo tradicional estava hermeticamente direcionado à experiência progressiva das formas de observações passadas ou presentes. O pragmatismo percebia que essa mesma experiência tinha que ser posta ou pensada a longo prazo, logo, para o futuro.
Nesse sentido, essa vertente que tentava se firmar ganhará várias definições e atribuições, principalmente quando relacionada como um método. O pragmatismo é um esforço que age no âmbito das organizações concebíveis e alcançáveis a partir dos artifícios metódicos:
O pragmatismo é método para alcançar a clareza das ideias que temos dos objetos. E esse método nos impõe considerar quais efeitos práticos concebíveis essa ideia pode implicar, quais sensações podemos esperar e quais reações podemos esperar e quais reações devemos preparar. Nossa concepção desses efeitos, tanto imediata como remota, é então toda a concepção que temos do objeto, enquanto ela tiver significado positivo. (REALE, 2005, p. 85, grifo nosso).
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A racionalidade peculiar da ciência e da técnica que, por outro lado, caracteriza um crescente potencial de forças produtivas excedentes, o qual constitui uma ameaça permanente para o enquadramento institucional e que, por outro lado, proporciona também o critério de legitimação das próprias relações de produção, a cisão de tal racionalidade não pode representar-se adequadamente nem por uma historicização do conceito, nem por um retorno à concepção ortodoxa, nem ainda a partir do modelo do pecado original ou da inocência do progresso técnico-científico (HABERMAS, 2001, p. 54, grifo nosso).
Rendilhando sobre a maneira de se organizar e direcionar os arquivos, o pragmatismo traz uma ideia de um método de organização imediato, prático. Então, sem anacronismo parece-nos que esse pragmatismo se entrelaça às ideologias progressivas e práticas do positivismo do século XIX. Essa máxima pragmática tem um sentido expressivo sob uma ótica científico-experimental, ou seja, as funções do agir funcional instrumental (técnica), “se este método é a única garantia para se adquirir enunciados verdadeiros, tais regras possuem, enquanto determinação de um método, funções correspondentes às condições transcendentais” (HABERMAS, 1987, p. 135).
O pragmatismo que teve seu advento e contextualização mais enfática nos Estados Unidos é diferente da filosofia hermenêutica de Habermas, que problematiza a essência das interpretações em cadeias bem mais filosóficas e exegéticas, conceituais e reflexivas.
Esse pragmatismo anglo-americano propunha tirar o empirismo tradicional do descrédito enquanto modelo de investigação, a intenção era dar veste comprobatória através do progresso científico.
Rousseau e Couture (1998) afirmam que a Revolução Francesa teve um grande impacto nos arquivos. No que diz respeito aos locais de armazenamento, a principal inovação foi, sobretudo, de ordem ideológica e exprime-se pelo desejo de centralização dos documentos. Logo, essa centralização estava diretamente relacionada com as instituições e com as ações funcionais administrativas.
Com isso alguns arquivistas da época perceberam que poderiam colocar a Arquivologia como um “campo científico” respaldado pelo progresso científico do pragmatismo, o saber-fazer:
A quando da Revolução Francesa, a primeira assembléia elegeu Armand Gaston Camus, deputado de Paris, arquivista dos Archives nationales de France com a responsabilidade de conservar os arquivos da assembléia. A revolução reconhecia assim, de maneira oficial, que a conservação e o testemunho dos seus actos e a sua acessibilidade constituíam uma parte importante da missão de um governo, e confiava essa responsabilidade a um dos deputados. Alguns anos mais tarde, um funcionário ocupará este cargo. Contudo, o impulso foi dado e, doravante, a França terá sempre o seu arquivista nacional (ROUSSEAU; COUTURE, 1998, p. 44).
A expansão dos ideais da Revolução Francesa como delineados anteriormente tiveram reflexo nos preceitos da Arquivologia e nos seus princípios norteadores como o da proveniência e o da ordem interna ou original.
As classificações adotadas para organização dos arquivos, em consequências das concentrações em massa e de concepções teóricas racionalistas (sistema que passou a vigorar em variados países, por influência francesa), na prática, não contribuíram para qualquer aperfeiçoamento arquivístico; pelo contrário, levaram à adulteração dos arquivos, pois não respeitaram a organicidade original, que espelhava uma
prática administrativa com as suas características próprias (SILVA et al, 2009, p.
104, grifo nosso).
Esse pragmatismo assolou a prática do saber-fazer na Arquivologia e, assim, pensar a configuração do campo científico arquivístico a partir dessa corrente se torna problemático, uma vez que a Arquivologia está coadunada aos modelos do progresso técnico-científico do pragmatismo, ou seja, às instrumentalizações e operacionalizações nas organizações internas dos documentos nos arquivos.
Essas ações são expressamente práticas, isto é, os fundamentos de organização, os princípios da proveniência, de respeito aos fundos e o da ordem interna ou original configuram um teor pragmático/funcional administrativo.
Rousseau e Couture apontam (1998, p. 52):
Há em arquivística três princípios que constituem o fundamento da disciplina. Trata- se do principio da territorialidade, do princípio do respeito pelos fundos ou princípios da proveniência e da abordagem das três idades. Utilizados desde o final do século XIX e, sobretudo no século XX, constituem a própria base da arquivística moderna.
Esses princípios influenciaram também a Arquivologia principalmente no que se refere aos processos instrumentais da Gestão de Documentos5 e na relação interna dos arquivos, ou seja, a prática de organização dos documentos que estava associada ao empirismo, o saber-fazer. Sendo assim, a abordagem das três idades veio em larga escala confirmar o modelo prático e técnico nos arquivos:
A distinção criada entre várias fases da vida dos documentos, fazendo corresponder
tipos diferentes de arquivos a cada uma delas, alertou para a existência de um
processo contínuo, mas não trouxe qualquer contributo metodológico ou teórico para o desenvolvimento da Arquivística. Os arquivos intermédios ou pré-arquivos começaram a ser depósitos centrais das administrações, mas vieram a tornar-se arquivos mistos (intermédios e históricos), pois o envelhecimento da documentação e os limites da política concentracionista bloquearam necessariamente o modelo
previsto. Os arquivos intermédios acabaram por constituir instrumentos de
desarticulação da cadeia documental na sua natural evolução (SILVA et al, 2009, p.136, grifo nosso).
Partindo das afirmações dos autores entendemos que as etapas de vida documental, os instrumentos de pesquisa e os modelos de organização interna dos arquivos caracterizam um processo operacionalizador de guarda dos documentos. Ainda a partir dessa ideia apresentada percebemos através do processo de interpretação (hermenêutica) que a Arquivologia
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A gestão documental vem identificar os tipos documentais produzidos, recebidos e acumulados, definindo os prazos de eliminação ou de preservação ao arquivo permanente.
relaciona-se com a administração/institucional, tanto na produção como na guarda dos documentos.
Segundo Rousseau e Couture (1998, p. 53):
Os princípios arquivísticos são, pois, muito recentes. Eles mostram o desenvolvimento inequívoco da disciplina que tinha necessidade de assentar as suas práticas em bases mais teóricas. Por sua vez, estes princípios serviram para alimentar o refinamento dos métodos e favoreceram a estruturação deles.
Essa afirmação veio confirmar, em certa medida, que os meios funcionalistas e tecnicistas influenciaram alguns modelos organizacionais da Arquivologia como o das três idades do arquivo, por exemplo.
Com o agravar da situação, após a Segunda Guerra Mundial, generalizou-se o apodítico princípio das três idades do arquivo, que pode ter tido origem em Itália, no início do século XX, por meras razões práticas de instalação dos documentos. Se é certo que esta pretensa teoria parece apontar para uma cadeia relativamente ininterrupta no ciclo de vida dos documentos, a verdade é que gerou um efeito perverso, ao levar à criação de serviços e de depósitos, a maior parte das vezes desarticuladas entre si, provocando, assim, distorções contranaturam em unidades sistêmicas que, desde há milênios, possuíam uma sólida coerência interna (SILVA et al, 2009, p. 207, grifo nosso).
Essa forma pragmatista de organização documental e os procedimentos funcionais administrativos em larga escala provocaram um grande efeito no que concerne à Arquivologia, já que as três idades6 dos arquivos vêm de forma hermética apresentar um ciclo que se torna perigoso, pois os arquivos correntes, os arquivos intermediários e os arquivos permanentes colocam a Arquivologia condicionada a aspectos descritivos e extremamente práticos na realidade funcional, através de princípios arquivísticos que são apontados como pilares epistemológicos.
Esses princípios em sua maioria aparecem na literatura arquivística como bases teórico-metodológicas do saber arquivístico, porém, eles sofreram a influência da racionalidade instrumental (técnica) na realidade pragmática da formação:
No campo instrumental do agir controlado pelo êxito são organizadas experiências que motivam evidentemente as interpretações linguísticas e podem alterar padrões de interpretação legados pela tradição sob uma coerção operacional (HABERMAS, 2009, p. 265).
Na citação o autor esclarece a distinção entre o campo de produção científica, ele faz severas críticas ao positivismo e sua herança empírico-analítica, ou seja, a primazia do
6 Para Bellotto (2002, p. 26) “a teoria das três idades é a sistematização do circulo vital dos documentos de
arquivo. Este ciclo compreende três idades que desde o ponto de vista da administração, seriam a dos documentos ativos, semiativos e a dos inativos. Mas a denominação mais funda é a que corresponde aos usos desses documentos: correntes, ou de gestão, ou setoriais, intermediários ou semicorrentes; e permanentes ou históricos (ou idade histórica). Alguns teóricos vêem, no entanto, uma idade a mais: a dos arquivos centrais, onde se juntariam, ainda em idade corrente, os documentos originados dos setoriais”.
processo de instrumentalização (técnica), que configurou em diversos setores do cotidiano, na Arquivologia atrelou-se ao operacionalismo prático do saber-fazer pragmático a partir de seus princípios, “o pragmatismo sempre concebeu regras metodológicas como normas da práxis de pesquisa” (HABERMAS, 2009, p. 145).
Desse modo, notamos que a técnica adentrou nos princípios e preceitos arquivísticos, onde a racionalização tecnicista aparece como uma unidade pragmática, herança do manto das ciências empírico-analíticas que condicionou de forma concisa o avanço teórico do saber arquivístico, que ficou coadunado a esse víeis da razão instrumental em suas entrelinhas da produção do saber:
No estado atual das forças produtivas, as relações entre o progresso técnico e o mundo da vida social não podem mais encontrar um equilíbrio natural como tinha acontecido até aqui. Cada novo avanço do saber-fazer técnico que irrompe de maneira descontrolada em antigas formas da práxis vital acirra o conflito entre resultados de uma racionalidade intensiva e tradições levadas de roldão pelo progresso: é possível que este estado de coisas se mostre uma liberação civilização técnico-científica em relação à história em geral (HABERMAS, 2009, p. 36, grifo nosso).
Nesse sentido, o saber-fazer instrumental se racionalizou no processo de transformação da Arquivologia, ou seja, os princípios arquivísticos foram estruturados em uma atividade funcional que se traduz em uma consciência prática operacional inserida nas condições dos meios técnicos e que teria se autonomizado na própria clarificação ideológica da área.
Para Habermas (2009), um saber tecnicamente utilizável deste tipo repousa sobre o conhecimento de uniformidades empíricas (experiência experimental); esse conhecimento é a base para explicações causais que possibilitam, sob a forma de prognósticos condicionados, a disponibilidade instrumentalizadora e que na Arquivologia foi auferida na praticidade de seus próprios princípios, onde, esses fundamentos adentraram na realidade da Arquivística em diferentes lugares como o Brasil. Logo, a ação instrumentalizadora na Arquivologia pode ser identificada a partir de uma racionalização do agir instrumental, desse modo, podemos notar através da ilustração o tear operatório da Arquivologia.
Figura 1: Rationalizierung (racionalização) do agir funcional instrumental na Arquivologia
Fonte: Dados da Pesquisa (2013)
Com efeito, notamos que os aspectos funcionalistas contextualizaram as práticas arquivísticas por meio das instituições, das ações administrativas, nas ordenações e nos modelos de organizações documentais, “o funcionalismo permite, em uma palavra, a análise de contextos de ação sob o ponto de vista duplo do sentido subjetivamente determinado e do sentido objetivo”. (HABERMAS, 2009, p. 287).
Os sistemas funcionais se mantêm na continuidade estrutural das práticas arquivísticas em um colapso que desintegra o campo do saber arquivístico ficando condicionado a uma praticidade das ações que permeiam os métodos e os princípios arquivísticos, como o ciclo vital de documentos, “Habermas acredita que o funcionalismo sociológico não pode estabelecer condições de continuidade estrutural sem primeiro abandonar seu manto empírico- analítico, e se revestir com a teoria crítica iluminada pela hermenêutica” (INGRAM, 1994, p. 179).
Silva et al. (2009) já questionavam essa realidade tridimensional de ciclo vital7 funcional, que acarretava sérios prejuízos para a própria Arquivologia, haja vista que nessa
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A arquivística reparte assim a vida do documento de arquivo em três períodos: os de actividade, de semiactividade e de inactividade. Para este especialista, ter em cena o ciclo de vida dos documentos e as três
circularidade vital o interesse era beneficiar apenas as instituições a partir da gestão documental:
A chamada teoria das três idades, encarada de uma forma simplista, passou a acarretar um risco, que foi o de se confundir um mero estrategema operativo com um princípio que consagra e, para muitos, passou a justificar a separação efetiva do que não é estruturalmente divisível. Ao ser elevada ao estatuto de teoria, a invocação das várias idades arquivísticas pode induzir que se está a falar não apenas de fases etárias de uma entidade, mas sim de entidades distintas, cuja distância temporal lhes confere conteúdos diversos e determina a metodologias próprias. Daí decorre que o objeto da Arquivística não seja claro e que se confunda o método com meras aplicações técnicas. (SILVA et al., 2009, p. 155, grifo nosso).
Daí decorre a necessidade de discutir uma forma mais interessante a respeito das atividades da Arquivologia e seus possíveis moldes, diagnosticando e procurando seu teor científico, assim, possibilitando a distância do canal funcional das ações institucionais do agir instrumental:
A questão de saber se a arquivística era uma técnica ou uma ciência, se não ia
além de um mero catálogo de práticas com alguma doutrina feita ou se, pelo contrário, estava já dotada de princípios e teorias para a caracterizar como ciência , estava com sua intervenção a ilustrar de forma clara o impasse epistemológico que tem prevalecido na arquivística. (SILVA et al., 2009, p. 230, grifo nosso).
Diante o exposto, apontamos que esse impasse epistemológico que a Arquivologia sofreu ao longo do tempo está diretamente coadunado a esse passado marcado por eventos, como o pragmatismo, o funcionalismo, o empirismo e o próprio positivismo. Como exposto anteriormente, o ciclo de vida dos documentos é representado por três períodos distintos aos quais nomeamos como os da 1º atividade funcional (corrente), os da 2º atividade funcional (intermediários) e os da 3º atividade funcional (permanente). Desse modo, Habermas (2009) esclarece esse percurso funcional, onde esta abordagem teria a vantagem de apreender de maneira sistemática contextos objetivos e intencionais.
Essa prática traçada na Arquivologia e na circularidade exaustiva acarretou danos teóricos ao campo do saber arquivístico. Para tanto, é fundamental se desprender dessa realidade tecnocrata, porém, é necessário que o arquivista chame a responsabilidade e se torne um questionador do seu próprio campo de atuação para assim, possibilitar o avanço epistemológico da área, “o ciclo de vida dos documentos de arquivo apresenta-se como um dos fundamentos da disciplina arquivística” (ROUSSEAU; COUTURE, 1998, p. 125).
O ciclo vital traz uma atividade que preconiza a ação instrumental, porque demonstra a utilização de um interesse que se justifica na organização documental na estrutura
idades que o compõem permite uma repartição essencial dos grandes conjuntos que formam o arquivo de uma pessoa física ou moral. Ele tornou-se uma especificidade da sua disciplina”. (ROUSSEAU; COUTURE, 1998, p. 111).
administrativa e nas circunstâncias institucionais que o cercam, “a metodologia da identificação fundamenta-se nos princípios teóricos da proveniência, da ordem original, e no ciclo de vida dos documentos”. (SILVA, 2012, p. 56). Desse modo, a concepção prático-vital orienta uma ação do saber-fazer do agir funcional instrumental, em uma circularidade que se baseia em diretrizes e que se subdivide em três ações do ciclo vital no processo operatório da Arquivologia, as quais podem ser compreendidas como idades documentais.
Figura 2: A concepção do ciclo prático-vital na Arquivologia
Fonte: Dados da Pesquisa (2013)
Nesse sentido, é comum encontrarmos na Arquivologia atual aspectos que se relacionam com os procedimentos operatórios e pragmáticos, onde esse pragmatismo expressa um teor funcional e que está ligado aos padrões do agir funcional instrumental:
Na medida em que a máxima pragmática regula o sentido das expressões autorizadas sob uma ótica científica experimental e limita, assim, a aplicação de tais expressões do agir instrumental, o sentido da validade de enunciados autorizados sobre esta área do objeto é indiretamente também interpretado em termos pragmatistas, a saber: estes enunciados abarcam a realidade em vista de uma disponibilidade técnica, sempre e em toda parte possível sob condições específicas (HABERMAS, 1987, p.