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Eln podn nstar dnntro das gradns n nstar fnliz, satisfnito com Jnsus.(Entrnvistado)

Corten (1996) explica que os evangélicos buscam o contato direto com Deus, o acesso direto à bíblia e veem no pentecostalismo a valorização da pobreza à imagem de Cristo. Essas duas possibilidades e a analogia simbólica, para ele, são bastante atrativas para pessoas carentes afetivamente e à margem da sociedade. Podemos acrescentar que essas características favorecem a adesão de presos, pelo fato de não requerer maiores investimentos materiais, a não ser uma bíblia, que pode ser fornecidas a eles pelos evangelizadores, sem custos, além de promover uma identificação entre a imagem deles e a de Cristo, que os atrai.

Esta parte do trabalho reserva-se à transcrição e ao comentário de trechos das entrevistas realizadas com a Direção do Presídio, agentes penitenciários e presos não evangélicos, que demonstram apoio aos seguidores do evangelho ou pelo menos a crença de que a religião é tomada por eles com o seu propósito verdadeiro e ainda destaques para esclarecimentos prestados pelos próprios presos evangélicos.1

4.3.4.1 Religião não, Deus.

Durante as entrevistas feitas com os presos evangélicos, vários deles fizeram questão de deixar bem claro que não seguiam uma religião, mas sim Jesus. Vejamos como se pronunciam sobre essa questão:

Não escolhi una igreja, eu acho que que Deus é que faz toda obra. Jesus nos quiere felizes, sorrindo na igreja e o louvor é isso: representar a alegria que temos de seguir a Jesus. (Entrevistado 21)

No primeiro dia que eu fui preso, no dia que eu fui preso, eu aceitei o Senhor Jesus, já. A pessoa tando preso, é assim, um grande sofrimento. (Entrevistado 30)

Por qun você não tnm uma rnligião?

Religião... Deus, primeiramente, não deixou religião, deixou apenas um cumprimento da sua palavra, pra analisar, como se diz, a palavra de Deus:

Se conhecer a verdade, a verdade o libertará. Então... tem o que? Tem que conhecer a verdade e conhecendo a verdade, você tem que praticar, felizmente, a verdade, que é a justiça de Deus. Deus não faz distinção das pessoas. Então, quando a gente chega a Deus: Deus diz: vim a mim como estais. Ai tem outra palavra que diz assim: Aqueles que quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e segue-me. (Entrevistado 17)

E os nvangélicos são como?

O evangélico, eles são pessoas que procura Jesus, são umas pessoa do coração voltado para Deus, eles clama a Deus, pede a Deus que abençoe todos aqueles que não são crente, pra que eles saiba que só Jesus é o salvador. (Entrevistado 28)

4.3.4.2 Mudança de vida ao se tornar evangélico

“Agora eu espero recomeçar. Fazer o que eu nunca fiz, para ter o que eu nunca tive. Para ser o que eu nunca fui. Tem que fazer...o que nunca fiz”. (Entrevistado 10)

A religião e a cultura estão intrinsecamente relacionadas. Prandi (2007) explica que “é comum dar como certo que a religião não apenas é parte constitutiva da cultura, mas também a abastece axiológica e normativamente. E que a cultura, por sua vez, interfere na religião, reforçando-a ou forçando-a a mudanças e adaptações”.

Rezende Junior (2010), por sua vez, ao estudar a conversão, destaca que, com ela, a cultura se altera, pois novos valores e significados se apresentam. Nessa via, o mundo moral passa a ser “o pano de fundo em que o Eu exercita sua liberdade, inclusive a da escolha das identidades postas à sua disposição no interior de tal ou qual sistema cultural concreto” (OLIVEIRA, 2006, p. 60, apud Rezende Júnior, 2010). Conclui, afirmando que a esfera moral é elemento integrante do sistema cultural, portanto, um alvo a ser focalizado simultaneamente à investigação do processo de identidade, observável em casos específicos e que, em geral, o que se vê são inúmeros peregrinos em busca do cumprimento do simbólico, em busca de bens provisórios, nunca permanentes, mas capazes de permitir o desenvolvimento do sentimento definitivo de pertencimento e propiciar a identidade.

Lobo (2005), ao tratar da questão de como os agentes religiosos percebem os presos, fala do pecado, reconhecendo que ele norteia o discurso evangélico de modo geral, e que no universo prisional, tem suas proporções aumentadas. O crime que o indivíduo cometeu é explicado como resultado de uma vida imersa no pecado e controlada pelo demônio (Lobo (2005) apud Birman, 1997; Mariz, 1997): para deixar a vida criminosa, os

agentes religiosos afirmam que só nascendo de novo, tornando-se “nova criatura”. Nessa percepção, isso só acontece quando o indivíduo aceita Jesus e se converte.

Além disso, Lobo (2005) destaca que se somam aspectos socioeconômicos decorrentes da imoralidade, violência, prostituição e vícios, que levam à degradação social, condição essa propícia para a ação do “mal” e que, segundo os evangélicos, só pode ser mudada pelo poder de Jesus Cristo e do evangelho. Na maioria das vezes, os evangelizadores descrevem os presidiários como pessoas infelizes que entraram para o crime como forma de sobrevivência, e que na infância foram crianças abandonadas e que tiveram uma criação em ambiente de violência. Dizem que, à primeira vista, são inseguros e desconfiados e que a maioria nunca experimentou sentimentos de amor e segurança.

Enxergando os presos com esse olhar, os evangelizadores procuram trabalhar a autoestima dos presos, com o objetivo de levá-los a compreender que, apesar dos erros que cometeram contra a sociedade e contra o próprio Deus, o amor de Deus não acaba (Jesus te ama) e é nessa perspectiva que se dá o discurso religioso. O discurso do amor de Deus, somado à ajuda material, contribui para amenizar o sofrimento na prisão e proporciona a sensação de autoestima, produzindo um novo significado na vida de muitos presidiários.

Sucintamente, em outros termos, portanto, pode-se dizer que a conversão religiosa proporciona a aceitação, o perdão, o conhecimento de uma nova forma de conduzir a vida, que provoca mudanças nas formas de se vestir, de se expressar e em linhas gerais, de interpretar os estímulos exteriores.

Partindo desses pressupostos, analisemos as mudanças apontadas pelos presos convertidos em suas vidas.

Como nra sua vida antns dn snr nvangélico?

Acha que se sente bem, né? Mas, quando está no mundo acha que é tudo, que pode tudo, e não percebe que depende de Jesus para ter as coisas... Todo que você tem, Deus é quem entrega e do mesmo jeito que ele entrega, ele tira. Mas, desgraciadamente não percebe que não estava certo e que faz toda diferença quando conhece a palavra de Jesus, quando conhece o evangelho. Ai é quando percebe realmente que você estava errado e que estava prestando mais atenção as coisas do mundo, dos ímpios e que estava muito, muito afastado... Aonde Deus não poderia ouvir sua voz, né... Quando você clamava Deus, você era um homem, uma pessoa que estava muito longe, não dava pra ouvir. Eu acho que meu Jesus me ouviu quando eu me aproximei mais dele.

E o qun você passou a nspnrar da vida dnpois dn sn tornar nvangélico? O qun mudou?

Não, mudar... mudou tudo. Conseguir ver a Deus, seguir a Jesus, não va mudar em 30% a sua vida, logicamente va mudar os 100%. Você tem que se habituar a ver as coisas com outra natureza, aprender a perdoar, que é

muito difícil, ao principio costa muito, perseguido que nem eu, me costo muito aprender como é o perdon, é entender verdadeiramente o perdon para você ser continuar sendo perdoado por Jesus. (Entrevistado 21)

Como o snnhor nnxnrga sua vida snm snr crnntn?

É. Eu já fui crente umas 3 vez e toda vida eu me senti feliz. Quando eu saia na crença, eu me achava desinfeliz, eu achava que eu tava num caminho mal, então eu só caia, me afundava, e agora que eu estou com Jesus, eu me sinto feliz, eu até já sonhei voando, é muito bom, eu me sinto beeeem feliz da minha vida, uma pessoa alegre. (Entrevistado 28)

Essa vontadn dn mudar, fnz com qun você quisnssn acnitar Jnsus, n dnpois disso, o qun você passou a nspnrar dn sua vida? Mudou alguma coisa?

Graças a Deus está mudando, porque ele já me restaurou de, de... ele já me libertou das drogas, porque era uma coisa que eu nunca imaginava que ia se libertar e ia deixar, mas ainda sou perseguido, né, através do inimigo invisível, né, que vinha oferecendo as coisas de bandeja à pessoa. (Entrevistado 22)

Jesus disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Eu sentia um vazio muito grande, era uma pessoa realizada, tinha dois empregos, era noivo, tinha minha casa própria, tinha amigos, achava que tinha... Mas no fundo, no fundo, sentia um vazio... Bebia... Hoje em dia, apesar dos pesares, de ter acontecido isso na minha vida, mas você sabe que o ser humano é falho... Infelizmente eu ainda continuo fazendo algo que não é a favor da religião... Eu ainda fumo... mas, eu sentia um vazio muito grande. Eu tinha tudo, mas faltava algo dentro de mim, que eu não sabia o que era. E, depois do.. do acontecido, realmente, é, eu preenchi esse vazio: o vazio era Deus, e eu não sabia. (Entrevistado 9)

O qun lnva uma pnssoa qun nstá prnsa, procurar uma rnligião?

Lá na vida dele, melhora tudo. Os pensamento mau, não tem mais. Tem só pensamento bom.

Você acha qun todos qun nstão prnsos qun procuram uma rnligião, snria por nssn motivo ou também tnm outros motivos?

O homem que procura Deus, tá procurando a felicidade da vida dele, né? Buscando uma coisa que venha renovar a vida dele. Mudar de vida né? (Entrevistado 26)

4.3.4.3 Bons exemplos

É claro que, a gente pode dizer que há uma pequena porcentagem que diria assim “Encontrei Jesus” ou que quer se evangelizar de verdade, que tocou o coração dele e ele sabe que quer mudar de vida. Acontece. Alcancei casos aqui em Alcaçuz de pessoas que saíram do mundo das drogas e também do mundo do crime através da fé em Deus. Mas é minoria. (Ex vice diretor) Exemplo 1: Lá no Pavilhão 4, tinham 3 evangélicos lá. Eles respeitam muito os evangélicos quando são fervorosos, aqueles evangélicos que seguem a doutrina, os exemplos, eles são muito respeitados dentro do sistema. Um exemplo de evangelização na unidade prisional: Tem “n” exemplos. Tem um apenado que saiu daqui há mais de 4 anos e outro que saiu há 7 anos (J. W.), ambos envolvidos em homicídios. Aí, esses dois são exemplos que eu vejo bem claro. O J. W. S., morava no Pavilhão 1, era

protestante aqui dentro; o outro, G. F., inclusive, já avistei mais de 3 vezes, pregando aqui. (Ex vice diretor)

Exemplo 2: Nós temos alguns que foram homens perigosos, e que, através da palavra de Deus, eles se converteram, aceitaram e hoje são pessoas firmes, fieis e são ganhadores de alma. Eles trabalham, entram em presídios... E outros até se tornaram dirigentes de trabalhos dentro de presídios, como o J. W., ele mora do outro lado, na Zona Norte. Ele foi preso daqui, inclusive quando eu trouxe ele para cá, o Diretor até se admirou muito dele e eu disse: Olhe, esse jovem, ele aqui, está dirigindo um trabalho em um dos presídios de Natal. Temos J. N., que traficou 40 anos nas Rocas e hoje é um auxiliar do trabalho no Templo Central.

Eln vai para os prnsídios também?

Ele vai. As vezes eu trago ele para cá, mas ele faz trabalhos no Presídio Provisório Raimundo Nonato, CDP Ribeira. O dirigente de lá, do Raimundo Nonato, é um rapaz que fez parte de quadrilha nacional de trafico aqui no Brasil, e hoje ele é um crente que prega a palavra e dirige o trabalho lá. (Pregador da Assembleia de Deus)

Exemplo 3: O único apenado que ainda se identifica mais como evangélico é Dante56, que é um apenado que morava no IV, ele agora veio para o Setor

Médico, ele é, é... um tipo de pastor lá dentro do Pavilhão e... o comportamento dele até hoje assim, nesse tempo que eu tou aqui, nunca teve nenhum tipo de alteração, por parte dele. (Agepen 5)

4.3.4.4 Bem comportados

É diferente de um preso dentro de um pavilhão, que geralmente procura tumultuar o ambiente, a cadeia. (Agepen 5)

Então, quer dizer, quando a gente nega a si mesmo e toma essa posição, quer dizer o que, a gente tem que deixar de fumar droga, a gente tem que deixar de prostituição, deixar de mentira, de muitas coisas, que Deus, como é que se diz, Deus cobra diante da sua justiça. Então, a pessoa é uma nova criatura, que deixa as coisas velhas para trás e começa tudo de novo, buscando o melhor, conforme a palavra de Deus. (Entrevistado 17)

Com rnlação aos prnsos nvangélicos, é pnrcnptívnl a prnsnnça dnlns aqui no prnsídio para você?

Dá sim. Geralmente os presos que são evangélicos costumam falar muito de Deus, ficam citando passagens da bíblia, se interessam pela religião do agente.

E nntrn os prnsos qun trabalham, tnm nvangélicos?

Dos que trabalham, eu acho que a maioria é evangélica e sempre procuram participar dos cultos, é..., buscam pregar a palavra.

Você acha qun nlns sn convnrtnm por quê?

Sei lá, para buscar uma salvação, paz, arrependido. (Agepen 1)

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Não consegui entrevistá-lo, tendo em vista que ele foi transferido para o novo pavilhão Rogério Madruga Coutinho e não teve como algum agente trazê-lo até o prédio da Administração para que eu falasse com ele. Muitos o citaram como um preso verdadeiramente evangélico.

Gostaria qun você fiznssn um rnlato dn tudo qun você obsnrvou durantn nssns mais dn 10 anos qun você tnm trabalhado nm Alcaçuz sobrn os prnsos nvangélicos, sn dá pra distinguir, sn nlns têm cnlas nspncíficas, como nlns sn distribunm?

Eles procuram, na realidade, é, serem um grupo fechado, vamos dizer assim, porque, é, você pega um pavilhão, com 2 (duas) alas, com 7 celas em cada uma, em pelo menos numa das alas vai ter um cela, onde não só com auxílio da Direção, mas entre eles mesmos, os evangélicos procuram ficar juntos. Por quê? Se evita que se adentre nessa cela um celular, droga, já que não é dá concepção deles usar esse tipo de coisa, então, eles não querem ninguém de fora ali para trazer problema. (Agepen 11)

4.3.4.5 Tratamento diferenciado

Então o tratamnnto é difnrnntn?

É. O tratamento é diferente, né? Porque a pessoa que é crente, a pessoa vê mesmo, né? Essa pessoa aí não me dá trabalho... E aqueles que não procura Jesus, eles tão no mal, né? É fumando droga, é roubando, eles roubam muito dentro das cela; aí as pessoa chega na Direção e diz: Doutor, lá na cela tão robando tudo meu, quando eu saiu pra trabalhar. Então, umas pessoa dessa, não é pessoa que as pessoa trate eles bem. (Entrevistado 28)

4.3.4.6 A conversão como forma de defesa

Você acha qun nssns prnsos sn tornaram nvangélicos, por quê?

Alguns por arrependimento do que fizeram, outros pela... outros pela... comodidade, pela acomodação, por fazer parte de um grupo que é menos violento, até por medo dos outros, acabam formando um grupo maior e se juntando, vamos dizer assim.

Seria uma forma de defesa. (Agepen 11)

Benzer Belgeler