BÖLÜM 2:YAŞLI NÜFUS VE YAŞLILARA YÖNELİK SOSYAL
2.2. Yaşlılara Yönelik Sosyal Politikaların Nedenleri
trabalhar
O trabalhador já aposentado, de acordo com a redação original das Leis ns. 8.212/91 e 8.213/91, não estava sujeito a novamente contribuir para os cofres da Previdência, caso voltasse a trabalhar. Foi então editada a Lei nº 9.032/95, acrescentando o § 4º ao artigo 12 da Lei de Custeio, do seguinte teor:
O aposentado pelo RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer a atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata esta Lei, para fins de custeio da seguridade social.
A alteração introduzida pela Lei nº 9.032/95 não se compatibiliza com o regime de repartição simples adotado pelo texto constitucional originário, baseado no pacto intergeracional através do qual os trabalhadores de hoje pagam, com suas contribuições, os proventos dos inativos, da mesma forma que terão seus proventos pagos pela próxima geração. Desta forma, ao ser concedido o benefício de aposentadoria, o pressuposto é que o segurado já trabalhou e contribuiu o necessário e suficiente, passando então a usufruir os proventos a que tem direito. Ainda que retorne ao mercado de trabalho, está imune à
251 BRASIL. TRF – 5ª Região, Segunda Turma, Processo nº 2006.05.00.020480-1-SE, DO de 07/01/2008.
incidência do pagamento de qualquer outra contribuição previdenciária, pois já cumpriu com seu quinhão.
Como se não bastasse, fere também o princípio constitucional da isonomia vez que trata de forma diferenciada trabalhadores que se encontram na mesma situação.
A mesma Lei nº 9.032/95, que determinou a incidência da contribuição previdenciária ao segurado aposentado que retorna ao mercado de trabalho, também inseriu o § 2º ao artigo 18 da Lei de Benefícios (Lei nº 8.213/91), apenas possibilitando a este aposentado a percepção dos benefícios de salário-família e reabilitação profissional.
Ora, ou bem o segurado aposentado contribui como os demais e tem direito a receber todos os dez benefícios do artigo 18 para os quais se destinam as contribuições, ou bem não contribui com nada, vez que não receberá qualquer contrapartida.
A solidariedade que sustenta a Previdência Social determina que todos contribuam para que todos possam receber, quando oportuno, o quinhão que ajudaram a formar. Mas não autoriza o tratamento desigual que a Lei nº 9.032/95 instituiu. A nosso ver, não se coaduna com a solidariedade desejada pelo legislador constituinte a imposição de dever em via única, ou seja, somente para efeito de contribuição.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 437.640-7/RS (Relator Ministro Sepúlveda Pertence, publicado no DJ de 02/03/2007), o Supremo Tribunal Federal analisou a constitucionalidade da contribuição previdenciária cobrada do aposentado que retorna à atividade, instituída pela Lei nº 9.032/95 em nova redação dada ao § 4º do artigo 12 da Lei nº 8.212/91.
A Corte Suprema concluiu pela constitucionalidade do dispositivo, ao fundamento de que a contribuição está amparada no princípio da universalidade do custeio da Previdência Social (CF, art. 195), bem como no § 4º do artigo 201, que “remete à lei os casos em que a contribuição repercute nos benefícios”.
Baseou-se o Relator nos fundamentos adotados pelo Supremo Tribunal Federal na ADIN 3.105-8/DF (tratada no item 3.1.6 deste Capítulo, a seguir).
Não obstante o julgamento tenha sido unânime, no Voto-Vista apresentado pelo Ministro Carlos Britto foram tecidas importantes considerações envolvendo os princípios da universalidade, da solidariedade e da isonomia, como segue:
(...)
6. Pois bem, devo reconhecer que, após o entendimento majoritário que se adotou no julgamento da referida ADI 3.105, seria difícil sustentar qualquer tipo de necessária correspondência entre a contribuição exigida dos aposentados pelo RGPS e o incremento dos respectivos proventos. Tudo desembocaria no caráter
ortodoxamente tributário da contribuição para a Previdência Social (a ser financiada por toda a sociedade, de forma solidária), tal como sustentado pelo eminente Ministro Pertence, naquela oportunidade e no presente caso.
(...)
10. Em essência, portanto, restou ao trabalhador-aposentado: de um lado, o dever jurídico de contribuir para a Previdência Social (§ 4º do art. 12 da Lei 8.212/91); de outro, usufruir tão somente do serviço de reabilitação profissional e do benefício do salário-família.
11. Já no âmbito das prestações a que fazem jus os demais trabalhadores, ou seja, aqueles que ainda não se aposentaram, leio o art. 18 da Lei nº 8.213/91: (...)
12. Ora bem, diante desse tratamento normativo gritantemente diferenciado, é de se perguntar: a Lei nº 9.032/95 negou o princípio da isonomia, ao restringir o rol de prestações em favor do trabalhador de que trata este processo? Antes de qualquer resposta, lembro que o diploma então regulador da situação do aposentado pela Previdência Social que voltava ao trabalho (Lei nº 6.243/1975) previa, em seu art. 1º:
“Art. 1º O aposentado pela Previdência Social que voltar a trabalhar em atividade sujeita ao regime da Lei nº 3.807 (“Antiga Lei Orgânica da Previdência Social”), de 26 de agosto de 1960, terá direito, quando dela se afastar, a um pecúlio constituído pela soma das importâncias correspondentes às suas próprias contribuições, pagas ou descontadas durante o novo período de trabalho, corrigido monetariamente e acrescido de juros de 4% (quatro por cento) ao ano, não fazendo jus a outras prestações, salvo as decorrentes de suas condição de aposentado ...”
13. Dessa leitura, fácil concluir que o retorno do aposentado ao trabalho implicava o dever da contribuição previdenciária, sim, mas sob a regra de que o somatório delas lhe seria devolvido na forma de um pecúlio. E o que temos hoje? Temos que a Lei 9.032/95 definiu o trabalhador-aposentado como segurado obrigatório da Previdência Social, porém sem o anterior direito aos mesmos benefícios que são conferidos aos trabalhadores ainda não aposentados. Pior: sem direito a pecúlio e sem direito aos mesmos benefícios que são conferidos aos trabalhadores ainda não aposentados.
(...)
19. É o que me basta, Sr. Presidente, para entender conspurcado o princípio constitucional da isonomia. Isto porque não encontro em nossa Lei Fundamental normação que legitime o desprestígio conferido pela Lei nº 9.032/95 aos trabalhadores aqui referidos.
20. Com efeito, a Carta de Outubro versa a aposentadoria como um “benefício”. Não como um malefício. E se tal aposentadoria se dá por efeito do exercício regular de um direito (aposentadoria voluntária), é claro que esse regular exercício de um direito não pode representar uma “capitus deminutio” perante aqueles ainda não contemplados com a possibilidade de optar entre se inativar de vez, ou permanecer trabalhando.
21. Por este nosso modo de ver as coisas, tem-se, de um lado, o exercício pleno de um direito social, que é o direito ao trabalho (cabeça do art. 6º); de outro, o pleno gozo do direito à aposentadoria pelo Regime Geral de Previdência Social, também definido como direito social pelo mesmo art. 6º da CF combinado com o § 7º do art. 201. Ambos com sua própria natureza jurídica, é certo, mas passíveis de contemplar uma só e mesma pessoa física.
22. Acresce que a defesa deste nosso ponto de vista concretiza o protoprincípio da valorização do trabalho, que a Magna Carta de 1988 versou como fundamento da República Federativa do Brasil (inciso IV do art. 1º), princípio da ordem econômica (inciso VIII do art. 170) e base de toda a ordem social (art. 193). (...).
Apesar das lúcidas observações do Ministro Carlos Ayres Britto, ele acompanhou o voto do Relator, vez que a discussão não foi ventilada no Tribunal de origem, inocorrendo o prequestionamento.
Os fundamentos utilizados por sua Excelência desnudam, em boa medida, o verdadeiro intuito da alteração legislativa editada, qual seja, o aumento puro e simples das contribuições previdenciárias, sem qualquer contrapartida àquele obrigado ao seu recolhimento.
Ora, um dos pilares da Previdência, que integram o conteúdo do direito fundamental, é a regra inscrita no artigo 195, § 5º, da Constituição Federal, pela qual “os benefícios ou serviços só podem ser criados, majorados ou estendidos mediante a correspondente fonte de custeio total”.
O que temos aqui, como bem apontado pelo Ministro Carlos Britto, é a imposição de recolhimento da contribuição previdenciária, sem que possibilite a tal segurado o usufruto dos benefícios e serviços a ela correspondentes, como sói acontecer com os demais segurados que trabalham.
O entendimento adotado à unanimidade pela Corte Suprema apenas destaca a solidariedade sob a ótica do custeio, ignorando-a sob a sua outra face (a do benefício).
A política pública ratificada pelo Supremo Tribunal Federal implica grande retrocesso social e não atende aos critérios da impessoalidade, da moralidade, da razoabilidade e da proporcionalidade.
Se implica, de outro lado, em alguma eficiência econômica, este resultado não tem estatura suficiente a se sobrepor ao direito fundamental. Pelo menos, não deveria ter.
3.1.6. Custeio – Regime próprio de Previdência Social: contribuição previdenciária