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YAŞAM DÖNGÜSÜ VE BU SÜREÇTE GELİŞEN EYLEMLER

KAMU KESİMİ ÖZEL KESİM

4. YAŞAM DÖNGÜSÜ VE BU SÜREÇTE GELİŞEN EYLEMLER

As estratégias textuais que vamos apresentar são do nível da relação de vozes. Elas mostram principalmente a questão da intertextualidade e da interdiscursividade, com algumas especificidades para os recursos do argumento de autoridade e do terceiro discurso.

3.2.2.1 Jogo de vozes: intertextualidade/interdiscursividade

Esta estratégia tem como base procedimentos intertextuais e/ou interdiscursivos, – ou seja, a incorporação de segmentos textuais, no caso da intertextualidade, ou de percursos temáticos ou figurativos de outros textos, no caso da interdiscursividade –, que estabeleçam relações contratuais ou polêmicas com o discurso em que se inserem, reforçando ou alterando o sentido construído no texto.

Portanto, tal estratégia contribui para a criação dos discursos opostos acima mencionados, eis que os segmentos textuais ou percursos temáticos e/ou figurativos inseridos no texto se tornam argumentos a favor de uma perspectiva ou de outra.

Um dos resultados da pesquisa que vale a pena salientar em relação ao jogo de vozes, que se baseia em procedimentos intertextuais e/ou interdiscursivos, está dado pelo emprego de títulos intertextuais. Com efeito, os títulos escolhidos pelo enunciador estabelecem relações intertextuais com ditados (La pescadilla se muerde la cola), frases célebres (Y sin embargo, se mueve), máximas de heróis nacionais (“Las reformas solo son fecundas...”), textos literários (Crónica de la muerte más anunciada) e músicas

(“Buscando visa para un sueño”). Todos são fragmentos de outros textos que, quando incorporados nos posts, trazem determinadas isotopias para seu interior.

A esse respeito, devemos destacar, ainda, os casos de Pobrecitos los cubanos e El suicidio como arma política, títulos que remetem ao discurso contrário – os comentários de alguns leitores do blog e o discurso do dissidente Guillermo Fariñas, respectivamente – em relação ao do enunciador-narrador.

Quanto ao jogo de vozes, com base nas análises dos procedimentos intertextuais e/ou interdiscursivos, é possível estabelecer as vozes com as quais o enunciador dialoga em conformidade ou de forma conflitual. Sobre isso, podemos apontar para o fato de o discurso do enunciador, em geral, estabelecer relações polêmicas com o de opositores ao governo cubano (Democracia a la cubana, El suicidio como arma política, De protestas e ilusiones, Los aprendices de brujo, El embargo que bifurca los senderos), com o das mídias anticastristas (Crónica de la muerte más anunciada, La pescadilla se muerde la cola) e com o do governo dos Estados Unidos (La pescadilla se muerde la cola, “Buscando visa para un sueño”). Do mesmo modo, o discurso do enunciador dialoga também de forma conflitual com blogueiros-publicitários do governo cubano (“Buscando visa para un sueño”), com a burocracia estatal e, às vezes, com o presidente Raúl Castro (“Las reformas solo son fecundas...”).

Igualmente, vemos que, para corroborar o seu próprio discurso, o enunciador usa não apenas a opinião dos favoráveis ao governo cubano, mas também a de diplomatas estadunidenses e de dissidentes (De protestas e ilusiones, Los aprendices de brujo, El embargo que bifurca los senderos). Isso acontece sempre que a fonte citada está numa posição e também se manifesta favorável à outra. Esse procedimento caracteriza a estratégia do uso do argumento de autoridade, que abordaremos a seguir.

3.2.2.2 Uso de argumento de autoridade

O argumento de autoridade constitui uma estratégia de ordem intertextual/interdiscursiva por meio da qual se delega a responsabilidade discursiva a outro, com base no fato de ser ele fiador da verdade.

A opinião de um sujeito se torna argumento de autoridade quando uma pessoa que tem uma posição clara, reconhecida, fala da outra posição, o que faz com que a outra seja considerada, por conseguinte, como verdadeira.

É esse o caso do cantor José Luis Ferrer (Democracia a la cubana) e do jornalista, ativista e exilado cubano Pedro Corzo (La pescadilla se muerde la cola), conhecidos por fazerem oposição ao governo da ilha. Desse modo, quando eles falam a favor do governo, legitimam essa posição, contrária à sua.

De igual forma acontece com o intelectual revolucionário Alfredo Guevara (Navidad a la cubana). Guevara alude intertextualmente a um discurso a favor do governo. Por isso, ao se opor ao governo, sua atitude se torna argumento de autoridade.

Já no caso de José Martí (Ni escoria ni redentores, “Las reformas solo son fecundas”), suas ideias são usadas porquanto se trata do herói nacional de Cuba, o que significa que ele é aceito pelas duas posições. É uma opinião colocada acima de qualquer suspeita.

3.2.2.3 Inserção do terceiro discurso

A construção do terceiro discurso baseia-se em elementos intertextuais e/ou interdiscursivos ou mesmo pode ser reforçado por meio desses elementos. Essa estratégia pode coincidir, ainda, com o uso do argumento de autoridade, ou seja, o segmento textual/discursivo incorporado pode dar conta de ambos os recursos.

Usado, por vezes, com função conclusiva, tal recurso não aparece apenas no final de alguns posts (Democracia a la cubana), mas também pode ser assumido pelo enunciador-narrador no meio dos textos (Conversación en el agromercado, Y sin embargo, se mueve, “Las reformas solo son fecundas...”).

Nesses posts, o terceiro discurso se produz mediante citações da imprensa cubana (Conversación en el agromercado), de falas de opositores ao governo cubano (Democracia a la cubana, Y sin embargo se mueve) e de personagens célebres, como Rabindranath Tagore (“Las reformas solo son fecundas...”).

Apresentadas em ordem de uso, as estratégias de imparcialidade mais frequentes no blog foram o jogo de vozes, que cria o efeito de polifonia; a debreagem enunciva, que produz a ilusão de objetividade; o jogo do enunciativo e do enuncivo, decorrente da alternância entre o objetivo e o subjetivo; a inserção do terceiro discurso, que traz uma outra perspectiva para o texto; o uso do argumento de autoridade, com função conclusiva; e, por fim, as embreagens actanciais. Com a apresentação dessas estratégias, podemos perceber de que forma o enunciador constrói o efeito de sentido de imparcialidade.