Todos os tumores odontogênicos foram analisados, microscopicamente, em Hematoxilina e eosina para confirmação do diagnóstico. A seguir, estão descritas as principais características microscópicas observadas e os resultados da expressão imuno-histoquímica da podoplanina nos diferentes grupos de tumores odontogênicos deste estudo. Nos tumores odontogênicos queratocísticos e nos cistos odontogênicos ortoqueratinizados também foram descritos os resultados da imunomarção com o anticorpo anti-Ki-67.
5.3.1 Tumores odontogênicos epiteliais sem ectomesênquima
Ameloblastoma
Ao exame microscópico em hematoxilina e eosina (Figuras 1A, 1C e 1E) dois padrões de ameloblastomas foram identificados: o folicular e o plexiforme. O ameloblastoma folicular foi caracterizado por ilhotas e cordões de epitélio odontogênico com formações císticas, de permeio a um estroma fibroso. As células das ilhotas epiteliais eram colunares, hipercromáticas e estavam dispostas em paliçada, sendo as células centrais organizadas frouxamente, lembrando aquelas do reticulo estrelado. O ameloblastoma acantomatoso, um subtipo do folicular, também foi observado com presença de ilhotas de epitélio odontogênico contendo metaplasia escamosa no interior, conforme visualizado na Figura 1C.
No ameloblastoma plexiforme (Figura 1A) as células epiteliais odontogênicas eram semelhantes aquelas do ameloblastoma folicular (Figura 1C), porém, ora estavam dispostas em cordões, ora organizadas formando um arranjo plexiforme. Um escasso estroma de tecido conjuntivo foi observado de permeio as células epiteliais odontogênicas.
Resultados 71
A avaliação da expressão da podoplanina nos ameloblastomas plexiformes foi encontrada fortemente na membrana e citoplasma das células colunares periféricas cuboidais dispostas em arranjo plexiforme (Figuras 1B e 1F). A ausência desta expressão foi encontrada no escasso estroma de tecido conjuntivo. Nos ameloblastomas foliculares a expressão da podoplanina foi membranosa e citoplasmática nas células periféricas das ilhotas epiteliais e ausente nas células centrais arranjadas frouxamente lembrando reticulo estrelado do órgão do esmalte (Figura 1D). No subtipo acantomatoso a marcação permaneceu membranosa e citoplasmática nas células periféricas das ilhotas epiteliais e ausente nas áreas centrais que apresentavam metaplasia escamosa (Figura 1D).
Tumor odontogênico adenomatóide
Ao exame microscópico em coloração de hematoxilina e eosina, os tumores odontogênicos adenomatóides apresentavam cavidade cística com proliferação de células epitelias, ora formando cordões ou ilhotas, ora distribuídas aleatoriamente (Figura 2A). Em algumas regiões as células epiteliais formavam estruturas semelhantes a rosetas ou com características ductiformes contendo ou não material hialino no lúmen (Figura 2B) De permeio as células epiteliais odontogênicas foi encontrado pequenos focos de calcificação. O estroma tumoral foi caracterizado por tecido conjuntivo. Os focos de calcificação estiveram presente em sete tumores, sendo que em um desses tumores foi observado extensas áreas de calcificações.
Na análise imuno-histoquímica, uma forte expressão membranosa da podoplanina foi encontrada na grande maioria das células epiteliais odontogênicas que formavam cordões e ilhotas Algumas vezes, a expressão da podoplanina foi também observada no citoplasma destas células epiteliais (Figuras 2C e 2D). Notou- se ainda, uma positividade da podoplanina nas células cúbicas, poliédricas e polarizadas das estruturas ducto-like, bem como naquelas que formavam estruturas semelhantes a rosetas (Figuras 2C e 2D). As áreas de calcificação observadas de permeio as células epiteliais odontogênicas foram negativas para a podoplanina (Figura 2D), bem como, o estroma de tecido conjuntivo.
Resultados 72
Figura 1 - Características microscópicas dos ameloblastomas. Em A, observar o padrão plexiforme do ameloblastoma e em C o padrão folicular contendo células epiteliais odontogênicas colunares, dispostas em paliçada e com núcleo voltado para o interior da ilhota, semelhante a pré-ameloblastos. No interior da ilhota epitelial as células lembravam o retículo estrelado do órgão do esmalte e algumas apresentavam metaplasia escamosa (C). Em B e D observar detalhes da expressão da podoplanina nos ameloblastomas ilustrados em A e C. A expressão da podoplanina foi encontrada na membrana e citoplasma das células epiteliais odontogênicas no ameloblastoma plexiforme (B) e folicular (D). Em D notar a imunopositividade para podoplanina nas células semelhante aos pré-ameloblastos e ausência desta expressão nas células que lembram o retículo estrelado, nos focos de metaplasia escamosa e no estroma tumoral de tecido conjuntivo. Em E observar o ameloblastoma plexiforme em continuidade com a mucosa bucal e a forte imunomarcação da podoplanina nas células epiteliais odontogênicas. (A, C e E = Hematoxilina e Eosina, B, D, e F = Imuno-histoquímica anti-podoplanina, Aumento original A e B = 400x, B e C = 200x, D e E = 100x)
Resultados 73
C
D
E
F
Resultados 74
Resultados 75
Figura 2 - Tumor odontogênico adenomatóide. Em A e B observar diversos cordões epiteliais odontogênicos, ora finos e em outras regiões formando estruturas ductiformes ou dispostos em formas rosetas. Em C e D, detalhes da forte imunoexpressão da podoplanina na membrana e citoplasma do epitélio odontogênico com formação de estruturas ductiformes e de rosetas. Em D, observar que nos focos de calcificação não houve expressão da podoplanina. (A e B = Hematoxilina e Eosina, C e D = Imuno-histoquímica anti-podoplanina, Aumento original A = 50x, B = 200x, C e D = 400x)
A
B
D
C
Resultados 76
Resultados 77
Tumor odontogênico queratocístico
Ao exame microscópico em hematoxilina e eosina, o tumor odontogênico queratocístico (Figura 3A) foi caracterizado por uma área cística revestida por um epitélio estratificado pavimentoso paraqueratinizado, com a presença de 5 a 8 camadas de células, com corrugações na camada superficial e ausência de cristas epiteliais. As células da camada basal eram hipercromáticas, cuboidais e estavam dispostas em paliçadas. Uma tênue junção epitélio-conjuntivo foi observada, inclusive com a presença de áreas de completa disjunção entre os dois tecidos (Figura 3A) Algumas formações císticas (cistos satélites), revestidas por um epitélio com as mesmas características do cisto principal, também foram encontradas no interior do tecido conjuntivo. Em alguns tumores, focos de células inflamatórias crônicas foram observados, bem como, a presença de queratina no interior do lúmen cístico.
Na análise imuno-histoquímica, uma forte expressão da podoplanina foi encontrada na membrana celular e no citoplasma das células epiteliais da camada basal e supra-basal de todos os tumores odontogênicos queratocísticos como pode ser visualizado na Figura 3C. Não houve expressão da podoplanina nas células epiteliais superficiais e no tecido conjuntivo subjacente ao epitélio odontogênico (Figura 3C), exceto para os vasos linfáticos, que quando presentes foram imunopositivos para a podoplanina. As células periféricas dos cistos satélites presente no tecido conjuntivo demonstraram uma imunorreatividade membranosa e citoplasmática para a podoplanina.
Cisto odontogênico ortoqueratinizado
Em hematoxilina e eosina, o cisto odontogênico ortoqueratinizado apresentou um epitélio estratificado pavimentoso, sem cristas e com camada granulosa bem evidenciada (Figura 3B). Superficialmente no epitélio ou no interior do cisto, observamos camadas de ortoqueratina (Figura 3B). A junção epitélio- conjuntivo apresentava-se frouxa, com áreas de fendas e regiões de completa
Resultados 78
disjunção entre os dois tecidos. Focos de discreto infiltrado inflamatório crônico foram encontrados no tecido conjuntivo próximo ao epitélio do cisto odontogênico ortoqueratinizado.
Os cistos odontogênicos ortoqueratinizados apresentaram uma expressão variável da podoplanina. Algumas células da camada basal mostravam uma discreta expressão membranosa e citoplasmática da podoplanina, enquanto em outras regiões, as células da camada basal e supra-basal não expressaram a proteína (Figura 3D). A imunomarcação da podoplanina também foi observada em pequenos focos da cápsula fibrosa, subjacente ao epitélio odontogênico.
5.3.2 Correlação da podoplanina com o índice de proliferação celular
A distribuição dos cistos odontogênicos ortoqueratinizados e dos tumores odontogênicos queratocísticos de acordo com o índice de proliferação celular obtido pela imunomarcação com o anticorpo anti-Ki-67 e a intensidade da expressão da podoplanina, seguem ilustrado na Tabela 4e 5, respectivamente.
O teste de Coeficiente de Correlação de Spearman mostrou uma forte correlação (r=0,68) com um nível considerável de significância de p= 0,006 entre a positividade para a podoplanina e o maior índice de proliferação celular obtido pelo Ki-67, nos cistos odontogênicos ortoqueratinizados e nos tumores odontogênicos queratocísticos, conforme visualizado na Tabela 6.
A imunoexpressão do Ki-67 nas células epiteliais dos tumores odontogênicos queratocísticos e dos cistos odontogênicos ortoqueratinizados, ilustrados, respectivamente, nas Figuras 3E e 3F, pode ser identificada pela coloração castanha dos núcleos nas camadas basal e supra-basal do epitélio.
Resultados 79
Tabela 4 - Distribuição dos cistos odontogênicos ortoqueratinizados e dos tumores odontogênicos queratocísticos de acordo com o índice de proliferação celular baseado na imunomarcação com Ki-67.
COO TOQ
Ki-67 N % N %
18,97 % 4 100% 1 9,09%
> 18,97 % - - 10 90,91%
TOTAL 4 100% 11 100%
N: número de tumores; COO: Cisto odontogênico ortoqueratinizado, TOQ: Tumor odontogênico queratocístico.
Tabela 5 - Distribuição dos cistos odontogênicos ortoqueratinizados e dos tumores odontogênicos queratocísticos de acordo com a expressão da podoplanina. EXPRESSÃO DA PODOPLANINA- COO TOQ Escores N % N % 1 2 50% - 2 2 50% - 3 - 5 45,45% 4 - 6 54,55% TOTAL 4 100% 11 100%
N: número de tumores; COO: Cisto odontogênico ortoqueratinizado, TOQ: Tumor odontogênico queratocístico; Escores:1:ausente,2:leve,3:moderado e 4:forte.
Tabela 6 - Correlação entre o índice de proliferação celular baseado no Ki-67 e a
expressão da podoplanina nos 11 tumores odontogênicos
queratocísticos e nos 4 cistos odontogênicos ortoqueratinizados.
Coeficiente de Correlação de Spearman
R p
Ki-67 x podoplanina 0,68 0,006*
Resultados 80
Figura 3 - Tumor odontogênico queratocístico e Cisto odontogênico
ortoqueratinizado. Em A e B observar a área cística revestida por epitélio estratificado pavimentoso paraqueratinizado (A) e ortoqueratinizado (B) sem cristas epiteliais. Subjacente ao epitélio a cápsula fibrosa com ausência de células inflamatórias (A e B). Em C, notar a forte expressão da podoplanina membranosa e citoplasmática nas células epiteliais da camada basal e supra-basal do tumor odontogênico queratocístico. Em D, ausência da expressão da podoplanina nas células epiteliais do cisto odontogênico ortoqueratinizado e fraca expressão desta proteína no vaso linfático presente na parede fibrosa (controle interno). Na imunomarcação com o anticorpo anti-Ki-67 notamos a maior imunopositividade nuclear das células epiteliais do revestimento cístico dos tumores odontogênicos queratocísticos (E) quando comparado com os cistos odontogênicos ortoqueratinizados (F). (A e B = Hematoxilina e Eosina, C e D = Imuno-histoquímica anti-podoplanina, E e F= Imuno-histoquímica anti-Ki-67, Aumento original A, B e D = 200x, C, E e F = 400x)
Resultados 81
C
A
D
B
E
F
Resultados 82
Resultados 83
Tumor odontogênico epitelial calcificante
Ao examinar o corte microscópico a partir da coloração hematoxilina e eosina o tumor odontogênico epitelial calcificante apresentou cordões de células epiteliais poliédricas com citoplasma eosinofilico, pontes intercelulares, poucas figuras de mitoses. De permeio aos cordões de células epiteliais, notou-se presença de material hialino, homogêneo e com alguns focos de calcificação distrófica. Na periferia da lesão observou-se presença de células vacuoladas e com citoplasma claro (Figura 4A e 4B).
O tumor submetido a imuno-histoquímica pelo anticorpo anti-podoplanina revelou a presença marcante da podoplanina, principalmente na membrana de células epiteliais odontogênicas vacuoladas com citoplasma claro, localizadas na região periférica da lesão (Figura 4C). Na região central do tumor poucos cordões de epitélio odontogênico com expressão membranosa e citoplasmática heterogênea da podoplanina foram observados (Figura 4D). Nas áreas de material eosinofilico de permeio as células epitelias odontogênicas, incluindo os focos de calcificação, a expressão da podoplanina foi negativa.
Resultados 84
Resultados 85
Figura 4 - Tumor odontogênico epitelial calcificante. Em A e B observar as células epiteliais odontogênicas, dispostas em cordões, algumas com citoplasma claro, vacuolado, de permeio a um material eosinofílico, amorfo. A imuno-histoquímica (C) revelou expressão forte da podoplanina na membrana e citoplasma das células epiteliais odontogênicas, principalmente naquelas localizadas na periferia tumoral. Na área central do tumor (D), a imunomarcação membranosa e citoplasmática para esta proteína nas células epiteliais variou de leve a moderada e nas regiões do material amorfo localizado entre os cordões epiteliais não houve expressão da podoplanina. (A e B = Hematoxilina e Eosina, C e D = Imuno-histoquímica anti- podoplanina, Aumento original A, B, C e D = 200x)
A
B
Resultados 86
Resultados 87
5.3.3 Tumores odontogênicos epiteliais com ectomesênquima
Fibroma ameloblástico
Ao analisar este tumor em coloração de hematoxilina e eosina observamos a presença de proliferação de cordões e ilhotas epiteliais odontogênicas, algumas dessas ilhotas possuíam de 1 a 2 camadas de células cuboidais, enquanto outras apresentavam células colunares periféricas, semelhante ao epitélio interno do órgão de esmalte que circundavam uma região central de células arranjadas frouxamente. De permeio a este epitélio odontogênico encontramos um ectomesênquima intensamente celularizado semelhante a papila dentária (Figura 5A).
Na análise imuno-histoquimica (Figura 5B), foi encontrada uma forte expressão da podoplanina na membrana e citoplasma nas células epiteliais odontogênicas periféricas das ilhotas e cordões e na área central essa expressão foi moderada. Não houve expressão da podoplanina nas células do ectomesênquima.
Figura 5 - Fibroma Ameloblástico. Em A, observar os cordões epiteliais odontogênicos dispostos em um ectomesênquima altamente celularizado. Na imuno- histoquímica (B), pode-se observar a forte expressão da podoplanina na membrana e citoplasma das células periféricas e moderada na região central dos cordões epiteliais odontogênicos. Não houve expressão da podoplanina nas células do ectomesênquima. (A = Hematoxilina e Eosina, B = Imuno-histoquímica anti- podoplanina, Aumento original A = 100x, B = 200x)
Resultados 88
Resultados 89
Fibroodontoma ameloblástico
Ao exame microscópico em coloração de hematoxilina e eosina, o fibroodontoma ameloblástico foi caracterizado por cordões epiteliais odontogênicos organizados como órgãos do esmalte compostos por ameloblastos e retículo estrelado. Células semelhantes a odontoblastos também foram observadas em contato com a dentina. Os tecidos duros presentes, esmalte e dentina, estavam depositados de forma desorganizada como pode ser observado na Figuras 6A e 6B. Na análise imuno-histoquímica deste tumor odontogênico (Figuras 6C, 6D, 6E e 6F), a expressão da podoplanina foi forte na membrana e citoplasma dos cordões epiteliais odontogênicos, e nas células semelhantes ao retículo estrelado, estrato intermediário, nos odontoblastos e nos ameloblastos secretores. A expressão da podoplanina foi moderada nas extensões citoplasmática dos odontoblastos presentes nos túbulos dentinários (Figura 6F). Nos ameloblastos reduzidos do órgão do esmalte (Figura 6C) e tecidos parcialmente mineralizados (matriz de esmalte = Figura 6E) ou completamente mineralizados (dentina) não foram evidenciados expressão da podoplanina.
Tumor odontogênico cístico calcificante
A análise microscópica dos tumores odontogênico cístico calcificante em hematoxilina e eosina, mostrou presença de um epitélio odontogênico revestindo uma cavidade cística com projeções em direção ao lúmen. No interior do epitélio observamos presença de células fantasmas, que por vezes se fusionavam e formavam áreas de grandes calcificações (Figura 7A e 7B).
Na análise imuno-histoquímica (Figuras 7C e 7D) a forte expressão da podoplanina foi encontrada na membrana e citoplasma das células epiteliais odontogênicas que revestiam a cavidade cística. Nas células fantasmas, nas áreas calcificadas e na parede fibrosa não houve expressão da podoplanina (Figura 7C e 7D).
Resultados 90
Figura 6 - Fibroodontoma ameloblástico. Em A e B, observar o tecido duro (dentina) e a matriz de esmalte de permeio as células epiteliais odontogênicas e ao ectomesênquima. Na imuno-histoquímica, não houve expressão da podoplanina nos ameloblastos não secretores (C) entretanto, a forte expressão desta protéina foi observada nas células logo acima destes ameloblastos. Nos odontoblastos em contato com a dentina e nas células que se assemelham ao retículo estrelado houve uma moderada expressão da podoplanina (D). Nos ameloblastos secretores (E) notar a forte expressão da proteína, bem como, nas extensões celulares dos odontoblastos presentes no interior dos túbulos dentinários (F). (A e B = Hematoxilina e Eosina, C,D,E,F = Imuno-histoquímica anti-podoplanina, Aumento original A = 100x, B = 200x, C, D, E e F = 400x)
Resultados 91
B
C
D
E
F
Resultados 92
Resultados 93
Figura 7 - Tumor odontogênico cístico calcificante. Em A e B, observar a presença do epitélio odontogênico e das células fantasmas com coloração eosinofilica. Na imuno-histoquímica (C e D), a expressão da podoplanina foi forte nas células epiteliais odontogênicas que revestia a cavidade cística, e ausente nas células fantasmas. (A e B = Hematoxilina e Eosina, C e D = Imuno-histoquímica anti- podoplanina, Aumento original A = 100x, B = 400x, C = 100x, D = 200x)
C
D
Discussão 96
Discussão
97
6 DISCUSSÃO
A podoplanina humana é uma glicoproteína transmembrana que se expressa em células de origem epitelial e mesenquimal (SCHACHT et al., 2005; WICKI; CHRISTOFORI, 2007; CIMPEAN; RAICA, 2007; KALOF; COOPER, 2009; HATA et al., 2010). Sua especificidade para o endotélio dos vasos linfáticos, mas não para as células endoteliais dos vasos sanguíneos (BREITENEDER-GELEFF et al., 1999) tornou esta molécula um marcador biológico específico para os vasos linfáticos (FUKUNAGA, 2005; KALOF; COOPER, 2009).
Em tumores malignos sólidos da região de cabeça e pescoço, como o carcinoma espinocelular, a expressão da podoplanina em células epiteliais neoplásicas vem sendo associada com a invasão, disseminação e progressão tumoral e consequentemente, com um pior prognóstico para os pacientes (YUAN et al., 2006; ALMEIDA, 2009; KREPPEL et al., 2010; HUBBER et al., 2010).
Nos últimos anos, alguns pesquisadores detectaram a expressão da podoplanina em tecidos normal ou neoplásico de origem odontogênica (SAWA; IWASAWA; ISHIKAWA, 2008; GONZÁLEZ-ALVA et al., 2010; ZUSTIN; SCHEUER; FRIEDRICH, 2010; IMAIZUMI et al., 2010; OKAMOTO et al., 2010), entretanto, sua função exata nestes tecidos ainda não foi esclarecida. Portanto, este trabalho foi idealizado visando trazer contribuições relacionadas à presença da podoplanina nas células e demais estruturas presentes nos tumores odontogênicos epiteliais benignos dos ossos maxilares.
Para uma melhor caracterização de nossa amostra, as informações clínicas dos pacientes portadores dos tumores odontogênicos epiteliais obtidas, na sua grande maioria, das fichas clínicas que acompanhavam as peças cirúrgicas foram descritas e encontram-se sumarizadas nas Tabelas 3 e 4. Estas informações, com poucas exceções, reproduzem um perfil bastante conhecido para estes tumores
Discussão 98
odontogênicos descritas na literatura pertinente (BARNES et al., 2005, NEVILLE et al. 2002).
Em uma análise geral, a expressão da podoplanina foi observada na maioria dos tumores odontogênicos epiteliais com e sem ectomesênquima. Principalmente nas células epiteliais odontogênicas e em células ectomesenquimais como os odontoblastos, uma forte imunoexpressão membranosa desta proteína foi frequentemente encontrada, por vezes envolvendo também o citoplasma celular.
Nos ameloblastomas (Figuras 1B, 1D e 1F), por exemplo, nossos resultados mostraram uma expressão membranosa e citoplasmática da podoplanina nas células periféricas das ilhotas epiteliais que lembravam pré-ameloblastos e ausência desta expressão nas células centrais semelhantes ao retículo estrelado do órgão do esmalte (Figuras 1D). No estroma tumoral composto por um tecido conjuntivo fibroso não houve expressão da podoplanina. Adicionalmente, as áreas de metaplasia escamosa, presente nas ilhotas odontogênicas dos ameloblastomas, também não apresentaram positividade para a podoplanina (Figura 1D).
Estes resultados reforçam os achados prévios de González-Alva et al. (2009) e de Zustin; Scheuer; Friedrich (2010), que descreveram uma forte expressão da podoplanina nos ameloblastomas, principalmente nas células epiteliais colunares, semelhantes aos ameloblastos, e a ausência desta imunomarcação nas células centrais que lembravam o retículo estrelado do órgão do esmalte. Estes autores (GONZÁLEZ-ALVA et al., 2010; ZUSTIN; SCHEUER; FRIEDRICH, 2010) também descreveram a perda da expressão da podoplanina nas áreas queratinizadas (metaplasia escamosa) dos ameloblastomas com padrão acantomatoso. Concordamos com estes autores (GONZÁLEZ-ALVA et al., 2010) ao sugerirem que a podoplanina pode ser um marcador biológico útil na classificação dos tumores odontogênicos e na identificação das células com maior capacidade de maturação tendo em vista, a ausência desta proteína nas células em fase terminal de diferenciação (regiões queratinizadas) dos ameloblastomas.
Se compararmos a imunolocalização da podoplanina nos ameloblastomas com aquela observada no órgão do esmalte dos germes dentários, verificamos que as expressões celulares são semelhantes ou seja, durante a odontogênese (SAWA; IWASAWA; ISHIKAWA, 2008, IMAIZUMI et al., 2010, ZUSTIN; SCHEUER; FRIEDRICH, 2010), esta proteína foi encontrada nas células em proliferação do
Discussão
99
epitélio interno, epitélio externo e nos pré-ameloblastos, estando ausente nas células do retículo estrelado e estrato intermediário. Sua expressão foi também suprimida no epitélio diferenciado do órgão do esmalte contendo ameloblastos. (SAWA; IWASAWA; ISHIKAWA, 2008).
Em relação aos tumores odontogênicos adenomatóides (Figura 2), a presença membranosa da podoplanina foi detectada fortemente na maioria das células epiteliais odontogênicas, incluindo aquelas polarizadas formando rosetas ou estruturas ductiformes e ausente nas áreas de calcificação (Figura 2D). Estes resultados concordam, em parte, com aqueles descritos nos tumores odontogênicos adenomatóides por Zustin; Scheuer; Friedrich (2010), exceto pela ausência de expressão da podoplanina nas células epiteliais odontogênicas luminais das estruturas ductiformes, o que não foi identificado em nosso estudo. Deve ser ressaltado que estes autores (ZUSTIN; SCHEUER; FRIEDRICH, 2010) avaliaram apenas dois tumores enquanto que, nossos resultados referem-se às observações encontradas, com maior freqüência, em nove tumores odontogênicos adenomatóides.
Nos tumores odontogênicos queratocísticos, a podoplanina estava presente na membrana e citoplasma das células epiteliais das camadas basal e suprabasal e também nas células periféricas dos cistos satélites (Figura 3C). Por outro lado, os cistos odontogênicos ortoqueratinizados apresentaram ausência de expressão ou positividade pontual e leve da podoplanina nas células epiteliais do revestimento cístico (Figura 3D). Esses resultados reforçam aqueles descritos por Okamoto et al (2010), ao descreverem a maior expressão da podoplanina nos tumores odontogênicos queratocísticos do que nos cistos odontogênicos ortoqueratinizados.
Ao avaliarmos o índice de proliferação das células epiteliais das camadas basais e suprabasais dos TOQ e COO, verificamos uma forte correlação, estatisticamente significativa (p=0,006), entre a imunopositividade da podoplanina e o maior índice de proliferação celular (Figuras 3E e 3F, Tabela 6). Seria a podoplanina uma molécula importante no processo de invasão dos tumores odontogênicos queratocísticos como sugerido por Okamoto et al., (2010)? Embora nossa casuística seja pequena para responder com segurança este questionamento, se fizermos uma analogia dos nossos resultados com os carcinomas espinocelulares
Discussão 100
de boca, onde a expressão da podoplanina é importante para o processo de invasão tumoral e metastáses (YUAN et al., WICKI; CHRISTOFORI, 2006; ALMEIDA, 2009, HUBBER et al., 2010), podemos reforçar a natureza tumoral e portanto, mais agressiva dos tumores odontogênicos queratocísticos quando comparados aos COO, suportando a teoria de que a podoplanina participa dos processos de