• Sonuç bulunamadı

Essa aula faz parte do conjunto de aulas sobre Sistema Circulatório desenvolvidas durante a seleção dos participantes em 2009. Como citado anteriormente, a turma havia começado no projeto nesse ano e estava em processo de adaptação à ‘lógica escolar”. Além disso, essa foi a primeira vez que o professor-licenciando ensinou esse conteúdo e também o primeiro contato de muitos alunos com o mesmo. Como o próprio professor sugeriu na terceira entrevista, outro fator que pode ter influenciado a argumentação nessas situações seria o tema abordado, considerado de difícil compreensão e talvez a forma como ele trabalhou não teria sido a mais apropriada, apesar de acreditar que muitos alunos aprenderam:

Antígeno e anticorpo, isso confunde demais! Eu custei aprender isso, eu mesmo. (...) Eu acho que ali muita gente aprendeu ... mas minha viagem55, sei lá, era que explicando aquilo e fazendo a prática ia ficar mais visível, mas não acho que deu tão certo assim não, acho que eu tinha que ter ido com mais calma ali naqueles conceitos, talvez bolado uma forma genérica de explicar ... não sei se eu tinha que ter entrado tão a fundo (...) Ecologia é um conteúdo mais acessível do que uma genética, essa antígeno, anticorpo, imunogenética, sei lá onde entra isso, essa bagunça celular ... (Transcrição Entrevista 3)

A análise dessa situação argumentativa, a partir da Pragma-dialética, revelou-se muito complexa, principalmente, porque as diferenças de opinião mais amplas estavam implícitas para todos os participantes, o que resultou em várias diferenças de opinião subordinadas, visando possivelmente restringir o problema a um nível viável de resolução. A FIGURA 5.1

55

representa a integração parte-todo, sugerida em Green et. al., 2005. Dessa forma, podemos observar que a situação argumentativa se desenvolve durante um tempo significativo da aula (contorno no Mapa de Eventos 4.1 em rosa), que essa é uma das últimas aulas sobre Sistema Circulatório, sendo que os alunos já haviam estudado o sangue em aulas anteriores (Mapa de Eventos 3.1). Por questões de espaço, tanto o Mapa de Eventos 2 quando o Mapa de Eventos 1 foram representados por apenas três colunas56.

56

Nos QUADROS 5.1, 5.2, 5.3, 5.4 e 5.5 apresentamos as análises das interações discursivas da situação argumentativa da aula 1. Nessa situação foram excluídos turnos de fala e falas que não faziam parte da discussão para possibilitar maior clareza das interações, assim como sugerido em van Eemeren et. al. (1996, p. 292). Nessa aula podemos perceber

FIGURA 5.1 - Representação parte-todo para localização da situação argumentativa sobre Sistema ABO em todos os eventos ocorridos durante a pesquisa.

que nos Turnos de Fala (TF) 1-50, o professor tentou construir um conhecimento comum com a turma, de forma predominantemente unilateral, sobre conceitos de antígeno e anticorpo, representados no QUADRO 5.157. Essa construção envolveu pouca participação dos alunos, pois eles nunca tiveram contato com a forma como a Ciência explica os diferentes tipos sanguíneos e não tinham outra explicação para contrapor, por isso não houve diferença de opinião e os alunos pareciam concordar com o professor.

Entretanto, no decorrer da interação, parece que os alunos interpretaram os desenhos, as informações da tabela e a fala do professor diferentemente do que ele esperava. Assim, surgiram diferenças de opinião explícitas e implícitas relacionadas a diversos aspectos da linha de raciocínio construída pelo professor, a qual podemos sintetizar da seguinte forma:

No nosso sangue há hemácias com antígenos e anticorpos, que na visão da Ciência são considerados fenômenos (“realidade”) naturais que podem ser representados por figuras e letras ou expressões (ex. A, anti-B). A representação de antígenos e anticorpos em formatos parecidos é porque existe uma relação específica entre antígenos e anticorpos, cujos segundos combatem os primeiros e o encontro deles resulta em encaixe perfeito e reações prejudiciais para o organismo. Por isso, só é possível doação de sangue em casos em que não há encontro entre antígenos e anticorpos específicos. Caso haja esse encontro haverá encaixe perfeito, ou seja, anticorpo vai combater o antígeno, levando à aglutinação do sangue, entupimento dos vasos e possível morte da pessoa58.

57

Nos QUADROS e FIGURAS que apresentam a representação gráfica das diferenças de opinião considerar a legenda apresentada no capítulo da Metodologia, seção 3.4.2.4 (FIGURA 3.12).

58

As marcas em negrito, itálico e sublinhado nesse texto também foram utilizadas no QUADRO 5.1 para ajudar na identificação de aspectos distintos da forma como o professor-licenciando organizou seu raciocínio. Esses marcadores foram utilizados exclusivamente nessa aula, para ajudar na identificação dos elementos implícitos no discurso. Como mencionado no capítulo da Metodologia (seção 3.4.2.3), acrescentamos algumas observações que podem auxiliar na compreensão dos turnos de fala. Informações entre parênteses representam informações contextuais que complementam a transcrição e as entre colchetes são análises das pesquisadoras.

QUADRO 5.1

Construção de um conhecimento comum sobre anticorpos e antígenos do Sistema ABO (p. 129-131)

Turnos

de fala Falas com análise

1 Adriana: Qual que é o universal? (referindo-se ao sangue) 2 Margareth: O “O”.

3

Professor: Então, vamos entender isso aqui que vocês vão me falar qual que é. Olha só, aqui está a hemácia (mostra o desenho no quadro) e esse tal de antígeno na hemácia ele é uma molécula, uma substância que fica na parede, do lado de fora dessa célula. Ele fica aqui (acrescenta no desenho da hemácia no quadro). Vou colocar o antígeno, a hemácia é tipo sanguíneo A então esse antígeno nós vamos chamar de A também. (completa na tabela de sistema ABO). Ele é essa bolinha que está aqui. Esse pauzinho com essa bolinha. (completa o desenho da Hemácia do sangue A) E na superfície da célula da hemácia, do glóbulo vermelho, está cheio deles. Isso é determinado geneticamente, você nasce assim, na sua hemácia do lado de fora vai ter o antígeno A. Essa substância aqui (mostra a figura no quadro). E a pessoa que tem esse antígeno A na hemácia vai ter no plasma do sangue dela. Lembra lá que o sangue é dividido na parte líquida que é o plasma e os elementos figurados que estão nas células, nos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. No plasma dessa pessoa vai estar anticorpos circulando. O que quê é anticorpos? Serve pra quê?

4 Alunos: Proteção, defesa.

5

Professor: Proteção, defesa do nosso corpo. Aí, os anticorpos vão se ligar nesses antígenos que a hemácia tem (mostra na figura no quadro). Os anticorpos são específicos, vai ter um anticorpo que vai ligar no antígeno A, vai ter um anticorpo que vai ligar no antígeno B. Ai que é da hemácia B tem o antígeno B (completa a QUADRO no quadro) que é na hemácia dela (referindo-se a pessoa de sangue tipo B). No sangue dessa pessoa A as hemácias vão ser desse jeito (da figura) e vai estar correndo no sangue dela, no plasma, um anticorpo do tipo anti-B, vou colocar aqui (completa na tabela no quadro). E o anticorpo anti-B eu vou representar assim (desenha no quadro). Mais ou menos uma coisa assim que vai ter no nosso sangue. Então, a pessoa do sangue A tem essa característica. Ela tem esse antígeno A aqui e o anticorpo anti-B também (desenha no quadro). É bom depois vocês desenharem aqui do lado do sangue A qual que é. A pessoas do tipo A, ou melhor, do tipo B na hemácia dele vai ter um antígeno de qual tipo?

6 Bianca: B

7

Professor: B. A gente conclui que é esse tipo de antígeno que vai determinar o nome do tipo de sangue. Se ele tem um antígeno A, o sangue é A. Tem um antígeno B, ele é do sangue B. A hemácia da pessoa do sangue B (desenha a hemácia do sangue B), a molécula, a substância que vai estar aqui na parede dela é do tipo B. Ela vai ser diferente dessa aqui (aponta para o desenho da hemácia do tipo A). Vamos representar ela assim, vai ser assim, ela vai ser um triângulo, um chifrinho assim, um triângulo.

9 Professor: Essa é do B (desenha no quadro). Esse triângulo aqui é o antígeno B.

11

Professor: Essa pessoa vai ter no plasma dela o anticorpo que ele chama de anti-A. O anticorpo anti-A, o formato dele é diferente desse aqui, do anticorpo anti-B. O anticorpo anti-B tem esse formato e o anti-A tem uma coisa mais ou menos assim (desenha o anticorpo anti-A). Ele mais arredondado.

12 Gabriela: Antígeno A ali? (os alunos apresentam dificuldades para pronunciar a palavra Antígeno)

13

Professor: Antígeno A. E esse antígeno, como eu falei, lembrando, ele é determinado geneticamente. A pessoa já nasce com a hemácia dele com esse antígeno já determinado, você não muda não. ... Vocês reparam alguma coisa diferente entre o A e o B? Alguma coisa que vocês notaram de interessante?

14 Margareth: Os desenhos são diferentes. 15 Adriana: O formato do antígeno.

16 Elaine: O antígeno A na letra B. (Visualizado na tabela) 17 Adriana: O anticorpo também é diferente.

18

Margareth: Também, todos os dois estão diferentes. [podemos observar que essas alunas responderam a partir das informações que observaram na tabela e nos desenhos e não conseguiram dar a resposta esperada pelo professor. Esse distanciamento entre as respostas dadas e a esperada pelo professor sugere que as alunas não pensaram na relação específica entre anticorpo e antígeno explicitada pelo professor. Esse distanciamento pode ser um indício de que as linhas de raciocínio de professor e alunos são diferentes. Entretanto, nesse momento, essas respostas não são entendidas pelo professor como diferenças de opinião, mantendo a impressão de ausência de polêmica.]

19 Professor: Eles são o contrário. Vocês estão vendo que quem tem o sangue A vai ter o anticorpo anti-B? Vai combater o...

20 Margareth: E o B tem o anti-A. 21 Professor: E o B tem o anti-A. 22 Margareth: É o inverso.

23 Professor: É o inverso. E vocês estão vendo aqui que o antígeno tem esse formato que tem uma bolinha na ponta (aponta para a figura no quadro). 24 Margareth: Isso.

25 Professor: E o anti-A é meio arredondado. Não parece que o A e o anti-A encaixa aqui não?

26 Margareth: É... legal!

27 Professor: Não dá essa aparência não? 28 Margareth: Dá.

29

Professor: E esse aqui ... o anti-B, ele não parece que chega aqui e encaixa aqui? (mostra a relação da forma do anti-B encaixando com o antígeno B). Olha aqui o anti-B como é que é. Ele vai se ligar... Ele é específico. Lembra que eu falei que o anticorpo era específico.

31

Professor: Quando a gente pega pela primeira vez catapora, o nosso corpo vai produzir anticorpos para catapora, que vai combater só o vírus da catapora. Não vai combater outro. Esses anticorpos aqui também vão combater moléculas, substâncias específicas. Esse anticorpo Anti-B ele só vai combater, só vai se ligar no antígeno B. Foi por isso que eu representei em formato parecido. Por exemplo, se uma pessoa que é do tipo sanguíneo A, a hemácia dela é desse jeito e ela tem um anticorpo desse jeito, anti-B (aponta para as figuras no quadro). Se ela receber sangue da pessoa do tipo B, vai dar problema?

32 Joaquim: Vai encaixar.

33 Adriana: O organismo recusa, não é?

34 Professor: Vai encaixar, não é? O anti-B vai encaixar aqui (aponta pra hemácia B) e vai dar reações lá.

35 Margareth: Reações adversas.

36

Professor: O organismo vai receber essa hemácia que a pessoa recebeu de doação como um corpo estranho, como se fosse uma bactéria e vai tentar combater ela. Os anticorpos que estão no sangue dela vão se encaixar perfeitamente aqui (mostra figura da hemácia B) e isso vai causar aglutinação do sangue. O sangue vai começar a empolar, vai começar a ficar cheio de bolinhas. Isso pode entupir a veia da pessoa, pode levar a pessoa à morte. E acontece o contrário também, se uma pessoa do tipo sanguíneo B, com essa composição (mostra desenhos no quadro), receber sangue do tipo A, vai receber hemácia desse jeito (mostra na figura) e ele vai ter anticorpo para combater essa hemácia. Vai acontecer a mesma coisa. O sangue vai... O que eles chamam de aglutinar. Vai dar problema, a pessoa pode morrer... A pessoa que é do tipo sanguíneo AB que foi determinado geneticamente, o que vocês acham, qual tipo de antígeno ela vai ter na hemácia?

37 Ana: Meio a meio, não?

38 Professor: Meio a meio. Ela vai ter os dois. Vai ter o antígeno A e o antígeno B. Não é o tipo de antígeno que faz determinar o tipo sanguíneo?

39 Ana: É.

40 Professor: Vai ter o antígeno A e B.

46 Elaine: Domingos, o que você falou ali na questão do formato do anticorpo? 47 Professor: É porque ele é específico.

48 Elaine: Tem uma pontinha ali parecendo um vêzinho.

49

Professor: Ele vai encaixar no antígeno B. O antígeno encaixa no anticorpo porque eles são específicos. Esse aqui (aponta para o desenho), esse anticorpo anti-B não vai conseguir encaixar aqui nessa hemácia (aponta para o desenho do tipo A). Ele não vai reconhecer ela como uma ameaça, um corpo estranho, porque é diferente o local que encaixa, mas se ele entrar em contato com esse aqui (aponta para o desenho da hemácia B) vai pensar que é uma coisa pra combater e o corpo vai combater isso... Beleza gente?

Como podemos observar os TF apresentados acima fazem referência principalmente aos tipos sanguíneos A e B, por conterem as informações básicas para análise dos outros tipos. Entretanto, antes dessa análise dos tipos AB e O, nos TF56-65, um aluno tentou generalizar as informações, o que gerou uma breve diferença de opinião explícita: na doação, o tipo sanguíneo pode ser diferente (defendido pelo professor-licenciando) versus na doação, o tipo sanguíneo não pode ser diferente (defendido por alguns alunos). Nela o professor reconheceu que esse conhecimento comum construído não era suficiente para resolver essa diferença de opinião e deixou a resolução para depois (TF65). Além disso, podemos observar que quando o professor explicita seu ponto de vista, os alunos fazem perguntas através de questionamentos59 (TF58; TF60). A partir do contexto geral de toda a aula, percebemos que essa diferença de opinião estava subordinada a outras diferenças de opinião que se mantiveram implícitas todo o tempo, mas que, no decorrer da interação, apareceram algumas evidências da existência delas. Esse contexto também sugere que essa diferença de opinião refere-se à última parte da linha de raciocínio do professor destacada anteriormente por sublinhado. Além disso, por a resolução dessa diferença de opinião ter sido adiada, outras duas diferenças de opinião surgiram subordinadas a ela. Como mostra a FIGURA 5.1, essa diferença de opinião refere-se ao que chamamos Diferença de opinião Subordinada BI, como mostra o QUADRO 5.2.

59

Na presente pesquisa diferenciamos três tipos de perguntas: questionamento, esclarecimento, protagonismo através de questão. O primeiro tipo refere-se a antagonismo que deixa implícito um posicionamento. Já o segundo indica um antagonismo em que não há posicionamento, mas um dos lados quer mais informações sobre o posicionamento do outro. O último indica protagonismo sem um posicionamento explícito, ou seja, o participante manifesta sua posição através de uma pergunta.

QUADRO 5.2

Representação gráfica da diferença de opinião subordinada BI da aula 1

Após essa breve diferença de opinião, que não foi resolvida, o professor retomou a análise do tipo sanguíneo AB. Os alunos não demonstraram dificuldades para identificar os antígenos que compõem esse tipo sanguíneo, mas a identificação dos anticorpos gerou outra diferença de opinião explícita, também subordinada e no mesmo nível da anterior, que será

Representação gráfica Turnos

de fala Falas com análise

56

Joaquim: Na doação de sangue, de qualquer forma o sangue não pode ser diferente? [aluno inicia a interação, buscando entender a doação como um todo a partir dos exemplos que o professor discutiu, ou seja, tipos sanguíneos A e B. A dúvida do aluno foi entendida como um protagonismo através de questão]

57 Professor: Pode ser diferente. 58 Joaquim: Pode? [questionamento]

59

Professor: Pode ser. Nós vamos entender aqui. Do A para o B não pode. Não tem como, vai dar problema. Mas por exemplo, do O para A. Se o A for o receptor de sangue e o O for doador pode. [professor responde dando um exemplo que apóia o ponto de vista dele, mas deixa a justificativa para depois]

60 Ana: Não pode não, pode?

[questionamento]

61 Professor: Pode! Nós vamos entender porque. Nós vamos entender isso agora. 62 Ana: O A só recebe dele.

63

Professor: Não. Ele recebe do O também. [com outras palavras repete o argumento 2.1]

64

Margareth: O O é universal. Ele pode doar e receber de qualquer um. [argumento com informação do cotidiano]

65

Professor: Nós vamos entender como é que funciona aqui e vocês vão me falar se pode ou não. [professor considera ser melhor discutir doação de sangue depois de terminar análise de todos os tipos sanguíneos]

PVbI1 Na doação sangues diferentes não podem doar um para o outro

PVbI2 Na doação sangues diferentes podem doar

um para o outro TF58 bI2.1 Se o A for receptor e o O o doador pode haver doação TF60 TF61 bI1.1 O tipo sanguíneo A só pode receber dele.

bI2.1 Se o A for receptor e o O o doador pode haver doação bI2.1.1 O tipo sanguíneo O é universal

chamada nesse trabalho de Diferença de opinião Subordinada BII (FIG. 5.1). Entretanto, nessa situação surgiram evidências de que havia outras diferenças de opinião em nível mais amplo do que as diferenças de opinião explícitas.

Assim, os TF92, 95, 97 e 101 (QUADRO 5.3) evidenciam que os alunos estão seguindo uma lógica de pensamento diferente da do professor, ou seja, o ponto de vista do professor (PVa1 – representação gráfica TF91 QUADRO 5.3) é sustentado a partir da lógica da Ciência que entende que, no corpo a interação entre antígeno e anticorpo específico para esse antígeno vai gerar reação, impedindo a coexistência deles, ou seja, há fenômeno natural relacionado a essas “entidades”. Já os alunos parecem defender um ponto de vista (PVa2 – representação gráfica TF92 QUADRO 5.3) sustentado a partir de como eles compreendem os desenhos e as informações da tabela apresentada pelo professor-licenciando. Assim, de acordo com essa interpretação existiria uma regra (abstrata) de que sempre onde houver o antígeno A vai haver o anticorpo anti-B e sempre que houver o antígeno B vai haver o anticorpo anti-A. Seguindo essa “regra”, portanto, onde houver os dois antígenos, os dois anticorpos estarão presentes e onde não houver antígenos não haverá anticorpos. Essa diferença de opinião (FIG. 5.1) estaria em um nível acima das diferenças de opinião explícitas, porém também seria subordinada (Diferença de opinião Subordinada A). Além disso, podemos dizer que essa diferença de opinião corresponde à segunda parte da linha de raciocino do professor, destacada anteriormente por itálico.60

A partir dessa diferença de opinião, inferimos a existência de uma diferença de opinião principal (na FIGURA 5.1 é a que está no nível acima de todos os outros), por ser mais ampla e que será resolvida a partir das diferenças de opinião subordinadas. Nessa diferença de opinião o ponto de vista defendido, principalmente, pelo professor (PVp1) seria que na Ciência, desenhos e informações da tabela representam elementos “reais”: células como hemácias e moléculas como antígenos e anticorpos. Já o ponto de vista defendido por alguns alunos (PVp2) seria que os desenhos e informações da tabela não tem conexão com o “real” e apresentam estrutura interna própria (indicada no PVa2). Assim como as outras diferenças de opinião essa refere-se à primeira parte da linha de raciocínio do professor destacada anteriormente em negrito61.

60

A representação de antígenos e anticorpos em formatos parecidos é porque existe uma relação específica entre antígenos e anticorpos, cujos segundos combatem os primeiros e o encontro deles resulta em encaixe perfeito e reações prejudiciais para o organismo.

61

No nosso sangue há hemácias com antígenos e anticorpos, que na visão da Ciência são considerados fenômenos (“realidade”) naturais que podem ser representados por figuras e letras ou expressões (ex. A, anti-B).

No QUADRO 5.3 a seguir representamos graficamente a diferença de opinião subordinada BII, mantendo os marcadores da linha de raciocínio do professor apresentados anteriormente e identificando como as diferenças de opinião implícitas estão articuladas com as subordinadas explícitas.

QUADRO 5.3

Representação gráfica da diferença de opinião subordinada BII da aula 1 (p135-138) Representação gráfica Turnos

de fala Falas com análise

86

Professor: Ele tem os dois. Vou colocar a legenda aqui: tem o antígeno A que é a bolinha e tem o antígeno B que é o triângulo. E o anticorpo vai combater o antígeno. Ele não vai se ligar no antígeno lá? Ele não vai ter a pontinha específica para ligar no antígeno? E nós temos estes dois tipos de anticorpos: o anti- B e o anti-A. Será que quem tem o sangue AB vai ter qual tipo de anticorpo no plasma dele? [o professor ao apresentar sua linha de raciocínio protagoniza através de questão indicando implicitamente que seu ponto de vista PVbII1 de que não haverá nenhum anticorpo ]

87 Bianca: O A e B. [protagonismo explícito PVbII2]

88 Professor: ah! [professor apenas ouve o posicionamento alunos. Seria uma forma de estimular a participação deles]

89 Margareth: Não é os dois não? [protagonismo através de questão PVbII2]

90 Érica: Vai ter o anticorpo A e B. [protagonismo explícito PVbII2]

91

Professor: O Anticorpo A e B? Mas aí, olha só, se ele tiver o anticorpo A e B, se o sangue dele for assim. Não desenha não, agora só presta atenção aqui. É assim, vai haver esses dois anticorpos (desenha os anticorpos). Esses anticorpos vão ligar na hemácia dele e vão

Benzer Belgeler