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3. GENEL BĠLGĠLER

3.7. Yüzey Pürüzlülüğü

Estudar a significação no próprio enunciado é considerar que se ela não está naquilo que o enunciador quer dizer, mas no que o enunciado quer dizer. Assim, se um enunciado é compatível com várias interpretações, ele deve ser capaz de produzir um sentido estável, mesmo que parcialmente.

Para Le Goffic (1981, p. 591), é possível estabelecer a autonomia significante do enunciado sobre seu sentido literal (seu significado, sua significação linguística) em oposição a todas suas significações derivadas, simbólicas e pragmáticas.

x Não se sabe se ele deve incluir valores referenciais: se sim, recuperam-se os elementos da situação de enunciação da qual se quereria abstrair; se não, realiza-se uma ação incerta, tanto que se pode tirar da significação do enunciado os elementos em valor referencial.

x Quais fatos do contexto entram ou não entram no sentido literal? Se se recusa o contexto, define-se o sentido literal como o produto do valor fundamental (puramente teórico) dos elementos constituintes. Se se aceita os sentidos contextuais, não se sabe onde parar.

A significação do enunciado não se deixa localizar nem na intencionalidade que o deu origem, nem na sua literalidade: tal é o paradoxo, ou a contradição da significação. A interpretação deve se construir a partir da relação entre enunciado e enunciador. Ela repousa sobre um vai e vem entre dois construtos: (i) a significação literal do enunciado e (ii) a reconstituição da intenção de significação do enunciador.

Para Le Goffic (1981, p. 594), dizer que o sentido literal do enunciado é um construto é o mesmo que dizer que ele é um momento do processo de interpretação. O enunciado se refere à língua num movimento em que o interpretante revitaliza a significação do enunciado. Para o estudioso não existe uma significação literal, mas níveis de literalidade relativa num contínuo até a significação mais dinâmica dos efeitos contextuais, onde a significação literal pudesse se situar tanto ao nível de uma interpretação possível, quanto ao nível de uma metainterpretação. Com isso, ele não descarta a referência da língua e nem anula as variações subjetivas interindividuais: dois interpretantes podem diferenciar em relação ao sentido literal de um enunciado.

Em relação à reconstituição da intenção de significação do enunciador, a hipótese é a de que o interlocutor confronta a interpretação do enunciado àquela que ele chegou, à intenção de significação do enunciador (a que ele pensa ser) sob forma de um juízo de equivalência que, por sua vez, é parte constituinte do processo de compreensão.

De acordo com essa hipótese, o interlocutor não adentra a intenção de significação do enunciador, mas faz conjecturas na sua relação com a significação do enunciado produzido. Trata-se de uma apreciação relativa, comparativa (por conta do interlocutor) entre dois elementos dos quais não se tem certeza de que algum deles (nem mesmo a significação do enunciado) possa ser descrito

interlocutor tenha chegado com a interpretação do enunciado, seja essa interpretação referida pelo interlocutor à intenção de significação do enunciador, seja reconhecida ou não, equivalente. Nesse sentido, o que o enunciador quer dizer (sua intenção de significação) não é de outra natureza, nem mais complexa, nem mais rica, nem mais inapreensível que o querer dizer (a significação) do enunciado.

Sobre a significação do enunciado, destacamos que:

1. É percebida como não ambígua pelo interlocutor e identificada por ele com a intenção de significação do enunciador: é o caso da comunicação unívoca e bem sucedida, ao menos aos olhos do interlocutor. Nessa possibilidade, o interlocutor não distingue o “querer dizer” do enunciado e o “querer dizer” do enunciador e não há distância entre os dois e a linguagem é entendida como o canal de um código unívoco e transparente no qual todas as intenções e os “querer dizer” se assimilam no enunciado.

2. É percebida como ambígua pelo interlocutor sem que qualquer

interpretação seja identificada por ele com a intenção de significação do enunciador: essa possibilidade é oposta à primeira justamente por ser um caso de desvio de comunicação, um equívoco.

3. É percebida como ambígua pelo interlocutor, mas uma das interpretações é identificada por ele com a intenção de significação do enunciador: essa possibilidade se dá quando a desambiguização do enunciado pelo interlocutor não é totalmente inconsciente. Ele reconhece o problema e a solução.

4. É percebida como não ambígua pelo interlocutor, mas não é

identificada por ele com a intenção de significação do enunciador: o interlocutor se recusa a identificar o que o enunciado quer dizer com aquilo que o enunciador queria dizer. Trata-se de um equívoco sem ambiguidade.

5. É percebida como não ambígua pelo interlocutor, mas não é

identificada por ele com a intenção de significação do enunciador, mas o interlocutor pode reconstruir uma intenção de significação do enunciador: essa possibilidade é a univocidade derivada e o interlocutor pode ou não distinguir a discordância entre o enunciado e a intenção de significação desejada pelo enunciador ou não. Se a discordância não fosse desejada, o enunciador ter-se-ia expressado mal, deixando de estabelecer um acordo que dá à sua enunciação um sentido diferente daquele que ele queria dar.

Após os cinco pontos registrados, podemos constatar que um mesmo elemento de significação pode ser tirado tanto do enunciado quanto da antecipação de intenção de significação do enunciador e que a interpretação pertence ao interlocutor. Ele é, por si, seu próprio interlocutor e desempenha os dois papéis. O enunciador exerce em sua fala um autocontrole comparando a significação de seu enunciado com seu próprio querer dizer e antecipa a interpretação do interlocutor, uma retificação eventual de seu enunciado.

O paradoxo principal da significação está em não conseguirmos saber se a ambiguidade está no enunciado (como uma de suas propriedades específicas) ou na interpretação e é um ponto de partida para uma reflexão apurada sobre a fascinação do “tudo ambíguo” no sentido de que se pode apenas ensaiar representar que todo enunciado pode ser ambíguo e não ambíguo. É esse o paradoxo da ambiguidade.

A tese de que todo enunciado é ambíguo se dá a partir dos seguintes argumentos:

x A significação é vista como uma relação entre dois interlocutores e a coincidência exata entre o enunciador e seu interlocutor é impossível. A mediação do enunciado introduz uma distância inelutável entre o que o enunciador queria dizer e o que o seu interlocutor reconstrói. Logo, a correspondência entre o querer dizer do enunciador, o querer dizer do enunciado e a interpretação do seu interlocutor não pode ser mais que aproximada. A interpretação é esse movimento de balaiagem do campo da produção da significação.

x A significação é considerada a partir de uma relação com o enunciado. A significação de um enunciado não é inesgotável e não é mensurável. Não é inesgotável porque o texto prolifera sobre ele mesmo. Não é mensurável porque não existe nada fixo a que se pudesse reportar. A partir disso, vê-se que a significação de um enunciado não pode ser:

- nem o extralinguístico (com o qual a linguagem estabelece linhas mais complexas e que apresenta vários problemas);

- nem um outro enunciado (uma paráfrase), posto que toda paráfrase carrega algo que se relaciona com o enunciado de origem e do qual um enunciado admite uma pluralidade de paráfrases sem que sejam absolutamente idênticas a ele. Além disso, se se admitir a identidade de sentidos entre os dois, estar-se-á se engajando num processo sem fim, onde qualquer paráfrase não teria sua própria significação

- nem a língua, por ser inacessível e submissa à mesma circularidade.

Assim, à significação fica reservada uma contemplação não mais que inefável, visto que o querer dizer do enunciador e a interpretação do interlocutor não são, como já foi dito antes, inesgotáveis nem mensuráveis:

O que vale para a significação vale em efeito para a interpretação (que prolifera, integrando novas dimensões: o simbólico, a pragmática, e sem poder se formular a não ser num enunciado que recomeça uma cadeia). E a própria intenção de significação do enunciador, ou bem fica inacessível ou bem não pode se objetivar a se enunciar. (LE GOFFIC, 1981, p. 609)17

A verdade é que a significação não se fixa entre dois momentos que não estejam estabilizados.

A respeito da ambiguidade universal, inconsciente, Le Goffic (1981, p. 610) adiciona que nada se pode fazer, pois ela instaura um tipo de campo infinito em cujo interior fatos de significação são apreensíveis. Ela representa um substrato de indeterminação sobre o qual se destacam valores interpretáveis. Esse é o ponto cego, o reconhecimento dos limites da linguagem.

A ideia de uma ambiguidade universal pressupõe que a ideia de perfeição da comunicação é irrealizável. Não há compreensão perfeita, o que há é produção e troca de significação entre sujeitos que são necessariamente diferentes. Tal concepção faz que se retorne à ideia de que todo enunciado é ambíguo, de que a significação é relativa, além de reconsiderar que os arranjos (o jogo) na linguagem são realmente uma condição de existência da produção de significação. Assim, como a verdade, a significação é relativa, mas ambas existentes.

Para o linguista, a sensação de ambiguidade ou de ausência de ambiguidade depende de como o enunciado é abordado. Se a abordagem é precoce (se ela conserva todas ou parte das virtualidades da significação do enunciado), ou se ela é

17 Ce qui vaut pour la signification vaut en effet pour l’interprétation (qui prolifère, en intégrant de

nouvelles dimensions: le symbolique, le pragmatique, et sans pouvoir se formuler autrement que dans un énoncé qui recommence une chaîne). Et l’ intention de signification de l’ emetteur elle-même, ou bien reste inaccessible ou bien ne peut s’objectiver qu’en s’énonçant.

tardia (se se retarda sobre os efeitos do discurso), será percebida uma ambiguidade. Já se a abordagem se der no momento preciso no qual a língua produz a fala, a sensação de univocidade se faz possível.

Recupera-se, com isso, a ideia do efeito duplo do contexto, redutor e criador de ambiguidade.

Enquanto Katz e Fodor, 1963 (apud LE GOFFIC 1981) remetem o problema da ambiguidade à língua, pois para eles uma frase isolada tem todas as interpretações possíveis, entre as quais o contexto efetua uma seleção; Kooij, 1971 (apud LE GOFFIC 1981) reporta-a à fala por crer que as leituras de um enunciado, isoladamente, são apenas um subgrupo de leituras que ele pode ter na língua em uso.

O contexto é tanto fator de desambiguização quanto fonte de novas interrogações e possibilita uma pressuposição mútua entre língua e fala interessante: não há nada na fala que não esteja inscrito, de alguma forma, na língua e a língua não é nada mais que a possibilidade de efeitos da fala. Tal concepção colabora com a visão de que todo enunciado é ao mesmo tempo único e múltiplo, ambíguo e não ambíguo.

O pensamento de Le Goffic (1981) se direciona à constatação de que a percepção unívoca se dá sobre a base de uma filtragem, de uma desambiguização (sem a qual não há interpretação). É qualquer coisa de absoluto e relativo: absoluto no que para o sujeito, hic et nunc é unívoco. O sujeito, por sua conta, atribui ao enunciado a propriedade de univocidade dentro de um quadro de uma escolha binária: unívoco/ambíguo. Mas a univocidade é relativa no que o enunciado é menos unívoco que seu funcionamento, hic et nunc, como unívoco. A univocidade é sempre univocidade para alguém e não passa de um sentimento de univocidade. Quanto à univocidade absoluta ela não passa de uma quimera.

A univocidade, assim entendida, não impede os hiatos entre enunciador e interlocutor, ambos com suas modulações e suas ponderações. Nesse sentido, a univocidade é relativa e hiatos invisíveis podem surgir e tornar possíveis os equívocos, os quais são constantes e sem possibilidade de serem prevenidos ou eliminados.

Quanto à ambiguidade do enunciado, ela se inscreve nas próprias condições de sua enunciação e a problemática da ambiguidade tende a unificá-la do nível do

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A AMBIGUIDADE: CONCEITUAÇÕES CLÁSSICAS

Benzer Belgeler