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PADRINHO Localização do Hö em relação à aldeia ... ... ... ...

Ẽtẽpá (pedra grande) 1956 – 1960 1966 – 1970 Nascente do sol

1997 – 2001 2006 – 2010/11 Nascente do sol

Tirówa (flecha de taquara, carrapato) 1961 – 1965 2002 – 2006 2011 – 2016 ~ 1971 – 1975 Poente do sol Poente do sol

Nozö’u (milho) 1966 – 1970 1976 – 1980 Nascente do sol

2006 – 2010 2016 – 2020 ~ Nascente do sol

Abare’u (pequi) 1971 – 1975 1981 – 1986 Poente do sol

2011/12–2016 ~ 2021 – 2025 ~ Poente do sol

Sada’ro (mormaço) 1975 – 1980 1987 – 1990 Nascente do sol

Anhanarowa (fezes) 1981 – 1986 1991 – 1995 Poente do sol

Hötörã (peixe pequeno) 1987 – 1990 1997 – 2001 Nascente do sol

Airere (gabiroba) 1990 – 1995 2002 – 2006 Poente do sol

* Ẽtẽpá (pedra grande) 1997 – 2001 2006 – 2010/11 Nascente do sol

* Tirówa (flecha de taquara, carrapato) 2002 – 2006 2011 – 2016 ~ Poente do sol

* Nozö’u (milho) 2006 – 2010/11 2016 – 2020 ~ Nascente do sol

* Abare’u (pequi) 2011/12–2016 ~ 2021 – 2025 ~ Poente do sol

... ... ... ...

Fonte: Leeuwenberg & Salimon, 1999, p. 38. * Tabela atualizada pelo autor em 2011

Vale ressaltar que essa ciclicidade dos grupos de idade no interior do Hö na região onde habitam os A’uwẽ/Xavante ocidentais, não acontece no mesmo período que acontece com os

A’uwẽ/Xavante orientais. Numa ocasião de acompanhamento dos professores A’uwẽ/Xavante

da TI Pimentel Barbosa num curso oferecido pela SEDUC-MT41, na Terra Indígena

Sangradouro, na aldeia Sangradouro, foi possível perceber essa diferença que se encontra explicitada na tabela nº 08.

Tabela nº 08 – Comparação dos ciclos dos grupos de idades A’uwẽ/Xavante Orientais

(TI – Pimentel Barbosa)

A’uwẽ/Xavante Ocidentais

(TI - Sangradouro) Metade 01 Metade 02 Metade 01 Metade 02

... ... Sada’ro Sada’ro Anhanarowa Airere Hötörã Hötörã Airere Tirówa Ẽtẽpá Ẽtẽpá Tirówa Abare’u Nozö’u Nozö’u Abare’u Anhanarowa Sada’ro Sada’ro ... ...

Fonte: Autor, julho de 2010

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Não se sabe exatamente o motivo desse fato, mas baseado em depoimento de alguns anciãos, uma das hipóteses possíveis para essa quebra de sincronia foi devido o aspecto do contato com a sociedade envolvente ter ocorrido de forma e época diferente para os

A’uwẽ/Xavante, e isso provocou uma influência direta na formação/autoformação dos seus

adolescentes, pois para realizar a reclusão dos meninos, fazia-se necessário um grande planejamento e muito trabalho para isso de fato acontecer. Atividade que, segundo os mais velhos, era quase impossível de realizar diante das situações de conflitos na época do contato. Mas Vale ressaltar que a discussão/reflexão realizada nesse trabalho se refere aos

A’uwẽ/Xavante orientais – Terra Indígena Pimentel Barbosa.

Internamente ainda há uma organização onde estes oito grupos são divididos em duas partes com quatros grupos para cada lado. Os grupos que pertencem a uma das partes são os seguintes: Hötörã – Ẽtẽpá – Nozö’u – Sada’ro. Para estes grupos o Hö fica localizado do lado do poente do sol (ver tabela nº 07). E os outros grupos que pertencem à outra parte são: Airere – Tirówa – Abare’u - Anhanarowa, e o Hö que cada um desses grupos habita no período de formação/autoformação fica localizado ao nascente do sol.

Essa ciclicidade, articulação entre os grupos e também entre as duas partes, pode ser representada da seguinte forma:

Fig. nº 15 – (A) Dinâmica da alternância dos grupos de idade no interior do Hö - A’uwẽ/Xavante da Terra indígena Pimentel Barbosa. (B) Dinâmica da alternância dos grupos de idade no interior do Hö -

A’uwẽ/Xavante da Terra Indígena Sangradouro.

Nessa figura geométrica, o octógono, podemos imaginar o ponto “O” “fixo” como sendo o Hö, pois é essa casa que dá as condições necessárias para que o octógono

A’uwẽ/Xavante faça o seu movimento, a sua ciclicidade e, consequentemente, parte do

multi entre os oito grupos de idade (vértices), de forma que uma das principais relações se dá com os quatros vértices dos dois quadrados e, sendo assim, podemos dizer que temos dois conjuntos de quatro elementos e cada um deles formando uma das metades, que também se relacionam e se complementam.

Dentro dessa ciclicidade, desse dinamismo dos grupos de idade, vale ressaltar que a intra-relação é um dos principais fatores responsáveis pela não homogeneização de cada um dos grupos de idade, pois apesar de constituírem um grupo, é possível existir pessoas com diferença de idade de quarenta, oitenta, ou mais, anos e que, consequentemente, passaram por diferentes processos de formação e autoformação.

Há várias maneiras de perceber essa complementaridade das metades, mas a principal delas é a que acontece na relação clânica das pessoas, pois em cada uma dessas metades há pessoas que pertencem ao clã Poreza’õno e há pessoas que pertencem ao clã Öwawẽ e é na relação clãnica que as pessoas se completam e complementam. Segundo os princípios culturais desse povo, a unidade é composta de dois indivíduos, sendo um de cada clã. Por esse princípio é que no dia a dia ouvimos a expressão “i’amõ”, como já mencionado anteriormente.

Todos esses mecanismos da organização social do povo é que dão condições para que o octógono não se desintegre em dois grupos distintos e independentes, e são esses mecanismos que também dão as condições necessárias para o movimento espiral do octógono cultural

A’uwẽ/Xavante.

Essa ideia da ciclicidade, do ininterrupto pode ser imaginada ainda conforme a figura nº 16 – A e B, pois mesmo que os grupos se repitam no interior do Hö a cada quarenta anos, aproximadamente, a sua formação não será a mesma, nem terão a mesma aprendizagem, pois outros fatores, como por exemplo, a própria dinâmica da cultura, se responsabilizarão de proporcionar uma formação diferente para o grupo seguinte. Dessa forma, o movimento do octógono ocorre em pelo menos dois sentidos: cíclico e espiralmente como explicitado na fig. nº 16 – A e B.

Fig. nº 16 – (A) Vista superior do Octógono Cultural A’uwẽ/Xavante; (B) Vista

lateral do Octógono Cultural A’uwẽ/Xavante.

No que se refere à relação entre os oito grupos, esse aspecto acontece a partir do reagrupamento dessas duas metades. Pois, os quatro grupos que se reagrupam estabelecem fortes alianças no que diz respeito às cerimônias e às atividades do cotidiano. Essa aliança se dá pelo fato de existir o sistema de padrinhos entre si. Como por exemplo, o grupo Ẽtẽpá é padrinho de Nozö’u; Nozö’u é padrinho de Sada’ro; Sada’ro é padrinho de Hötörã e Hötörã é padrinho de Ẽtẽpá. Da mesma forma, acontece com os grupos pertencentes à outra metade:

Tirówa é padrinho de Abare’u; Abare’u é padrinho de Anhanarowa; Anhanarowa é padrinho

de Airere; Airere é padrinho de Tirówa e assim continua o movimento cíclico no período em que ficam no Hö de forma alternada entre as duas metades. Dessa forma, acontece o movimento cíclico dos grupos etários do povo A’uwẽ/Xavante e que, consequentemente, identifica o indivíduo na sua idade cultural enquanto ser (substantivo) A’uwẽ/Xavante.

Os ritos e cerimônias nessa fase de vida do indivíduo A’uwẽ/Xavante marcam a passagem de Wapté para Ritéiwa, ou seja, da fase de criança para adolescente apto a se casar. E dos que eram Ritéiwa, nesse mesmo período, para padrinhos do novo grupo a entrar no Hö, na casa do adolescente. Os padrinhos, por sua vez, passam a pertencer ao grupo de homens “maduros”, participando das decisões no Warã. Consequentemente, os homens mais velhos desse último grupo, por sua vez passam a pertencer ao conselho de ancião, começam a fazer parte do conselho de homens maduros responsáveis pelas decisões e ensinamentos dos grupos mais novos. Sendo assim, esse conjunto de ritos e cerimônias também marca a passagem dos demais grupos de idades em relação as suas responsabilidades perante a sociedade. Quando se realiza esse conjunto de ritos e cerimônias, ocorre o movimento do octógono cultural, ou seja, acontece o movimento da dinâmica cultural. Mas essa pulsão ou esse movimento, não é apenas um deslocamento físico e social, ele é também psicológico, pois desde a infância a

criança é submetida a desafios que lhe possibilita a sedimentação das estruturas psicológicas. Como por exemplo, o rito do Ói’ó, rito de furação de orelha, rito do Sa’uri, etc., ritos estes que serão discutidos no capítulo quatro, principalmente.

2.3.3.2 – As Classificações Etárias A’uwẽ/Xavante

A classificação das pessoas por faixa etária é também um fator muito forte na organização social do povo A’uwẽ/Xavante. Está ligada diretamente às características físicas específicas e às responsabilidades assumidas pelo indivíduo perante as cerimônias e as atividades do dia-a-dia dentro desse processo de formação e autoformação dos indivíduos.

Essa classificação se dá a partir da experiência adquirida, ou seja, ao completar certas fases de vida, o indivíduo entra numa nova fase, com características, obrigações e responsabilidades diferentes. A cada período da vida o indivíduo [ele ou ela] é avaliado por esses dois prismas da cultura A’uwẽ/Xavante.

Por exemplo, um rapaz, ao entrar na casa dos homens (Hö), de Ai’repudo passa a Wapté (ver tabela nº 09), iniciando a sua formação por um grupo de padrinhos e madrinhas. Após essa fase ele passa a ser Ritéi’wa, que recebe uma formação especial e que lhe permite participar das celebrações dos ritos e também já pode completar o seu processo matrimonial iniciado na infância. A tabela nº. 09 mostra o grau de formação da pessoa e quais as suas características e experiências de vida adquiridas. A mudança de uma fase para a próxima significa muito para a comunidade e, principalmente, para os pais, os avôs e avós, pois esses momentos os fazem relembrar a sua própria formação. Para estes últimos é motivo de muita emoção como também fortalecimento político para o seu grupo doméstico, pois, quanto mais velho é um A’uwẽ/Xavante, maior sua força política e responsabilidade de difundir os conhecimentos da cultura aos mais novos (SILVA, 2006).

Tabela nº 09 - Classificação de idade por responsabilidades assumidas e características físicas.

Homem (Aibö) Características Mulher (Piõ) Idade aproximada

Ai’utépré De colo Ai’utépré Menos de um ano

Ai’ute Sentado Ai’ute Menos de um ano

Watébremi Brincando com poucas obrigações. Ba’õno 1-8

Ai’repudo Formação tradicional por padrinhos e

madrinhas.

Ba’õno 9 – 11

Wapté Formação tradicional por padrinhos e

madrinhas.

Azarudu 9 – 17

Ritéiwa Pós-formação, participação nos rituais e

competição e aptos ao casamento.

Adabá Sem filhos

16 – 22

Dañohui’wa Casado, assumindo funções de padrinho. Aratê

Com filhos

Iprédu Adultos, participando em todas as cerimônias e ações políticas.

Aratê Com filhos

28 – 60

Ĩhi Velho, repensando conhecimentos

tradicionais e coordenando cerimônias e rituais.

Ĩhi Piõ Mais de 60

Fonte: Leeuwenberg & Salimon (1999, p. 38)

Todos esses mecanismos da organização sociocultural A’uwẽ/Xavante representam poder e facilmente se aliam a outros poderes políticos, sociais e educacionais para facilitar a espacialização desse mundo. Dessa forma, a ideia da construção e constituição do mundo

A’uwẽ/Xavante encontra uma interessante ressonância com as ideias de Michael de Certeau a

respeito das categorias de espaço e lugar (CERTEAU, 2007). Para ele, lugar é aquilo que tem seu próprio, como por exemplo, o Hö (casa dos homens), que é própria dos adolescentes durante o seu período de formação. Ou o círculo central da aldeia, o Warã, lugar onde acontece a reunião dos homens maduros, que é próprio de quem, fisicamente, naquele instante ou por um período de tempo, esteja sentado ou deitado participando das reuniões que acontecem ao nascer e ao pôr do sol todos os dias. Já espaço, Certeau (2007) dá a seguinte definição:

[...] o espaço é um lugar praticado. Assim a rua geometricamente definida por um urbanista é transformada em espaço pelos pedestres. Da mesma forma, a leitura é o espaço produzido pela prática do lugar que constitui um sistema de signos – um escrito (p. 202).

A passagem da fase de adolescência para a adulta é a mais intensa na vida do homem e da mulher A’uwẽ/Xavante, pois é nesse momento que acontecem vários ritos e cerimônias em um curto período de tempo. Esses ritos e cerimônias constituem um conjunto denominado pelos A’uwẽ/Xavante de Danhono, e que acontece no decorrer de aproximadamente cinco anos.

Vale ressaltar que é nesse processo de passagem que acontecem dois fenômenos muito importantes na constituição do indivíduo que são a formação e a autoformação. Pois, apesar de serem termos adjacentes no seu funcionamento, não são sinônimos entre si. Por formação, que também pode ser entendida como processo educacional, entende-se o processo vivenciado que acontece por meio da atividade prática e instrumental, não individual, mas na interação ou em cooperação social. No contexto do povo A’uwẽ/Xavante, essa formação acontece, principalmente, via troca e transmissão dos conhecimentos, dos adultos que já os possuem para os novos indivíduos. Também é produzida mediante a atitude ou interatividade entre a criança e os outros – adultos ou outras crianças companheiros de grupo de idade. (SILVA, 2006). Sendo assim, a formação é um processo que pode ser entendido como o conjunto de instruções que o indivíduo recebe na vivência e convivência com o grupo etário

durante o período de reclusão no Hö e que está relacionado ao uso prático do cotidiano. Processo pelo qual o indivíduo não resolve os seus problemas adaptando-se, ou seja, modificando a sua relação com o meio, mas sim se modificando a si próprio, criando estruturas interiores novas, introduzindo-se completamente na axiomática dos problemas vitais. De maneira geral, a formação é definida e conduzida por especialistas (PINEAU, 2006).

Já a autoformação pode ser compreendida como aquilo que lhe é tocado interiormente a partir das celebrações cerimoniais e que passa a ser elemento constituinte do seu próprio ser, como por exemplo, o sentimento de pertencimento a um dos clãs, a um dos grupos de idade. Ou seja, é um processo introspectivo dos valores e princípios socioculturais e cosmológicos vivenciados durante o período de reclusão no Hö. É um processo definido e conduzido por quem se forma, é uma abordagem interior à educação. É um processo antropológico que requer uma abordagem transcultural. É um processo tripolar, pois busca relacionar a autoformação (si); a heteroformação (outros); e a ecoformação (outros). Dessa forma, podemos dizer que a autoformação possui uma perspectiva transpessoal, transdisciplinar e transcultural (GALVANI, 2002; NICOLESCO, 2002).

Esse é um processo em que os indivíduos estabelecem uma relação consigo mesmo, ou seja, é um processo que lhe permite efetuar, por conta própria ou com auxílio de outros, certo número de operações sobre seu corpo e sua alma, pensamento, conduta, ou qualquer forma de ser e fazer, obtendo assim uma transformação de si mesmo com a finalidade de alcançar o estado da felicidade, pureza, sabedoria ou imortalidade (LARROSA, 2011).

Diante do que foi colocado até aqui, podemos dizer que a edificação e organização do mundo A’uwẽ/Xavante estão ancoradas numa perspectiva de mundo onde o espaço é ilimitado e se contrapõe ao espaço enquadrado; onde o tempo simultâneo se contrapõe ao tempo linear; onde há uma ciência que está sedimentada numa perspectiva da relação consequência/justificação ao invés da causa/justificativa; onde o múltiplo (diversidade – inclusão de reconhecimento e respeito/tolerância pelo outro) não permite a perspectiva de universalidade (diferença – exclusão: práticas sociais de isolamento); onde a vida está pautada num movimento cíclico ao invés de uma sequência/seriação de eventos e fatos sociais; partem do todo para entenderem a parte, ou seja, olham nas várias dimensões do contexto, ao invés de priorizarem a parte para entenderem o todo, ou seja, priorizam a categorizações.42

42 Conjecturas formuladas a partir de discussões realizadas no dia 21/09/09 na disciplina “Educação Etnomatemática – história, cultura e práticas pedagógicas”, ministrada pelo professor Pedro Paulo Scandiuzzi na Pós-Graduação em Educação Matemática – UNESP, Rio Claro-SP.

Afirmou-se frequentemente que o homem começou por conceber as coisas que se relacionavam com ele próprio. O que foi exposto permite compreender melhor em que consiste este antropocentrismo, que seria chamado com mais propriedade de sociocentrismo (DURKHEIM, 1981). O centro dos primeiros sistemas da natureza não é indivíduo, é a sociedade. É ela que se objetiva e não mais o homem. Nada mais demonstrativo a esse respeito que o modo pelo qual os A’uwẽ/Xavante englobam de certa maneira o mundo inteiro nos limites do espaço tribal; e vimos como o próprio espaço universal nada mais é do que o local ocupado pelo povo, indefinidamente estendido além de seus limites reais. Foi em virtude da mesma disposição mental que tantos povos colocam o centro do mundo, “o umbigo da terra”, em sua capital política ou religiosa, isto é, lá onde se encontra o centro de sua vida moral. Da mesma forma ainda, mas numa outra ordem de ideias, a força criadora do universo e de tudo o que aí se encontra foi concebida primeiramente como o antepassado mítico, gerador da sociedade. Eis por que a edificação e espacialização lógica do mundo

A’uwẽ/Xavante foi/é tão difícil de formar, como é explicitado no mito de criação da terra.

De maneira geral, podemos dizer que todos esses elementos institucionalizados pela e para a cultura do povo A’uwẽ/Xavante é o que dá sustentação à arquitetura desse mundo por vir e a forma como concebem o mesmo, mas podemos dizer também que são os ritos e cerimônias celebrados ciclicamente que são responsáveis pela espacialização desse mundo. Pois, segundo Certeau (2007), o espaço:

[...] É de certo modo animado pelo conjunto dos movimentos que aí se desdobram. Espaço é o efeito produzido pelas operações que orientam, o circunstanciam, o temporalizam e o levam a funcionar em unidade polivalente de programas conflituais ou de proximidades contratuais (p. 202).

Assim, nessa perspectiva certoniana, podemos dizer que o Ró é transformado em espaço quando é praticado pelas pessoas dançando, cantando, celebrando as diversas cerimônias, etc. Nesse sentido, a celebração dos ritos e cerimônias do Danhono efetua um trabalho que, incessantemente, transforma lugares em espaços ou espaços em lugares. Nessa transformação, organizam, afirmam e reafirmam periodicamente as relações imutáveis que uns mantêm com os outros, como podemos conferir no capítulo a seguinte.

RITOS E CERIMÔNIAS A’UWẼ/XAVANTE

Benzer Belgeler