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equipamentos, culturais e não culturais (fotografia 13), sem recorrer a construção nova, de raiz. Apostou na (ver termos) recuperação e reabilitação de edifícios dentro do seu centro histórico, como na intervenção ao nível do espaço público, nomeadamente no que respeita ao mobiliário urbano e mobilidade PALMER.

Os equipamentos no âmbito da CEC foram: o Museu de Arte Contemporânea Yvon Lambert e no Palácio dos Papas. Em termos de espaço público, os arranjos exteriores junto da Ponte Saint Bézénet e na ilha de Barthelasse, em particular na marginal pedonal. No que se refere à mobilidade, o evento CEC preparou um conjunto de iniciativas na decorrência do evento, como a gratuidade nos parques automóveis, de ligeiros e pesados (autocarros), como na travessia fluvial, da margem esquerda do rio Rhône até à ilha da Bartelasse. Para a mobilidade cultural, promoveu-se a criação de um passe, de acesso aos diferentes museus e monumentos, com diversos descontos conforme a quantidade de equipamentos a visitar.

Conforme indica PALMER (2004), a oferta cultural noutros equipamentos históricos que sofreram intervenções ao nível de manutenção, como nos trabalhos de substituição e conservação do diverso mobiliário urbano espalhado pela cidade.

Fotografia 11 – museu Yvon Lambert (pátio interior).

O Museu de Arte Contemporânea Yvon Lambert (fotografia 11), é uma antiga mansão do século XVIII doada nos anos sessenta do século XX e que alberga a colecção de Yvon Lambert. Galerista e coleccionador, decidiu depositar o seu acervo pessoal, com trezentas e cinquenta obras do seu primeiro fundo, mas que no momento ascendem a mil e duzentas referências.

Local de troca, criação e difusão, a colecção Lambert propõe cinco áreas implantadas em dois mil metros quadrados da antiga mansão, com exposições no museu, conservação preventiva, actividades voltadas para o público mais jovem, a biblioteca e edições próprias dos seus artistas.

O Palácio dos Papas (fotografia 12), castelo feudal do Séc. XIV, construído durante o papado de Avignon, na vigência de Bento XII, Clemente VI e Inocêncio VI. Caracteriza-se por ser um complexo defensivo medieval, composto pela junção de dois edifícios, o palácio velho e o palácio novo. Quinze mil metros de implantação, com aspecto de fortaleza e alberga no seu interior elementos próprios de um palácio medieval, como a decoração nas paredes, pinturas de frescos, tapeçarias, entre muitos outros. Identificado com uma vivência abastada dos seus ocupantes, a corte papal. No seu interior, o grande pátio, que todos os anos, pelo mês de Junho, se realiza o Festival de Avignon, criado em 1947, por Jean Vilar (Préfecture du Vaucluse, 2007)

Fotografia 12 – Palácio dos Papas de Avignon.

A ponte Avignon, Saint Bézénet, do séc. XII, foi a primeira ponte de travessia que vinha do Mediterrâneo e se dirigia para o interior do território francês. Demolida quase na totalidade com os episódios históricos do séc. XIII, parcialmente recuperada no séc. XVII, mas votada ao abandono desde então. Elemento histórico da imagem de Avignon, sofreu intervenções ao nível dos seus arranjos exteriores, no âmbito da celebração da CEC, recuperando-o como um dos elementos icónicos da cidade de Avignon.

principalmente nos espaços públicos junto dos monumentos de referência histórica, nomeadamente no Palácio dos Papas, com uma praça de grandes dimensões (fotografia 13), local de permanência “inactiva” (CANDEIRA, 1999 p. 267) de população residente, mas principalmente turista, convertendo-se como elemento focal do monumento a ser contemplado, e como ponto de distribuição para as diversas ruelas, pertença de uma estrutura orgânica, que conduz, por ligação, até aos vários elementos de permanência e contemplação dos diversos registos históricos. Esta grande área agrega em situações pontuais e em simultâneo a realização de manifestações artísticas e culturais, incentivando e apelando à sua utilização. A continuidade deste espaço público, na sua parte mais a norte, permite a ligação com os jardins do Rocher des Doms, rochedo onde nasceu o burgo de Avignon, de um espaço verde constituído por diversos elementos naturais, que servem não só como protector de uma área geográfico e paisagístico de elevado valor para a população local, como é o maior elemento verde dentro da zona intra-muros e que permite a contemplação do rio Rhônes em primeiro plano e da região em segundo plano.

Fotografia 13 – espaço público junto ao Palácio dos Papas.

Os corredores verdes (CANDEIRA, 1999), em contiguidade com as muralhas foram outro dos elementos intervencionados, mantendo a tradição de espaço natural, comum ao que acontece desde o XIX. Ponto de união dos espaços verdes, localizado junto ao rio, a ponte de

Saint Bézénet, elemento de importância histórica contemplado nos planos de intervenção no âmbito da CEC. Muito próximo da ponte, a colocação de infra-estruturas de atracagem para o barco de travessia, gratuita e a toda a hora, de passageiros e veículos não motorizados para a ilha de Barthelasse (fotografia 14), intervencionado com arranjos paisagísticos, nomeadamente no passeio pedonal, Promenade Antoine Pinay, na sua frente ribeirinha, permitindo a contemplação de Avignon, designadamente a ponte, o palácio papal e o pano amuralhado da cidade medieval, servindo ao mesmo tempo como espaço de lazer, passeio e outras actividades.

A praça de L´Horloge (fotografia 15) é por tradição histórica e social o centro da cidade, função que exerce desde os tempos da antiguidade (WAGON, et al., 2007c) comprovada pelos diversos registos arqueológicos. Situa-se a cerca de um quilómetro da principal entrada da cidade, junto das muralhas, em percurso pela rua da República. Espaço desafogado, de permanência e palco de diversas actividades, servido pelos diversos elementos comerciais junto do seu perímetro é também centro administrativo no edifício do “Hotel de Ville”, onde se econtra a “la Mairie”, a Câmara Municipal de Avignon, e local de realização em eventos cénicos com o edifício do teatro, ambos do lado poente da praça. A sua localização estratégica na cidade, coloca-a no acesso directo às principais saídas salientando a sua proximidade ao complexo do Palácio dos Papas.

Fotografia 14 – Promenade Antoine Pinay, Ilha de Barthelasse

Junto da referida praça, encontra-se uma zona de estrutura medieval por excelência, de crescimento histórico (candeiras 34), de cariz orgânico, ruelas de perfil curto, com tratamento especifico para o trânsito pedonal, reconhecido como zona de comércio tradicional, mas onde se identificam as características de um centro histórico, com a particularidade de ser o elemento

al., s.d.), estando localizado geograficamente no centro da cidade e junto das principais ligações à entrada/saída da zona intra-muros. A estratégia de mobilidade na zona intra-muros demonstra- se na ordenação do trânsito, no caso automóvel, e na sua hierarquização, filtrando o seu acesso de forma a reduzir ao máximo a sua permanência, servido pela colocação estratégica de parques gratuitos, para os diversos tipos de veículos, junto das principais entradas da zona intra-muros. É dada a preferência à circulação pedonal, tendo no entanto a zona intra-muros a uma hierarquia de rede estabelecida por ligações distribuidoras locais63, rua de acesso64, e ruas pedonais/mistas65

Fotografia 15 – praça de L’Horloge, Avignon

Na estrutura urbana da cidade, principalmente localizada no seu centro histórico, zona intra-muros e zonas adjacentes, decorreu o programa cultural com os mais variados eventos, de onde se destacam:

- A exibição La Beauty, organizada pela Missão 2000 de França, com três exposições temáticas, bem como de outros projectos, espalhados pela cidade, que conforme refere PALMER citando os organizadores, demonstrar a essência da beleza através da arte contemporânea;

- O Trans Dance Europe, organizado pelos Les Hivernales, festival de dança contemporânea composto por oito companhias com actuações em Avignon, percorrendo durante o ano de 2000 as outras cidades nomeadas para o evento;

63 Rua de ligação do exterior da cidade ao interior, com características de utilização automóvel a baixa velocidade, com preferência sobre os peões, mas admitindo uma proporção de tráfego pedonal.

64 Com a função de servir os edifícios e os espaços públicos, de velocidade lenta, de tráfego misto, mas dada preferência ao trânsito pedonal.

- A apresentação da Colecção Lambert, no Museu de Arte Contemporânea de Yvon Lambert, com a mostra de trabalhos de escultura, pintura, várias instalações, vídeo e fotografia;

- A realização por parte da Opera de Avignon de uma actuação, “a ópera de mil anos como um dia no céu” (PALMER, 2004 p. 82) composta por diversas crianças das escolas da região;

- O Festival de Teatro de Avignon, com a particularidade de incluir na realização da CEC, doze produções criadas nos Balcãs;

- Concertos de jazz, organizados pela AJMI66 com a inclusão de músicos e estudantes; - O banco de imagens de Avignon, com a apresentação, recorrendo ao Arquivo Municipal e no uso de novas tecnologias, de imagens da cidade explorando o passado e presente;

- Os passeios insólitos, com a o envolvimento de artistas na apresentação ocasional e de surpresa no espaço público da cidade;

- A “Fête du Peuple Provençal”, festival de diversos eventos com o objectivo de apresentação da vida e tradição do povo;

- O Baile dos Seis Continentes, com a realização junto dos espaços públicos contíguos ao Rio Rhônes, de acesso gratuito, sendo um dos eventos com maior adesão; o Tremplin Jazz 2000, organizado desde 1982 a nível nacional, permitindo o lançamento de jovens músicos franceses; entre muito outros (PALMER, 2004).

Benzer Belgeler