• Sonuç bulunamadı

4. BULGULAR VE DEĞERLENDİRME

4.1. Yüksek Hız Kafes Tasarımı

Nas entrevistas realizadas com as supervisoras escolares (uma por turno, conforme já descrito na parte relativa à metodologia), procurou-se obter informações, não apenas sobre aspectos da formação (inicial e continuada) dessas profissionais no que tange às TIC, mas também sobre o interesse delas em relação a essa temática, bem como sobre a possível integração desta no processo de formação continuada dos docentes, conforme consta dos apêndices Q, R e S, cujos aspectos principais serão doravante descritos.

Ao serem questionadas se se interessavam pela inserção das tecnologias digitais no processo de ensino, todas responderam afirmativamente, apresentando como justificativas: o fato de atualmente não haver como escapar disso (SM) ou que o avanço tecnológico “proporciona aos professores e aos educandos um acesso maior e significativo ao próprio aprendizado” (SV) ou ainda por considerar que isso “abre horizontes” e porque “estamos na Era da Tecnologia” (SN). Porém, merece destaque o fato de essas entrevistadas, apesar de afirmarem possuir interesse pelas tecnologias digitais na educação, também apresentarem ressalvas sobre as

dificuldades de inserção dessas no ensino, em especial na escola pública, quer seja por questões de infraestrutura, quer seja pela falta de preparação dos educadores.

Das três supervisoras, apenas duas tiveram uma disciplina relativa à informática e/ou tecnologias na educação, durante a formação inicial. Todavia, em ambos os casos, a disciplina foi trabalhada precipuamente do modo teórico e a carga-horária girou entre 60 e/ou 80 horas.

Em relação à formação continuada, fora da escola, uma das supervisoras afirmou ter feito vários cursos, um deles oferecido pelo próprio governo estadual; outra iniciou dois, em nível de pós-graduação (especialização), mas não concluiu nenhum deles; outra não chegou a participar de curso específico, mas adquiriu conhecimentos, inclusive sobre o uso do computador e da Internet, por meio da formação continuada em uma escola particular em que já atuava durante a formação inicial. Segundo as duas primeiras entrevistadas, todos esses cursos envolveram o uso do computador e da Internet na educação.

Em relação à utilidade dos conhecimentos adquiridos por meio dos cursos de formação continuada, em tecnologias digitais voltadas à educação, uma das entrevistadas focou o uso de tais conhecimentos no âmbito mais administrativo, burocrático (matrícula, registro de notas, conteúdos), sem fazer menção do aspecto pedagógico. A outra entrevistada, por sua vez, deu ênfase ao desenvolvimento de projetos em sala de aula, explorando os conhecimentos adquiridos no curso. Inclusive, após intervenção do entrevistador, falou de um Projeto sobre TIC programado para acontecer durante o ano de 2013, no âmbito de Ensino Médio Inovador. E ainda, outra disse que tais conhecimentos facilitam o trabalho de orientação.

Ao se indagar sobre o incentivo dado aos docentes pelos supervisores (ou pelos gestores da escola) para aqueles participarem de cursos voltados ao uso das tecnologias digitais no ensino, todas as entrevistadas informaram que incentivam ou pretendem fazê-lo, uma delas (SM) inclusive afirmou que solicita esse tipo de curso para os professores.

Sobre a contemplação do uso de tecnologias digitais no processo de formação continuada direcionado aos docentes, todas afirmaram que isso ocorre, embora uma das supervisoras (SV) tenha ressalvado que isso ainda é esporádico. Foram mencionadas inclusive ações realizadas na escola, como uma oficina para uso da lousa digital (SM e SN). Uma das entrevistadas (SV), no entanto, fez questão

de enfatizar que essa formação para o uso das tecnologias é esporádica e limitada. Mas, para uma das supervisoras (SN) esse processo é contínuo.

Em relação à utilização do ProInfo no processo de formação dos docentes, uma das entrevistadas (SM) afirma que isso ocorre de modo muito tímido, segundo ela, talvez pelo grande número de escolas/professores que o NTE precisa atender, acaba contemplando um número inexpressivo de docentes. Além disso, ela chama atenção para a carga-horária elevada dos docentes, o que faz com que estes hesitem em deixar a sala de aula para participar dos cursos, mesmo sendo a carga- horária a distância de tais cursos maior do que a presencial. Enfim, ela percebe pouco resultado/impacto desses cursos. Por sua vez, as outras duas entrevistadas (SV e SN) afirmaram não saber informar como a escola tem aproveitado esses cursos, mas SV disse que, pela sua experiência com o programa de outros locais de trabalho, sabe que há um grande índice de desistência nos cursos, em função da falta de tempo e da pouca afinidade que grande parte dos docentes tem com as modalidades de curso predominantemente a distância.

Também se quis saber das supervisoras se elas têm participado de eventos diversos relacionados à temática das tecnologias digitais e, em especial, ao uso do computador e da Internet, ao que uma delas (SM) foi taxativa em afirmar que não. Outra (SV) informou que já participou, quando estava no exercício de outras funções, mas que, como supervisora, não. Já uma terceira (SN) respondeu positivamente. Esta informação, de certo modo, preocupa, pois se pressupõe que é por meio da participação dessas profissionais nesses eventos (seminários, congressos, colóquios, oficinas, minicursos, etc.), durante o exercício da supervisão, que elas poderão ampliar os conhecimentos adquiridos na formação inicial e, assim, com uma percepção mais ampla e atualizada, fortalecer a formação continuada no espaço escolar, como também mobilizar, incentivar e apoiar e equipe de professores no que tange, não apenas à participação em eventos similares, fora da escola, mas também, no que se refere à utilização desses conhecimentos na prática docente cotidiana. Sem que isso ocorra, dificilmente se verá a incorporação de práticas multiletradas, incluindo-se aqui o letramento digital com uso do computador, no currículo escolar e consequentemente, nas práticas em sala de aula.

Quando questionadas sobre a orientação que é fornecida aos professores sobre a inserção das tecnologias digitais, em especial do computador, nas práticas pedagógicas, a SM deixou explícito que essas orientações são voltadas

mais para o aspecto burocrático (digitação de notas, frequências, conteúdos ministrados, etc.) – ressalta-se que a rede estadual de ensino, no Maranhão, trabalha com diário eletrônico. Após intervenção do entrevistador, sobre o acompanhamento da utilização dos espaços/recursos, ela afirmou que isso fica a critério dos docentes, sendo que o Laboratório de Informática é mais utilizado, mas a lousa digital é usada muito pouco por falta de domínio por parte dos docentes. Para a SV, a orientação dada a estes procura mostrar que o computador é um recurso e, como tal, seu uso deve estar “inserido em todas as disciplinas, em todos os currículos. E que compete ao professor encaminhar, incentivar os alunos a utilizar através de pesquisas, mas direcionar, adequar à sua disciplina.” Por sua vez, a SN disse que há uma orientação e cobranças em relação a esse uso, para tornar as aulas mais dinâmicas, atraentes e para que o aluno seja incluído digitalmente.

Dando sequência, questionou-se sobre os impactos do processo de formação continuada, voltado ao uso das tecnologias, no processo de construção do conhecimento na escola. Para SM não tem havido grande impacto, pois embora haja certas condições, como, por exemplo, a rede Wi-Fi disponível, o que possibilita a utilização da Internet na própria sala de aula, inclusive por meio do celular, todavia, para ela, os professores ainda não se despertaram para essas possibilidades, quer seja por falta de preparação, quer seja por causa da acomodação, conforme se verifica no trecho a seguir:

[...] o professor, na realidade, ele precisa ser despertado para a área da tecnologia em todos os seus setores, em todos, todos os seus âmagos. E não simplesmente só um laboratório, ou só porque tem um espaço próprio para isso. Mas o próprio aluno tem essa ferramenta e o professor tem que ser trabalhado para isso. Só que o que a gente sabe é o seguinte: na sua formação inicial, a gente sabe que as universidades não estão preparadas. Na formação continuada, se ele não tiver um direcionamento, dificilmente o professor vai buscar isso, porque ele deixa para depois, vai postergando... e nesse postergar, nesse postergar, o professor chega a um determinado tempo em que ele vê que não tem mais porque fazer. Se ele passou 10, 20 anos sem ter sido cobrado, sem ter sentido falta, literalmente. Por que ele não sente falta? Porque não conhece. Você não vai sentir falta daquilo que você não conhece. Então, a gente percebe que... os nossos gestores, do macro ao micro, que é aqui na escola, eles têm que dá esse incentivo, porque a formação continuada [...] (SM)

Outra supervisora (SV) por sua vez mostrou-se otimista em relação a um projeto (já mencionado), envolvendo o uso das TIC no ensino, que está sendo desencadeado em seu turno de trabalho, em torno do qual, muitos professores se mostraram entusiasmados e que, na opinião dela, deverá impactar os alunos e, sobretudo, a aprendizagem. Segundo ela, por meio desse projeto,

[...] eles vão aprender a redação, eles vão aprender a redigir um texto, a divulgar num espaço virtual, onde todos terão acesso [...]. Isso é interessante, que o professor esteja junto e que possa estar incentivando o aluno a melhorar a leitura e também a melhorar a questão da utilização da tecnologia, como o computador e a Internet, numa linguagem mais formal. Que a linguagem simplista que os adolescentes e jovens utilizam às vezes deixa a desejar. (SV)

Já a SN disse acreditar que boa parte dos professores são jovens e utilizam as mídias no cotidiano, de modo que, se não as usam no processo educativo, é por falta de interesse.

Por fim, perguntou-se se o uso das tecnologias no processo de ensino deixa os professores mais motivados, o que, para a SM a motivação, empolgação, geralmente ocorre apenas no momento do treinamento (formação), sendo logo arrefecida, diante da realidade (condições) da escola (poucos equipamentos para atender a muitas turmas). Por sua vez, a SV afirmou que a princípio há empolgação por parte de muitos, mas também há aqueles que agem de forma receosa ou resistente e SN deu ênfase ao uso que os docentes fazem das tecnologias para os aspectos burocráticos (digitação de planos de ensino, por exemplo) e para a comunicação com os colegas e a supervisão, assim, indicando que, de igual maneira, teriam condições de recorrer a elas (tecnologias) em benefício do processo educativo.

Assim, fica evidente que essas profissionais reconhecem a importância das tecnologias digitais no processo de formação dos alunos, incentivam de certo modo os professores a utilizá-las, mas, ainda não desenvolvem um trabalho sistemático, no âmbito da supervisão, que leve ao uso das tecnologias digitais na perspectiva do desenvolvimento do letramento digital.

Concluída a descrição das entrevistas com as supervisoras, passar-se-á para o segundo segmento entrevistado, o docente.

Benzer Belgeler