2. LİTERATÜR BİLGİLERİ
2.1 Yük Talep Tahmini
2.1.2 Yükü Etkileyen Faktörler
Na história política do estado da Paraíba, as lideranças em geral estiveram associadas a duas forças fundamentais: oligarquia e populismo.
Para compreendermos o cenário efetivo das vinculações entre poder e política no cotidiano da sociedade paraibana, precisaremos visitar algumas origens históricas para compor um quadro interpretativo mais completo.
O termo oligarquia, como já se sabe, significa governo de poucas pessoas. Isto é, uma autoridade que se centra nas mãos de grupos, que podem pertencer ao mesmo partido, família ou classe social. A oligarquia, no Brasil, estruturou-se essencialmente sob o arrimo da base familiar e dos proprietários de terra. “Suas raízes se encontram no Brasil-Colônia, com a força do núcleo familiar detentor de grandes extensões de terra e exercendo inúmeros cargos administrativos”. (FERREIRA, 1993, p. 18).
As lideranças oligárquicas dividem-se segundo as atividades econômicas exercidas pelos grupos: atividade açucareira, algodoeira, pecuária e cafeeira. Os grupos oligárquicos, embora se debatessem pelos conflitos relacionados a disputas pelo poder, sempre compartilhavam solidariedade entre eles para minarem quaisquer tentativas de organização de grupos opositores.
No Nordeste, há uma vinculação quase que intrínseca entre as oligarquias e as formações de partidos políticos. No decorrer do domínio oligárquico, grupos se revezam no controle da região e dos estados nordestinos.
As oligarquias podem ser divididas em duas vertentes, segundo Carone (1975
apud FERREIRA, 1993, p. 19):
As dos Estados mais adiantados cujas relações de produção, grupos e exigências são mais complexos, e cujos conflitos são amortecidos pelo mecanismo do partido dominante (...). [E as dos] Estados menos ricos – maioria – [onde] o controle do grupo ou da família é quase absoluto.
mais diferenciados recursos para se perpetuarem no controle político, dentre eles estão: a corrupção eleitoral, o nepotismo e o empreguismo. Essas estratégias faziam malograr qualquer pensamento de oposição.
É na Primeira República (1889-1930) que o Brasil vivencia o apogeu das oligarquias, embora esse modelo de liderança, com novas configurações, ainda sobreviva até os dias de hoje.
É justamente no início do período republicano que as oligarquias ganham novo status – quando toma fôlego o conhecido coronelismo.
Com o advento da República, é conferido o direito ao voto aos indivíduos alfabetizados. Contudo, essa conquista não trouxe grandes mudanças, pois “os chefes políticos locais e regionais se mantiveram praticamente os mesmos e continuaram elegendo para as Câmaras, para as presidências dos Estados, para o Senado, seus parentes, seus aliados, seus apaniguados, seus protegidos”. (QUEIROZ, 1977 apud FERREIRA, 1993, p. 22).
No caso da Paraíba, esse modelo de liderança política manteve-se firme durante muito tempo. De acordo com Ferreira (1993), não houve alteração do cenário político no Estado, mesmo com a Proclamação da República, pois não se fundou um Partido Republicano. O poder era ocupado pelos membros dos Partidos mais antigos – o Partido Conservador e o Liberal.
O poder entre os coronéis era mensurado segundo alguns critérios básicos: vínculos de parentela, alianças, votos disponíveis e bens materiais. Atendendo a esses fatores, o coronel passa a barganhar os votos para sustentar as disputas pelo poder político. Essa barganha, que resulta nos votos de cabresto, assegura a conquista do poder pelos coronéis em troca de benesses.
Embora as relações do coronelismo com a política sejam marcantes, é preciso concordar com Santana (1990, p. 98) quando ela ressalta que “o estudo do coronelismo (...) não envolve unicamente aspectos políticos de dominação, mas abrange inúmeras implicações ao longo do processo histórico no qual se forma a sociedade brasileira”.
As relações culturais entre os indivíduos desde os primórdios da ocupação nordestina, por exemplo, contribuíram sobremaneira para as características imanentes às relações econômicas e políticas que se firmaram ao longo do processo de formação da sociedade no Nordeste. Nesse sentido, Santana (1990, pp. 106-107) registra que, ao se estudar a organização do Nordeste, vê-se:
que no Agreste e Sertão nordestinos, desde os primórdios de sua ocupação, predominam relações não escravistas de produção, fundamentadas na dominação pessoal, no compadrio, na dependência direta do trabalhador ao fazendeiro, permitindo que o coronelismo se instaurasse mais facilmente e com maior consolidação que na área do Litoral e da Mata.
Além dessas relações produtivas entre os coronéis e os trabalhadores das fazendas, havia diversas outras formas de preservação das bases do poder político. Uma delas era mantida pelos vínculos de parentela. Nesse modelo de dominação,
a autoridade do coronel se efetiva pela liderança por ele exercida junto ao poder estatal, carreando benefícios e obras públicas para o seu reduto (...). Neste sistema, vários membros da hierarquia familiar, unidos num mesmo batalhão, exprimiam a solidariedade existente entre os componentes. (SANTANA, 1990, p. 107).
O coronel estava no topo da hierarquia político-social, pois era ele quem detinha maior poderio econômico em relação aos demais membros desse quadrante oligárquico. Por meio dessas relações, apoiavam-se os aliados e perseguiam-se violentamente os adversários.
Como já dissemos anteriormente, a Paraíba vivencia duas fases mais destacadas no âmbito das lideranças políticas: a oligarquia dos coronéis e o populismo. Além desses tipos de dominação política, vemos ascender a rede burocrática de poder, que será detalhada no último tópico deste capítulo, haja vista ser o foco principal de nosso estudo.
No decorrer do tempo, as vinculações oligárquicas sofrem algumas modificações tênues, mas a essência e os desdobramentos desse modelo de dominação permanecem os mesmos. Embora o coronelismo tenha grande destaque no período da Primeira República brasileira, como dito acima, esse modelo de liderança permanece forte nas décadas posteriores àquele momento histórico.
O poder oligárquico na Primeira República (1889-1930) no estado da Paraíba está representado por três grupos políticos: os Venancistas (Venâncio Neiva), os Alvaristas (Álvaro Machado) e os Epitacistas (Epitácio Pessoa). Estabelece-se uma verdadeira política de parentela no Estado, com contratação de determinadas pessoas ligadas aos “chefes políticos” para os cargos administrativos. (FERREIRA, 1993). É dessas variantes mais iniciais da representação oligárquica que vão emergir novos nomes de grupos apresentando praticamente o mesmo modelo de
dominação no estado da Paraíba.
Após esse primeiro modelo de lideranças, vemos despontar no cenário paraibano outros nomes, a partir do ano de 1945, que também influenciam sobremaneira o processo político paraibano, como já dissemos: Argemiro de Figueiredo, José Américo e Rui Carneiro. A partir de 45, passam a fazer parte dos embates políticos os representantes do velho coronelismo, membros da classe média urbana e grupos populistas.
A representatividade populista ganha fôlego no país a partir da década de 30 para 40, pois é quando se vivencia um crescimento da industrialização, do proletariado e das lutas sociais. Com esse panorama nacional, surge então a necessidade dos grupos políticos procurarem se legitimar no poder a partir de uma proximidade da classe trabalhadora e dos interesses dessa última.
Remanescentes do velho coronelismo e representantes do populismo passam então a compor os quadros do pluripartidarismo em vigor no país com a deposição de Vargas, em 1945.
Embora o coronelismo ainda exista assumindo novas feições, a onda populista é marcante em todo o país. Ao lado do populismo entra em cena o nacionalismo a partir de 1950. Obviamente que essas mudanças na configuração ideológica da nação influenciam os rumos da política em todo o país. E não seria diferente no Nordeste.
A partir de então, abre-se espaço para a influência política da classe média das cidades na Paraíba, motivada pelas novas possibilidades de desenvolvimento e industrialização.
Antes da instauração do militarismo no país, o populismo na Paraíba estava representado pela aliança entre PSD-PTB, que “marchou para as urnas com a chapa Rui Carneiro-Argemiro de Figueiredo”. (MELLO, 2007, p. 232). Já o esquema UDN-PDC foi às urnas com a dupla João Agripino-Severino Cabral. O ano de 1965 representou então a última eleição para governo do Estado antes da implantação do regime militar.
Com a implantação do militarismo, as lideranças políticas na Paraíba tiveram que se reorganizar entre vinculação com o partido oficial (ARENA) ou com o partido opositor (MDB). De acordo com Mello (2007, pp. 232-233):
principiou em 1974, com a valorização das eleições para o Senado – únicas diretas de maior expressão que restavam. Nesse ano, o MDB elegeu dezesseis senadores num total de vinte e duas cadeiras nacionais em disputa. Uma dessas resultou das eleições na Paraíba.
Os embates entre ARENA e MDB eram frequentes tanto quando se tratava de eleições para o Senado Federal (únicas diretas em boa parte do Regime) como quando eram indiretas (demais representatividades).
Esses posicionamentos não são estranhos para a sociedade, mesmo em períodos de pluripartidarismo, pois é bastante comum no cotidiano da política que as lideranças alternem espaço de poder, de força, de partido, buscando atender primeiramente os próprios interesses. A Paraíba representa efetivamente esse quadro ao longo de sua história política, desde a oligarquia dos coronéis, chegando ao populismo e militarismo, os líderes governistas lutam pelo poder ou aliam-se para conquistá-lo.
Em geral, alguns nomes são eleitos como representantes em um dado momento e retornam com todo o vigor em outro período da história política paraibana, quer sejam como líderes novamente, quer sejam como força de apoio a novos representantes.
No tópico seguinte, passaremos a uma discussão sobre as relações entre política e sociedade na Paraíba dos idos de 70. Assim, buscaremos ressaltar aspectos da vida cotidiana no Estado nos anos próximos à eleição de Tarcísio de Miranda Burity.