• Sonuç bulunamadı

3. ETLİ DOLMA VE SARMALAR

3.9. Yöresel Etli Dolma ve Sarma Çeşitleri

A tendência à trustificação da economia trazia no seu bojo o aumento da concentração do proletariado em torno das fábricas e vilas operárias. Quanto maior o crescimento da moderna indústria capitalista, maior a aglomeração de trabalhadores e a sua capacidade de luta diante dos sindicatos patronais. A padronização das condições objetivas teve o condão de reforçar, na consciência dos trabalhadores fabris, a consciência de pertencimento a uma

mesma classe social (unida pelas mesmas condições de vida e também pelos mesmos

interesses políticos). Eis a íntima relação existente entre situação de classe e consciência de

classe: no processo de devir histórico do capitalismo, os trabalhadores puderam acompanhar

uma transformação operada em todos os níveis da sociedade burguesa: econômico, social, político, jurídico, cultural e ideológico. Num grau mais avançado de desenvolvimento do capitalismo, já não se trata mais, como afirmou Marx, da formação de uma classe juridicamente livre e alienada dos meios de produção: a reunião dos elementos objetivos (classe em si) que constituem a classe operária permite que esta, no seu vir a ser no interior da sociedade burguesa, se constitua também enquanto classe para si, ou seja, numa classe que se organiza politicamente para defender os seus interesses.127

A concentração da produção foi um fator que contribuiu para o desenvolvimento de uma ação política orientada pelos representantes da classe operária. Lênin citou como exemplo deste fenômeno o caso das indústrias siderúrgicas, cuja concentração da produção e dos trabalhadores havia alcançado um grau muito elevado: trabalhadores que se contavam aos milhares, alojados em barracões construídos em bairros operários próximos às fábricas, que dispunham de ferrovias e portos próprios. O autor citou estatísticas que informavam que o truste do aço dos Estados Unidos (U. S. Steel Corporation) empregava um total de 210.180 trabalhadores, em 1907, enquanto o truste alemão da mineração (Sociedade Mineira de

Gelsenkirchen) “dava trabalho”, no ano seguinte, a 46.048 pessoas.128 Realizava-se, também neste terreno, um dos mais conhecidos prognósticos de Marx acerca da evolução do capitalismo: a contradição cada vez maior entre a socialização da produção e a apropriação privada da riqueza produzida... “y el yugo de unos cuantos monopolistas sobre el resto de la

127 MARX, O Capital, I, 2, pp. 293-4; MARX e ENGELS, Manifesto do partido comunista, pp. 84 e 87. 128

población se hace cien veces más duro, más sensible, más insoportable”.129 O trabalho assalariado, forma jurídica assumida pelas relações de produção sob o capitalismo, entrava cada vez mais em contradição com o conteúdo social da produção material, problema que só poderia ser resolvido com a tomada do poder pela classe operária e a subseqüente abolição da propriedade privada dos meios de produção.

Na Inglaterra, o desenvolvimento das forças produtivas havia atingido um grau tão impressionante no início do século XX, que já era possível constatar uma tendência de

esgotamento do processo de proletarização das camadas subalternas. De acordo com Lênin, a

porcentagem de operários em relação à população total da Inglaterra foi reduzida em oito pontos, num intervalo de meio século: de 23% para apenas 15%, entre 1851 e 1901.130 É preciso notar, entretanto – como sugere o autor – que este fato estava relacionado à reconversão da economia britânica, que consistia em fazer a população de suas colônias suportar a maior parte dos esforços, ao mesmo tempo em que a burguesia do país reservava para si o papel de rentista mundial (buscando “vantagens comparativas” nos setores de transporte, seguros e altas finanças). A desproletarização, por assim dizer, da sociedade britânica, pouco tinha a ver com a possibilidade de reduzir as graves contradições que ameaçavam a estabilidade do seu sistema capitalista: justamente por estar associado ao caráter crescentemente parasitário da economia britânica, este movimento só fazia acentuar aquele processo que Lênin chamou de decomposição do capitalismo.

A iminência da guerra tendia a aumentar a repressão contra as classes trabalhadoras: as poucas franquias democráticas conquistadas pelo movimento operário (direito de associação, de reivindicar melhores salários e a redução da jornada de trabalho mediante greves, desde que dentro da ordem e da legalidade burguesas etc.) tendiam a ser suprimidas em nome da unidade e dos “interesses nacionais”. A eclosão do conflito mundial contribuiu para eliminar o pouco que havia restado. O “código penal”, afirmou Bukharin, “passa a aplicar-se a todo o processo de produção. Os operários não têm liberdade de deslocamento, nem direito de greve, nem direito de filiar-se aos partidos chamados ‘anticonstitucionais’ etc. São transformados em servos já não ligados à gleba, mas à usina. E passam a ser os escravos brancos do Estado facínora imperialista que, nos limites de sua organização, absorve todo o processo de produção”.131 129 Ibid., p. 22. 130 Ibid., p. 105. 131

II

A repressão praticada pelo Estado burguês, entretanto, era suportada pelos setores menos favorecidos da classe operária (trabalhadores manuais, não-qualificados, integrantes das organizações anticapitalistas ou contrários à guerra imperialista), enquanto sua fração “privilegiada”, que tendia ao oportunismo e ao apoio à política beligerante do Estado capitalista, poderia receber algumas migalhas que sobravam da rapina imperialista. É precisamente neste ponto que surge o problema de se entender a formação de uma “aristocracia operária”, que se distingue das camadas inferiores da classe trabalhadora tanto pelas condições de vida e de trabalho, quanto pela visão de mundo que possuem. Engels descreveu, em 1885, o comportamento de alguns setores da classe operária inglesa diante da política colonial:

Eis a verdade: enquanto o monopólio inglês subsistiu, a classe operária inglesa se beneficiou até certo ponto das vantagens deste monopólio. Estas vantagens foram diferentemente repartidas entre os seus membros; a minoria privilegiada recebeu a maior parte, mas até a grande massa recebeu a sua parte, pelo menos de vez em quando e durante um certo período. Esta é a razão por que não houve socialismo na Inglaterra desde a morte do owenismo. Com o desabar desse monopólio, a classe trabalhadora inglesa perderá essa posição privilegiada. Será nivelada um dia – incluindo a minoria dirigente e privilegiada – pelo nível dos operários estrangeiros. E esta é a razão pela qual o socialismo renascerá na Inglaterra.132

Três décadas depois, Lênin constatou que o problema do oportunismo já não podia mais ser considerado um tema restrito aos trabalhadores dos trustes e cartéis britânicos: em outros países da Europa e nos Estados Unidos, as fileiras do proletariado contavam cada vez mais com aqueles “escravos palacianos” do capital. Apesar de serem trabalhadores assalariados, os membros desta camada superior ocupavam postos de fiscalização e controle, funções antes exercidas pelos próprios capitalistas, e que depois foram delegadas para terceiros, visando “racionalizar” a produção. O que caracteriza estes funcionários, que agem como prepostos do capital, é o fato de possuírem autoridade sobre os demais trabalhadores,

132 ENGELS, “Prefácio à edição alemã de 1892” de A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, pp. 375-6 (este trecho o autor escreveu e publicou na imprensa em 1885, e depois o reproduziu naquele prefácio).

que lhes devem disciplina e obediência. Em outras palavras, estes verdadeiros “funcionários do capital” são recrutados para desempenhar, dentro da empresa, o papel de disciplinadores da própria força de trabalho, cuja taxa de exploração deve ser incrementada.

Este problema causava grande preocupação para os líderes revolucionários, como Lênin e Rosa Luxemburgo, uma vez que era cada vez maior a presença dos novos “sargentos do capital” na direção até mesmo da Segunda Internacional!

Esa capa de obreros aburguesados o de “aristocracia obrera”, enteramente pequeñoburgueses por su gênero de vida, por sus emolumentos y por toda su concepción del mundo, es el principal apoyo de la II Internacional, y, hoy día, el principal apoyo social (no militar)

de la burguesia. Porque son verdaderos agentes de la burguesía en el

seno del movimiento obrero, lugartenientes obreros de la clase de los capitalistas [...], verdaderos vehículos del reformismo y del chovinismo. En la guerra civil entre el proletariado y la burguesia se colocan inevitablemente, en número considerable, al lado de la burguesia, al lado de los “versalleses” contra los “comuneros”.133

Esta “aristocracia operária” buscava uma atitude conciliatória com a política do capital financeiro, fazendo concessões ao poder econômico da burguesia, porque vislumbrava receber algumas vantagens (maiores salários, prestígio social e outras distinções) que a política imperialista podia proporcionar.134 Embora numericamente pequena, se comparada com as

133

LÊNIN, El imperialismo, p. 10. Consultar também IDEM, El Estado y la revolución, p. 310. 134

Poulantzas afirma que, apesar da importância dos critérios econômicos para caracterizar as classes sociais em geral, o estudo das camadas intermediárias – especialmente da aristocracia operária – deve levar em consideração, em primeiro lugar, os critérios políticos e ideológicos. Partindo de algumas premissas marxianas, o autor afirma primeiramente que o “lugar no processo de produção” constitui o principal (mas não o exclusivo) aspecto para definir ou caracterizar as classes sociais em geral. Mas o autor sugere que a instância econômica tem um peso diferente sobre o comportamento político e a visão de mundo, pois dependendo da classe social a que um indivíduo pertence, outros critérios se sobressaem. É o que acontece, por exemplo, com os membros das classes intermediárias, que tendem a apresentar um comportamento ambíguo e oscilante, diante da burguesia e do proletariado. Poulantzas adverte, acertadamente, que o comportamento político dos trabalhadores (assim como as suas formas de pensar e agir, dentro e fora da fábrica) possui uma certa autonomia, diante da posição que eles ocupam na divisão social do trabalho. Esta observação é especialmente importante no caso dos técnicos e engenheiros de fábrica: “Assim, quanto à sua adscrição de classe, a questão decisiva é saber se o que tem primazia na prática política efetiva é essa ‘autoridade’ na organização despótica do trabalho, ou se é sua solidariedade com a classe operária”. Mas o desenvolvimento do raciocínio do autor é bastante ambíguo, e comporta diversas “soluções”: como interpretar, afinal, a afirmação de que “o econômico desempenha efetivamente o papel determinante numa sociedade dividida em classes, mas o político e o ideológico desempenham igualmente [!] um papel importante”? A análise de Poulantzas se torna ainda mais confusa na medida em que avança na tentativa de delimitar as relações entre materialidade e consciência de cada uma das frações de classe, na sociedade burguesa. O autor sugere, por exemplo, que a autonomia político - ideológica é

camadas baixas da classe operária, esta aristocracia exercia uma influência decisiva no conjunto das classes trabalhadoras: possuía o controle de importantes sindicatos, tinha o poder de eleger representantes para o Parlamento, contava com a perspectiva de conquistar cargos na burocracia estatal, apresentava-se como a vanguarda da classe operária e assumia o papel de “intelectual orgânico” desta classe. Juntamente com outros grupos intermediários (militares, comerciantes, funcionários públicos de carreira etc.), este setor da classe trabalhadora aderia como um parasita ao corpo da sociedade burguesa, tapando os seus

poros vitais, ocupando postos relativamente cômodos, tranqüilos e honoráveis, situados não mais ao lado e sim acima do restante da população.135

Além dos órgãos ligados à administração pública, estes trabalhadores qualificados ocupavam cargos intermediários – relativamente bem remunerados, se considerada a renda média dos demais trabalhadores assalariados – justamente nos trustes e cartéis. Os superlucros de monopólio que estas empresas auferiram, com a ajuda do Estado burguês, foram uma

condição indispensável para o pagamento de salários relativamente elevados para a camada

superior da classe trabalhadora.136 Esta é a verdadeira razão pela qual a oposição deste segmento social à política do Estado imperialista tendia a ser enfraquecida, apresentando um comportamento bastante dócil diante dos interesses da classe dominante e da ideologia política agressiva que esta última vinha defendendo. As tendências reformistas no seio do movimento operário ganhavam terreno, uma vez que a concentração da produção “impede a

ainda maior quando se tem em vista a assim chamada aristocracia operária (curiosamente, os “técnicos e engenheiros” são analisados em outra seção, o que indica que eles foram “excluídos” por Poulantzas da categoria aristocrática). O problema da análise de Poulantzas, no caso da aristocracia operária, está em atribuir

exclusivamente (embora o autor não afirme textualmente) ao critério ideológico a “solução” para o problema da

sua caracterização, desqualificando os aspectos “remuneração e qualificação profissional” como “economicistas”. Deste modo, diz o autor, “pode-se considerar que um simples peão, fura-greves, influído pela ideologia burguesa e apresentando um mimetismo burguês, pode fazer parte da aristocracia operária” (cf. POULANTZAS, “Classes sociais e luta de classes”, pp. 104-6). Entendo que, se fosse correta a interpretação do autor, poderíamos considerar as análises de Engels e Lênin como sendo “economicistas”.

135

El Estado y la revolución, pp. 312-3. 136

Cf. BUKHARIN, A economia mundial, pp. 154-8. Antonio Gramsci enfatizou um aspecto igualmente importante do pagamento de altos salários: a conquista da hegemonia burguesa no interior da própria fábrica, no contexto de uma estratégia que consistia em fazer prevalecer o elemento “persuasão” em detrimento da violência física. A indústria estadunidense tornou-se um paradigma desta nova tendência. Os industriais perceberam que “era de seu interesse ter um quadro estável de trabalhadores qualificados, um conjunto permanentemente harmonizado, já que também o complexo humano (o trabalhador coletivo) de uma empresa é uma máquina que não deve ser excessivamente desmontada com freqüência ou ter suas peças individuais renovadas constantemente sem que isso provoque grandes perdas. O chamado alto salário é um elemento dependente desta necessidade: trata-se do instrumento para selecionar os trabalhadores qualificados adaptados ao sistema de produção e de trabalho e para mantê-los de modo estável” (GRAMSCI, “Americanismo e fordismo”, p. 267). O filósofo italiano procurou desmistificar a questão dos altos salários, de duas maneiras: em primeiro lugar, ao demonstrar que os salários só podiam ser considerados “elevados” em comparação com a remuneração das outras camadas de trabalhadores, pois os salários considerados altos ainda representavam uma pequena parcela da riqueza produzida, o que significa uma elevada taxa de exploração. Em segundo lugar, Gramsci afirmou que os altos salários seriam apenas uma “forma transitória de retribuição”, e que desapareceriam assim que os novos métodos de trabalho (linha de montagem, produção em série) fossem generalizados (ibid., pp. 272-6).

tomada de consciência dos danos da sociedade capitalista e cria um juízo otimista sobre sua força vital”.137

Cecil Rhodes, que dirigiu a Companhia Britânica da África do Sul, e que talvez tenha sido o maior defensor do colonialismo britânico de sua época, procurou expor alguns “argumentos” para conquistar o apoio da classe trabalhadora à política do Estado imperialista, afirmando ser preferível levar adiante a agressão ao povo de um país atrasado, do que ter de enfrentar uma guerra civil no seu próprio país:

Para salvar a los cuarenta millones de habitantes del Reino Unido de una mortífera guerra civil, nosotros, los políticos coloniales, debemos posesionarnos de nuevos territorios; a ellos enviaremos el exceso de población y en ellos encontraremos nuevos mercados para los productos de nuestras fábricas y de nuestras minas. El imperio, lo he dicho siempre, es una questión de estómago. Si queréis evitar la guerra civil, debéis convertiros en imperialistas.138

Argumentos desta natureza apenas ocultavam o verdadeiro divórcio entre os interesses monopolistas e as condições de vida e de trabalho da maioria absoluta dos trabalhadores. Para as grandes companhias monopolistas, o problema não consistia exatamente no excesso de população, mas no excesso de capital. Como oportunamente salientou Maurice Dobb: “Se fosse verdade que o desejo de possuir colônias é explicado pela pressão da população metropolitana, então deveríamos esperar que as únicas zonas disputadas pelos impérios fossem aquelas cujo solo e clima as tornassem propícias ao estabelecimento dos habitantes da metrópole. Pelo contrário, as regiões mais cobiçadas são freqüentemente as menos propícias à colonização desse tipo, e as concessões de mineração, a serem trabalhadas pelos nativos, preocupam mais freqüentemente os pioneiros imperialistas, do que os lares e os bens dos desempregados da metrópole”.139

De fato, a Guerra dos Bôers (ocorrida entre 1899 e 1902, e que culminou no massacre das Repúblicas Holandesas) apresentou sem disfarces a íntima relação entre o Estado

137

HILFERDING, O capital financeiro, p. 299. Esta constatação não invalida aquela feita por Marx e Engels, no

Manifesto do partido comunista, sobre a relação entre a concentração da produção e o desenvolvimento da

consciência de classe. Esta relação não é mecânica, pois as lutas de classes são também parte ineliminável da marcha da acumulação progressiva e podem, de acordo com a correlação de forças, contra-arrestar determinadas tendências.

138 Citado por LÊNIN, El Estado y la revolución, p. 78. 139

imperialista e os interesses do grande capital: este episódio demonstrou que as pretensões de Cecil Rhodes só puderam ser concretizadas porque sua companhia fora investida, pelo governo britânico, de poderes semelhantes ao de um verdadeiro Estado soberano (inclusive mediante a outorga da capacidade de elaborar leis e manter milícias particulares).140

Marx e Engels já haviam observado que as colônias e a situação de monopólio comercial que a Inglaterra possuía, em meados do século XIX, foram as causas que mais haviam contribuído para dividir o movimento operário daquele país. O oportunismo de certos setores da classe trabalhadora, “subornada” com o recebimento de uma parte do butim proveniente da rapina colonial, chocava-se com a idéia de que o proletariado, enquanto “classe universal”, assumiria a tarefa histórica de emancipar toda a sociedade, ao abolir a propriedade privada dos meios de produção. O fim do monopólio britânico, que perdera o

status de “oficina do mundo”, abriu a passagem para uma etapa caracterizada pela existência

de diversos pólos imperialistas. Esta multipolaridade de poder econômico, político e militar ensejou também uma mudança de atitude das classes trabalhadoras nos países emergentes. Argumentos semelhantes ao de Cecil Rhodes foram repetidos com bastante freqüência em outros lugares, como de fato fizeram os imperialistas e revisionistas franceses, belgas, alemães e holandeses diante dos movimentos trabalhistas destes países.141

Certamente, nenhum daqueles advogados do colonialismo podia ignorar o fato de que o capitalismo monopolista apenas agravava os antagonismos sociais no interior de suas próprias fronteiras. Mas eles tinham a consciência de que o colonialismo, por outro lado, oferecia as condições objetivas para deter o avanço das lutas de classes, tornando mais fácil controlá-las. A utilização da violência, por meio do aparelho repressivo do Estado, poderia ser canalizada para longe de suas fronteiras. Deste modo, os benefícios auferidos pela camada superior da classe trabalhadora podiam ser obtidos mediante a intensificação da exploração da maioria da população dos países dependentes ou coloniais. Tratava-se, portanto, de um duplo movimento: de um lado, a conquista de novos mercados permitiu (dentro de certos limites) uma melhoria significativa das condições de vida de uma parte da classe operária dos países adiantados; de outro lado, criou uma “válvula de segurança” (segundo a expressão utilizada

140

Cf. HUNT & SHERMAN, História do pensamento econômico, pp. 152-3. O mesmo Rhodes teria dito numa oportunidade que “a expansão é tudo; se eu pudesse, anexaria os planetas” (cf. CATANI, O que é imperialismo, p. 06).

141

Durante o Congresso de Stuttgart da Segunda Internacional (realizado em 1907), o revisionista Van Kol, um delegado holandês convertido ao colonialismo, considerou um engano renunciar às “incalculáveis riquezas das colônias”, sendo apoiado por importantes figuras da época, incluindo Eduard Bernstein (cf. SANTI, “El debate sobre el imperialismo en los clásicos del marxismo”, pp. 12-3).

por Bukharin) que expulsou as contradições do processo de acumulação capitalista para bem longe, através da superexploração da população dos países dependentes e coloniais.

Benzer Belgeler