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A apresentação do caso 3 foi realizada com o aluno C3, sexo masculino com 5 anos de idade, participante da educação infantil de uma escola municipal da periferia do município. C3 não realizava atendimento na sala de recurso, pois segundo as professoras ele não apresentou atraso cognitivo, somente dificuldades motoras.

Como não seria possível comparar os resultados sem a presença de outro participante, a professora da Educação Física foi selecionada para fazer parte da pesquisa, visto que ela adaptava a maioria das atividades para que todos os alunos participassem de sua aula, segundo a diretora da escola. Acreditou-se que seria mais importante discutir os dados do aluno C3 com a participação da professora da educação física do que simplesmente excluí-lo da pesquisa. Vale ressaltar que ela respondeu apenas a EPP- MIELO. Assim os dados de comparação presentes apresentaram a opinião da professora da sala regular e da educação física e do observador.

Observou-se por meio dos dados descritos no Quadro 13 que existe uma diferença no perfil dos dados comparativos sobre desempenho visto até o momento na pesquisa. As professoras perceberam apenas comprometimentos na locomoção do aluno, ou seja, algo aparentemente detectado. Já a pesquisadora conseguia perceber a existência de algumas áreas de desenvolvimento com pequenos comprometimentos.

Quadro 13. Opiniões sobre as habilidades de C3 a partir da percepção dos professores do ensino regular, da sala de recursos e pesquisador aferidas na escala e 1 a 7 pontos.

Comparação entre os escores de desempenho da escala de 1 a7

Igual Semelhante Diferente

Pessoas responsáveis por pontuar a escala

SRg E.F Obs SRg E.F Obs SRg E.F Obs

Comunicação 7 7 7

Coordenação Motora Fina 7 7 6

Coordenação Motora Global 7 7 6 Compreensão de Ordem Simples 7 7 6 Compreensão de Ordem Complexa 7 7 6 Locomoção 3 7 5

Assim é importante destacar que esse resultado foi diferente dos analisados até o momento, pois nessa escola a pesquisadora pontuou o aluno com escores mais baixo, o que não estava acontecendo até o momento. Notou-se que o professor só observou os comprometimentos que eram latentes.

Esse comportamento também dificulta a vida escolar do aluno, pois, muitas vezes o professor não vai realizar adaptações curriculares para ensinar esse aluno. O que geralmente ocorre é a defasagem na aprendizagem, as quais no caso de C3, só vão ser percebidas no ensino fundamental quando o aluno for alfabetizado.

O Quadro 14 revelou a opinião dos professores de C3 sobre as áreas de desenvolvimento, as quais só podem ser observadas pelos professores devido a frequência nas observações. Notou-se por meio dos dados obtidos que a opinião entre a professora da Educação Física e do ensino regular foi sempre a mesma sobre C2.

Quadro 14-Opiniões sobre as habilidades de C3 a partir da percepção dos professores do ensino regular e da sala de recurso aferidas na escala e 1 a 7 pontos.

Comparação entre os escores de desempenho da escala de 1 a7

Igual Semelhante Diferente

Pessoas responsáveis por pontuar a escala.

SR g

E.F SRg E.F SRg E.F

Controle Vesico-Esfincteriano 1 1

Audição 7 7

Visão 7 7

Interação com os amigos 7 7

Interação com os professores 7 7

Interação com os funcionários da escola 7 7

Como pode-se observar o escore da escala foi igual em todos os itens, mostrando uma consonância entre opinião do professor da sala regular e da Educação Física. Vários são os aspectos que influenciaram esse dado entre eles:

• Não existem nesse caso comparações realizadas entre a percepção do professor da educação especial com o do ensino regular.

• O aluno faz parte ainda da Educação Infantil, fase que dificulta a detecção de dificuldades relacionadas a aprendizagem.

• O professor da Educação Física atua visando o desenvolvimento motor, portanto isso poderia prejudicar a identificação de comprometimento em outras áreas do desenvolvimento mensuradas.

• O próprio comportamento do aluno foi um aspecto que o diferenciou dos outros participantes da pesquisa, pois segundo as professoras o aluno tinha vontade de ser independente na maioria das tarefas realizadas, essa atitude pode diferenciar a visão das professoras sobre o aluno.

• O aluno não apresentou comprometimentos severos como nos casos anteriores, o que permitiu uma concordância na pontuação do escore da escala.

A partir dos dados obtidos por meio dos quadros 13 e 14 foi possível discutir que a semelhança implícita no processo de mensurações dos professores é relacionado ao próprio processo de formação. Pois os dois participantes (da sala regular e da educação física) atuam no contexto regular demonstrando as mesmas opiniões nas pontuações. Se houvesse a presença de um professor da sala de recurso que tem uma formação em educação especial o resultado poderia ser diferente como os descritos nos casos anteriores. Assim a EPP-MIELO foi um instrumento sensível ao detectar a mudança do perfil do respondente.

Considerações sobre o desempenho escolar apresentado por C3.

O Quadro 15 mostrou as áreas de desenvolvimento mensuradas por professores e pesquisador a fim de discutir as sequelas dos alunos a partir do seu desempenho escolar em cada área de desenvolvimento. Notou-se que C3 teve uma boa pontuação nas habilidades mensuradas. Mas como o aluno não freqüentava a sala de recurso não existiu uma avaliação referente ao professor do atendimento educacional especializado.

Quadro 15. Desempenho Escolar do Aluno C3 nas áreas de desenvolvimento: comunicação; locomoção; coordenação motora e compreensão.

Comunicação Locomoção Obs Ed.Fis SRg3 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Obs Ed Fis SRg 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Coordenação Motora Fina Coordenação Motora Global

Obs Ed.Fis SRg3 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Obs Ed.Fis SRg3 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Compreensão de Ordem Simples Compreensão de Ordem Complexa

Obs Ed.Fis SRg3 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Obs Ed.Fis SRg3 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Quanto à locomoção apenas uma das professoras pesquisadas, observou comprometimento aparente na criança. C3 apresentava os membros inferiores comprometidos, mas tinha alguma movimentação, a qual utilizava de forma funcional para se locomover por meio de rastejamento. Notou-se que o aluno possuía uma postura independente e desenvolveu uma maneira de se deslocar sem precisar usar recursos de tecnologia assistiva. Entretanto vale ressaltar que C3 utilizava um recurso de auxílio à locomoção implementado pela escola, assim realizava o rastejamento apenas em algumas situações específicas.

Pode-se observar que o aluno apresentou uma lesão em nível mais baixo que os outros estudos de caso discutidos até o momento. Observou-se esse fato por meio das habilidades de coordenação motora e do nível de comprometimento dos membros inferiores.

No que se diz respeito à compreensão foi notado uma pequena dificuldade, por meio das observações foi possível observar que a criança realizava as atividades mais vagarosamente e demorava ao responder as ordens solicitadas. Geralmente esse fato ocorria em função da alta distrabilidade de C3 devido à falta de atenção na realização das atividades.

Quanto à comunicação não foram observados comprometimentos, observou-se que a possibilidade de locomoção, mesmo que fosse por meio de rastejamento, proporcionava um melhor desenvolvimento da linguagem, pois existia uma menor restrição de espaço, possibilitando com que o aluno pudesse interagir socialmente.

O próximo Quadro 16 apresentou o desempenho escolar de C3, por meio dos dados obtidos a partir da EPP-MIELO na visão do pesquisador, professor da sala regular e da Educação Física. Pode-se observar que o controle esfincteriano obteve uma das menores pontuações relativas ao desempenho.

Quadro 16- Desempenho Escolar do Aluno C3 nas áreas de desenvolvimento: audição, visão, controle vesico-esfincteriano e interação social.

C3 não apresentou controle vesico esfincteriano, assim ele utilizava fraldas durante o período escolar. O aluno não permitia que a professora realizasse a troca mesmo que ela apresentasse disponibilidade para esta ação, portanto sua avó ia até a escola, ou então a criança permanecia com a mesma fralda durante o período escolar.

Controle Vesico-Esfincteriano Audição

SRc2 SRg2 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 SRg3 Ed.Fis 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Visão Interação com os amigos

SRg3 Ed.Fis 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 SRg3 Ed.Fis 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Interação com o professor Interação com os funcionários da escola

SRg3 Ed.Fis 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 SRg3 Ed.Fis 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Quanto as outras habilidades relativas à interação social, visão e audição C3 apresentou um desempenho de 100% nas áreas de desenvolvimento. Durante as observações foi possível notar que a atitude do aluno influenciou o seu desenvolvimento em todas as áreas, pois ele gostava tinha vontade de realizar as atividades com mais autonomia e independência.

A partir do caso 3 foi possível observar que o aluno C3 não demonstrou ter comprometimentos severos como nos casos anteriores, tal fato permitiu uma maior concordância na pontuação aferida pelos professores ao utilizarem a EPP-MIELO. No entanto somente o observador conseguiu identificar pequenos comprometimentos nas áreas de desenvolvimento mensuradas, como cognição, coordenação motora. C3 apresentou também dificuldades nas habilidades relacionadas a locomoção e controle vesico esfincteriano.

Uma hipótese que pode ser discutida é a sensibilidade da EPP-MIELO ao descrever o desempenho dos alunos. Os resultados de C3 poderiam ter o mesmo perfil dos participantes anteriores C1 e C2. Porém como a professora da Educação Física foi a pessoa que respondeu o instrumento, visto que o aluno não participava dos atendimentos educacionais especializados, os resultados foram diferentes.

Benzer Belgeler