1. GİRİŞ
2.1 Sol-Jel Yöntemi
Nossa pesquisa se ampara em uma abordagem qualitativa, pois envolve atividade reflexiva pertinente para compreensão do fenômeno estudado. Além disso, trabalhamos tanto com categorias de análise delimitadas previamente quanto com categorias que foram definidas a partir do contato com o corpus de forma indutiva (GIL, 2008), tendo em vista que nos interessa verificar e comparar a estrutura composicional dos textos e seus sinalizadores lexicais, ou seja, elementos que só puderam ser apontados a partir da análise. Recorremos também a dados quantitativos na medida em que utilizamos procedimentos estatísticos para contabilizar a
14 Fonte: <http://revistas.pucsp.br/index.php/delta/about/submissions> Acesso em: 11 abr. 2016.
15 O AntConc 3.4.3w trata-se de uma ferramenta gratuita para realização de pesquisas em Linguística de Corpus
disponível para os sistemas operacionais Microsoft Windows, Macintosh OS X e Linux. Esse software está disponível para download em <http://www.laurenceanthony.net/software/antconc/> Acesso em: 18 ago. 2015
regularidade das categorias de natureza discursiva, ou seja, os modos de organização e as formas textual-discursivas da tessitura do gênero. Por conseguinte, apresentamos e explicamos os resultados estatísticos qualitativamente, recorrendo aos fundamentos das abordagens teóricas mobilizadas e com base em nossas interpretações.
Esta pesquisa também se designa por ser um estudo com enfoque descritivo, uma vez que delineia os atributos do material de análise, estuda as características de grupos (GIL, 2008) distintos pela divisão geracional e trabalha com dados que serão observados, analisados e interpretados (ANDRADE, 1995). Por outro lado, também determinamos a natureza da relação entre as categorias de análise e realizamos um estudo histórico-comparativo, o que atribui um viés explicativo a este trabalho, uma vez que as pesquisas explicativas se propõem a explicar “a razão, o porquê das coisas” (GIL, 2008, p. 28).
Na realização de tal empreendimento, recorreremos aos postulados formulados por Bakhtin (1997; 2011) no que diz respeito à natureza dos gêneros do discurso; aos pressupostos da corrente de Estudos Retóricos dos Gêneros decorrentes das reflexões de Miller (1984) e Bazerman (2007); dos trabalhos em ESP de Swales (1990); e as considerações de Koch (1997) e Kabatek (2005) no que se refere ao paradigma das Tradições Discursivas. Nosso trabalho será guiado, ainda, pela proposta teórico-metodológica de Zavam (2009), que sugere um panorama de categorias que devem ser examinadas em uma análise diacrônica de gêneros através da observação do contexto de produção e da materialidade textual. No plano de análise contextual, temos as categorias: i) ambiência; ii) interlocutores e iii) propósito comunicativo. No plano textual, iremos analisar iv) o conteúdo temático; v) a normalidade, isto é, a regularidade dos aspectos composicionais do texto; e vi) a forma pela qual o gênero se manifesta materialmente. Para atender a dimensão de análise contextual e cumprir com o primeiro objetivo desta pesquisa, descrevemos a ambiência, ou seja, as situações históricas que estão atreladas à produção de resenhas acadêmicas e à história da publicação acadêmica na área de Letras e Linguística no Brasil. Identificamos, também, os interlocutores das resenhas de modo a assinalar seus papéis e lugares sociais. Com isso, buscamos informações sobre suas titulações acadêmicas e sobre os papéis que eles assumem/assumiam como produtores desse gênero. Outro ponto importante para a análise contextual se refere ao levantamento do propósito
comunicativo das resenhas, uma vez que esse critério possibilita o reconhecimento de seus
objetivos sociais e pode ser alcançado a partir da análise da materialidade linguística.
No que concerne à dimensão de análise textual, iniciamos com um levantamento do
conteúdo temático de cada exemplar do corpus. Para isso, nos valemos da noção de tópico
da referida área. Desse modo, retomamos a proposição de Bakhtin (2000) que considera o conteúdo temático um dos elementos constituintes dos gêneros e, para identificá-lo, recorremos aos estudos de Jubran (2006), uma vez que concordamos com Sobral (2009) ao sugerir que a noção de conteúdo temático não é divergente da noção de tópico discursivo.
Na categoria norma, realizamos uma análise da regularidade dos modos de organização textual. Portanto, descrevemos as unidades e subunidades retóricas do referido gênero baseados no modelo analítico de Swales (1990); das aplicações feitas por Motta-Roth (1995) e Araújo (1996) para estudo de resenhas acadêmicas; e das considerações de Bezerra (2001) acerca de tais modelos. Delineamos, assim, a estrutura composicional do gênero ao longo das três fases geracionais estipuladas e identificamos as formas textual-discursivas que atuam como sinalizadores lexicais de seus componentes retóricos. Fazemos, ainda, uma análise interpretativa acerca de como se manifesta o imbricamento entre os itens lexicais e retóricos de modo a identificar como cada unidade se materializa na estrutura do gênero.
Após análise e descrição da estrutura composicional das resenhas acadêmicas das três gerações, quantificamos os dados e procedemos com a identificação das formas textual- discursivas. Para identificação dessas formas, destacamos as porções textuais concernentes a cada componente retórico, as salvamos em formato “.txt” e as submetemos ao software
AntConc 3.4.3w (LAURENCE, 2014). Identificamos, com o auxílio deste programa, os itens
lexicais mais presentes em cada unidade e, consequentemente, em cada subunidade do gênero como forma de identificar, de maneira mais precisa, os comportamentos linguísticos tradicionais das resenhas acadêmicas. O uso deste recurso, portanto, agilizou o processo de identificação de determinados itens lexicais, mas não nos eximiu do trabalho interpretativo de identificação de quais deles podiam ser encarados como fraseologias e de quais estratégias argumentativas se definem como tradições discursivas do referido gênero.
Por fim, analisamos também a forma pela qual as resenhas acadêmicas se materializam. Neste caso, observamos os elementos grafoespaciais, que, embora não possuam uma natureza estritamente linguística, podem ser encarados como elementos constitutivos dos gêneros. Observamos, então, características como a diagramação, tamanho da fonte, recursos tipográficos, disposição textual, veículo de divulgação entre outros aspectos. Para tanto, seguimos as discussões de Maingueneau (2013) para atender a essa dimensão de análise e compreender como o gênero se mobiliza em seus suportes materiais.
Reitera-se que essas categorias atendem aos objetivos desta pesquisa e se ancoram em concepções teóricas consolidadas e vinculadas a estudos da área. Desse modo, apresentamos, no capítulo seguinte, os resultados da análise operada a partir do percurso aqui traçado.
4. A RESENHA ACADÊMICA E SUAS REELABORAÇÕES
Neste capítulo, apresentamos a análise e a discussão dos resultados encontrados ao longo de nosso empreendimento. Portanto, discutimos aqui sobre as reelaborações pelas quais passa o gênero resenha acadêmica em perspectiva diacrônica. Como sabemos, outros tipos de reelaboração desse gênero já foram apontados em estudos anteriores, entre os quais mencionamos: o referido trabalho de Motta-Roth (1995) que deu conta de identificar as variações estruturais das resenhas em áreas disciplinares diferentes (Linguística, Química e Economia); a pesquisa de Bezerra (1991) que investigou as semelhanças e diferenças de resenhas produzidas por especialistas em contraste com textos de alunos de graduação e o estudo de Araújo (2012) traçou as especificidades dos textos produzidos por estudantes de dois países diferentes (Estados Unidos e Brasil). Esses trabalhos mostram que o gênero apresenta mudanças significativas quando veiculados por determinados campos do saber, a depender de quem o produz e de em qual contexto geográfico ele está inserido.
Percebemos, no entanto, que mesmo sendo um dos gêneros mais antigos da comunidade acadêmica, publicado desde o século XVII e tendo sido o primeiro produto científico a circular com certa regularidade em periódicos (NICOLAISEN, 2002), não encontramos registros de pesquisas que analisem suas transformações histórico-diacrônicas. Desse modo, esta pesquisa objetiva preencher uma lacuna importante nos estudos sobre gêneros textuais acadêmicos a partir da análise das categorias que apresentamos a seguir.