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Apesar de ser um termo bastante contestável, a Web 2.0 tem sido entendida como uma fase evolutiva da web em que se destaca, entre outras alterações, a maximização do potencial colaborativo entre seus usuários devido à concepção de aplicações segundo um modelo de negócios que visa o aproveitamento da inteligência coletiva no aprimoramento de sistemas e serviços.

Ela reflete uma série de transformações marcadas pelo crescimento do número de usuários e pelo surgimento, remodelagem e convergência de mídias e aplicações que potencializaram e radicalizaram as práticas colaborativas.

A criação desse termo foi atribuída a Tim O´Reilly e Dale Dougherty em 2004 durante um evento promovido pela empresa O´Reilly Media41. Contudo, em meados de 2001 já existiam discussões sobre mudanças e inovações na concepção de aplicações web impulsionadas pela crise das empresas que atuavam no segmento Internet e comércio eletrônico.

De fato, o caráter colaborativo já se fazia presente desde os primórdios da web, na década de 90, e desempenhou importante papel no seu desenvolvimento. Entretanto, há uma aparente diferenciação entre a colaboração realizada por usuários/produtores de novas tecnologias para a concepção de hardwares e softwares naquele contexto e a colaboração entre usuários/consumidores, estimulada pela popularização da web como ferramenta de comunicação e manifesta através de sua fase 2.0.

Uma das grandes alterações que se observa na Web 2.0 é uma maior integração entre fontes de informação e aplicativos devido aos modelos de programação leves e modulares que são utilizados. Nesse sentido, os mashups42

se fazem presentes quando

ao acessar um site de compra de pacotes turísticos um determinado usuário consegue visualizar informações geográficas dos lugares de destino através do Google Maps ou quando utiliza um repositório de letras e cifras musicais e tem a possibilidade de assistir ao clipe da música procurada, por exemplo.

Esse potencial de integração tem favorecido tanto o compartilhamento quanto a recuperação da informação. A atuação de mashups e comunidades virtuais caracteriza serviços como o Midomi43

que recupera músicas através do reconhecimento de voz e

interliga um vasto repositório de arquivos em mp3, mantido pelos usuários, com os arquivos disponíveis no Youtube que é um portal colaborativo voltado para publicação e compartilhamento de vídeos.

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A instituição foi fundada em 1978 por Tim O´Relly, suas atividades se concentram nas áreas de tecnologia, conhecimento e inovação tendo como produtos: livros, revistas, pesquisas, serviços on-line e conferências.

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“Mashups é o uso de um conjunto de aplicativos interativos que possuem conteúdos oriundos de diversas fontes de dados externos, criando um serviço inteiramente novo” (WIKIPEDIA, on-line).

Tim O´Reilly, pioneiro nos estudos sobre o assunto, enfatiza em seu trabalho “What is Web 2.0?”, que esta fase da web pode ser entendida como baseada em um conjunto de

práticas e princípios que definem padrões e modelos de negócios para uma nova geração de softwares e aplicações. Alguns destes princípios e práticas são agrupados da seguinte maneira:

 Foco no aprimoramento da gestão de grandes bases de dados e a concepção de modelos leves de programação e de sistemas multiplataforma44.

 O desenvolvimento de sistemas que promovam a radicalização do potencial colaborativo e o aproveitamento da inteligência coletiva através da arquitetura da participação. A exploração do marketing viral45.

 A consolidação da web como plataforma em que os softwares são concebidos como serviços que podem ser acessados on-line. Assim, a web passa a disponibilizar aplicações desk top como o serviço Google Docs que oferece planilhas, formulários e editores de texto sem a necessidade de realização de

downloads e atualização de novas versões.

Essas práticas e princípios são fundamentados em idéias que se constituem como “[...] reflexos diretos ou indiretos do poder da rede: os estranhos efeitos e topologias em nível micro e macro que um bilhão de usuários da Internet produzem” (ANDERSON, 2007, p.2, tradução nossa)46. Se todas essas inovações podem ser consideradas

efeitos da arquitetura de rede, o que não se pode esperar atualmente em que o número

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Sistemas que operem em outros dispositivos além do computador convencional, tais como: notebooks, celulares, palm-tops, dentre outros.

45 “Os termos marketing viral ou publicidade viral referem-se às técnicas de marketing que tentam explorar redes sociais pré-existentes para produzir aumentos exponenciais em conhecimento de marca, com processos similares à extensão de uma epidemia. A definição de marketing viral foi cunhada originalmente para descrever a prática de vários serviços livres de e-mail de adicionar publicidade às mensagens que saem de seus usuários” (WIKIPEDIA, on-line).

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“[...] these ideas are not necessarily the preserve of „Web 2.0‟, but are, in fact, direct or indirect reflections of the power of the network: the strange effects and topologies at the micro and macro level that a bi llion Internet users produce” (ANDERSON, 2007, p.2).

de usuários já ultrapassa a marca de 2 bilhões segundo dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT)?

Embora o conceito de Web 2.0 seja caracterizado por um forte enfoque mercadológico e por um exibicionismo tecnológico que muitas vezes fazem transparecer sob a rotulação de “novo” algumas tecnologias e práticas já existentes desde a década de 90 como RSS47, Ajax48, Blogging e XML49, acredita-se que a dimensão social inerente ao

mesmo ainda possa ser melhor explorada se considerarmos a web como um sistema sociotécnico que tem proporcionado experiências e desafios na produção e difusão do conhecimento.

De maneira que, não é o foco deste trabalho se aprofundar nas técnicas de desenvolvimento que constituem a Web 2.0, mas explorar os conceitos e práticas que a permeiam com enfoque na organização e recuperação de conteúdos informacionais que tem sido realizada com o suporte crescente das redes sociais.

O modelo informacional que constitui a Web 2.0 é voltado para o uso criativo da linguagem natural na representação e recuperação da informação, ancorado nas ações de re-mixagem50 e na dinâmica da arquitetura de redes sociais mediadas por

dispositivos computacionais. As alterações trazidas pela Web 2.0 acentuam o constante processo de desmaterialização dos objetos informacionais em ambientes digitalizados subjacente ao ciclo de re-mixagens promovido pelos produsers51. Assim, evidenciam o

surgimento de um modelo informacional que exige o entendimento da informação

47 Abreviação de "Really Simple Syndication", distribuição realmente simples, é uma maneira de distribuir informação por meio da internet onde as informações são enviadas a um usuário automaticamente a partir da solicitação do serviço. Esta tecnologia data de 1997, entretanto tal prática é semelhante à Distribuição Seletiva da Informação na área da Biblioteconomia.

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AJAX (acrônimo em língua inglesa de Asynchronous Javascript And XML) é o uso metodológico de tecnologias como Javascript e XML, providas por navegadores, para tornar páginas Web mais interativas com o usuário, utilizando-se de solicitações assíncronas de informações. (WIKIPEDIA, on-line)

49 XML - eXtensible Markup Language – Recomendada pela W3C, é uma linguagem de marcação extensível oriunda da SGML que possibilita a separação entre estrutura e conteúdo.

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Prática de colagem, mesclagem e adaptação na geração de novos conteúdos informacionais a partir de outros (LEMOS, 2006).

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Produser (producer + user) é um conceito de Bruns (2008) que se refere à transição do status de um usuário passivo em busca de fontes de informação para o de um sujeito ativo que produz, representa, compartilha e transforma os conteúdos informacionais.

enquanto processo bem como novas abordagens para o conceito de documento digital (PÉDAUQUE, 2003).

Na Web 2.0 parte considerável do conteúdo é produzida pelos seus próprios usuários, ou seja, o consumidor passou a ser também criador, por isso, alguns conteúdos são conhecidos como Consumer Generated Media52

(CGM) ou Social Media53. Destaca-se

o elevado nível de autonomia dado a esses sujeitos informacionais não apenas na produção como também na organização da informação o que diminui e altera as formas de mediação.

Desse modo, é possível afirmar que a Web 2.0 apresenta um claro enfoque no uso da inteligência coletiva sendo a gestão das imensas bases de dados geradas a partir das ações dos diversos atores e redes sociais um fator crucial para a geração de novos conhecimentos e de riquezas (O‟REILLY, 2005).

A prática de social networking54, quando focada na produção, representação e

compartilhamento de conteúdos informacionais, revela uma dimensão da Organização da informação ainda pouco explorada pela CI.

Essa dimensão posiciona os sujeitos como criadores de metadados enriquecidos por contextualizações que conferem a web uma característica semiótica ainda mais preponderante e reposicionam a colaboração e a linguagem como elementos centrais.

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“Mídia gerada pelo consumidor é um termo utilizado para descrever o conteúdo que é criado e divulgado pelo próprio consumidor” (WIKIPEDIA, on-line).

53 “O conceito de Mídias Sociais (social media) precede a Internet e as ferramentas tecnológicas - ainda que o termo não fosse utilizado. Trata-se da produção de conteúdos de forma descentralizada e sem o controle editorial de grande grupos. Significa a produção de muitos para muitos. As "ferramentas de mídias sociais" são sistemas on-line projetados para permitir a interação social a partir do compartilhamento e da criação colaborativa de informação nos mais diversos formatos” (WIKIPEDIA, on-

line).

Benzer Belgeler