3. MATERYAL ve YÖNTEM
3.2. Yöntem
O golpe militar de 1964 exigiu adequações no campo educacional, efetivadas mediante mudanças na legislação do ensino. Em decorrência, a Lei n. 5.692/71 (BRASIL, 1971) modificou os ensinos primário e médio, alterando sua denominação, respectivamente, para primeiro grau e segundo grau.
Nessa nova estrutura, desapareceram as Escolas Normais. Em seu lugar, foi instituída a Habilitação Específica de 2º grau para o exercício do Magistério de 1º grau (HEM). Pelo Parecer n. 349/72 (BRASIL- MEC-CFE, 1972), aprovado em 6 de abril de 1972, a Habilitação Específica do Magistério foi organizada em duas modalidades básicas: uma com a duração de três anos (2.200 horas), que habilitaria
a lecionar até a 4ª série; e outra, com a duração de quatro anos (2.900 horas), habilitando ao Magistério até a 6ª série do 1º grau. O currículo mínimo compreendia o núcleo comum, obrigatório em todo o território nacional e para todo o ensino de 1º e 2º graus, destinado a garantir a formação geral; e uma parte diversificada, visando à formação especial. O antigo Curso Normal cedeu lugar a uma habilitação de 2º Grau. Com essa mudança, a formação de professores perdeu algumas de suas especificidades, pois, sendo uma habilitação dispersa em meio a tantas outras, precisou ajusta-se, em grande parte, ao currículo geral do ensino de segundo grau (hoje, ensino médio), configurando um quadro de precariedade bastante preocupante e, conforme Mello et al (1983), de descaracterização crescente dessa habilitação, no que se refere à formação para docência.
A evidência e a gravidade dos problemas levaram o governo a lançar, em 1982, o projeto CEFAM (Centros de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério), que teve o caráter de “revitalização da Escola Normal” (CAVALCANTE, 1994, p. 59, 76 e 123). Mas esse projeto, apesar dos resultados positivos, foi descontinuado quando seu alcance quantitativo era ainda restrito, não tendo havido, também, qualquer política para o aproveitamento dos professores formados pelos Centros nas redes escolares públicas.
Em 1982, foi aprovada a Lei nº 7.044/82, que trouxe alteração ao artigo 30 da Lei nº 5.692/71. Manteve a formação na Habilitação Magistério, mas introduziu outras opções formativas para os docentes dos Anos Iniciais e finais do ensino fundamental. Para as quatro últimas séries do ensino de 1º grau e para o ensino de 2º grau, a Lei previu a formação de professores em nível superior, em cursos de licenciatura curta (3 anos de duração) ou plena (4 anos de duração).
A implantação das licenciaturas curtas gerou polêmicas e contraposições de acadêmicos e de entidades corporativas, o que conduziu o Conselho Federal de Educação (CFE), alguns anos depois, a emitir orientações normativas para tornar progressivamente plenas essas licenciaturas curtas. No entanto, esses cursos só vieram a ser extintos completamente pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996.
Ao Curso de Pedagogia, além da formação de professores para Habilitação Específica de Magistério (HEM), foi conferida a atribuição de formar os especialistas em educação, aí compreendidos os diretores de escola, orientadores educacionais, supervisores escolares e inspetores de ensino. Com essas prescrições, normatiza-
se a formação do pedagogo, com ênfase na formação do especialista, correspondendo ao modelo educacional tecnicista hegemônico no período, e mantém-se aí a formação do professor para as Escolas Normais em nível de segundo grau. No entanto, como argumenta Brzezinski (1996, p. 45), a estruturação do curso de Pedagogia facilitou a adoção da premissa "quem pode o mais, pode o menos", permitindo que licenciandos em Pedagogia estivessem habilitados a formar professores de professores primários, pois, por "osmose", adquiririam o domínio dos conteúdos do curso primário.
Paralelamente a esse ordenamento legal, desencadeou-se, a partir de 1980, um amplo movimento pela reformulação dos cursos de Pedagogia e licenciatura, que adotou o princípio da “docência como a base da identidade profissional de todos os profissionais da educação” (SILVA, 2006, p. 68 e 79). Nesse período, a concepção de prática predominante era a prática como instrumentalização técnica, ou seja, a ênfase nas técnicas e nas metodologias de ensino. Pimenta nos traz uma reflexão a esse respeito:
O exercício de qualquer profissão é técnico, no sentido de que é necessária a utilização de técnicas para executar as operações e as ações próprias. [...] O professor também. No entanto, as habilidades não são suficientes para a resolução dos problemas com os quais se defrontam, uma vez que a redução às técnicas não dá conta do conhecimento científico nem da complexidade das situações do exercício desses profissionais. Nessa perspectiva, o profissional fica reduzido ao "prático": não necessita dominar os conhecimentos científicos, mas tão somente as rotinas de intervenção técnica deles derivadas (PIMENTA, 2010, p. 37).
Nesse sentido, a prática não pode ser reduzida apenas ao como fazer, pois o processo educativo é muito mais amplo e exige, do professor, conhecimento para saber lançar mão e criar técnicas e/ou metodologias de ensino adequadas às situações vividas.
É possível observar, pois, que as diretrizes nacionais relacionadas à formação do professor estão intimamente relacionadas ao momento histórico-político e social. As concepções de educação e de formação de professores, até, então, eram heranças de um período de repressão política, quando qualquer manifestação contrária às ideias do momento, eram mal vistas. Nesse cenário, para que a formação de um professor reflexivo?
Vivemos, a partir da década de 1980, um intenso movimento para a redemocratização do país. Nesse contexto, nasceu, em 1982 e 1983, um pequeno
seminário denominado "A didática em questão", realizado na PUC/RJ, que deu origem ao Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino - ENDIPE, realizado até hoje. Nessa época, discutia-se o papel da Didática na formação de professores, sua orientação epistemológica e política, bem como suas propostas para o campo de ensino. A Didática estava posta em questão: de uma ênfase numa formação docente pautada na instrumentalização técnica, emerge a negação da Didática nos cursos de formação de professores.
Nesse contexto, há uma predominância dos Fundamentos da Educação sobre a Didática e as Metodologias de Ensino.
4.1.6 Advento dos Institutos Superiores de Educação e das Escolas Normais