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3. MATERYAL ve YÖNTEM

3.2. Yöntem

Robert Vion (2001) trabalha na direção do desenvolvimento de uma teoria global capaz de levar em conta as dinâmicas gerais da produção e da recepção da fala31 em sua total complexidade e heterogeneidade. Em uma abordagem pragmática integrativa, Vion (op.cit.) propõe o que se constitui na base teórica para o modelo desenvolvido posteriormente por sua equipe.

O trabalho de Robert Vion se baseia no princípio da existência de dois níveis de diálogo que são imbricados entre si:

O nível propriamente dialogal, aquele em presença mesmo que virtualmente, onde os co-locutores trocam mensagens; e o nível dialógico, diálogo em ausência, que ao seio mesmo de uma produção monologada (mas entretanto endereçada), faz dialogar opiniões e enunciadores” (Vion, 1995)

Segundo o autor, é essa dupla realidade do diálogo que conduz Bakhtine a dizer que todo episódio dialogal se inscreve numa corrente de comunicação ininterrupta: só podemos dialogar com um parceiro (real, potencial ou imaginário) dialogando ao mesmo tempo com um número indefinido de opiniões.

Enquanto ação comunicativa, a atividade discursiva se organiza segundo dois domínios, que são simultaneamente correlacionados e não dedutíveis um do outro: a relação social e interpessoal de uma parte e a relação interlocutiva de outra. Cada uma dessas duas relações se subdividem em vários “níveis” de atividades caracterizáveis em termos de posições:

− Para a relação social e interpessoal relevamos: os posicionamentos institucionais, definidores do quadro interativo, ou seja, da situação; os

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Em geral, os pesquisadores que tratam do sentido sócio-cultural da linguagem preferem utilizar o termo fala (que possui o significado simbólico da palavra circunscrita sócio, histórica e culturalmente) em vez de “palavra”, preferida pelos estudiosos da linguagem gramaticalmente falando.

posicionamentos modulares, que autorizam os sujeitos a desenvolver localmente outros tipos interativos que aquele sobre o qual se define a situação; os posicionamentos subjetivos pelos quais os sujeitos co-constroem imagens deles mesmos.

− Para o quadro da relação interlocutiva: os posicionamentos discursivos permitindo aos sujeitos realizarem tarefas cognitivo-discursivas, como a gestão dos mal entendidos, a descrição, o relato, a argumentação etc.; os posicionamentos enunciativos que exprimem os modos de presença e de implicação dos sujeitos e suas produções (voz construída nos discurso, atitudes e distâncias com relação aos propósitos construídos).

Os sujeitos, ao se comunicarem, gerenciam simultaneamente todo esse jogo de posições, de forma que a relação constituída entre eles articule os cinco tipos de relações de posições interligados. Sendo todas as posições interligadas, qualquer modificação numa delas terá repercussões sobre o conjunto de outras.

A partir dessas proposições de Vion, seu grupo de pesquisa trabalhou em direção a um modelo, cujo alvo era realizar as análises do discurso construindo uma ponte entre comunicação escrita e oral, monólogo e diálogo. Um modelo capaz de tratar os vários níveis relevantes.

O modelo constituído é denominado “modelo estrela”, cuja pretensão é

Trazer luz à forma na qual níveis tão variados como os processos de posicionamento institucional, modular, subjetivo, discursivo e enunciativo são levados em conta para produzir um análise concernente à pratica social assim como às estratégias micro-lingüísticas. (ROUVEYROUL et al., 2005).

Segundo os autores, o modelo “estrela”, por permitir escrutinar vários níveis de comunicação verbal, torna possível colocar fenômenos heterogêneos dentro de uma perspectiva estruturante. Ressaltam ainda que, apesar de saberem que um grande e complexo número de fatores psicológicos ou sociológicos influenciam os indivíduos, não têm a pretensão de encampá-los neste modelo, visto julgarem fora do escopo da investigação. Esta abordagem contrasta com as tentativas modulares, em que a complexidade da linguagem é dividida em vários componentes, tratados de forma

relativamente autônoma em uma primeira fase e conectado somente em uma segunda fase.

Todos os cinco processos de posicionamento - institucional, modular, subjetivo, discursivo e enunciativo - se influenciam reciprocamente de uma maneira não- hierárquica; em conjunto e interligados, formam o espaço interativo.

Figura 1. O modelo estrela de processo de posicionamento (Rouveyrol et al., 2005)

Deste modelo nos restringiremos ao que diz respeito às relações interpessoais.

− Processo de posicionamento institucional: diz respeito às realidades que são exteriores e anteriores à interação, como, por exemplo, médico-paciente, professor- estudante. Essas posições institucionais se referem a uma tipologia das interações mas não podem ser reduzidas a funções sociais ou a atividades profissionais. As situações de comunicação são determinadas retroativamente pela atividade do discurso realizada pelos sujeitos. As variações são esperadas e podem ao final modificar ou qualificar a estrutura preexistente.

Posicionamento «’Institucional » Posicionamento «Modular» Posicionamento «Subjetivo» RELAÇÕES INTERLOCUTIVAS RELAÇÕES INTERPESSOAL ESOCIAL Posicionamento «Discursivo» Posicionamento «Enunciativo»

− Processo de posicionamento ‘modular’: trata das fases interativas específicas retidas temporariamente pelos locutores, pertencendo a um gênero secundário, subordinado a uma estrutura geral. Estas fases são denominadas módulos. Por exemplo, numa interação do médico-paciente, o médico poderia pedir ao paciente que tivesse conhecimento em informática, um conselho com relação a um determinado programa. O gênero dominante é ainda a consulta médica; os módulos de conversação são gêneros subordinados locais.

− Processo de posicionamento ‘subjetivo’: trata da relação estabelecida entre a troca verbal dinâmica e os objetivos gerais que os locutores atribuem. Nós consideramos aqui imagens construídas pelo indivíduo com relação aos processos de posicionamento hierárquicos construídos no curso da interação e que são conectadas também às situações discursivas. Como exemplo dessas posições conquistadas ou perdidas em relação às imagens construídas pelos co-locutores, pode-se citar: perito/não-perito, honesto/desonesto, rígido/flexível.

CAPÍTULO V - MÉTODO

Este é um estudo exploratório que objetiva compreender, dentro de um ambiente organizacional, qual o papel das relações interpessoais, como elas se estruturam e se desenrolam no decorrer das atividades de trabalho em concepção e desenvolvimento de um produto, em um contexto de relação entre empresas para execução do projeto.

Benzer Belgeler