III. BÖLÜM
3. YÖNTEM
Esta é uma atividade que exige do pedreiro medir, marcar e cortar a pedra no formato exato para ser assentada na parede. Neste caso, tratava-se de uma peça pequena com formato de um que deve obedecer a regra do lado acabado, lado direito e no pé da peça. O dente da peça é pequeno, o que torna o recorte complicado. Segundo o pedreiro. “Tem uma quebra
134 pequena nela. Ela dá um dentinho que tem que marcar nela. Ela que estava dando complicação.”
A medição do dente é, para ele, a parte mais difícil da atividade e a responsável pelos sucessivos fracassos: “Esses cortezinhos são difíceis de fazer” (PEDREIRO). A medição é considerada o ponto crucial do recorte. É dela que advém o sucesso do recorte da pedra ou o seu fracasso, por isso ele atribui o sucesso do encarregado à sua mediação correta: “o encarregado marcou mais correto, né?” Fazer uma boa medição exige paciência e técnica: “Todo serviço de acabamento tem que ter paciência. Calma para fazer as coisas direitinho.” (PEDREIRO).
Analisando a sequência, pode-se observar que este pedreiro mede primeiramente com a trena quatro lugares na parede, onde será colocada a pedra; repassa as medidas para a pedra e depois a corta. Ele mede uma vez quatro lugares diferentes: altura da parte superior68, a largura da parte superior marcada no topo e na base desta parte e a largura da perna. Ele não volta para conferir as medidas, leva-as de cabeça até a pedra e não mede mais de uma vez cada medida. Para tirar as medidas da parede, ele sobe no andaime - que é alto - mede com a trena esticando os braços e se aproximando o máximo possível da parede, desce do andaime e marca as medidas na pedra que fica em cima de uma mesa próxima. Nessa primeira sequência de recorte, ele não mediu a altura total da pedra, ficando a pedra maior do que devia. Ele atribui este fato ao esquecimento, já que ele não se lembrou de medir esta altura, percebendo o problema somente na hora de colocá-la na parede: “Às vezes um momento de esquecimento, igual eu te falei, o serviço é paciência. Se não tiver muita paciência, você acaba fazendo errado.” (PEDREIRO).
Segundo ele, é preciso ter paciência para “observar direitinho, tem que fazer tudo com cuidado, observando”. É preciso prestar atenção no que medir (as dimensões) para não se esquecer de nenhuma medida. A questão que se coloca é: o que o fez esquecer-se? Segundo ele, sua preocupação é com o dente: “Esses cortizinhos são difíceis de fazer” (PEDREIRO). Isso faz com ele guie sua atenção na realização dessa medida (representamen), esquecendo-se de outras. Ele adota como estratégia fazer o recorte mais difícil primeiro para garantir a pedra, pois um erro neste recorte leva à sua inutilização. A regra que segue ou o interpretante adquirido que guia sua ação é a dificuldade com o dente, tornando este aspecto central na sua
68 Parte superior é a parte em cima da perna, que possui 4 cm de largura e 20 cm de altura, enquanto a perna tem
135 atividade. Ele foca sua atenção no que julga mais crítico para depois fazer o mais fácil: “A preocupação é não errar, é você medir certo, fazer o correto” (PEDREIRO).
Em outras situações isso se repete. O pedreiro concentra no recorte do dente e acaba se esquecendo de outras medidas. Ele força sua mente para determinadas medidas e se concentra tanto em algumas, que acaba se esquecendo de outras, perdendo uma visão global da pedra e do encaixe dela na parede. Ele prioriza algumas dimensões e deixa outras de fora, seleciona determinados problemas a serem resolvidos, perdendo a visão do todo, da pedra em todas as suas dimensões, gerando erros.
O pedreiro parece acostumado com a ocorrência de erros: “Eu sei que todo serviço tem um erro, a gente sempre erra em alguma coisa”. O erro o faz lembrar-se das medidas esquecidas, começando a nova sequência corrigindo o erro passado. Esta estratégia é ineficaz e cara, pois a perda da pedra sempre tem um custo para a empresa69 e para o próprio funcionário, uma vez que ele trabalha por produção. Logo, quanto mais ele errar, menos ele ganha e a empresa também.
Foi somente na hora de colocar a pedra no local que ele percebe que a pedra está maior: “Na hora não sabia o que tinha causado o erro, foi na medição, só depois que eu fui ver que errei.” (PEDREIRO). A causa do erro, para ele, foi a medição esquecida. Na nova sequência de medição, ele começa marcando a altura total da pedra, para só depois partir para as outras marcações e recortes e, por isso, a afirmação de que o erro conduz sua atenção. Depois de realizada esta marcação na pedra nova, ele faz as demais pela pedra já cortada, que serve como molde para a pedra nova. Diferente da primeira vez, ele não usa a trena, tira a medida da parede para consertar a altura da pedra e aproveita as demais medidas da pedra já cortada que estão corretas. Ele não perde tempo remarcando as medidas que estão certas no molde, pois é mais rápido aproveitar as corretas da pedra que tirar novamente as medidas da parede. Ele usa o molde, a pedra errada, de forma habilidosa e sabe quando unir a pedra pelos pés e pela cabeça, de modo a aproveitar as medidas certas da largura e altura da parte superior e da largura da perna. O resultado foi a proporção correta entre a parte superior e a perna: se antes a perna estava comprida demais, agora ela está correta. O problema dessa vez foi a largura da perna, que ficou mais larga do que devia. Ao tirar pouco a pouco nesta largura, a perna acabou ficando fina demais. Ele atribui ao problema da largura da perna a falta de
136 prumo da parede. Ele tirou esta medida da largura pelo pé, mas como a parede estava fora de prumo, gerou dificuldade no encaixe da pedra. “Falta de prumo na parede, por isso que tem que ser bem medido. Às vezes o prumo abre na parede, abre o corte. O corte não sai no esquadro certo. Você mede essa largura e essa largura, se tiver pouquinha coisa fora, vai afinando aqui e abrindo aqui. Aí o prumo abre” (PEDREIRO).
São muitos os detalhes que ele tem de pensar e antecipar na medição e marcação, como em todas as dimensões e medidas da pedra, na largura e altura, no recorte do dente, no lado acabado e do recorte e se a parede está no esquadro ou não. De fato, é uma tarefa bem exigente do ponto de vista cognitivo, levando o trabalhador a forçar a sua mente para lembrar- se de todos esses detalhes. Sua estratégia é focar no que é mais difícil (medição do dente), para depois fazer as demais medições. Sua intenção não é errar para ir corrigindo por etapas. Ele quer acertar de primeira, como acontece com o encarregado, só não sabe como.
Na sequência de ações do pedreiro, primeiro ele tira as medidas com a trena, depois passa para a pedra e, por último, vem o corte. A sequência no curso da sua ação é: medição, transferência da medida para a cerâmica e recorte. Analisando a sequência do encarregado, ele também recorta o problema, faz simplificações e reduções do problema geral, mas de forma menos pesada cognitivamente, com menos erros e esquecimentos. O que o encarregado faz para não se esquecer de nada? Se ambos compartimentalizam o problema em subproblemas, por que um esquece e outro não? No caso do pedreiro, cada lembrança custa uma pedra perdida. No caso do encarregado, não, porque cada etapa faz parte de uma sequência de marcação e recorte numa única pedra, criando um fluxo contínuo e vitorioso, sem a perda da pedra. Sua sequência está inserida numa estratégia global que conduz ao acerto. Ele não perde a visão do todo nas marcações, ficando fácil se lembrar de todas as dimensões a serem “medidas”. Esta é uma diferença significativa entre os dois cursos da ação: estratégia global de marcação proporcionada pela tira, versus prioridade na medição do dente. O encarregado não foca sua atenção numa medida específica, ele visa todas as marcações quando coloca a tira na parede.
Uma característica marcante na sequência do encarregado é o uso predominante da marcação no local em detrimento do uso da trena. O encarregado só faz uma medida pela trena que é a primeira, a medida da tira. Ele faz essa medição pela trena, porque não há como marcar a pedra pelo local, já que a pedra é grande demais para ser manuseada na parede. Ele diz sempre optar pela marcação no local, fazendo as medições pela trena somente quando não há espaço ou quando o tamanho e peso da pedra não permitir: “Eu sempre marco no local, só
137 quando está alto demais ou quando a pedra é pesada demais que eu tiro as medidas pela trena” (ENCARREGADO). Ele aplica critérios (interpretante adquirido ou regra) que significam a ação na situação de acordo com o local e o material a ser manuseado. É preciso ressaltar que durante seu curso da ação junto com o pedreiro, ele não explicita este critério, e nenhum outro, sendo uma atividade conjunta guiada apenas por instruções (faça isso ou aquilo), sem nenhuma explicação do por que fazer „assim ou assado‟.
O encarregado faz a tira e com isso cria as condições para fazer as outras marcações pelo alinhamento das pedras fixadas no local, já que com a pedra mais fina (na largura do espaço na parede) é possível apoiá-la no local. Com a cerâmica no tamanho original de fábrica isto é impossível, pois a parede ao lado inviabiliza tal estratégia de marcação no local. O teto, neste momento da atividade, está bem acima do final da carreira de cerâmicas já assentadas, pois depois de todas fixadas no local, será colocado gesso. Assim, ele não precisa tirar na altura total da pedra, pois mesmo maior, ela cabe no espaço na parede.
Ele explica, na entrevista em autoconfrontação, sua preferência pela marcação no local. O motivo é a precisão da marcação na cerâmica:
É melhor medir no local, porque você não sai da medida, é a medida exata. Conforme for a hora que você medir na trena, você tem que conferir umas duas, três vezes, porque você pode confundir a medida, é 55, por exemplo, e você marcar 56. Isto acontece porque às vezes você está indo daqui até lá e uma pessoa conversa com você, aí você pode pensar em outra coisa e fugir da sua memória aquela medida, aí risca errado. (ENCARREGADO).
De acordo com o encarregado, a medida no local de encaixe é mais vantajosa, porque não é preciso contar com a memória, uma vez que a marcação na pedra não precisa ser lembrada durante o trajeto, evitando erros. Além disso, reduz o trabalho, pois se torna desnecessária a conferência da medida. A leitura da trena é outro ponto importante na medição, já que pode ser fonte de erros:
Já aconteceu com muitas pessoas de errar várias pedras por causa da pressa. Chega aqui rapidamente, estica a trena, olha, chega lá e risca. Talvez dela olhar na trena, ela diminui 1 cm ou aumenta 1cm. Só de olhar rápido na trena. Chega rápido aqui, mede aqui, deu 85. Chega lá na pedra e risca. Na hora de pôr a pedra, ela não entra, está dando diferença de 1 cm, aí pode perder a pedra, e perder uma pedra dessa, Nossa Senhora! (ENCARREGADO).
138 Como disse o encarregado, a pressa, o jeito de manusear a trena no local e o lugar difícil para enxergar os milímetros para contar pode causar erros na medida. Os centímetros na trena têm número. É só olhar que já se sabe a medida. No entanto, os milímetros são mais difíceis, porque é preciso contá-los e dependendo do local e pelo fato de os riscos dos milímetros serem pequenos, torna-se mais trabalhosa essa tarefa. Por isso, a medição pela trena é mais difícil e o erro é mais comum. É preciso muita atenção para ver e contar os milímetros e manusear corretamente a trena. Isso leva o encarregado a preferir medir no local, pois nesse caso não há leitura da trena, é preciso somente marcar a pedra pelo alinhamento da outra que é mais rápido, mais fácil e menos sujeito a erro. Os critérios usados para escolher medir pela marcação no local em detrimento do uso da trena dependendo do local são: rapidez, facilidade e exatidão da medida, além de evitar o esquecimento, o engano e a conferência:
Medir na trena complica mais, na própria pedra é mais fácil, força menos a mente, porque você não tem aquele negócio de mm, essas coisas, você pôs ali, riscou certinho no mesmo alinhamento, está bem. Mais difícil de errar, porque na trena às vezes pode roubar nos milímetros, às vezes pode errar nos milímetros, porque o milímetro é muito pequeno, um milímetro, dois milímetros. Às vezes você corta dois milímetros fora, você já cortou ela larga demais. (ENCARREGADO).
Por isso a tira que o encarregado faz é o ponto principal da sua sequência, permitindo marcar as medidas pelo local sem a trena e ainda facilita lembrar todas as dimensões da pedra. A pedra encaixada no local torna perceptível o lugar onde se deve marcar para fazer o recorte. O simples fato de olhar para a pedra posicionada corretamente no local de encaixe, torna facilmente perceptível o que marcar, não exigindo esforço para se lembrar das dimensões a serem medidas, nem da regra do lado do recorte. A tira no local é a condição ideal para a lembrança. Ele faz as marcações na pedra a lápis, seguindo o alinhamento das pedras vizinhas e obtém a figura correta para encaixe. Sua sequência corre menos risco de erro e o problema fica menos complexo, mesclando ação (corte da tira) percepção (ver os locais da marcação) e regras (lado permitido para recorte) de forma integrada. A tira permitiu uma nova forma de medição que é, ao mesmo tempo, mais precisa, menos pesada cognitivamente e entrelaçada à regra do lado permitido para recorte. A tira traz implicitamente para o curso da ação a regra do lado acabado.
Quando o encarregado faz a tira cortando pela lateral esquerda e deixando o lado acabado na direita, garante esta regra nas juntas laterais. E quando a posiciona na parede para
139 fazer as marcações colocando a base da tira (recorte de fábrica, lado acabado) em cima da pedra abaixo da perna, garante o lado acabado do pé, pois sabe que ali não pode haver recorte. Ele marca as dimensões que serão recortadas, como no dente, na largura da perna e na cabeça da pedra, sem se esquecer de nenhuma e sem cortar no lado errado. O que o guia a fazer a tira é, segundo seu relato na autoconfrontação, garantir o lado acabado da cerâmica: “O mais importante é marcar certo, não pode ter recorte nas juntas das pedras” (ENCARREGADO). O erro do pedreiro foi esquecer a regra do lado acabado no pé da perna no momento que mede com a trena as dimensões no local, pois se esta não fosse uma exigência (lado acabado no pé), ele poderia cortar o pé da pedra e estava resolvido o problema. Mas ele esquece esta regra no curso da sua ação, levando ao erro no recorte e, consequentemente, ao desperdício da cerâmica. Isto mostra que ele conhece a regra, mas não se lembra dela no curso da sua ação. A regra é: só pode ter recorte nos cantos, entre as cerâmicas não pode. Nas juntas tem de ser o lado acabado de fábrica.
Analisando a carreira desde a primeira pedra assentada, com exceção da primeira cerâmica do canto direito, todas as outras não tocavam numa cerâmica abaixo. A regra do lado acabado era aplicada nas laterais e na base (encontro com a janela), pois em cima podia ter recorte por causa do gesso que esconderia o recorte. O gesso seria feito depois da carreira pronta. Ao começar a medir as dimensões da parede pela trena, ele teria que levar esta regra do pé em consideração, mas lembrou-se apenas do lado acabado no encontro com a peça ao lado. Quando chega nesta última, com o lado do recorte à esquerda (canto da parede) e no topo da pedra, com várias medidas a fazer e ainda com um recorte difícil do dente que exigia bastante precisão na medição, ele acaba se esquecendo do lado acabado do pé da pedra. Isto confirma sua preocupação com o dente, pois depois de uma carreira de oito pedras, todas com o recorte na cabeça e nenhuma no pé, ele ainda se esquece dessa exigência quando faz as medições na parede.
A sequência do encarregado, ao contrário dessa do pedreiro, facilita a aplicação da regra do lado acabado quando ele faz a tira. A regra está dentro da sua atividade, e não fora, como ocorre com o pedreiro. Esta regra guia a ação do encarregado, quando ele faz o recorte da tira para garantir o lado acabado pela direita e posiciona a tira na parede para obter o lado acabado no encontro com a peça abaixo. Onde ele corta na peça para fazer a tira e como ele a coloca na parede (não pode posicioná-la de qualquer jeito) são ações guiadas pela preocupação com o lado acabado, exigência estética da sua atividade. Ele garante, antes de começarem as marcações, a regra dos lados acabados. Esta regra é uma exigência imperativa
140 na atividade, e ao atendê-la, ele já garante uma condição imprescindível do recorte correto. A figura abaixo mostra como ele posiciona a tira no local para marcação pelo alinhamento das peças vizinhas (a tira é colocada de forma que o lado acabado da sua base se encontra com a peça abaixo já fixada). Os lados acabados estão nos seus lugares corretos (na lateral e no pé), bastando agora marcar pelo alinhamento para fazer o recorte da figura em .
Figura 15: Posicionamento da tira no local para marcação pelo alinhamento das pedras vizinhas Fonte: Dados da pesquisa (2014)
A estratégia da tira inverte a ordem de ações e percepções (recorte depois marcação), garante os lados acabados (aplicação da regra do lado acabado), facilita a marcação e aumenta a precisão das medidas (é só marcar), tornando o problema mais fácil de ser resolvido (basta ver o que sobra da tira quando posicionada na parede). O resultado desta ação é o encaixe perfeito da pedra, a ação eficaz.
A regra do lado acabado é conhecida do pedreiro, tanto que ele percebe o erro quando coloca a peça na parede. Ele a posiciona inicialmente pelo dente, isto é, encaixa a pedra prestando atenção no recorte do dente. Quando ele faz isso, percebe que o pé está mais comprido do que devia, quando então nota que não pode cortar no pé, devido ao encontro com a pedra abaixo. Ao subir a peça posicionando o pé acabado da pedra com o topo da pedra já assentada, ele percebe que o dente fica acima do nível do dente da parede. Ele, então, não pode aproveitar a pedra, pois a exigência do lado acabado no pé torna a peça incorrigível. Sua única opção é descartar esta peça recortada e fazer outra.
O pedreiro conhece a regra do lado acabado, mas não a aplica no curso da sua ação. Como vimos no caso da escada, apesar de conhecer a regra, de ter a representação, ela não
141 participa da sua atividade. Os cognitivistas diriam que ela não guiou a ação do pedreiro, e, por isso, ele falhou. Se tivesse guiado, ele teria acertado como fez o encarregado. Aqui cabem duas questões: a primeira é por que ele se esqueceu do lado acabado no pé? E a segunda é: se ele tivesse se lembrado, isto garantiria o sucesso na sua ação? Começaremos respondendo à primeira.
A sequência de ações e percepções que adota é guiada pela sua preocupação com o dente e caracterizada por medições com a trena, resultando numa atividade pesada cognitivamente: “O serviço de acabamento força muito a mente da gente” (PEDREIRO). Esta maneira de realizar a atividade (medição com a trena) exige ter de se lembrar de várias coisas (dimensões, regra do lado acabado) e memorizar outras (medidas em milímetros). Ele pensa, no curso da sua ação, no que tem que medir e, em seguida, na medida (memorização), exigindo lembrar e memorizar quase ao mesmo tempo. Ao fazer cada medida, ele relembra de cabeça todas as outras já feitas, para não se esquecer de nenhuma. Esta elevada exigência cognitiva guiada pela preocupação com a medida precisa do dente - o faz esquecer-se do problema do lado acabado no pé e, por isso, não é a sua preocupação com o dente a responsável pelo esquecimento da regra, mas sua prática pesada cognitivamente que torna difícil se lembrar dela70.
A resposta da segunda questão - se a regra dentro da atividade como guia desta levaria à ação eficaz – é: não. Vejamos por quê. A prática guiada pela regra do lado acabado foi mais