2. ŞİRKET BİRLEŞME NEDENLERİ VE REKABETE ETKİLERİ
2.1. Şirket Birleşme Nedenleri
2.1.2. Yönetim Becerilerini Yükseltmek ve Etkinliğini Sağlamak
A cidade de Natal não possui um Plano Municipal de Gerenciamento Costeiro (PMGC), instrumento considerado básico para a gestão da zona costeira, nos termos do art. 7º, IV do Decreto Federal 5.300/04 e que, conforme visto no tópico 4.2.1, deve ser instituído por lei. Impossível se vislumbrar, portanto, quais são os princípios, os objetivos e as diretrizes da política de gestão das praias urbanas na cidade de Natal, ressaltando que, pelo Plano Diretor em vigor (Lei Complementar Municipal 82/2007, art. 7), todo o território de Natal é considerado como zona urbana.
O que existe em relação à gestão costeira, no âmbito municipal, é o Decreto Municipal 9.077 de 17 de maio de 2010, que cria o Comitê Gestor da Orla do Município de Natal. Segundo o art. 1º do mencionado Decreto municipal, o “Fica instituído o Comitê Gestor da Orla do Município de Natal, com instância superior para deliberação sobre planejamento e gestão integrada do aludido espaço costeiro, e em consonância com os princípios democráticos e constitucionais” .
Como instituições governamentais, integram o Comitê: 1)SPU/ RN -Superintendência do Patrimônio da União no RN; 2) IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis; 3) IDEMA - Instituto de Defesa do Meio Ambiente do RN; 4) CAERN – Companhia de Águas e Esgotos do RN; 5) INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DE ENSINO E PESQUISA – Instituto Federal de Educação,Ciência e Tecnologia do RN e Universidade Federal do RN; 6) SEMURB – Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo; 7) Urbana – Companhia de Serviços Urbanos de Natal; 8) Câmara Municipal de Natal; 9) SETUR – Secretaria do Estado do Turismo; 10) SEAP - Superintendência Federal de Pesca e Aqüicultura do RN; 11) CODERN – Companhia Docas do RN; 12) IGARN – Instituto de Gestão das Águas do Estado do RN.
O Comitê ainda é composto pelas seguintes entidades representativas da sociedade civil organizada: 1) SOS MANGUE; 2)AMANAUTICA– Associação Norte-Riograndense de Empresas de Mergulho Autônomo e Turismo Náutico; 3) Conselho Comunitário de Ponta Negra; 4) ARPONTANEGRA – Associação Representativa dos Empresários do Turismo de Ponta Negra; 5) ASSUSSA Ponta Negra – Associação dos Usuários de Serviços de Saneamento Ambiental de Ponta Negra; 6) Colônia Z-04 de Pesca e Aqüicultura de Natal “José Bonifácio”; 7) Associação dos Barraqueiros
de Ponta Negra; 8) Centro Sócio-Pastoral de Mãe Luiza; 9) Associação de Moradores de Mãe Luiza e Aparecida; 10) Conselho Comunitário Salinas; 11) Conselho Comunitário Santos Reis; 12) Conselho Comunitário Redinha
I) Acompanhar e avaliar as ações do Plano de Gestão Integrada;
II) Aprovar e legitimar as alterações decorrentes da revisão do referido Plano. Art. 3º. O Comitê terá um Regimento Interno, o qual será elaborado e aprovado pelo respectivo Colegiado, no prazo máximo de 90 (noventa) dias da instalação deste, e definirá:
I) A composição, nos termos deste Decreto, e atribuições do Comitê Gestor e da sua Secretaria Executiva;
II) As regras de funcionamento das assembléias, reuniões ordinárias e extraordinárias;
III) A alteração da composição do Comitê Gestor, nos termos do próprio Regimento Interno, por um quorum qualificado de 2/3 dos seus membros; IV) Os critérios a serem utilizados na apreciação de matérias sobre as quais o Comitê atuará com caráter deliberativo, observando os limites de suas atribuições.
Os membros do comitê tomaram posse no dia 02/06/2010. Na reunião de 09/06/2010, o colegiado reuniu-se para aprovar o seu comitê interno (NATAL, 2010a, documento online não paginado).
Empossado na manhã desta quarta-feira, 2 de junho, o Comitê Gestor da Orla de Marítima de Natal, que terá o papel de melhorar a gestão da Orla da cidade, aproximar cada vez mais a sociedade e o Governo, além de articular a implantação do Plano de Gestão Integrada no município.
Na cerimônia de posse, autoridades, servidores e representante da Sociedade Civil Organizada, o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) Olegário Passos, afirmou a grande importância da formação desse comitê para o desenvolvimento do projeto. “A implantação e posse do Comitê Gestor da Orla Marítima de Natal é a materialização da gestão pública democrática com a iniciativa privada, dessa forma, estamos trabalhando de mãos dadas com transparência e ética, quem ganha com isso é a sociedade”, disse o secretário. [...] (NATAL, 2010b, documento online não paginado).
Entre outras, constam no Regimento Interno, como atribuições do Comitê Gestor da orla do município de Natal: 1) Divulgar, discutir, articular, acompanhar, monitorar, fiscalizar, avaliar e deliberar a respeito da implantação das ações pertinentes ao Plano de Gestão Integrada da Orla; 2) Auxiliar o Município na formulação de políticas públicas relativas à gestão integrada da orla e na implementação de suas ações; 3) Propor e deliberar sobre normas necessárias à regulamentação e implementação do plano de ordenamento da orla; 4) Opinar e deliberar sobre projetos de intervenção pública ou privada que abranjam áreas situadas na faixa de orla do Município e no entorno que está sob sua influência.
Levando em consideração que cabe ao Poder Público Municipal promover o fortalecimento das entidades diretamente envolvidas no gerenciamento costeiro, mediante apoio técnico, financeiro, metodológico (Decreto 5.300/2004, art. 14); considerando ainda que compete aos órgãos estaduais de meio ambiente, em articulação com as Gerências Regionais de Patrimônio da União, disponibilizar informações e acompanhar as ações de capacitação e assistência técnica às prefeituras e gestores locais para estruturação e implementação do Plano de Intervenção da orla marítima e que compete ao Poder Público Municipal elaborar e executar o Plano de Intervenção da Orla Marítima de modo participativo com o colegiado municipal, órgãos, instituições e organizações da sociedade, a pesquisa procurou ouvir, através de entrevistas semi- estruturadas, representantes da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), do órgão ambiental estadual e do órgão ambiental municipal para possibilitar a avaliação da gestão da orla de Ponta Negra, levando-se em conta os direcionamentos da legislação em vigor, que adotou, como visto, um modelo de gestão com planejamento integrado pelos três níveis de governo federal, estadual e municipal.
Na SPU, foi entrevistado o servidor Neilor Afonso Castiel Barbosa61, que trabalha há quatro anos na coordenação executiva do Projeto Orla no Estado do Rio Grande do Norte. Entre várias informações acerca da implementação do Projeto Orla, base para o plano de intervenção da orla pelos municípios costeiros, o servidor relatou que a SPU tem realizado esforços para dar assistência aos municípios costeiros no Estado do Rio Grande do Norte e, em especial em Natal. Mencionou, todavia, que há nítida necessidade de um empenho maior por parte dos municípios para a implementação do projeto Orla, inclusive de Natal. Informou que as intervenções realizadas nas orlas devem passar necessariamente pelos comitês gestores municipais.
para o Ministério de Planejamento, qualquer intervenção, qualquer projeto a ser implantado tem que ser aprovado no comitê gestor do Projeto Orla, desde que ele exista. E ele existe. Inclusive o de Natal, fui eu que propus (informação verbal).
Durante a entrevista, o servidor forneceu a tabela contendo o resumo dos pontos relativos à minuta de um Plano de Gestão Integrada (PGI) da Orla do Município de Natal, realizado no ano de 2010, esclarecendo que o PGI não foi aprovado, pois sequer foi apresentado formalmente ao
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Comitê Gestor. As tabelas contidas na minuta fazem menção às potencialidades, aos conflitos, cenários e ações estruturantes da orla.
As potencialidades arroladas para a Praia de Ponta Negra foram as seguintes: 1. Contemplação; 2. Pesca artesanal; 3. Banho; 4. Comércio; 5. Bares; 6. Restaurantes; 7. Pousadas; 8. Serviços de turismo; 9. Lazer; 10. Esportes de praia; 11. Cultura; 12. Esporte náutico, de praia e no calçadão.
Para cada potencialidade foram arrolados: conflitos (ambiental, socioeconômico e patrimonial); cenários (tendências e desejado) além de ações estruturantes.
Entre os conflitos ambientais apontados, constam: ocupações irregulares na praia; águas servidas na drenagem lançada na praia; poluição sonora; lixo e metralha; ocupações avançadas no calçadão; despejo de águas pluviais erodindo a calçada e cadeiras locadas na praia e ocupação. Foram classificados como conflitos socioeconômicos: os existentes entre as atividades de pesca, o comércio e a ocupação da praia; a ocupação indevida na praia; a prostituição; drogas; comércio ilegal fixo no calçadão; trânsito desordenado; locação de cadeiras. Como conflitos patrimoniais foram identificados ocupações irregulares na praia; ocupações da faixa de praia; comércio ilegal no calçadão; avanço dos imóveis.
A minuta do Plano de Gestão ainda menciona como tendências: a permanência do quadro de ocupação desordenada; a piora da ocupação desordenada; a falência total da área (em relação ao banho); a destruição do calçadão; a intensificação da ocupação irregular. Os cenários desejados incluem: garantia de espaço para varal de rede de pesca e ancoragem dos barcos;reorganização de locação de cadeiras; praia livre para o banhista; área de lazer para o turismo e a população; manutenção constante do calçadão; área pública permanente; área de lazer da população e esporte náutico.
Como ações estruturantes, constam: recuo dos imóveis, projeto “Cantinho do Pescador”; urbanização dos acessos da Vila à praia; iluminação pública; fiscalização; projeto “Cantinho do Artesão”; cooperação e Mercado do Peixe na Vila; projeto de reurbanização com continuação de urbanização até a Via Costeira; acessos, policiamento ostensivo; projeto de recuperação do calçadão.
Matéria publicada no site oficial da Prefeitura em 02/09/2010 chegou a noticiar a apresentação do Plano de Gestão Integrada da Orla do município de Natal perante o comitê gestor do Projeto Orla. Participantes chegaram a emitir manifestação elogiando o Plano, todavia, as
manifestações dos coordenadores locais do Projeto Orla, em suas entrevistas, mencionaram que o Plano não foi sequer concluído.
02/09/2010 13:11
Comitê Gestor do Projeto Orla Natal apresenta Plano de Gestão Integrada O secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal, Olegário Passos, participou nesta quinta-feira, 2 de setembro, da reunião do Comitê Gestor do Projeto Orla Natal para apresentação das ações do Plano de Gestão Integrada da Orla, e a discussão da formação das Câmaras Técnicas responsáveis pela efetivação do plano. Na ocasião, o titular da Semurb empossou os novos conselheiros do Comitê. O evento ocorreu no auditório da secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico (Seturde).
(NATAL, 2010c, documento online não paginado).
Na entrevista realizada com a servidora do IDEMA, Ana Maria Teixeira Marcelino62, especialista em gestão ambiental costeira e que trabalha nessa área desde 1983, inclusive fornecendo subsídios aos municípios costeiros para os Planos de Intervenção da Orla marítima, no que cabe ao órgão estadual, a servidora destacou a necessidade de se realizar um trabalho bem direcionado para as orlas, que são os trechos da zona costeira que mais recebem impactos, em razão da pressão imobiliária. Destacou a importância do Projeto Orla, ressaltando a necessidade de interesse e motivação por parte dos Municípios para aderirem ao Projeto. Também confirmou que em Natal, o Plano de Gestão Integradada Orla do Município de Natal, que poderia subsidiar as intervenções em cada praia da cidade,não chegou a ser concluído.
[...]
Depois que a gente estava fazendo trabalho de zoneamento, veio muito forte que a gente tinha que fazer um trabalho muito forte com a orla marítima, porque é aonde está a maior pressão imobiliária, de interesse conflituoso, onde estão os pescadores. A orla marítima tinha que ser tratada de forma diferenciada. Então, em 1991, começou um trabalho, uma discussão, para a gente criar um instrumento voltado para a orla marítima.
[…]
Eu acho que é positivo, porque não adianta também o município ser obrigado a fazer e no final das contas não faz. Então os municípios aderem, assinam o termo de compromisso, então entram o estado e a União como suporte, fazendo parte do comitê, e contribuem para a elaboração do Plano. Eu acho muito interessante a proposta do Orla, sabe.
[...]
Mas eu posso falar aqui do nosso estado, são quatorze municípios (de um universo de trinta e três) que já aderiram. Desses quatorze, eu acompanho seis. Dos seis que eu acompanho, tem um totalmente parado por questões locais, e aí
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nós chegamos nesse ponto, que tudo que vai acontecer com o Orla é muito isso. A administração local ou não tem interesse, ou não alcança, e aí para, o comitê não funciona, entendeu? Porque aí fica lento o estado a União não vai passar por cima da prefeitura pra convocar o comitê
[…]
Agora vamos chegar em Natal. Natal aderiu ao plano (por volta dos anos de 2004/2005) […] mas o plano de Natal nunca chegou a ser concluído e aplicado efetivamente
[...]
Na verdade, a gente, o órgão estadual, ele se envolve, ele constrói junto. É mais uma instituição que está lá, discutindo com o povo, construindo junto.
Ao ser questionada sobre o que, no ponto de vista da entrevistada, poderia ser diferente, na orla de Ponta Negra, caso as intervenções relativas às intervenções urbanísticas realizadas no local tivessem sido deliberadas pelo Comitê Gestor da Orla de Natal, respondeu:
Certamente, aquela coisa que, depois que constrói, que vai atrás para ver se coloca ou não, aquilo não teria acontecido daquela forma, porque nós estávamos lá. Nós e o IDEMA. Então a gente iria estar alertando para isso, com o apoio da SPU. […] Isso é o que tem de rico nesse processo participativo, cada um participando de acordo com a sua competência, com o seu ponto de vista. Então eu acho que Ponta Negra só perdeu porque não utilizou esse instrumento. Existe um comitê formado, com um pessoal muito desanimado, fato, mas existia como a gente mobilizar essas pessoas, e eu tenho certeza com teriam dado resposta. Na entrevista realizada com Alvânia Fátima Oliveira63, representante que coordenou, no âmbito do Município de Natal o Projeto Orla, esta confirmou que o Plano de Gestão que teve sua minuta elaborada em 2010 não foi concluído.
Existe um início no plano de gestão que foi elaborado em 2010, mas não foi concluído.
[...]
Falta bastante coisa. Dentro desse período as coisas mudaram na praia e tem que ser feito um outro diagnóstico lá, para poder fazer um Plano de Gestão. Esse plano surgiu para integrar as associações, as entidades, embora atualmente o comitê está dissociado, digamos assim.
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4.3 Avaliação da Racionalidade Ambiental na Praia de Ponta Negra – à luz dos instrumentos de análises e das variáveis de medição extraídas da teoria de Leff
Enrique Leff não cria uma metodologia para avaliação da racionalidade ambiental com foco específico em um determinado espaço. Seria útil se existisse uma matriz ou se fosse possível medir a racionalidade ambiental em graus ou de acordo ou níveis, contendo uma referência para o nível máximo e medições para os demais. Qual a nota de um determinado espaço avaliado, de acordo com os princípios da racionalidade ambiental? Quantos pontos faltam para que a gestão de um determinado espaço possa ser considerada moldada por princípios da racionalidade ambiental? Quais as etapas que faltam para chegar ao ápice de uma racionalidade almejada?
Entende-se que não existe uma sistemática capaz de responder taxativamente essas questões, até porque a noção de racionalidade ambiental engloba tantas variáveis, que seria difícil traçar uma matriz com todos os dados pertinentes ao sistema de princípios, normas, meios e ações que viabilizam esse propósito. Ademais, “uma racionalidade ambiental não é a expressão de uma lógica, mas o efeito de um conjunto de práticas sociais e culturais diversas e heterogêneas” (LEFF, 2007, 125).
Com o fito de avaliar a racionalidade ambiental na Praia de Ponta Negra, buscou-se, então, estabelecer alguns parâmetros de referência que foram considerados aqui como ligados ao desenvolvimento sustentável do ambiente praiano. As transformações urbanísticas e os demais casos concretos que foram judicializados, ou submetidos a investigação por parte do Ministério Público e que foram detalhados nos tópicos anteriores serviram de instrumentos para essas análises e para aferição da relação desses fatos com a racionalidade ambiental.
Dessa maneira, a avaliação que se pretende realizar no presente tópico deve ser entendida como aquela que examina atitudes ou resultados de intervenções urbanísticas, usos ou gestão no contexto do ambiente praiano, levando em consideração princípios e medidas inerentes a umaracionalidade ambiental orientada para o desenvolvimento sustentável desse espaço. A avaliação pode apontar para a existência ou para inexistência da racionalidade ambiental.
Como variáveis de medição para avaliação da racionalidade ambiental, em seu nível substantivo, foram pincelados e adaptados alguns princípios arrolados por Enrique Leff, vistos no tópico 2.1, por serem considerados de fácil aferição no ambiente costeiro. Nesse patamar, foi estabelecido o seguinte conjunto:
1. A sustentabilidade ambiental do ambiente costeiro;
2. O grau de preservação ou de alteração da paisagem da Praia de Ponta Negra;
3. A preservação das práticas tradicionais das comunidades locais; 4. A consideração da praia como local vocacionado para olazer e turismo;
Também, utilizando-se do pensamento de Leff, que relaciona a racionalidade ambiental técnica ou instrumental ao conjunto de instrumentos técnicos, ordenações legais, processos de legitimação e organizações políticas que traduzem os objetivos da gestão ambiental em ações (LEFF, 2007), foram estabelecidas as seguintes variáveis de medição para aferição desse nível de racionalidade ambiental na Praia de Ponta Negra:
5. A suficiência e a efetividade dos instrumentos legais e dos arranjos institucionais disponíveis.
Ao todo, portanto, serão utilizadas cinco variáveis consideradas como inerentes à racionalidade ambiental para, com base nos resultados obtidos, secompreender se existe na Praia de Ponta Negra uma mínima estratégia de desenvolvimento sustentável.
4.3.1 A sustentabilidade ambiental do ambiente costeiro
A maior evidência de alteração ambiental na Praia de Ponta Negra é a erosão costeira, caracterizada, principalmente, pelo recuo da linha de costa em direção ao continente. As consequências da erosão na Praia de Ponta Negra podem ser confirmadas através da constatação da diminuição da faixa de areia da Praia de Ponta Negra ao longo dos últimos quinze anos e pela análise dos danos causados à infraestrutura urbanística construída na orla, vistos no tópico 4.1. Os resultados dos estudos periciais trazidos para análise no tópico 4.1.5 constataram que a estrutura do “calçadão”foi posicionada dentro da faixa da dinâmica da praia
Como visto no tópico 2.3 as peculiaridades físicas dos ambientes praianos precisam ser levadas em consideração para qualquer tipo de intervenção urbanística. No caso de Ponta Negra, as intervenções foram realizadas sem estudo específico acerca, entre outros,do aspecto morfodinâmico do local. Não houve avaliação do comportamento dos sedimentos na praia, dos limites do perfil ativo da praia. As intervenções também não foram embasadas em um “Plano de Intervenção”, que é realizado com base no reconhecimento das características naturais da praia. E
após as intervenções, não foi criado qualquer sistema de monitoramento para avaliação do comportamento da praia.
A reflexão que se faz, pela análise dos fatos descritos, é de que as intervenções urbanísticas realizadas na orla de Ponta Negra não consideraram o ambiente praial. A complexidade do ambiente costeiro foi desconsiderada, afetando assim a sustentabilidade ambiental da praia. Por consequência, ficaram afetadas também a sustentabilidade social, econômica e cultural do local. Lembra-se que essa desconsideração ensejou o refazimento de obras públicas dispendiosas; suspensão de atividades nas áreas atingidas, com grande prejuízo para os usuários do local (moradores, visitantes, pescadores, comerciantes etc), para o segmento do turismo, entre outros.
Inclui-se, neste tópico relativo à avaliação da racionalidade ambiental, com base na sustentabilidade ambiental, a reflexão acerca da capacidade de autodepuração do ecossistema marinho de Ponta Negra. Como visto, a praia tem apresentado problemas crônicos de balneabilidade. A poluição tem sido detectada no local. Foi constatado em 2005, visto no tópico 4.1.1, o subdimensionamento da rede coletora de esgotos sanitário instalada na orla, situação que foi corrigida, mas que está sendo novamente investigada, em razão de novos resultados relativos à falta de balneabilidade que foram constatados em alguns pontos da praia.
A ameaça de poluição da praia, em decorrência da intenção de implantação de um emissário submarino para levar esgotos sanitários para o mar de Ponta Negra foi real, como visto