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Segundo CROSS e SHRESTHA (2004) as maiores preocupações com a poluição ambiental na pavimentação asfáltica são os compostos voláteis orgânicos. De acordo com os pesquisadores, os asfaltos diluídos representam a principal fonte de emissão desses compostos, visto que os cimentos asfálticos e as emulsões asfálticas os emitem em menor quantidade. As preocupações ambientais relativas aos serviços de imprimação se agrupam basicamente na qualidade do ar e da água. A preocupação da poluição da água está associada ao derramamento direto destes nos mananciais ou o seu arraste pelas chuvas antes da sua completa cura. Por essa razão, THE ASPHALT INSTITUTE (2001) recomenda que ao haver fortes possibilidades de ocorrência de chuvas antes da execução da imprimação, estes serviços devem ser omitidos.

Segundo CROSS e SHRESTHA (2004), a CFLHD elaborou um fluxograma que serve de árvore de decisão sobre quando executar, quando manter e quando eliminar o serviço de imprimação em uma base granular. Esse fluxograma foi fundamentado, basicamente, nas preocupações ambientais, conforme pode ser visto na Figura 3.19.

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A situação vista na Figura 3.20 mostra o arraste do ligante aplicado em uma imprimação pela água da chuva, justificando a preocupação com o uso dos asfaltos diluídos de cura média, por exemplo, os quais, segundo CROSS e SHRESTHA (2004), contêm cerca de 25 a 45% de diluentes de petróleo.

Figura 3.20: Efeito da chuva sobre uma imprimação ainda não totalmente curada (CROSS e SHRESTHA, 2004).

No Brasil, a especificação DNER-ES 306/97, a qual estabelece a sistemática a ser empregada na execução e no controle da qualidade dos serviços de imprimação, menciona apenas os cuidados quanto às condições de estocagem e aplicação dos ligantes betuminosos e as seguintes recomendações: não instalação de depósitos de ligante nas proximidades de cursos d’água; não deposição de resíduos asfálticos na faixa de domínio ou em lugares causadores de prejuízo ambiental; remoção dos depósitos de ligantes após a construção da obra; e recomposição das áreas afetadas pelas atividades da construção após a conclusão da obra.

Dessa forma, entende-se que esses cuidados são devidamente necessários, porém, deveria existir uma maior preocupação com relação a poluição do ar, o que poderia ser amenizado com a busca de materiais alternativos para imprimação em substituição aos asfaltos diluídos, a exemplo do que já vem acontecendo, há anos, em outros países.

CAPÍTULO 4

CARACTERÍSTICAS GEOAMBIENTAIS DO AGROPÓLO

BAIXO JAGUARIBE

4.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O agronegócio no Brasil tem sido, nos últimos anos, um dos setores de maior desenvolvimento, sendo responsável pelo acréscimo do volume das exportações brasileiras. Um dos fatores que mais contribuíram para esse desenvolvimento foram a facilidade de deslocamento da produção, vinculada à rapidez de transmissão das informações, ideologicamente definidas como a globalização. A nova realidade do agronegócio, marcada pelo fortalecimento do caráter competitivo da economia de mercado, forçou as empresas a investirem em tecnologia, uma condição básica para garantir maiores lucros a partir da modernização da agricultura, com um conseqüente aumento da produtividade.

Neste contexto, foram implantados os agropólos, como instrumentos de desenvolvimento da economia de uma região, com o objetivo de impulsionar pequenos negócios em regiões de potenciais ainda adormecidos. Esses agropólos, segundo CAMPOS FILHO (2004), consistem de um esforço ordenado em um espaço geográfico, compreendendo uma ou mais microrregiões, no qual produtores rurais, agroindústrias, distribuidores, instituições públicas, privadas e serviços especializados vinculados ao agronegócio, desenvolvem ações de forma sinérgica e integrada. Os agropólos, segundo este autor, oferecem uma visão sistêmica e de longo prazo, objetivando assegurar eficiência econômica e o contínuo processo de melhoria da competitividade, divisão da renda, propiciando melhoria da qualidade de vida e bem-estar social das populações envolvidas.

O estado do Ceará, em particular, segundo informações obtidas junto à SEAGRI (Secretaria de Agricultura e Pecuária) foi organizado espacialmente através dos agropólos de agricultura, onde foram zoneadas as regiões com maiores potencialidades para a agricultura irrigada no estado, com foco na exploração sustentável do setor

produtivo. Cumpre salientar que a implantação desses agropólos constitui parte de uma das ações de planejamento tomada pelo governo local para reduzir os desequilíbrios demográficos e econômicos, observados nos últimos 30 anos, entre a Região Metropolitana de Fortaleza e as várias regiões do estado. Os 7 agropólos atualmente implantados no Estado do Ceará são os seguintes: Ibiapaba, Baixo Acaraú, Metropolitano, Baixo Jaguaribe, Sertão Central, Centro-Sul e Cariri, conforme se mostra no mapa da Figura 4.1.

Figura 4.1: Mapa do Ceará com destaque para os 7 agropólos existentes no estado (GIRÃO, 2000).

Esses agropólos envolvem 80, dos 184 municípios cearenses e mais de 2,9 milhões de pessoas, o equivalente a 39% da população do estado. Segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a participação dessas regiões na composição do PIB (Produto Interno Bruto) do estado do Ceará é da ordem de 29%.

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O agropólo Baixo Jaguaribe apresenta, em particular, diversas potencialidades, tais como a disponibilidade de terras situadas em áreas favoráveis à exploração da agricultura mecanizada, a existência de mão-de-obra, e a proximidade dos principais mercados consumidores do Nordeste do Brasil. Essas potencialidades têm atraído o crescente interesse de governos e de investidores privados para a área do agropólo. Cumpre ressaltar que o Estado do Ceará, segundo informações do IPLANCE (Fundação Instituto de Planejamento do Ceará) (1997), hoje IPECE (Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará), está subdividido em 33 microrregiões geográficas, as quais foram criadas com o objetivo de melhorar a distribuição dos recursos orçamentários do Estado. Essa divisão regional foi instituída através da Lei 11.845, de 05/08/91, a qual foi publicada no Diário Oficial do Estado em 7/8/1991.

Segundo CEARÁ (2003), os investimentos feitos no agropólo Baixo Jaguaribe acarretarão, num futuro imediato, o surgimento de novas oportunidades para o desenvolvimento de atividades ligadas à agricultura irrigada e aos agronegócios, além de melhorar as bacias leiteiras, a piscicultura, o lazer e o turismo na microrregião. Diante dessas perspectivas, é de fundamental importância o conhecimento das limitações e deficiências da microrregião do agropólo, como, estradas e infra-estrutura das cidades, tendo em vista o planejamento racional do seu desenvolvimento.

As informações contidas nesse capítulo, que tem como objetivo mostrar as características geoambientais do agropólo Baixo Jaguaribe, estão baseadas nas publicações da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) (1973), através do Levantamento Exploratório - Reconhecimento dos Solos do Estado do Ceará e da EMBRAPA (1999), com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos; no IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) (2005) e em dados fornecidos pelo IPLANCE (1997), Instituto Agropólos do Estado do Ceará (2000), bem como informações obtidas junto à FUNCEME (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos) (2005).

Benzer Belgeler