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O presente capítulo, ao considerar as características inerentes à Visão Baseada em Recursos e seus desdobramentos, por meio, especialmente, da Visão Relacional e, complementarmente, da Visão Baseada em Recursos Estendida, fornece o suporte teórico necessário para o entendimento das relações e particularidades interorganizacionais que permeiam o objetivo deste estudo.

Verificou-se, por meio do desenvolvimento deste capítulo que existem diferentes tipos de recursos dentro do contexto das empresas individualmente. Entretanto, nesta pesquisa foram adotadas as seguintes tipologias de recursos: tangíveis e intangíveis (PENROSE, 1959; WERNERFELT, 1984; BARNEY, 1991; GRANT, 1991 PETERAF, 1993; MILLS et al., 2002; BARNEY; HESTERLY, 2007; HOSKINSSON et al., 2009)

Na análise dos relacionamentos interorganizacionais em um APL do Estado da Paraíba, isto é, o APL de calçados da Grande João Pessoa, foi adotada a Visão Relacional com o auxílio complementar de questões tratadas na Visão Baseada em Recursos Estendida. Ambas as teorias argumentam que as relações interfirmas podem gerar benefícios e rendas relacionais para as empresas integrantes de variados tipos de relacionamento interorganizacionais, permitindo assim, maiores vantagens competitivas frente à concorrência (DYER; SINGH, 1998; LAVIE, 2006).

Ao longo do desenvolvimento deste capítulo, verificou-se a existência de diferentes categorizações de recursos interorganizacionais, tais como: ativos específicos de relacionamento, recursos de rede, recursos acessíveis, recursos complementares, recursos coletivos, recursos sistêmicos, recursos de acesso restrito, recursos compartilhados, recursos relacionais e recursos externos. Por possuírem semelhanças em suas definições, estes recursos

foram agrupados em três categorias distintas, “recursos particulares de relacionamento”, “recursos sistêmicos” e “recursos de acesso restrito”.

Por fim, a definição de rendas relacionais apresentadas neste capítulo foi de fundamental importância para o desenvolvimento da pesquisa empírica. Por renda relacional entende-se “um lucro acima do normal gerado conjuntamente em uma relação de troca, lucro este que não pode ser gerado por qualquer empresa isoladamente e que só se dá através das contribuições idiossincráticas conjuntas dos parceiros de alianças específicas” (DYER; SINGH, 1998, p. 662).

Para finalizar, no Quadro 12 pode ser visualizado, de forma resumida, as categorias de pesquisa mais importantes para o desenvolvimento do estudo empírico (levantadas ao longo do desenvolvimento deste capítulo), assim como as suas respectivas definições. Vale lembrar que o conceito de recursos utilizado neste trabalho diz respeito à tudo aquilo que uma empresa possui ou tem acesso e que permite à ela implementar estratégias e/ou beneficiar-se, de alguma forma, frente à concorrência.

Quadro 12 - Categorias de análise adotadas

CATEGORIAS DEFINIÇÕES

Relacionamentos interorganizacionais

Ligações capazes de ocorrer de maneira formal ou informal, pré-determinada ou não, entre diferentes empresas, onde deve haver confiança entre os envolvidos e uma tendência à interação e articulação entre essas empresas por meio da formação de relações entre si e parcerias. E, por haver a possibilidade (ainda que variando conforme cada empresa e/ou grupo) da existência de: troca, transferência ou compartilhamento de variados tipos de recursos (tangíveis e/ou intangíveis) e/ou capacidades/competências, interdependência, aprendizagem conjunta, maior integração e cooperação entre empresas, maior acesso a informações privilegiadas, partilha de riscos e/ou redução dos custos diante das incertezas do mercado, maiores possibilidades de inovação, uma colaboração capaz de tornar possível a existência de ganhos e diferentes tipos de benefícios, estes tais relacionamentos interorganizacionais podem, consequentemente, gerar vantagens competitivas para as empresas que deles fazem parte. Para o caso específico de APL’s, há que se considerar ainda a possibilidade de indução do desenvolvimento regional, a presença do apoio governamental e articulação e interação com instituições públicas e/ou privadas para apoio, financiamento, treinamento, etc.

Recursos interorganizacionais

- Recursos particulares de relacionamento: são todos aqueles que estão, de alguma forma, relacionados às interações formais ou informais entre diferentes empresas de um arranjo ou relacionamento interorganizacional.

- Recursos sistêmicos: são aqueles que não pertencem às firmas individuais e impactam indistintamente o desempenho de todas (do arranjo), podendo ser acessados por ela.

- Recursos de acesso restrito: são aqueles que não pertencem a nenhuma firma individual, no entanto, podem ser acessados de maneira privilegiada somente por um subconjunto de firmas. Além disso, podem, a depender do tipo, possuir ambiguidade causal para os não-membros da rede, o que os torna de difícil imitação.

Rendas relacionais

Um lucro acima do normal gerado conjuntamente em uma relação de troca por meio das contribuições idiossincráticas conjuntas dos parceiros de alianças específicas (DYER; SINGH, 1998). Para ter potencial para obter rendas relacionais as empresas precisam desenvolver:

- Investimentos em ativos específicos de relacionamento: investimentos feitos em recursos especializados que são desenvolvidos ou possuídos em conjunto com outro(s) parceiro(s) do arranjo ou de uma aliança. São consideradas, para isso, a existência de salvaguardas e o volume de transação interfirmas.

- Rotinas de compartilhamento de conhecimento: interações entre empresas que permitem transferir, recombinar ou criar conhecimento especializado. Maiores investimentos em compartilhamento de conhecimento podem indicar um maior potencial para gerar rendas relacionais. Leva-se em consideração a capacidade absortiva do parceiro e incentivos para encorajar a transparência na relação e evitar comportamentos de aproveitadores.

- Dotações de recursos complementares: referem-se aos “recursos distintos dos parceiros da aliança que coletivamente geram mais rendas do que a soma das dotações individuais de cada parceiro”. Isto é, dizem respeito aos recursos específicos da aliança, que não podem ser adquiridos num mercado secundário. Esses recursos devem ser indivisíveis, criando um incentivo para que as empresas formem alianças com o intuito de acessar esses recursos complementares. Leva-se em conta a habilidade para identificar recursos potencialmente complementares e o acesso aos benefícios de recursos estratégicos complementares;

- Mecanismos efetivos de proteção: controles existentes entre empresas do arranjo ou da aliança para garantir a execução da transação. Podem referir-se a contratos de terceiros ou a acordos formais e informais. Incentivam iniciativas de criação de valor como o investimento em ativos específicos, compartilhamento de conhecimento ou complementaridade de recursos.

Fonte: Elaborado pela autora.

O capítulo 3, em seguida, apresenta os procedimentos metodológicos que guiaram o desenvolvimento deste trabalho, podendo-se verificar o uso de conceitos aqui referenciados para a construção dos instrumentos utilizados na pesquisa empírica, bem como para a análise de seus resultados do presente trabalho.

Benzer Belgeler