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Com base na geologia de superfície (Fig. 2) e nos mapas gravimétrico de comprimento de onda intermediário (Fig. 10c) e magnético reduzido ao polo (Fig. 16b), foram determinados oito domínios tectono-geofísicos para o arcabouço estrutural da bacia Potiguar emersa (Fig. 16d), na tentativa de correlacionar os dados geofísicos e geológicos, e propor uma continuação destes domínios para embaixo da bacia.

Souza, S.F Capítulo 3. Dados Geofísicos

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O Domínio Ceará Central (CC, Fig. 16d) é caracterizado por uma assinatura gravimétrica (Fig. 10c) marcada pela alternância de mínimos (-13 a 0,2 mGal) e máximos gravimétricos (11 a 15 mGal), refletindo as variações de densidade das sequências metassedimentares do Domínio Ceará Central. A zona de cisalhamento SP é seu limite leste, e fica bem evidenciada como uma forte anomalia gravimétrica de direção NE-SW (Fig. 10c). Em sua assinatura magnética predominam anomalias negativas que variam de -149 a -38 nT (Fig. 16b), relacionadas às baixas susceptibilidades magnéticas das sequências metassedimentares meso/neoproterozoicas do Domínio Ceará Central, descritas na literatura (Bizzi et al. 2003), e dos sedimentos cenozoicos que recobrem essa região. Seu limite leste é marcado por lineamentos magnéticos de direção NE-SW, correspondente à Zona de Cisalhamento Senador Pompeu (SP, Fig. 16b).

O Domínio Orós-Jaguaribe (OJ, Fig. 16d) é limitado, a oeste, pela zona de cisalhamento SP e, a leste, pela Zona de Cisalhamento JA (Fig. 16d). A assinatura gravimétrica deste domínio é marcada por mínimos e máximos gravimétricos que variam de -13,3 a 11,5 mGal (Fig.10c), com direção preferencial NE-SW, e podem estar associados as variações de densidade da litologia predominante neste domínio, as quais estão relacionadas a litotipos da Faixa Jaguaribe, composta por gnaisse- migmatitico, ortognaisses, rochas metassesdimentares (xisto, quartzito) (Bizzi et al. 2003). Sua assinatura magnética apresenta alternância de mínimos e máximos magnéticos que variam de -149 a 15 nT (Fig. 16b).

O Domínio Jaguaretama (JG, Fig. 16d) é limitado a oeste, pela Zona de Cisalhamento Portalegre (PA, Fig. 16d). É caracterizado por uma assinatura gravimétrica semelhante ao Domínio Rio Piranhas, descrito abaixo, sugerindo unidades geológicas correlatas. A assinatura gravimétrica deste domínio (Fig. 10c) é caracterizada por mínimos e máximos gravimétricos (-13 a 11 mGal). No limite da linha de costa, ocorre uma anomalia gravimétrica positiva de forma circular. É caracterizado pela predominância de mínimos magnéticos (-149 a 80 nT), os quais se propagam em direção ao Rifte Potiguar, e por conjuntos de máximos magnéticos que atingem até 15 nT. Nesta região, destaca-se uma anomalia magnética positiva circular no limite da linha de costa (Fig. 16b), cuja associação mineral e litológica não é cartografada em superfície, porém, é coincidente com a anomalia semicircular, mapeada nos mapas gravimétricos (Fig. 10c). Em geral, as anomalias gravimétricas e magnéticas deste domínio apresentam um trend preferencial NE-SW, e sua geologia

Souza, S.F Página 40 corresponde a rochas gnáissicas-migmatiticas do Complexo Jaguaretama (descrito por Bizzi et al. 2003).

O Domínio Rifte Potiguar (PR, Fig. 16d) apresenta uma assinatura gravimétrica (Fig. 10c) marcada pela alternância de mínimos e máximos gravimétricos, alongados na direção NE-SW. Esses máximos (11 mGal) ocorrem associados aos horsts do rifte (QX, SC e MC, Fig. 10c e d) que limitam os grábens (AP, UB e BV, Fig. 10d), associados aos mínimos gravimétricos (-13 mGal). As bordas falhadas do rifte (ML - Mulungu, AP - Apodi e CR - Carnaubais, Fig. 10c e d) são bem acentuadas no mapeamento gravimétrico por anomalias positivas alongadas nas direções NE-SW (ML e CR) e NW-SE (AP). Suas anomalias magnéticas apresentam direção NE-SW, e são predominantemente negativas (-149 a -84 nT), suavizadas devido ao espesso pacote sedimentar que ocorre nesta região (Fig. 16b), que atinge cerca de 6 km de espessura (Matos 1992). É limitado a leste, por uma acentuada anomalia positiva magnética de direção NE-SW, que marca sua borda falhada do Rifte Potiguar, representada pelo Sistema de Falha de Carnaubais (CR, Fig. 16b). Uma expressiva anomalia positiva (15 nT) ocorre de maneira restrita no limite com a linha de costa (Fig. 16b).

O Domínio Umarizal (UM, Fig. 16d) é estreito em sua porção sul e quando adentra a bacia ele se alarga. É limitado pela Zona de Cisalhamento PA e pelo Sistema de Falhas de Carnaubais (CR, Fig. 16d), a oeste, e pelo denominado Lineamento Potiguar, a leste (PT, fig. 16d). As anomalias geofísicas apresentam direção preferencial NE-SW. Sua assinatura gravimétrica é caracterizada por mínimos e máximos gravimétricos, que variam de -4 a 11 mGal (Fig. 10c). Apresenta baixos magnéticos que variam de -149 a -64 nT (Fig. 16b). As unidades geológicas desta área correspondem aos corpos granitoides da Suíte Intrusiva Umarizal (descrito por Bizzi et

al. 2003), na sua porção sul, e, a norte, é recoberto pelo pacote sedimentar da bacia.

O Domínio Rio Piranhas é dividido em duas subunidades pelo Domínio Seridó (Fig. 16d). Na porção oeste (RP1, Fig. 16d), este domínio limita-se, a oeste, com o LP e, a leste, com a Zona de Cisalhamento Açu (AC, Fig. 16d). É caracterizado pela predominância de mínimos gravimétricos (-13 a 0,2 mGal) com direção NE-SW (Fig. 10c). Apresenta mínimos magnéticos (-102 a -80 nT), em sua porção sul, e, a norte, prevalece anomalias positivas com trends E-W (15 nT), relacionados ao enxame de diques Rio Ceará-Mirim (Fig. 16b). O Domínio RP em sua porção mais a oeste (RP2, Fig. 16d) é limitado a oeste pela Zona de Cisalhamento Florânia-Angicos (FA, Fig.

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16d) e é caracterizado por uma expressiva anomalia magnética positiva (15 nT), com

trends de direção E-W, também associados ao magmatismo Rio Ceará-Mirim. No

extremo norte deste domínio, ocorre uma anomalia negativa (-149 nT) semicircular de direção NE-SW. No seu extremo sul também ocorrem anomalias de caráter negativo (Fig. 16b). Seu contexto geológico diz respeito a rochas ortognaissicas e metavulcanossedimentares, pertencentes ao Complexo Caicó (descritas por Bizzi et al. 2003).

Assim como o Domínio Rio Piranhas, o Domínio Seridó1 pode ser divido em duas partes (Fig. 16d). Sua porção oeste é limitada a oeste e leste pelas zonas de cisalhamento AC e FA, respectivamente (RP1, Fig. 16). A assinatura gravimétrica do Domínio Seridó 1 e 2 é marcada pela predominância de mínimos gravimétricos de direção NE-SW. Uma anomalia circular ocorre ao sul do SE1 e anomalias positivas, alongadas na direção NE-SW, marcam o limite leste do SE2 (Fig. 10c). Apresenta anomalias com máximos magnéticos (15 nT), com trends estruturais de direção E-W, associados aos diques Rio Ceará-Mirim (Fig. 16b). A SW deste domínio, ocorrem mínimos magnéticos (-130 a -80 nT) pouco expressivos (Fig. 16b). O Domínio Seridó Leste (RP2, Fig. 16d) é limitado a leste pela Zona de Cisalhamento Picuí João-Câmara (PJC, Fig 14d). Também há uma predominância de máximos magnéticos (15 nT), com direções NE-SW e E-W, e, a sul deste domínio, ocorrem mínimos magnéticos com direção E-W (Fig. 16b). As unidades geológicas aflorantes dizem respeito às rochas ortognaissicas e metassedimentares do Grupo Seridó (descritas por Bizzi et al. 2003).

O Domínio São José do Campestre (SJC, Fig. 16d) é marcado por uma assinatura gravimétrica com uma predominância de mínimos gravimétricos, no entanto, uma expressiva anomalia positiva alongada na direção N-S, com inflexão para NE-SW, marca seu limite oeste (PCJC, Fig. 10c). A geologia local é constituída por ortognaisses paleoproterozóicos, migmatitos, granitóides de composição sienogranítica, gnaisses e granodioritos, pertencentes ao Terreno São José do Campestre (descritos por Bizzi et al. 2003). Sua assinatura magnética é marcada por mínimos e máximos magnéticos (-149 a 15 nT), alongados na direção E-W. As anomalias positivas ocorrem principalmente na porção norte deste domínio e as anomalias negativas na porção sul (Fig. 16b). Seu limite oeste é marcado pela Zona de Cisalhamento PJC (Fig. 16d).

.F Capí tulo 3 . Dados G eof ísi cos , S .F P á gi n a

42 Figura 16 – Mapa (CMA) Campo magnético total [traços pretos indicam limites do Rifte Potiguar] (a); Mapa magnético reduzido ao polo