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“YÖDEK” PERFORMANS GÖSTERGELERİ-2006

Constitui lugar-comum afirmar que, nos processos subjetivos, a coisa julgada projeta-se apenas sobre as partes, razão pela qual o juiz, malgrado seja um dos sujeitos da relação processual, não seria alcançado pela eficácia da coisa julgada.

Todavia, mesmo não sendo parte na ação, nenhum juiz (nem mesmo o que prolatou a sentença transitada em julgado) pode desconsiderar ou negar efeitos à sentença já transitada em julgado261.

Nenhum juiz poderia, e.g., numa outra ação, rejulgar questão já julgada como questão principal em outro processo, ainda que na nova ação esta questão constituísse mera questão prejudicial, por força da “eficácia vinculativa prejudicial” da coisa julgada material formada no processo anterior. Destarte, nem mesmo para os específicos fins de julgamento da nova ação é permitido ao juiz alterar, rediscutir ou redecidir (ainda que para decidir da mesma forma) o que já foi decidido com eficácia de coisa julgada material na ação anterior.

Mas e se a sentença ainda não houver transitado em julgado? Neste caso, seria possível que o juiz decidisse a questão prejudicial de forma diversa da maneira como decidida a questão principal na sentença da outra ação, obedecido o disposto no art. 265, IV, do CPC, não estando o juiz obrigado a aguardar indefinidamente o trânsito em julgado da sentença do outro processo para decidir a questão prejudicial (externa) (CPC, art. 265, § 5o), nem a decidi-la na conformidade da sentença proferida no outro processo.

Isso evidencia que não é a “eficácia natural da sentença” que impede o juiz de negar efeito, rediscutir, rejulgar ou alterar o que foi decidido no primeiro processo, mas sim a autoridade da coisa julgada material.

Ora, se é a autoridade da coisa julgada material que impede o juiz de rediscutir, redecidir, alterar ou recusar efeito à sentença prolatada no processo anterior, força é concluir que, de certa forma, a coisa julgada também alcança o juiz (não apenas o prolator da sentença, mas todo e qualquer membro do Poder Judiciário).

Da mesma forma, os terceiros juridicamente não-interessados, ainda que possuam interesse meramente econômico, igualmente não podem rediscutir, modificar, ou negar efeito à sentença transitada em julgado em processo do qual não

participaram, em virtude da autoridade da coisa julgada, que, nesse sentido, também os atinge, apesar de serem terceiros, e não partes.

Diferentemente, os terceiros juridicamente interessados podem rediscutir, modificar, ou negar efeito à sentença transitada em julgado em processo do qual não lhes foi permitido participar.

Assim, a asserção de que a sentença só “faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros”262 deve ser entendida nos seus devidos termos, ou seja, a significar que terceiros juridicamente interessados podem alterar, rediscutir e negar efeito a sentença transitada em julgado em processo em que lhes não foi facultado intervir como partes, e não a significar que a imutabilidade e a indiscutibilidade que caracterizam a coisa julgada só atinge as partes que integraram a relação processual (i.e., só as partes não poderiam modificar e rediscutir a sentença transitada em julgado).

De feito, tanto as partes263, como todos os terceiros juridicamente não-interessados (aqui incluídos os juízes) não podem alterar, rediscutir ou negar aplicação à sentença transitada em julgado, pois tanto aquelas como estes são atingidos pela autoridade da coisa julgada material, e não apenas pela “eficácia natural da sentença”.

Ora bem, se até nos processos subjetivos o juiz não pode rediscutir, nem redecidir, nem alterar o que já foi decidido com autoridade de coisa julgada material, a fortiori não poderá fazê-lo nos processos objetivos, em que a coisa julgada é erga omnes.

262 Observe-se que o art. 472 do CPC não trata dos limites subjetivos da lide ou da sentença, mas sim

dos limites subjetivos da coisa julgada, ou seja, não cuida de determinar as pessoas contra quem ou a favor de quem a sentença produzirá efeitos (se apenas aos autores ou se a terceiros também, etc.), mas, pura e simplesmente, de determinar as pessoas que poderão, ou não, alterá-la ou rediscuti-la após o seu

trânsito em julgado (a saber, os terceiros juridicamente interessados). (“Art. 472. A sentença faz coisa

julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado das pessoas, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros.” Cp. com o art. 467 do CPC.)

263 Contudo, há situações interessantes. Se, v.g., numa ação entre A e B, um terceiro não integrante da

relação processual (C) é beneficiado no dispositivo de sentença, que condena B a pagar algo a A e a C também, sentença esta que, não obstante, vem a transitar em julgado, não há produção de coisa julgada material em relação a C, isto é, C não pode alegar a imutabilidade e a indiscutibilidade da parte do dispositivo sentencial que condenou B a pagar a quantia a C, porquanto, não tendo integrado a relação processual como parte, C não pode ser beneficiado com a autoridade da coisa julgada material, que não pode ser oposta por ele a B. Dessarte, B pode rediscutir essa questão em outra ação, nos termos do art. 472 do CPC, malgrado o trânsito em julgado da sentença. Portanto, neste caso, admite-se que uma das

partes rediscuta, em outra ação, o que foi decidido, exatamente porque não há coisa julgada material

Dizer que a parte dispositiva do acórdão definitivo de mérito do STF em ADIn e ADC produz coisa julgada material erga omnes equivale a dizer que esta parte dispositiva é imutável e indiscutível em qualquer processo por quem quer que seja, isto é, nem mesmo os juridicamente interessados poderiam rediscutir, negar efeito ou pleitear judicialmente a modificação do que foi decidido.

Portanto, nos processos objetivos, em virtude da extensão erga omnes da autoridade da coisa julgada, há uma completa universalização264 da imutabilidade e indiscutibilidade da sentença.

Se o juiz já era vinculado a essa imutabilidade e indiscutibilidade nos processos subjetivos, essa vinculação se torna ainda mais nítida e irrecusável nos processos objetivos.

Destarte, o próprio STF encontra-se vinculado às suas decisões precedentes nos processos objetivos que tenham produzido coisa julgada erga omnes. Essa vinculação opera tanto no julgamento de processos subjetivos (controle concreto), quanto no julgamento de processos objetivos futuros (controle abstrato).

Assim, ao julgar, e.g., um RE que envolva a aplicação de uma lei acoimada de inconstitucional, o STF estará vinculado ao que haja decidido numa ADIn ou numa ADC a respeito desta mesma lei, não podendo perfilhar outro entendimento em virtude da autoridade da coisa julgada material erga omnes265. Talqualmente, não poderá sequer conhecer de uma ADC sobre norma já declarada inconstitucional em uma ADIn anterior, ainda que propostas por legitimados ativos diversos, haja vista a ocorrência de coisa julgada erga omnes, que acarreta a extinção da ação sem julgamento de mérito266.

264 De tal sorte que se poderia afirmar que a coisa julgada erga omnes não conhece limites subjetivos.

Outros poderiam asseverar, no entanto, que os limites subjetivos da coisa julgada erga omnes seriam todos os sujeitos juridicamente interessados na decisão (os potenciais destinatários da norma), à consideração de que somente eles seriam os “substituídos” na ADIn ou na ADC pelos legitimados, e não a sociedade como um todo.

265 O STF tem seguido fielmente essa regra. Cfr., entre outros, os seguintes precedentes: RE 360.433,

DJU: 28.03.2003, p. 77; RE 272.820, DJU: 15.12.2000, p. 106; AI 163.740-AgR-DF, DJU: 04.08.1995, p. 22508.

266 É óbvio, entretanto, que essa regra, em situações excepcionais, pode ceder passo ante uma profunda

mutação do estado de fato e de direito, pois, como visto, inere a todas as sentenças a cláusula rebus sic stantibus (cf., retro, item 4.1.5.). Assim, desde o julgamento da ADC no 1, o STF atentou para o fato de

que a coisa julgada erga omnes sobre a declaração de constitucionalidade da norma numa ADC não poderia servir de obstáculo à sua ulterior declaração de inconstitucionalidade, caso a norma sofresse processo de inconstitucionalização supervenientemente ao julgamento da ADC.

No referente às decisões do STF em ADIn e ADC que não produzem coisa julgada erga omnes, mas que produzem eficácia erga omnes, como as concessivas de cautelar, também elas vinculam o STF enquanto vigorarem.

Assim, os Ministros do STF, ao decidirem monocraticamente processos subjetivos, devem obediência à decisão plenária do STF que deferiu a cautelar em ADIn ou ADC, pois a eficácia erga omnes também os alcança. Até o próprio Plenário do STF (e as 2 turmas) deve obediência à decisão concessiva da cautelar em ADIn ou ADC, enquanto esta não for revogada pelo próprio Plenário do STF, de acordo com o procedimento e o quorum previstos legal e regimentalmente para revogação de cautelares em ADIn em ADC267.

Em verdade, até mesmo nos processos subjetivos o STF tem adotado esse proceder, ficando os Ministros (quando decidem monocraticamente), as turmas e o próprio plenário imediatamente vinculados à diretriz fixada em processo subjetivo previamente julgado pelo plenário268 (seja declarando a constitucionalidade, seja proclamando a inconstitucionalidade da norma), nos termos dos arts. 101 e 103 do RISTF269, ainda que o acórdão-líder não tenha transitado em julgado270, não havendo, a

267 Em sentido contrário ao do texto: BERNARDES, Juliano Taveira. Controle abstrato de constitucionalidade..., p. 471.

268 “Declaração, pelo Plenário do STF, no julgamento do RE 251.238-RS (red. para acórdão Nelson

Jobim, 7.11.2001, Inf. 249), de inconstitucionalidade do art. 7º e parágrafos da L. 7.428/94, com a redação dada pela L. 7.539/94, do Município de Porto Alegre, que previam o reajuste automático bimestral dos vencimentos dos servidores municipais pela variação do índice de entidade particular (ICV- DIEESE). Aplicação do art. 101 do RISTF, a teor do qual - salvo proposta de revisão por qualquer

dos Ministros - a declaração plenária de constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei será de logo aplicada aos novos feitos submetidos à Turma ou ao Plenário: recurso extraordinário do

Município conhecido e provido.” (RE 323.526. Rel.: Min. SEPÚLVEDA PERTENCE. DJU: 31.05.2002, p. 47.)

269 “Art. 101. A declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo,

pronunciada por maioria qualificada, aplica-se aos novos feitos submetidos às Turmas ou ao Plenário, salvo o disposto no art. 103.”

“Art. 103. Qualquer dos Ministros pode propor a revisão da jurisprudência assentada em matéria constitucional e da compendiada na Súmula, procedendo-se ao sobrestamento do feito, se necessário”.

270 “A existência de precedente firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal autoriza o julgamento

imediato de causas que versem o mesmo tema (RISTF, art. 101). A declaração de constitucionalidade ou

de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, emanada do Plenário do Supremo Tribunal Federal, em decisão proferida por maioria qualificada, aplica-se aos novos processos submetidos à apreciação das

Turmas ou à deliberação dos Juízes que integram a Corte, viabilizando, em conseqüência, o julgamento IMEDIATO de causas que versem o mesmo tema, ainda que o acórdão plenário — que firmou o precedente no leading case — não tenha sido publicado, ou, caso já publicado, ainda não haja transitado em julgado. Precedentes. É que a decisão plenária do Supremo Tribunal Federal,

proferida nas condições estabelecidas pelo art. 101 do RISTF, vincula os julgamentos futuros a serem efetuados, colegialmente, pelas Turmas ou, monocraticamente, pelos Juízes desta Corte, ressalvada a possibilidade de qualquer dos Ministros do Tribunal — com apoio no que dispõe o art. 103 do RISTF — propor, ao Pleno, a revisão da jurisprudência assentada em matéria constitucional.” (RE 216.259-AgR, Rel.: Min. CELSO DE MELLO. DJU: 19.05.2000.)

fortiori, motivo para tratamento diverso quanto às decisões proferidas nos processos objetivos, vocacionadas, por definição, a vincular as decisões futuras271.

Benzer Belgeler