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XX Yüzyıllarda Kazak Yazılı Kültüründe İslam

Belgede bilig 21. sayı pdf (sayfa 52-66)

Kazak Kültüründe İslam

XIX- XX Yüzyıllarda Kazak Yazılı Kültüründe İslam

Estruturalmente, no cenário editorial, podemos dizer que a revista nasce no Brasil a partir da imperiosidade de uma demanda: a necessidade de um lugar para os literatos que, paulatinamente, perdiam o seu espaço nos jornais, a cada dia mais dedicados à produção noticiosa. Em termos temporais, o seu surgimento é bastante próximo a do próprio jornal, sendo que convencionou-se a adoção do ano de 1812 como o marco desse nascimento, a partir da publicação de As Variedades ou Ensaios de

Literatura. Dizemos “convencionou-se” porque a distinção entre um jornal e uma

revista da época não é muito fácil. Ana Luiza Martins (2001, p. 43) lembra que a sua definição “esbarra nas fronteiras quase conjugadas às do jornal, periódico que lhe deu origem e do qual, no passado, se aproximava tanto na forma – folhas soltas e in folio – como, por vezes, na disposição do conteúdo, isto é, seções semelhantes”.

Nesse sentido, muitos autores fazem remissão ao fato de que mesmo O Correio

Braziliense, considerado o primeiro jornal brasileiro, não poderia ser propriamente

chamado de jornal, uma vez que ele apresentava uma série de características que poderiam aproximá-lo da revista como o excessivo número de páginas e a sua periodicidade mensal. De acordo com Carlos Costa (2007, p.55), “seu primeiro número, aparecido em junho de 1808, teve 80 páginas, o número 2, de julho, chegou a 72 páginas (indo, na numeração crescente comum do período, da página 81 a 152) e o 3, de agosto, subiu para 102 páginas (ia da página 153 a 254)”. Isso é especialmente contrastante se levarmos em consideração que, “como se sabe, os jornais da época tinham uma média de 4 páginas, com periodicidade de duas vezes por semana, como foi o caso de Gazeta do Rio de Janeiro”.

A denominação de um empreendimento editorial como revista significava, muitas vezes, uma tentativa de valorização do produto, uma vez que existia uma ideia corrente na época que colocava a revista como uma produção de melhor qualidade, como um empreendimento mais conceituado. Além disso, muitas revistas surgiam

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inicialmente como pequenos jornais – que permitia a publicação com custos bem menores – para, em seguida, autointitularem-se revistas.

Ainda assim, os contornos do que era uma revista em seus primórdios já estão aludidos no seu próprio termo. Segundo Martins (2001, p. 45), “nos dicionários de língua portuguesa, a gênese da palavra revista é situada no final do século XIX quando, desgarrada do signficado usual de ‘passar a tropa em revista’, assume o status de publicação”. A ideia de passar um determinado espectro temporal em revista, portanto, confirma o seu caráter fragmentado, não-contínuo e seletivo3.

Muito embora o fato de que as publicações serviram a objetivos diferentes, marcados pelas condições históricas de produção técnica e pelas circunstâncias de recepção do público, pode-se dizer que tematicamente, durante muito tempo, a divisão de trabalho entre os jornais e as revistas se articulava a partir de um acordo tácito onde os jornais se preocupariam, prioritariamente, com o relato político e do cotidiano e as revistas, por sua vez, com a contribuição literária e o relato cultural.

Essa característica fica patente na própria leitura dos editoriais dessas revistas, onde, não raro, elas buscavam afirmar as suas singularidades. Em um texto publicado em 1836, por exemplo, a revista Niterói, se referia aos objetivos da publicação nos seguintes termos (apud MARTINS, 2001, p. 49): “há muito reconheciam eles a necessidade de uma obra periódica que, desviando a atenção pública, sempre ávida de novidade, das diárias e habituais discussões sobre coisas de pouca utilidade, e o que é mais, de questões sobre a vida privada dos cidadãos, os acostumasse a refletir sobre os objetos do bem comum e de glória da pátria”.

Uma outra especialização temática da revista está posta nas revistas de variedades, onde imperava um uso muito marcado de ilustrações (e, posteriormente, de fotos) e as notícias ligeiras de teor sociocultural, principalmente notas sociais que mostravam os membros da alta burguesia, prática frequente nas publicações da época.

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Em 1879, Nicolau Midosi publica um texto na Revista Brasileira que mostra de forma bastante clara o entendimento em torno desse tipo de publicação em meados do século XIX. Segundo ele (apud MARTINS, 2001), “A Revista, transição racional do jornal para o livro, ou antes, laço que prende esses dois gêneros de publicação, afigura-se-nos por isso a forma natural de dar ao nosso povo conhecimentos que lhe são necessários (...). Na Revista dão-se a ler, sem risco de cansaço, artigos sobre todos os conhecidos assuntos por onde anda o pensamento, a imaginação, a análise, o ensino do homem. Não se trata ali de uma só matéria, como de ordinário no livro singular, ou de muitas matérias em rápido percurso como no jornal, mas de todas com a conveniente demora, em forma de extensão, proporcionada aos espíritos (...), qualquer que seja o grau de instrução de cada um, a intensidade de sua convicção, as tendências de seu gosto, a ordem de seu interesse”.

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O fim do século XIX parece marcar uma ligeira mudança de mentalidade que afetou toda a ecologia de periódicos. Martins (2001, p. 118) chama a atenção para a grande quantidade de publicações que trazem em seu bojo a marca de uma maior consciência temporal e da velocidade em seus próprios títulos. Surgem, nessa época, só em São Paulo, “A Semana (1899); O Mês (1901); A Época (1902); A Semana (1902)4; A

Vida de Hoje (1903); O Dia (1910); A Noite (1912); Vida Intensa (1914)”, além de O Momento, de 1914, que se apresentava como um “repositório semanal de tudo quanto se

agita na vida frenética do nosso País levado a saque; enfim, o Momento é o momento, em carne e osso”.

A ênfase na velocidade traz em seu bojo, também, uma mudança nas seções e nos gêneros trazidos pela revista5. Muito embora, desde o seu nascimento, as revistas de variedades já trouxessem uma gama bastante variada de assuntos – que se refletia no próprio nome de suas seções, tais como humor, literatura, esporte etc. – a reportagem demorou um pouco para florescer nesses periódicos. Além das notas ligeiras, durante muito tempo, foi a crônica que ocupou o espaço destinado à atualidade. Entre o final do século XIX e o início do século XX é possível observar, de maneira bastante clara, a queda do prestígio do folhetim (que perdia espaço para a própria crônica) e a transformação (irregular e posta em dependência de cada veículo) da crônica para a reportagem. É também nessa época que a entrevista passa a ser mais utilizada, já que ela era um gênero raro até, pelo menos, 1900.

A crônica, nesse período, pode ser entendida mesmo como uma hibridização, pois fazia remissão ao nascimento de uma consciência jornalística que, no entanto, ainda possuía um pé em uma vocação literária. A notícia ainda se identificava com um relato corriqueiro acerca dos assuntos, enquanto a crônica, tida como um gênero mais sofisticado, mostrava um sujeito explicitamente preocupado com o acabamento estilístico do texto e era produzida por indivíduos mais preocupados com a literatura do que com o desenrolar do cotidiano. Como enfatiza Martins (2001, p. 156), “através da crônica, o aspirante a literato qualificava-se, diferenciando-se do então pouco valorizado jornalista, associado à produção maciça, apressada e pouco qualificada dos jornais”.

4 Os veículos nomeados como A Semana, surgidos em 1899 e em 1902, possuíam apenas o mesmo nome, mas não tinham quaisquer relações entre si.

5 “Enquanto os gêneros marcavam a modalidade de conteúdo e forma do texto, isto é, crônicas, artigos, contos, poesias, folhetins etc., as seções sistematizavam seu conteúdo, rubricando sua proposta (...). Por vezes, as seções eram nomeadas a partir do próprio gênero adotado. Por exemplo, a seção intitulada

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A valorização da reportagem viria para mudar esse jogo de cotações, inserindo- se como uma produção textual mais sofisticada e balizada. Embora muito ligada a temas de cunho sensacionalista, a reportagem começa a ganhar espaço nos jornais e, aos poucos, suplanta o lugar da crônica na própria revista.

Em 1914, a revista O Momento chamava a atenção para esse papel especial que a reportagem vinha ganhando nos últimos anos, especialmente no espaço da revista (apud MARTINS, 2001, p. 157):

A alma do jornalismo hodierno é a reportagem; os jornais, à parte as ideias que representam, valem segundo o número de informações que prestam ao público, arrancando ao papelório das secretarias e dos escaninhos da sociedade as negociatas rendosas, as sinecuras magníficas e todos esses escândalos que fazem a glírua canalha desta época. O Momento será a última palavra em reportagem; ainda mais em reportagem documentada por fotografias.

Um dos fatores fundamentais que consolidam a revista como o lugar por excelência da reportagem – além dos escândalos, crimes e demais sortes de matérias sensacionalistas – é a sua vocação fundamentalmente imagética. Uma vez que os jornais não possuíam as condições técnicas e temporais para a impressão de uma grande quantidade de fotos com qualidade, a revista ocupou esse espaço na ecologia informacional, dedicando-se, principalmente, à cobertura de solenidades oficiais e atos do governo. As fotorreportagens, nesse período, se articularam mesmo como o lugar das estórias contadas a partir de imagens por excelência, em um espaço em que o texto era curto e secundário e, muitas vezes, nem mesmo era posto6.

Este percurso histórico mostra o longo caminho e os desvios de concepção que a revista sofreu antes que ela se consolidasse como o lugar da grande reportagem e do aprofundamento temático dos assuntos da semana na ecologia das mídias, tal como a reconhecemos hoje. O advento do jornalismo informativo no formato reportagem em revista, portanto, é um processo que tem início no final do século XIX em alguns veículos e que irá se consolidar, no Brasil, somente no século XX.

6 No que se refere aos gêneros jornalísticos adotados pelas primeiras revistas, Martins também chama a atenção para a presença do suelto, um recurso de informação destinado a dar notas curtas e gerais sobre assuntos variados. Em 1914, O Momento publica uma justificativa de seu uso (apud MARTINS, 2001, p. 158): “O Momento publicará entrevistas... Mas os aspectos da complicada vida atual são tão diversos que para comentá-los só adotando essa fórmula de expressão desconhecida do jornalismo passado, o suelto. O

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Posto que os objetivos da presente pesquisa estão relacionados à delimitação dos códigos padrões de narração articulados nas reportagens de revista ao longo do tempo, bem como a demarcação de suas mudanças históricas, esse trajeto possibilita firmarmos, de uma maneira geral, o recorte temporal do corpus que será utilizado. Uma vez que é apenas no século XX que a reportagem se consolida na revista, investigaremos, especificamente, alguns títulos surgidos nesse século.

Já em 20 de Maio de 1900, temos o surgimento de A Revista da Semana e é exatamente por ela que começaremos a nossa análise. Situada ainda no entremeio das publicações literárias que começam a adotar mais massivamente os materiais de cunho jornalístico, essa publicação se destacou, primeiramente, por sua duração – ela foi publicada até o ano de 1959 (COSTA, 2007) – e pela notoriedade que conseguiu durante esse período. Além disso, embora A Revista da Semana ainda traga muito material de cunho literário (contos, crônicas, poesias), ela começa a se destacar pelas reportagens que publica, principalmente, pelas coberturas de crimes. Nesse sentido, ela ficou muito famosa pelas fotos de reconstituições de assassinatos e pelo tipo de tratamento narrativo que era dado a esse tema, bem no espírito de uma série de outras publicações que eram moda na sociedade europeia da época.

Além de delimitar o início de nosso espectro temporal de pesquisa, é possível demarcar também, a partir dessas considerações, o tipo de material que será analisado. Em todas as revistas do corpus (tendo em vista que os objetivos do presente projeto se articulam a partir da análise de reportagens informativas) serão analisadas apenas o que no jargão jornalístico se costuma chamar de “as reportagens quentes”, ou seja, que noticiam eventos recentes em suas épocas. Isso exclui, portanto, todo o material literário, as colunas de aconselhamento, os textos diversos sobre conhecimentos gerais, bem como o material jornalístico composto pelas notas ligeiras.

Uma outra consideração acerca do corpus de pesquisa se faz necessária: diante da impossibilidade de analisar os códigos padrões de narração de todas as revistas que foram publicadas no período recortado, serão escolhidos títulos que foram significativos em suas épocas históricas a partir dos critérios de tiragem, circulação e importância histórica. As revistas analisadas são publicações que foram reconhecidas, em seu período histórico, como pertencentes ao conjunto das principais publicações da época. Isso implica no fato de que, nesta pesquisa, nós não nos preocuparemos em delimitar quais foram os primeiros veículos a adotar determinado código narrativo, mas sim,

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mostraremos pontos de realce que mostram consolidações de procedimentos estilísticos ligados a esses códigos.

A partir desses parâmetros, foram escolhidas, além de A Revista da Semana, as seguintes publicações: O Cruzeiro, Fatos e Fotos, Realidade, Manchete, Veja, IstoÉ e

Época. Além de serem reconhecidamente importantes para a história do jornalismo de

revista brasileiro na bibliografia sobre a temática, conforme detalharemos a seguir, esses títulos consolidaram alguns códigos narrativos que se tornaram modelos, difundindo-se para outras publicações além das escolhidas7.

O material de estudo é composto, portanto, pelas reportagens quentes publicadas pelas revistas citadas, de acordo com os critérios explicitados. A partir disso, será feito um mapeamento e uma análise dos códigos de narração padrões utilizados por cada um desses títulos com o objetivo de alinhavarmos as diferentes articulações formais na composição narrativa do jornalismo informativo de revista no decorrer de sua história. A partir desses objetivos, podemos traçar as linhas que servirão como arcabouço teórico e metodológico para a presente pesquisa.

0.3. A História do Jornalismo de Revista a partir de seus Códigos Padrões de

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