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XRD Deneysel Sonuçları

3. ARAŞTIRMA BULGULARI

3.6. XRD Deneysel Sonuçları

Historicamente, o Brasil sempre teve um papel bem definido na divisão internacional do trabalho, qual seja: o papel de exportador de produtos agrícolas. Apesar dos esforços dos últimos 50 anos para o fortalecimento da industrialização, o que se fala hoje é de uma reprimarização da pauta exportadora. As ações das empresas transnacionais e nacionais promovem o que Milton Santos chamou de espaço nacional da economia internacional.

Dessa maneira, no contexto brasileiro, ao percorrermos os caminhos dos discursos da Globalização e da Competitividade, a esfera agrícola é também um espaço nacional em que esses discursos internacionais se propagam. É também uma esfera em que as forças ideológicas se entrecruzam e se interpenetram para compor as tomadas de posição e as orientações das práticas.

As atividades relativas à esfera agrícola no Brasil são, basicamente, tratadas por dois Ministérios: o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA – e o Ministério

do Desenvolvimento Agrário – MDA. A compreensão do percurso, do já-caminhar, dos discursos globalizados e globalizantes da competitividade passa também pela construção de compreensões acerca das relações que se dão entre esses dois Ministérios e no que se refere a suas atribuições historicamente em movimento.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apresenta sua própria história, contada num texto oficial sucinto em sua página na internet64. Esse Ministério, criado ainda durante o segundo império por decisão da Assembleia Legislativa, integrou a estrutura formal do gabinete de Dom Pedro II sob o nome de Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Por sua denominação inicial, vemos que as atividades ligadas à agricultura não eram uma exclusividade da pasta, que, no início do Regime Republicano, tem suas atribuições incorporadas pelo Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas.

O texto que conta a história desse Ministério constrói até aqui uma imagem de pouco destaque para as atividades agrícolas no Brasil; no entanto, em 1909, os assuntos referentes ao setor

agrícola voltam a ter destaque, com a criação do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio e, em 1930, o Ministério passa a compor a estrutura governamental da República. Nesse trecho, vai se construindo um Ministério que fica cada vez mais forte e “oficial”, passando a integrar a estrutura governamental da República em 1930.

Com a força e a “oficialidade” que o Ministério vai ganhando, as vozes dissonantes dentro de sua própria estrutura começam a aparecer: Já na década de 1980, os assuntos referentes à

reforma agrária e aos recursos florestais e pesqueiros são excluídos da competência do Ministério. Essas palavras nos trazem um discurso de diferentes interesses no que diz respeito às atividades agrícolas, aos recursos e atividades ligados à pesca, às questões de preservação e exploração dos recursos florestais e ao acesso à terra.

Assim, em apenas três parágrafos de um texto que resume a história do Ministério da Agricultura, é possível compreender que há rupturas nas questões ligadas às atividades agrícolas e ao acesso à terra. E a ruptura que se nos mostra nesses diferentes interesses está materializada nas palavras, tanto nas palavras que compõem o texto da internet sobre o qual estou construindo esta análise, quanto nas palavras da Lei nº. 8.028, de 12 de abril de 1990,

que, dez anos depois da exclusão dos assuntos referentes à reforma agrária da competência do Ministério, cria uma nova pasta da agricultura, dispondo sobre a reorganização e

funcionamento dos órgãos da administração executiva federal e determinando que, além de suas atribuições tradicionais, o Ministério assuma as ações da coordenação política e de

execução da reforma agrária e de irrigação. Mais uma vez, pelas palavras, as questões ligadas à reforma agrária no Brasil voltam a compor o pacote de responsabilidades que o Ministério da Agricultura tem de assumir.

Em 1999, apenas nove anos depois da Lei nº. 8.028, há um movimento de exclusão das atribuições do Ministério referentes à Reforma Agrária (agora grafada com as iniciais em letra maiúscula) ao mesmo tempo em que o Ministério passa a responder pela política do café, do

açúcar e álcool, atividades do setor agroindustrial canavieiro, além de tratar de assuntos ligados à heveicultura65.

Há aí uma tensão sobre as atribuições do Ministério da Agricultura em relação à reforma agrária. Tais atribuições entram e saem da pasta atendendo a Medidas Provisórias e Leis, que, por sua vez, atendem a demandas outras que lhe são exteriores e que são refrações daquilo que se dá na base material da sociedade brasileira. O contexto em que as entradas e saídas dessas atribuições acontecem não é explorado pelo texto de maneira ampla. No entanto, o fato de a reforma agrária pertencer ou deixar de pertencer à competência desse Ministério é um fato muito relevante à sua história, posto que essa não deve ser a única mudança ocorrida na pasta ao longo de todos esses anos, mas é uma mudança sempre citada nesse texto, dada a sua força e dada a luta de poder que ela envolve.

O atual nome desse Ministério – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) – foi denominado pela Medida Provisória 2216-37, de 31 de agosto de 2001. Essa alteração foi uma resposta à importância do agronegócio de carnes nos mercados nacional e

internacional. O único esboço de contextualização das ações na base material que levaram a mudanças no nome ou nas atribuições do Ministério aparece no sexto de um total de oito parágrafos. A ligação que é feita entre as ações na base material e a mudança no nome do Ministério é uma ligação que ressalta a importância das atividades ligadas ao comércio de carnes, tanto no mercado nacional, quanto no mercado internacional. Nenhuma outra

65 Heveicultura são atividades ligadas ao cultivo da seringueira para a extração do látex-elastômero para a

alteração que apareceu nesse texto sobre a história do Ministério havia sido ligada a qualquer movimento ou ação na base material. Outro ponto relevante de se observar nessa justificativa dada para a alteração do nome do Ministério é que isso se deu devido à importância do agronegócio, contudo, o Ministério é nomeado como Ministério da Agricultura e não do Agronegócio.

O último parágrafo desse texto apresenta o conjunto de atividades às quais o Ministério vem se dedicando nos últimos anos: criação de câmaras setoriais das diversas cadeias produtivas do agronegócio66; reforço da estrutura organizacional; promoção da capacitação de pessoal para aperfeiçoamento da prestação de serviços à sociedade brasileira. As câmaras setoriais das diversas cadeias produtivas do agronegócio reúnem, segundo o texto, representantes do

governo e do setor privado. Essa união se dá para que os representantes, tanto os do setor público quanto os do setor privado, possam debater e propor políticas públicas para o

agronegócio brasileiro. Por essas palavras, uma das principais atividades a que vem se dedicando nos últimos anos o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento é abrir as portas e fomentar debates com o setor privado, permitindo inclusive que este proponha políticas públicas ao setor do agronegócio no Brasil.

Já as questões da reforma agrária são, atualmente, atribuições do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que, em nenhum momento, é citado na história das idas e vindas das questões agrárias no Ministério da Agricultura. Na página do MDA na internet, não há nenhuma narrativa da história de sua formação, nem das mudanças ocorridas desde então no que diz respeito às suas atribuições. Tampouco é possível encontrar ali um texto que declare o que compete a esse Ministério, a que veio, quais seus principais objetivos, qual sua “missão”.

No que diz respeito à “missão” do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o que encontramos na página do MDA são links que vão nos direcionando às diferentes Secretarias que o compõem e que apresentam suas respectivas missões. No texto institucional da Secretaria da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, lemos que sua missão é consolidar o conjunto da agricultura familiar de modo a promover o

desenvolvimento local sustentável por meio da valorização humana e da negociação política

66 As câmaras setoriais das cadeias produtivas do agronegócio citadas no corpo do texto analisado são: carne,

com representantes da sociedade, respeitando os desejos e anseios das organizações sociais e praticando os princípios da descentralização, da democracia, da transparência e da parceria, com responsabilidade. Os signos que constituem esse discurso de introdução daquilo que a Secretaria da Agricultura Familiar estabelece como encargo, como dever, nos fazem ouvir as vozes daqueles sujeitos e daqueles grupos sociais ligados à agricultura familiar, quando ouvimos, por exemplo, as vozes da valorização humana. No entanto, apesar de se tratar de uma Secretaria que compõe a pasta do Desenvolvimento Agrário, a missão de consolidar o

conjunto da agricultura familiar de modo a promover o desenvolvimento local sustentável é uma missão que se declara da Agricultura Familiar, que é um conjunto de atividades agrícolas em pequena escala, mas que é uma missão constituída de signos prenhes de valores do grande mercado, de valores corporativos; são signos que trazem em sua materialidade linguística uma materialidade sócio-histórica banhada nos discursos corporativos e competitivos neoliberais:

desenvolvimento sustentável, descentralização, transparência, parceria, responsabilidade.

A consolidação da Agricultura Familiar, declarada como a missão dessa Secretaria, é a elevação dessa atividade a um patamar “oficial”, “consolidado”. Isso de modo a promover “desenvolvimento sustentável”, termo amplamente usado na construção de uma ideologia de que “é possível explorar sem esgotar todos os recursos”, o que reafirma a necessidade da exploração dos recursos naturais e sociais de determinado local, carregando no mesmo termo a promessa da sustentabilidade, que pode ser lida também como não-esgotamento dos recursos a fim de que seja possível continuar explorando. O desenvolvimento sustentável é um dos termos do new speech e carrega o sentido da necessidade de se preservar o meio ambiente, mas o faz reforçando também a necessidade de exploração dele. O desenvolvimento proposto pelos discursos do agronegócio também se diz “sustentável”.

O movimento das vozes que se imbricam na constituição desse discurso missionário é um movimento permanente, já que a missão que se nos apresenta nessa Secretaria é uma missão que busca ocorrer por meio da valorização humana, mas também da negociação política com

representantes da sociedade. Quem, afinal, são esses representantes? Além disso, todo esse jogo deve se dar respeitando os desejos e anseios das organizações sociais (não é respeitando as necessidades e nem tampouco fica claro aqui quais são as organizações sociais que terão seus desejos e anseios respeitados) e praticando os princípios da descentralização (o que deve ser descentralizado? O poder? As decisões? A exploração e administração de recursos? A produção?), da democracia (quem terá direito a voto? O que será decidido coletivamente?),

da transparência e da parceria (termos também profundamente banhados pelos discursos corporativos) com responsabilidade (o signo responsabilidade constitui também discursos como o da “Lei da Responsabilidade Fiscal67”, discursos de empresas que declaram ter

“responsabilidade social”, entre outros discursos que vão formando e consolidando ideologias empresariais e corporativas em diversas esferas de atividade humana na contemporaneidade). Essa é a missão dessa Secretaria, o seu encargo, o seu dever. Dessa, que é a Secretaria da Agricultura Familiar.

Há esse movimento que podemos fazer com os discursos dos dois Ministérios, buscando as vozes que os compõem e buscando construir os sentidos e as interligações constitutivas dessas vozes com as vozes de discursos hegemônicos globais, bem como de seus reflexos e refrações. Quando se apresenta em seu sítio na internet, o MAPA aponta aquilo que objetiva enquanto Ministério: integrar sob sua gestão os aspectos mercadológico, tecnológico, científico,

ambiental e organizacional do setor produtivo e também dos setores de abastecimento, armazenagem e transporte de safras, além da gestão da política econômica e financeira para o agronegócio. Além disso, o Ministério ainda visa o fortalecimento do setor produtivo nacional e o favorecimento da inserção do Brasil no mercado externo, garantindo a segurança alimentar da população brasileira e a produção de excedentes para exportação, com a

integração do desenvolvimento sustentável e da competitividade68. O MDA, também em sua página de apresentação, declara como área de competência desse Ministério a reforma agrária, a promoção do desenvolvimento sustentável e do segmento rural constituído por agricultores familiares e a identificação e reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas pelos remanescentes das comunidades dos quilombos69.

67 “Apresentada como Projeto de Lei em 1999 ao Congresso Nacional, a Lei de Responsabilidade Fiscal tem

uma tramitação extremamente rápida e é aprovada em abril de 2000, possibilitando que, em 2001, os novos prefeitos assumissem seus cargos sob a égide de uma nova normatização. Também sinalizava as medidas legais, frente ao endividamento, tomadas pelo governo, abrangendo as três escalas territoriais: federação, estados e municípios; com essa urgência, esperava-se assegurar a credibilidade dos títulos públicos brasileiros frente aos agentes do sistema financeiro internacional, cuja confiança estava abalada devido à moratória Russa, declarada em 1998. [...] Contudo, entre os críticos, assevera-se que antes de ser uma normatização territorial que busca conter o excessivo endividamento público, a Lei de Responsabilidade Fiscal atua no sentido de orientar o Orçamento a garantir que os juros e amortizações ‘devidos ao sistema financeiro’ sejam pagos. [...] A Lei de Responsabilidade Fiscal também está muito associada ao conceito de Governança (Governance) nascido nos meios empresariais como forma dos acionistas terem o controle e acompanharem a gestão da empresa onde alocam o seu patrimônio. Esses mesmos princípios foram transpostos para a administração das finanças públicas como maneira de proteção do patrimônio alocado em títulos públicos” (SCHERMA, 2012, pp. 98 e 101).

68 Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/ministerio. Acesso em 15 de maio de 2014, às 18h13. 69 Disponível em: http://www.mda.gov.br/portalmda/institucional. Acesso em 19 de maio de 2014, às 11h.

No primeiro Ministério (MAPA), há uma declaração do objetivo de tratar da produção agrícola de modo a garantir a segurança alimentar da população do país e da produção de excedentes para exportação, tratando, para tanto, de aspectos que dizem respeito ao mercado, à tecnologia, ao meio ambiente, à organização e à ciência. Já o MDA declara, entre suas competências, questões como a reforma agrária e a delimitação, demarcação e titulação de terras de comunidades quilombolas, além de promover o desenvolvimento de famílias produtoras agrícolas. Na ausculta dessas declarações, é possível construir sentidos ligados a questões mercadológicas, já apontando para a produção de excedentes para exportação e questões de conflitos pela terra, apontando a necessidade de defesa, de garantia de direitos a comunidades minoritárias. Há, nessas declarações, já respostas a discursos opositores: quanto à declaração de produção de excedentes para a exportação, podemos construir sentidos relativos àquilo que questiona sobre a exportação de alimentos quando se tem o problema histórico de fome ou insegurança alimentar no próprio território brasileiro, desse modo, ao afirmar que o que se exporta são os excedentes, apresentam-se contra-palavras a esse respeito; no mesmo texto, aparecem também a integração entre o desenvolvimento sustentável e a

competitividade, que, a princípio são discursos de lados opostos, posto que o primeiro trata de garantir a exploração dos recursos naturais de forma a não exauri-los, garantindo também a possibilidade de continuar explorando e produzindo a partir disso, e o segundo diz respeito justamente ao aumento dos níveis de produtividade, garantindo aos avanços no nível de competitividade do setor.

A questão da produção de alimentos á abordada pelos dois Ministérios: o primeiro trata da

segurança alimentar da população e o segundo trata do desenvolvimento sustentável de agricultores familiares. O primeiro já carrega no próprio nome a função de cuidar do

abastecimento (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento); o segundo também traz consigo, no texto de apresentação, o cuidado com a produção agrícola (mais especificamente da agricultura familiar). Os termos empregados na composição desses enunciados é que vão refletindo e refratando diferentes vozes e diferentes posicionamentos em determinados momentos, mas em outros o que se ausculta são as mesmas vozes da hegemonia discursiva global. Segurança alimentar é um termo muito empregado nos discursos hegemônicos [vide o documento do Fórum Econômico Mundial acerca da Nova Visão para a Agricultura, por exemplo]; esse termo é o oposto de insegurança alimentar, que vem, a passos largos, tomando o lugar do signo fome. A palavra fome tem sua materialidade já historicamente constituída de lutas, de combates, de tensões, reflete e refrata as desigualdades e se constitui

como uma das mazelas do modo capitalista de organização do mundo. O termo insegurança

alimentar em vez de fome, insegurança habitacional em vez de falta de moradias dignas,

desconforto hídrico em vez de sede, todas essas trocas são frutos e ao mesmo tempo motores de forças hegemonizantes, que tentam mitigar as diferenças e as tensões.

Por outro lado, o Ministério do Desenvolvimento Agrário que declara seus trabalhos voltados às disputas pela terra, admite a existência dessas tensões e as coloca em evidência, afirmando, inclusive, a necessidade de se administrar essas questões, garantindo os direitos de comunidades minoritárias. Contudo, a promoção do desenvolvimento sustentável reflete e refrata as vozes hegemônicas dos discursos globalizados, posto que essa é uma expressão constante nesses discursos, usada fortemente como uma das tentativas de minimizar os impactos sócio-ambientais ao longo dos processos de exploração. Essa é também uma expressão de resposta a discursos que pregam a necessidade de se pensar com cuidado sobre as estratégias de exploração, que pregam que não é preciso e nem possível aumentar tanto a produtividade quanto desejam as grandes corporações, uma vez que as questões ambientais se nos apresentam na contemporaneidade como urgentes. O emprego de desenvolvimento

sustentável é como um bálsamo para esses embates discursivos, posto que se afirma que se conhecem as necessidades de não extinção dos recursos a serem explorados, mas, por outro lado, reafirma-se a necessidade de busca pelo desenvolvimento.

Há um jogo de vozes entre esses dois Ministérios, ora lutando pela manutenção e fortalecimento da atual ordem das coisas, ora lutando pela ruptura dessa mesma ordem. No entanto, esse jogo não é um jogo binário, em que é possível delimitar com clareza as vozes de um ou de outro grupo num ou noutro Ministério. Esse jogo é entrecruzado, é complexo e vivo. É um jogo que se dá em meio às forças centrípetas e centrífugas das ideologias oficial e do cotidiano. Temos dois Ministérios, com atribuições distintas, que em seus discursos permitem auscultar o entrecruzamento de vozes, uma polifonia, mas que apresentam em seus limites também uma voz forte e pulsante da hegemonia global, constituindo seus projetos de dizer e suas orientações para uma prática globalizada competitiva.

3.2 Discursos que sustentam a agricultura globalizada: diálogos entre Planos e

Benzer Belgeler