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Passa-se agora a elencar todos os Projetos de Lei Complementar – PLC que de uma forma ou outra abordaram a questão da garantia de depósitos. Alguns deles tem conteúdo idêntico a outro projeto no que concerne à questão e, portanto, são elencados apenas por uma questão metodológica.

-124/1989 Vilson Souza (PSDB)

Baseado no Projeto de Lei 983/1988 (anterior à CF/88) de autoria de Fernando Gasparian, esse projeto prevê um Plano Nacional de Assistência Financeira, que determinaria, entre outras coisas, o estabelecimento de um fundo de seguro de depósito bancário. Tal fundo visaria garantir créditos aplicações e depósitos em valores não superiores a 20.000 bônus do Tesouro Nacional. O projeto também reforça a vedação da utilização de recursos da União, mas deixa os detalhes funcionais e estruturais a serem definidos por uma Comissão Mista Permanente para Assuntos Econômicos e Financeiros do Congresso Nacional.

-154/1989 José Carlos Coutinho (PL)

Esse projeto inicia idêntico ao PLC 124/1989, só que prevê um limite de 25.000 bônus do Tesouro Nacional ao invés de 20.000. Além disso, este projeto avança ao estipular a criação de um Fundo de Garantia de Depósitos e Aplicações (FGDA) que seria constituído por meio de contribuições das instituições integrantes do SFN, vedados recursos da União. As especificidades do fundo seriam regulamentadas sob supervisão do BCB e encaminhadas ao Congresso em 180 dias. Da pouca densidade normativa presente, pode se observar que a participação seria compulsória e que o funding seria habitualmente ex ante e extraordinariamente ex post.

Uma curiosidade desse projeto é que nele é vista pela primeira vez a sigla FGC. Aqui designando o Fundo de Garantia de Créditos, que visaria garantir os créditos decorrentes de operações de seguro, capitalização e previdência privada. As especificidades do fundo também seriam regulamentadas sob supervisão do BCB e encaminhadas ao Congresso em 180 dias. E também da pouca densidade normativa presente, pode se observar que a participação seria compulsória e que o funding seria habitualmente ex ante e extraordinariamente ex post. Outra diferença interessante é que nesse caso é vedada qualquer

163 participação da União, enquanto que no caso do FGDA é vedada apenas a utilização de recursos da União.

-162/1989 Fernando Gasparian (PMDB)

Baseado no projeto de lei 983/1988 (anterior à CF/88) de autoria do mesmo parlamentar, a estrutura é quase idêntica aquela proposta no PLC 124/1989 descrito acima, a única diferença é que o limite de cobertura previsto era de 3.000 obrigações do Tesouro Nacional.

-243/1990 Aloísio Vasconcelos (PMDB)

O texto aqui é idêntico ao apresentado no PLC 157/1989, mas sem a parte copiada do PLC 124/1989. Também não consta a diferenciação entre vedação de “recursos” e de “qualquer participação” existente entre FGDA e FGC no PLC 157/1989, aqui se fala, nas duas hipóteses, em vedação de “recursos”.

-272/1990 Haroldo Saboia (PDT) e Vilson Souza (PSDB)

Esse projeto prevê que o Banco do Brasil, como mandatário do BCB, irá administrar três fundos garantidores de depósitos e aplicações. São eles: Fundo de Garantia de Créditos, de Aplicações e de Depósitos das Instituições Financeiras Privadas (FGDP); Fundo de Garantia de Créditos, de Aplicações e de Depósitos das Cooperativas de Crédito (FGDC); Fundo de Garantia de Créditos, de Aplicações e de Depósitos das Instituições Financeiras Oficiais não Federais (FGDO).

A participação nesses fundos seria obrigatória para as respectivas organizações financeiras e o funding de todos seria privado. Os regulamentos desses fundos seriam elaborados pelo BCB e encaminhados em 180 dias para a apreciação do Congresso Nacional. Também era prevista uma vedação completa de recursos da União.

-44/1991 Odacir Klein (PMDB) e outros 12

No que concerne ao tema dos garantidores de depósitos, esse projeto é idêntico ao PLC 272/1990.

164 -47/1991 Francisco Dorneles e César Maia (PMDB)

Nesse projeto o BCB é responsabilizado a fixar as regras para o estabelecimento de fundo ou seguro destinado a estabelecer garantia visando proteger a economia popular, desta vez sem o necessário aval do Congresso Nacional. Também é prevista a adesão obrigatória, um limite no custeio dessa garantia (um centésimo do por centro sobre o saldo das responsabilidades garantidas) e o limite por beneficiário do valor da garantia estipulado em Cr$ 3.500.000,00.

-67/1991 José Serra (PSDB)

Esse projeto obriga todos os intermediários financeiros a contribuir para um seguro com o objetivo de proteger a economia popular. Ao mesmo tempo, ele veda por completo a participação do Poder Público na formação, organização ou administração do desse fundo, contudo garante ao presidente do BCB a possibilidade de indicar 1/3 do seu Conselho de Administração.

Tal fundo seria denominado Fundo Segurador de Créditos Contra o Sistema Financeiro e teria cobertura limitada (não definida), bem como atuaria também como liquidante dos intermediários financeiros por ele segurados e prestaria assistência a esses em operações que visem prevenir a ocorrência de riscos por eles assumidos.

Além disso, este PLC prevê requisitos mínimos para que se assuma cargo no Conselho de Administração do fundo e também designa a uma Junta de Política Financeira (criada no mesmo projeto e com diversos desígnios) estabelecer a alíquota das contribuições devidas.

O projeto não prevê nenhum outro mecanismo para especificar outras questões necessárias para a consolidação do fundo.

-117/1992 José Fortunati (PT) e outros 3 (PT)

Os quatro autores deste projeto haviam proposto também o PLC 44/1991 visto acima. Sendo todos do partido de oposição à época, vieram posteriormente com esse novo e mais detalhado projeto.

165 Esse projeto prevê um sistema duplo de garantia de depósitos: o Sistema de Garantia Abrangente e o Sistema de Garantia Complementar.

O primeiro sistema é obrigatório e seria implementado por meio do Fundo de Garantia de Depósitos e Aplicações – FGDA, tendo as seguintes características

a. cobertura limitada; b. adesão compulsória;

c. haveria acesso por parte do fundo às operações de redesconto e de empréstimos de liquidez do BCB;

d. as alíquotas de contribuição variariam com o risco;

e. há previsão de posterior lei específica para demais detalhes e;

f. a sua administração seria responsabilidade de uma Comissão de Supervisão de Risco Financeiro (cuja composição não é detalhada) e sua gestão fica a cargo de um Conselho Curador composto por 3 representantes do governo, 3 representantes das centrais sindicais de trabalhadores e 3 representantes das entidades patronais representativas dos intermediários financeiros.

O segundo sistema teria adesão voluntária e seria instituído pela iniciativa privada, mas sofreria uma série de restrições burocráticas e sua existência não obstaria a majoração da cobertura do Sistema de Garantia Abrangente.

-a Comissão e o substitutivo do relator que em nada resultou.

Tendo sido recebida essa enxurrada de PLC's, o Congresso montou uma Comissão para a elaboração de um projeto substitutivo. O deputado César Maia retirou seu nome do PLC 47/1991 e se tornou relator dessa Comissão. Não se sabe se houve efetivamente uma proposta substitutiva, pois nada consta nos sítios eletrônicos do Congresso e em requisição feita via correspondência eletrônica à Coordenação de Relacionamento, Pesquisa e Informação – Corpi e ao Centro de Documentação e Informação – Cedi, ambos órgãos da Câmara dos Deputados Federais, foi informado que tal projeto/parecer substitutivo nunca foi encaminhado.

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Benzer Belgeler