BÖLÜM 3. UYGULAMANIN AVANTAJLARI VE İŞLEVSEL ÖZELLİKLERİ
3.3. Uygulamanın Kullanımı
3.3.3. Word belgesi tipindeki metin belgelerinin karşılaştırılması
Segundo Malinowski (1976, p. 36-37), o método para se “descobrir os modos de pensar e sentir típicos, correspondentes às instituições e à cultura de determinada comunidade” seria adquirir material linguístico e citar literalmente os termos de classificação nativos.
Assim, a partir da observação participante, das visitas e entrevistas que foram realizadas e gravadas nesta pesquisa, as análises focaram os conceitos ou categorias locais (nomes que expressam lugares, práticas, interações, etc), visando apreender a forma de classificação dos grupos sociais em estudo, assim como suas representações, ilustradas e complementadas por seus desenhos, pela nominação das fotos-referência e pelas fotos tiradas durantes as visitas.
As entrevistas foram analisadas segundo o método proposto por Szymanski; Almeida e Prandini (2004, p. 71-75,80-82) que consideram como passo inicial deste processo a explicitação da subjetividade, uma vez que o próprio pesquisador é o instrumento central tanto da produção de dados durante as entrevistas, quanto da análise dos mesmos.
Geertz (1978, p. 23-34,321) afirma, neste sentido, que o papel do pesquisador dentro de um trabalho etnográfico é interpretar fatos e fazer uma articulação entre eles. Relembra, entretanto, que o relato assim produzido seria como uma modelagem, uma construção teórica baseada em interpretações feitas a partir do entendimento das interpretações locais.
Desta maneira, uma construção elaborada sobre uma determinada cultura carrega consigo a visão também “culturalmente enquadrada” do próprio pesquisador. Seria, segundo o autor, como fazer uma leitura “por sobre os ombros daqueles a quem pertence” a cultura observada.
Assim, tão importante quanto a própria interpretação é a descrição de quem interpreta os fatos, já que outros pesquisadores podem chegar a resultados bastante diferenciados a partir do mesmo conjunto de dados (ANDRÉ, 2005, p. 61). Desta forma, buscou-se explicitar a subjetividade envolvida neste trabalho através da apresentação dos referenciais teóricos, da experiência pessoal e da expectativa de resultados, que podem ser consultados, respectivamente, na revisão bibliográfica, na apresentação e na introdução desta pesquisa.
Conforme colocam Szymanski; Almeida e Prandini (2004, p. 71-75,80-82), ao se selecionar a entrevista como procedimento de produção de informações, também é preciso compreender como os fenômenos se inserem no contexto de que fazem parte. Foi necessário, assim, considerar não só os depoimentos dos participantes, mas também o ambiente físico e social onde as entrevistas foram realizadas, assim como o clima emocional, os imprevistos, as interrupções, já que as entrevistas normalmente não estavam sob controle total da entrevistadora.
As transcrições destas, seguindo o método proposto, foram feitas primeiramente de forma literal. Num segundo momento, buscou-se retirar os vícios de linguagem e adequar o texto segundo normas ortográficas e de sintaxe, mas sem substituir os termos ou categorias locais utilizados pelos participantes.
Este material, conforme preconizam as autoras, passou a ser considerado como texto de referência, adicionado de impressões, percepções e sentimentos gerados no entrevistador durante as entrevistas e transcrições.
A partir daí iniciou-se a análise deste material. Os oito temas-chave que orientaram a realização das entrevistas (mencionados no item 2.3) foram os mesmos que guiaram esta etapa do trabalho. Nas leituras do texto de referência buscou-se, assim, o agrupamento de cada uma das falas, e posteriormente de todas elas, segundo o tema a que se referiam.
Para a análise final contou-se ainda com a técnica da triangulação. Segundo Huberman e Miles (1994, p. 438) e André (2005, p. 61), a triangulação é uma estratégia de seleção de informações coincidentes a partir da análise de dados provenientes de múltiplas fontes empíricas, já que, às vezes, estas podem ser inconsistentes e até contraditórias, permitindo, assim, que se complementem entre si. Esta técnica visa, desta forma, testar hipóteses anteriores, rever posições e concepções pré-concebidas e evitar conclusões tendenciosas.
Souza e Zione (2003, p. 6-7) comentam que a introdução desta técnica, na década de 70, se deveu a Denzin, primeiramente com uma conotação de validação dos dados. Atualmente, entretanto, ela vem sendo utilizada mais como forma de aprofundamento da análise, em direção a um diagnóstico multidimensional e contextualizado do que como busca da verdade objetiva.
Denzin (1989, p. 183-184) e Motta (1997 apud LAINO; RODRIGUEZ, 2007, p. 9)30, desta forma, colocam que existem pelo menos quatro tipos de triangulação:
a) de dados: os mesmos dados são vistos a partir de contextos diferenciados (ex. espaço, tempo e pessoa);
b) de pesquisador: diferentes observadores de um mesmo fenômeno ou objeto; c) teórica: múltiplas perspectivas de interpretações possíveis sobre o mesmo conjunto de fenômenos ou objetos;
d) metodológica: métodos distintos ou múltiplas técnicas dentro de um método para coletar e interpretar dados.
Assim, neste trabalho, foram utilizadas a triangulação de dados ao se entrevistarem diferentes grupos de pessoas, de diferentes idades, de diferentes lugares sociais, ao se consultarem memórias e literaturas relacionadas a diferentes épocas; a
triangulação teórica, que se pode dizer que foi o próprio objeto desta pesquisa e, sobretudo, a triangulação metodológica, já que foram utilizadas diferentes formas de obtenção de dados (dados secundários, observação participante, entrevistas, visitas, fotos e desenhos) que forneciam tanto o ponto de vista do pesquisador quanto dos sujeitos envolvidos.
Logo, são aqui apresentados os dados que se mostraram coincidentes e aqueles que se mostraram divergentes a partir de cada uma destas triangulações. Um exemplo destas triangulações pode ser visualizado no Anexo B, onde constam dados de duas fontes diferentes sobre a caracterização dos produtores, que foi ainda contrastada com os depoimentos levantados em campo. Neste caso, foi usada a triangulação de dados, de pesquisadores e metodológica.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
O que caracteriza uma postura utilitarista não é o fato do ser humano utilizar as coisas. O que a caracteriza é a pretensão de reduzir os seres e as coisas à única dimensão da funcionalidade, como se sua existência não pudesse revelar outros múltiplos sentidos. Diante da atitude objetivante, os seres e as coisas nada revelam; recolhem sua luminosidade e seu mistério. No lugar de um cosmo translúcido que se oferece como epifania, o mundo se torna tão opaco quanto o olhar daquele que o vê.
Nancy Mangabeira Unger