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A incapacidade está prevista no artigo 1º do Código Civil quando diz que todo ser humano é capaz de direitos e deveres na ordem civil. Assim, ele estipula quais as condições

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ROCHA, Daniel Machado da. O direito fundamental à previdência social. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2004, p. 157.

em que uma pessoa possui incapacidade absoluta143 e incapacidade relativa144. Embora a restrição legal ao exercício dos atos da vida civil seja assunto de relevante importância para o direito civil, o foco do presente trabalho se volta à seara constitucional previdenciária.

A incapacidade compreende, para melhor análise, os seguintes parâmetros: o grau, a duração e a abrangência da tarefa desempenhada. Quanto ao grau, a incapacidade laborativa pode ser parcial ou total. Quanto à duração, divide-se em temporária ou permanente. Com relação à abrangência da tarefa desempenhada, pode ser classificada como uniprofissional, multiprofissional e omniprofissional.

De acordo com o Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde145, a legislação previdenciária atual não contempla todas essas divisões, razão pela qual fica ao encargo do médico-perito do INSS se pronunciar em relação às seguintes questões:

• a existência (ou não) de incapacidade laborativa em curto prazo e sobre a

concessão do benefício previdenciário correspondente, auxílio-doença, como regulamentado pelos arts. 71 a 80 do Decreto n.º 3.048/1999;

• a concessão (ou não) de auxílio-acidente, “concedido, como indenização, ao

segurado empregado, exceto o doméstico, ao trabalhador avulso, ao segurado especial e ao médico-residente quando, após a consolidação das lesões decorrentes

do acidente de qualquer natureza, resultar seqüela definitiva” que se enquadre nas

condições estabelecidas pelo art. 104 do Decreto n.º 3.048/1999;

• a concessão (ou não) de aposentadoria por invalidez devida ao segurado que, “estando ou não em gozo de auxílio-doença, for considerado incapaz para o trabalho

e insuscetível de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a

subsistência”, nas condições estabelecidas pelos arts. 43 a 50 do Decreto n.º

3.048/1999.

143 Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I - os menores de

dezesseis anos; II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.

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Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido; III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; IV - os pródigos.

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DIAS, Elizabete Costa (Org.). Ministério da Saúde do Brasil. Organização pan-americana da saúde/Brasil. doenças relacionadas ao trabalho. Manual de procedimentos para os serviços de saúde. série A. n. 114. Brasília:

Editora MS, 2001. p. 56. Disponível em: <

Para a verificação do tipo de incapacidade e concessão do benefício respectivo, o médico-perito do INSS deverá, ainda, identificar a existência de nexo de causalidade entre o trabalho e a situação ensejadora do benefício, nos termos do artigo 337 do Decreto n.º 3.048/1999, que diz: “o acidente do trabalho será caracterizado tecnicamente pela perícia médica do INSS, mediante a identificação do nexo entre o trabalho e o agravo. I - o acidente e a lesão; II - a doença e o trabalho; e III - a causa mortis e o acidente”.

Com relação aos tipos de incapacidade quanto ao grau, considera-se parcial o nível de incapacidade laborativa que permite o desempenho das atribuições do cargo, desde que sem risco de vida ou agravamento da situação, ou seja, a perícia médica constata que há uma redução da capacidade para o exercício daquele labor, mas não há um impedimento físico total para a sua execução. No caso, o trabalhador poderá continuar exercendo sua atividade profissional, mas não com o mesmo esforço.

Esse tipo de incapacidade remete à estudada incapacidade social, pois no mundo globalizado atual não há espaço para trabalhadores que não desenvolvem sua atividade com a sua máxima capacidade. É necessário cumprir prazos e metas com a maior eficiência, sob pena de ser substituído por outrem. Necessário destacar que, em muitos casos, esse trabalhador, durante sua vida laborativa, sempre exerceu aquela determinada função ou atribuição semelhante, sem qualificação suficiente para ser admitido em trabalho diferente.

Ainda quanto ao grau, considera-se como incapacidade total aquela que ocasiona impossibilidade de desempenhar as atribuições do cargo, não permitindo atingir a média de rendimento alcançada em condições normais pelos servidores detentores de cargo, função ou emprego.

Com relação aos tipos de incapacidade quanto à duração, considera-se temporária a incapacidade laborativa para a qual se pode esperar recuperação dentro de prazo previsível.

Na incapacidade temporária, tem-se o exemplo do benefício de auxílio-doença previsto no artigo 59 da Lei nº 8.213/1991.

Embora não se saiba o prazo de duração de determinada doença, a concessão do benefício é para aqueles que ficarem incapacitados para o trabalho ou atividade habitual por mais de quinze dias, devendo ser estipulado de acordo com a duração da doença, razão pela qual o INSS determina que se realizem novas perícias para verificar se a situação de incapacidade do segurado permanece, pois assim seria devido um benefício permanente ao invés de temporário. Considera-se permanente a incapacidade insuscetível de recuperação com os recursos da medicina disponíveis.

Quanto à abrangência profissional, por sua vez, cumpre salientar que a incapacidade laborativa uniprofissional é aquela em que o trabalhador fica impedido de trabalhar em apenas uma atividade específica do cargo, função ou emprego, ou seja, ele continua capaz de exercer seu labor, todavia fica impossibilitado em determinada tarefa.

A incapacidade laborativa multiprofissional, pois, é aquela em que o trabalhador fica impedido de exercer seu labor com relação a diversas atividades do cargo, função ou emprego que ocupa.

Por fim, a incapacidade laborativa omniprofissional implica a impossibilidade de trabalhar em toda e qualquer atividade de valor econômico. Nesse caso, o trabalhador fica impossibilitado de ganhar o próprio sustento e o de sua família, necessitando de proteção face à sua incapacidade.

Benzer Belgeler