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No período estudado, o banco de dados do Sinan registrou 5.807 casos diagnosticados com aids maiores de 13 anos residentes em Fortaleza. A taxa de incidência calculada ano a ano demonstra elevação significativa do número de casos por 100.000 habitantes, com aumento médio anual de 0,57 (IC95%: 0,038- 1,11, p=0,038), ocorrendo um pico da incidência no ano de 2012 seguida de diminuição acentuada da incidência em 2013. Observa-se, ainda, linha de tendência com ajuste linear com valor de R²=0,36 (Figura 2).
Figura 2 – Incidência padronizada de aids em maiores de 13 anos, Fortaleza, Ceará, 2002- 2013
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
A maioria dos casos estudados são do sexo masculino, que corresponde a 71% do total de indivíduos diagnosticados com a doença. Na população masculina, a incidência padronizada média foi de 21,3casos/100.000 hab., e variou de 17,3 casos /100.000 hab. em 2007 a 27,9 casos/100.000 hab. em 2012. A incidência média feminina foi de 8,6
casos/100.000 hab., variando de 6,9 casos /100.000 hab. em 2002 a 10,5 casos /100.000 hab. em 2012 (Figura 3).
Figura 3 – Incidência padronizada de aids em maiores de 13 anos por sexo e razão de sexo, Fortaleza, Ceará, 2002-2013
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
A incidência média padronizada masculina é quase três vezes maior que a feminina, sendo esta diferença estatisticamente significante. A linha de tendência ajustada à incidência no sexo masculino possui valor de R²=0,43, enquanto a feminina possui valor de R²=0,15, indicando melhor ajuste para o sexo masculino. A incidência nos homens apresenta tendência de crescimento significativo com aumento médio anual de 0,54 (IC95%: 0,098- 0.99, p=0,022) enquanto as mulheres apresentam estabilidade (p=0,216). Quanto à razão de sexo, em Fortaleza há uma relação estável dessa variável (p=0,203), com proporção variando de 2,0 homens para cada mulher diagnosticados em 2007 a 2,8 homens para cada mulher diagnosticados em 2010 (Figura 3; Tabela 1).
Tabela 1- Sumário estatístico dos coeficientes padronizados, Fortaleza, Ceará, 2002-2013 Incidência
padronizada Média
Desvio
padrão Mínimo Máximo KS p
Geral 30,5 3,4 26,0 38,4 0,6 0.871 Maculino 21,3 3,0 17,3 27,9 0,4 0.998 Feminino 8,6 1,0 6,9 10,5 0,5 0.966 Razão 2,5 0,3 2,1 2,8 0,5 0.947 13 a 19 0,6 0,2 0,3 1,1 0,6 0.889 20 – 24 2,9 0,8 1,6 4,0 0,7 0.779 25 – 29 5,1 0,9 4,2 7,3 0,8 0.539 30 – 34 5,9 1,0 4,4 7,6 0,8 0.617 35 – 39 4,6 0,7 3,2 5,7 0,7 0.692 40 – 49 7,8 1,1 5,8 10,4 0,7 0.686 50 – 59 2,6 0,6 1,7 3,8 0,5 0.930 60 e+ 1,0 0,3 0,4 1,5 0,6 0.820
Dp - desvio padrão; KS - Kolmogorov-Smirnov Fonte: Dados da pesquisa (2015).
Em relação à incidência dos casos de aids segundo ano e faixa etária, observa-se que a faixa de idade de 40 a 49 anos apresenta incidência média de 7,8 casos/100.000 hab., sendo mais elevada e com diferenças estatisticamente significante (p<0,001) em relação às outras faixas de idade. Ainda em relação às faixas de idade, percebem-se agrupamentos homogêneos, ou seja, suas médias não diferem entre si, para os seguintes intervalos de idade: 13-19 anos e 60 anos (p=0,919), 50-59 com 20-24 (p=0,984); e 25-39 com 25-29 (p=0,660); e 25-29 com 30-34 (p=0,148) (Tabela 1).
O período de 2008 a 2012 destaca-se pelo crescimento da taxa de incidência na faixa etária de 40 a 49 anos em relação aos demais períodos, embora haja uma aparente diminuição no ano de 2013, devendo-se considerar possível atraso de notificação (Figura 4). Observou-se para a faixa de idade de 30 a 39 anos uma tendência de crescimento significativo com aumento médio anual de 0,17 (IC95%: 0,011- 0,330, p=0,039) (Tabela 2).
Figura 4 – Incidência dos casos de aids segundo ano e faixa etária, Fortaleza-2002-2013
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
Tabela 2 – Tendências da aids segundo faixa etária em Fortaleza, Ceará, 2002-2013
R² Modelo IC95% p 13 – 19 0.31 Y= -70,9 + 0,36*(x-2006) -0.002; 0.073 0.063 20 – 24 0.15 Y=-165,4 + 0,08*(x-2006) -0.055; 0.222 0.207 25 – 29 0.01 Y= -44,7 + 0,03*(x-2006) -0.149; 0.199 0.757 30 – 34 0.36 Y=-336,4 + 0,17*(x-2006) 0.011; 0.330 0.039 25 – 39 0.06 Y= -91,6 + 0,05*(x-2006) -0.083; 0.178 0.433 40 – 49 0.15 Y=-231,1 + 0,12*(x-2006) -0.079; 0.317 0.210 50 – 59 0.13 Y= -70,9 + 0,06*(x-2006) -0.051; 0.172 0.257 60 e+ 0.11 Y= -61,9 + 0,03*(x-2006) -0.033; 0.096 0.303
Verificou-se relação estatisticamente significante entre a proporção dos casos de aids segundo sexo e faixa etária no intervalo de 13 a 19 anos para o sexo feminino, com maior percentual dentre as demais faixas etárias (41,5%) e com resíduo ajustado de 3,2. A partir dos 20 anos, há uma estabilidade dessa proporção, variando de 26,9% para o sexo feminino em maiores de 60 anos a 32,9% no intervalo de 20 a 24 anos (Figura 5).
Figura 5 – Proporção dos casos de aids segundo faixa etária e sexo, Fortaleza, Ceará, 2002- 2013
Teste χ² =17,5 p-valor=0,015
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
No quesito raça, 22% das fichas de notificação tiveram essa variável ignorada ou não preenchida. Dos casos válidos, 84,8% são da raça parda, seguida da raça branca, com 10,6%. As raças preta, amarela e indígena não contituíram 5% dos total de casos válidos (Figura 6).
Figura 6 – Proporção dos casos de aids segundo raça, Fortaleza, Ceará, 2002-2013
Fonte: Dados da pesquisa (2015). Ignorados: 1.279 casos.
Ainda em relação à raça, o quesito ignorados ou não-preenchidos teve sua proporção diminuída ao longo dos anos, revelando melhor atenção ao preenchimento desse quesito com o tempo. Concomitante, a proporção de pardos também aumentou ao longo do período do estudo (Figura 7).
Figura 7 – Proporção dos casos de aids segundo raça e ano, incluindo ignorados/não- preenchidos, Fortaleza, Ceará, 2002-2013
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
Quanto à opção sexual dos indivíduos notificados, 29,6% foram considerados ignorados ou não foram preenchidos. Ao longo do tempo, até 2005 a porcentagem de inválidos nesse quesito era menor de 20%. Após esse período, a proporção aumentou para maior que 30%, chegando a 36% em 2009, indicando que há uma menor preocupação no preenchimento desse quesito (Figura 8).
Figura 8 - Proporção dos casos de aids segundo opção sexual e ano, incluindo ignorados/não- preenchidos, Fortaleza, Ceará, 2002-2013
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
Dos casos válidos, 60,8% referiu ser heterossexual, 27,1% homossexual e 12,1% bissexual. Os heterossexuais representam mais da metade dos casos em todo o período, variando de 56,7% em 2012 a 64,4% em 2013. A categoria homossexual variou de 20,8% em 2005 a 34,1% em 2012 e apresenta aumento da proporção. Ressalta-se que os bissexuais representam menor proporção dos casos (Figura 9).
Figura 9 - Proporção dos casos de aids segundo opção sexual e ano, Fortaleza, Ceará, 2002- 2013
Fonte: Dados da pesquisa (2015). Ignorados: 1.720 casos.
Houve predomínio da heterossexualidade principalmente nas seguintes faixas etárias: 13 a 19 anos (67,7%), 50 a 59 anos (69,5%) e maiores de 60 anos (81%). O intervalo de 20 a 39 anos possui maior proporção de homossexuais do que nas demais faixas etárias. A categoria bissexual, por sua vez, não teve variação relevante dentre os intervalos de idade (Figura 10).
Figura 10 – Proporção de casos de aids segundo orientação sexual e faixa etária, Fortaleza, Ceará, 2002-2013
Fonte: Dados da pesquisa (2015). Ignorados: 1.720 casos.
Em relação ao Uso de Drogas Injetáveis, apenas 1,3% relatou fazer uso. Desses casos, 81,5% pertencem ao sexo masculino, porém sem significância estatística entre a diferença dos sexos, com p>0,05. Houve relevância estatística (Teste χ² =0,013) em relação ao
UDI e a faixa etária, em que tal comportamento ocorreu principalmente nos intervalos de 25 a 29 anos, com 21,5% dos casos que faziam uso e 40 a 49 anos, com 29,2% (Tabela 3).
Tabela 3 – Proporção de casos de aids segundo faixa etária e Uso de Drogas Injetáveis, Fortaleza, Ceará, 2002-2013
Faixa etária Uso de Drogras Injetáveis
Sim Não N % n % 13-19 5 7,7 110 2,2 20-24 9 13,8 520 10,3 25-29 14 21,5 844 16,6 30-34 8 12,3 1055 20,8 35-39 8 12,3 814 16,1 40-49 19 29,2 1191 23,5 50-59 2 3,1 393 7,8 60-... 0 0,0 143 2,8 Total 65 100 5070 100
Fonte: Dados da pesquisa (2015). Ignorados: 672 casos.