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Quanto aos objetivos pode-se afirmar que se trata de pesquisa descritiva, pois, segundo Gil (2008), tem como objetivo a descrição das características de uma população, de um fenômeno ou de uma experiência. Andrade (2007, p. 114) comenta que no método descritivo “os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles”.

Collis e Hussey (2005) afirmam que tal pesquisa é utilizada para responder um determinado problema, não sendo um estudo tão preliminar quanto o exploratório já que busca identificar, descrever, comparar, bem como investigar a relação entre os fenômenos para entendimento de determinado evento.

Sampieri, Collado e Lucio (2006) asseveram que os estudos descritivos pretendem medir ou coletar informações de maneira independente ou conjunta sobre os conceitos ou as variáveis a que se referem. Espera-se assim um maior conhecimento acerca do tema

permitindo que o pesquisador se aproxime mais da realidade social, uma vez que ela compreende o universo dos significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes.

Dessa forma, entende-se o estudo como descritivo na medida em que se busca investigar as funções da controladoria em empresas que se diferenciam pela formalização ou não de uma unidade administrativa de controladoria em sua estrutura organizacional.

Adota-se ainda a abordagem qualitativa, buscando reflexões e considerações sobre o fenômeno estudado. No entendimento de Godoy (1995, p. 58), a abordagem qualitativa “não procura enumerar e/ou medir os eventos estudados, nem emprega instrumental estatístico na análise dos dados. Parte de questões ou focos de interesses amplos, que vão se definindo à medida que o estudo se desenvolve”.

Na visão de Richardson et al (2008) tal abordagem busca descrever a complexidade de determinado problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos vividos por grupos sociais – nesse estudo, representados pelas funções inerentes à controladoria nos ambientes empresariais com a unidade administrativa controladoria estruturada e não estruturada.

Flick (2008) ressalta alguns aspectos essenciais que caracterizam a pesquisa qualitativa a saber: as perspectivas dos participantes e sua diversidade, reflexividade do pesquisador e da pesquisa e a variedade de abordagens e métodos na pesquisa.

Para responder à questão de pesquisa e atingir os objetivos, inicialmente, procedeu-se, a um levantamento bibliográfico, analisando-se a produção científica que aborda o tema deste trabalho, com a intenção de saber se a literatura apresenta respostas às questões aqui propostas. Assim foi desenvolvida uma pesquisa bibliográfica em livros, teses, dissertações, periódicos científicos e site de eventos científicos.

Ruiz (2002, p. 57) menciona que “qualquer espécie de pesquisa, em qualquer área, supõe e exige pesquisa bibliográfica prévia, quer à maneira de atividade exploratória, quer para o estabelecimento do status quaestionis, quer para justificar os objetivos e contribuições da própria pesquisa”. Sobre a pesquisa bibliográfica necessária para pesquisa científica, Vergara (2011) complementa, afirmando que o material consultado durante o levantamento bibliográfico deve abranger todo o referencial já tornado público em relação ao tema de estudo, para assim reunir os conhecimentos sobre a temática pesquisada, visando resgatar os acontecimentos humanos ao longo do tempo, objetivando entender as mudanças, contradições e tendências da realidade social.

O procedimento de pesquisa adotado é o estudo de caso. De acordo com Martins e Lintz (2007), o estudo de caso é um tipo de pesquisa cujo objetivo é o estudo de uma unidade que se analisa profunda e intensamente. Considera a unidade social estudada em sua totalidade, se concretiza através de uma investigação empírica que pesquisa fenômenos dentro de seu contexto real. O estudo de caso reúne o maior número de informações detalhadas, por meio de diferentes técnicas de coletas de dados, objetivando apreender a totalidade de uma situação e descrever a complexidade de um caso concreto.

Uma crítica constante sempre trazida à discussão por pesquisadores e estudiosos é a falta do rigor de pesquisa de estudos de caso, influência do investigador, pouca base para fazer uma generalização científica e que são extensos, demandando muito tempo para serem concluídos. Yin (2010) contesta tais críticas, afirmando que há maneiras de evidenciar a validade e a confiabilidade do estudo de caso, que é uma estratégia de pesquisa abrangente a qual envolve, desde a lógica do planejamento, até as técnicas de coleta de dados e abordagens específicas para análise dos mesmos. Os resultados podem ser generalizados para uma teoria mais ampla, a generalização ocorre à medida que os pesquisadores estudam casos adicionais e generalizam os resultados para novos casos.

Nesse sentido, os estudos de casos múltiplos e/ou as replicações de um estudo de caso com outras amostras podem indicar o grau de generalização de proposições teóricas. A essência de um estudo de caso é que eles tentam esclarecer uma decisão ou um conjunto de decisões (YIN, 2010).

Para a execução desta pesquisa, adotou-se o estudo de casos múltiplos, em que quatro organizações serão analisadas. Prefere-se essa modalidade em relação aos estudos de caso único, pois os benefícios analíticos são mais significativos, ou seja, possibilita um efeito de argumentação mais forte, em que se objetiva apresentar evidências mais convincentes, análises mais substanciais e conclusões mais contundentes. Ter casos múltiplos contribuirá para reforçar os achados de todo o estudo, no sentido de que os casos múltiplos podem ser escolhidos como replicações de cada caso, como comparações deliberadas e contrastantes, ou variações com base em hipóteses ou pressupostos (ANDRADE, 2008).

De acordo com Yin (2010), quando se trata de investigar fenômenos contemporâneos, o estudo de caso é a estratégia metodológica mais indicada, por envolver uma série de variáveis relacionadas ao tema da pesquisa, de forma direta ou indireta. A partir dessa estratégia consegue-se investigar o fenômeno em seu contexto real, mesmo em situações em que as fronteiras entre eles não estão estabelecidas claramente.

Na visão de Goldenberg (2002) e Gil (2008), o estudo de caso pode ser caracterizado pela exaustão e profundidade dos objetos de estudo, de forma a permitir um conhecimento mais amplo e específico. Os autores ensinam que a análise de uma unidade de determinado universo possibilita e compreensão da generalidade do mesmo ou, pelo menos, o estabelecimento de bases para uma investigação posterior, mais sistemática e precisa.

Martins (2006) afirma que deverá ser feito um planejamento detalhado, a partir de ensinamentos advindos do referencial teórico e das características próprias do caso. É marcado pela compreensão do assunto como um todo, buscando explicar sistematicamente os fatos que ocorrem no contexto social.

Com o intuito de aumentar a confiabilidade da pesquisa foi elaborado um protocolo de pesquisa (Apêndice A), para guiar a investigação, contendo a questão-problema, os objetivos e os procedimentos metodológicos que norteiam a pesquisa; questões do estudo de caso; e guia para o relatório do estudo de caso, que consiste em um conjunto de questões que refletem as necessidades da pesquisa e podem contribuir para a elaboração do seu relatório final.

Benzer Belgeler