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A multiplicação de pontos de pregação e congregações da AD em bairros e distritos de Parelhas teve como ponto de propagação espacial o templo da Rua Maximiano da Costa, construído em 1965. Entretanto, foi por intermédio do Pastor Raimundo João de Santana da AD de Caicó, a abertura do primeiro trabalho evangelístico de Parelhas em 1967, o Povoado Santo Antônio (Povoado Cobra), localizado a 18 km do perímetro urbano de Parelhas, foi atingido pela mensagem pentecostal em 1967, quando o Pastor Raimundo Santana, junto com obreiros parelhenses, perseverou em um trabalho de evangelismo entre os moradores do povoado.

O topônimo do lugar objetivamente alertava para a existência de uma territorialidade religiosa já estabelecida, ou seja, a referência a Santo Antônio fazia jus a uma eminente delimitação católica. Pois a Igreja Católica antecipadamente deixara sua marca dentro dos arredores do povoado, erguendo a Capela de Santo Antônio, expressão concreta da devoção coletiva ao padroeiro católico.

De forma mais intensa ao que acontece em áreas citadinas como bairros e ruas de Parelhas, a tradição no povoado Santo Antônio assume uma conotação de vitalidade, e na maioria das vezes é que dá significado ao lugar, ressaltando- se então o que afirmou Maffesolí (1987, p. 32): “o costume faz uma comunidade existir como tal”.

Nesse sentido, o reconhecimento da carga simbólica do templo católico e dos rituais transmitidos no seio da comunidade, como mecanismos intangíveis de controle territorial, é que se presume o nível de resistência da população do Povoado Santo Antônio ao evangelismo pentecostal, visto que o fator cultural revelou-se como um dos elementos mais veementes de oposição ao proselitismo assembleiano, o que explica o progresso em longo prazo de seu evangelismo.

Dessa forma, o trabalho iniciado por Raimundo Santana e continuado pelos obreiros de Parelhas, teve uma receptividade bastante restrita, tendo em vista o forte vilipêndio sofrido pelos demais moradores do povoado. No entanto, as periódicas evangelizações, realizadas aos domingos à tarde, teve como primeiros frutos os senhores José Benedito e Antônio. A conversão desses moradores foi importante para instalação de um ponto de pregação no povoado. Sendo assim, a casa de José Benedito tornou-se o primeiro recinto de difusão da mensagem pentecostal no povoado Santo Antônio.

O amparo da igreja de Parelhas ao evangelismo na comunidade do povoado Santo Antônio, com o tempo torno-se menos efetivo, visto a pouca atenção recebida pelos planos de trabalhos dos pastores quem passaram pela igreja no percurso das décadas de 1970-1990 como: João Batista da Silva, Jurandir Barreto, Vicente Batista da Silva, Raimundo dos Santos, Francisco Cirilo da Silva, Sebastião Rodrigues do Nascimento e João de Souza.

Desde a fundação do primeiro ponto de pregação no Povoado Santo Antônio em 1967, até meados da década de 2010, difundiu-se um modesto trabalho evangelístico, não resultando em um crescimento significativo de novos convertidos. Contudo, o propósito de evangelismo na comunidade foi conservado e em 29 de outubro de 2005 aconteceu o lançamento da pedra fundamental, evento realizado pelo Pastor Antônio Marrocos Sobrinho (2003-2007), décimo quarto pastor a liderar a AD de Parelhas.

A construção do templo no povoado Cobra ficou sob os investimentos da igreja da Carnaúba dos Dantas, com inauguração em 4 de março de 2007. Após esse feito, cogitou-se na gestão do Pastor Jaime Mariano de Azevedo Filho (2007-2010), o ligamento da congregação à AD de Carnaúba dos Dantas. A tentativa de transferir a congregação do povoado Santo Antônio a outra jurisdição foi interrompida pelo seu sucessor o Pastor Antônio Oliveira (2010), em reconhecer a improcedência ética do ato, que não considerava o histórico de mais

de 30 anos de assistência e atuação evangelística dos obreiros da AD de Parelhas entre os moradores do povoado.

A segunda congregação foi criada pelo Pastor Josué Macário (1997– 1999), no prédio locado no Bairro São Sebastião, em 1998. O Bairro São Sebastião é separado dos demais bairros de Parelhas pela passagem do Rio Seridó à Oeste, tomando assim característica de periferia urbana. Em números de habitantes está entre os mais populosos da cidade, com uma média de 1.915 moradores145.

A primeira incursão religiosa neste bairro foi efetuada pelo catolicismo, que ergueu uma das imagens mais possantes na paisagem do bairro, a Capela de São José. A atuação dos católicos é então evidenciada antes da implantação da congregação da AD no Bairro São Sebastião. No entanto, o ardor da fé católica mostrou-se mais tolerante do que no Povoado Santo Antônio, destacado anteriormente. Esse indício é comprovado na flexibilidade dos moradores em receber de forma mais pacífica o proselitismo pentecostal.

Passados sete anos de evangelismo, a Assembleia de Deus, sob o pastorado de Antônio Marrocos, lança a pedra fundamental da congregação em 2004 e inaugura sua construção em 2005. Sua armação física é a maior entre as congregações levantadas pela Igreja Sede de Parelhas, até o momento, e possui um corpo de obreiros ativos que dirigem suas reuniões nas terças e quintas- feiras.

Por conseguinte, o terceiro ponto de propagação evangelística da AD na zona urbana de Parelhas foi idealizado na administração pastoral de Valdemar Félix Sobrinho em 2001, no Bairro Ivan Bezerra. O Bairro está localizado na zona periférica do centro de Parelhas e tem seus limites definidos com o Bairro Cruz do Monte, a Oeste; e a Leste com o Bairro Dinarte Mariz.

A implantação da congregação da AD no Ivan Bezerra não significou o entrecruzamento de territorialidades religiosas antagônicas, isso porque a ação católica no bairro apresentava pouca expressividade nas proximidades da congregação, e nenhuma delimitação material/imaterial assinalava uma resistência ao pentecostalismo assembleiano. O evangelismo pentecostal no Ivan Bezerra predomina por meio das Igrejas Deus é Amor e Assembleia de Deus.

Em quantidade de possíveis conversos, o Bairro Ivan Bezerra apresenta-

145 Dados coletados no banco de dados do Sistema de Informação de Atenção Básica (SIAB/

se como o maior setor de evangelização da AD de Parelhas. Com média estimada de 2.631146 moradores, o Ivan Bezerra é um campo de possibilidades

para o proselitismo assembleiano, que promove com frequência a entrega de folhetos evangelísticos, evangelismo pessoal (nas casas) e cultos públicos em diferentes ruas do bairro. Um ano depois do estabelecimento da congregação em um prédio locado, o Pastor Valdemar constrói em 2002 um templo próprio no Ivan Bezerra para abrigar as liturgias pentecostais da AD, e assinalar a imagem da territorialidade do templo Igreja Sede de Campo no centro do bairro, fazendo conhecer tanto a apropriação quanto o controle de um território em restrito crescimento, porém contínuo.

Por fim, a quarta e quinta congregação criada pela Igreja Sede de Parelhas teve suas fundações no ano de 2006, pelo Pastor Antônio Marrocos nos Sítios Colonos e Boa Vista, respectivamente. A primeira foi erguida ainda na gestão de Antônio Marrocos, a segunda foi construída pelo Pastor Jaime Mariano. A expansão de trabalhos nas zonas rurais tem sido uma tendência isolada da Igreja de Parelhas, tendo em vista o crescimento da jurisdição citadina das Igrejas Sede de Caicó e Currais Novos, quase que predominantemente em áreas urbanas. Sendo assim, a prática evangelística nos sítios Colonos e Boa Vista, está ainda em seus estágios iniciais. No entanto, os métodos de difusão da mensagem pentecostal, nestes locais, são os mais tradicionais, como evangelismo pessoal e entrega de folhetos temáticos e pregações públicas. Pois, o plano de crescimento em comunidades rurais é recente, e concluir o êxito ou fracasso da territorialidade nestes espaços ainda demanda tempo, de sorte que qualquer análise imediata sobre as estratégias de evangelismo torna-se imprecisa e antecipada e, portanto, fugiria ao crivo de um julgamento responsável.

Dessa forma, via implantação de pontos de pregação e estabelecimento de congregações, a AD tem expandido sua Jurisdição Regional e Citadina pelo Seridó norte-rio-grandense. Estas estruturas definem o conteúdo material do território da Assembleia de Deus e manifesta sua tessitura nas cidades seridoenses. Assim desvendado, são esses os grandes trunfos territoriais forjados pelos assembleianos para adentrar no cotidiano das comunidades, e, por conseguinte, onde se dá o controle diário dos fiéis.

Nesse sentido, ressaltando a eficácia das unidades territoriais do

catolicismo, Rosendahl (2005) considera que essas favorecem o exercício da fé da identidade religiosa do devoto. Enquanto centros de controle pastoral, o referido autor sugere que, as estruturas católicas encontram força no “notável exemplo de organização da vida social e íntima dos habitantes, pontuando o tempo cotidiano da comunidade” (ROSENDAHL, 2005, p. 3).

Não distante desse cenário, a territorialidade dos Campos Eclesiásticos obtém a mesma resposta, só que em dimensões menores, produzindo o ambiente de fé de devoção por meio da Igreja Sede, igrejas filiais, congregações e pontos de pregação. Pode-se entender que, a abrangência dos territórios assembleianos no Seridó está estritamente relacionada com a aproximação das formas de vida nos locais por onde se propôs a atuar.

Até aqui se investigou o corpo exterior do território assembleiano, mostrando por assim dizer, o esqueleto e as articulações de sua organização espacial. Assim sendo, será explorado adiante, numa visão essencialmente idealista, a alma e o espírito do seu território, ou seja, descortinará o cenário dos signos das representações e códigos que respondem pelo poder invisível e primeiro desse amplo campo de domínio da Assembleia de Deus.

4 CONSTRUINDO OS LIMITES SUBJETIVOS DO TERRITÓRIO: A

Benzer Belgeler