O controle social, como ferramenta de fiscalização é materializado pelo Conselho de Assistência Social, nas três esferas de governo. Os Conselhos Municipais de Assistência Social (CMAS) estão previstos na Lei 8.742 de 1993 (LOAS), e são definidos como “instância deliberativa do sistema descentralizado e participativo” desta política, são compostos por comissão paritária entre governo e sociedade civil (BRASIL, 1993, s/p).
Entre as atribuições do CMAS se destaca as que se referem à gestão do trabalho, tema deste estudo: exercer a orientação e o controle do Fundo Municipal e aprovar plano integrado de capacitação de recursos humanos para a área de Assistência Social, de acordo com a NOB-SUAS e NOB-RH.
No que se refere à fiscalização nos CRAS e CREAS cabe ao CMAS, certificar se as equipes profissionais dos CRAS e CREAS estão compostas, de acordo com o porte do município, pelos profissionais segundo orientações da NOB-RH (TCU, 2009).
Para além da fiscalização, a implementação das discussões e deliberações das “instâncias do controle social do SUAS, sobre a gestão do trabalho, objetivam impactar na qualidade dos serviços socioassistenciais e do
acesso do usuário a esses”, o controle social supõem também fiscalizar o exercício profissional no que se refere ao “cumprimento das competências e atribuições privativas dos profissionais e a garantia das condições necessárias para o exercício profissional” (BRASIL, 2011, p. 89; 91).
Ao questionar sobre a participação dos Conselhos nas deliberações ou fiscalização da gestão do trabalho nos municípios da AMFRO, fica evidenciado que o questionamento dos instrumentos da coleta de dados não foram suficientes para adensar sobre tal participação. Contudo, entende-se que é minimamente possível considerar as respostas e falas dos entrevistados sobre o controle social e atuação dos CMAS. O que os gestores falam sobre o CMAS de seus municípios,
[...] há uma cobrança do CMAS pela equipe volante, para que se chamem os profissionais pelo concurso público (G1, 26/03/2013). [...] o CMAS é um conselho atuante, que busca fiscalizar e trabalhar para a construção do SUAS (G2, 11/04/2013).
O conselho é muito atuante, não acontece nada sem a participação do conselho. O chamado dos concursados já é uma orientação do CMAS. Tudo tem que passar por ‘eles’ (G3, 20/05/2013).
Os gestores participantes da pesquisa se referem à atuação do conselho, pela cobrança do concurso público como forma de ingresso na carreira pública, o que condiz com as atribuições do CMAS e ainda, que as decisões da política de Assistência Social passam pelo crivo do conselho.
Os trabalhadores também apontam para a atuação do conselho, alguns demonstram desconhecimento sobre suas deliberações ou atuação, outros falam sobre sua atuação em relação à organização dos trabalhadores.
Eu não sei. A gente não sabe, não aparece nada sobe o conselho (GF1, 26/03/2013).
[...] é pensado no que tem que ser feito como vai ser feito, para se adequar, acho que é feito. Mas é mais por parte da secretaria, a gente passa para a secretaria, e a secretaria encaminha para se adequar (GF1, 26/03/2013).
Eu acho que o conselho atua. A “fulana” cobra para que chame do concurso, agora que eu apresentei o demonstrativo do saldo a programar, e eles colocaram. E essas convocações, coloquei que a gente vai tentar colocar no FG, como é que a gente vai fazer, se é por alta complexidade ou não. Então eles participam, são bem atuantes (GF2, 11/04/2013).
Contudo, uma fala remete a como o conselho atua, porém não mobiliza ou fiscaliza da forma como lhe está atribuído o papel, enquanto instância deliberativa de controle social.
O conselho como eu vejo, está mais no sentido de entender as dificuldades do município, não pressionando para as mudanças. Acredito que eles debatam muito, e analisem, mas não fazem a fiscalização e a pressão para mudança. O que eu percebia de parte da gestão, “o conselho não manda”. Falta o entendimento do papel do conselho. Mas teve várias intervenções do conselho no ano passado (GF2, 11/04/2013).
A contradição emerge na fala do trabalhador que ao mesmo tempo em que faz a crítica sobre a atuação do conselho dizendo que “não fazem a fiscalização” menciona suas intervenções “mas teve várias intervenções do conselho” (GF2, 11/04/2013). Outras falas demonstram uma atuação do conselho.
Sim, eu sou secretário executivo do CMAS. A gente se reúne mensalmente e avalia a política de Assistência do município. Há um processo de qualificação do quadro profissional dos trabalhadores do SUAS no município (GF3, 20/05/2013).
Foi feito um pedido do conselho pedindo o chamado de concursados. Foram chamados por causa disso. Não poderia mais ser renovado o contrato da assistente social e dos outros, então foi chamado do concurso. Acho o conselho bem atuante (GF3, 20/05/2013).
Acho o conselho atuante, sim, a gente percebe o retorno das ações do conselho [...] até porque tudo passa pelo conselho, todas as deliberações, pactuações passam pelo Conselho (GF3, 20/05/2013).
Pelas falas percebe-se a intervenção dos conselhos sobre o processo de organização dos trabalhadores pelo concurso público, porém não houve nenhum comentário em relação a outros aspecto ou deliberações em relação à criação dos planos de carreira, processo de educação permanente, espaço institucionais e adequação do espaço ao exercício profissional, ou ainda, a fiscalização quanto ao exercício do trabalho em relação às atribuições e competências profissionais.
Percebe-se uma timidez nas falas sobre o controle social. Pouca ou nenhuma crítica foi tecida pelos trabalhadores no sentido de avaliar a ação dos conselhos. Algumas situações contribuíram para isso: o não conhecimento das ações desenvolvidas pelos conselhos foi um dos pontos, quando trabalhadores
de um grupo mencionaram que só “o fulano”, referindo-se a um trabalhador do SUAS, participa de todos os conselhos, o que impede o reconhecimento dos demais das ações realizadas e discutidas neste espaço de deliberação.
Outro fator que pode ter interferido na discussão foi a presença do presidente do Conselho Municipal de Assistência Social, o que não permitiu que os demais trabalhadores se sentissem a vontade para discutir abertamente as ações do Conselho enquanto instância deliberativa do controle social.
Para aprofundar o debate sobre a atuação dos Conselhos, percebe-se que seria necessário ter ampliado a investigação desta instância nos instrumentos de coleta de dados. Motivo pelo qual não é possível analisar com maior rigor a efetividade do trabalho do conselho de assistência Social nos municípios da AMFRO.