2) GENEL BİLGİLER
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Em 2013 foi aprovada pelo Congresso Mexicano a reforma energética que pretendeu, dentre outras coisas, o fortalecimento da poupança de longo prazo por meio da criação do Fundo Mexicano do Petróleo para a Estabilização e o Desenvolvimento, e atrair investimentos no setor energético. Baseando-se na necessidade de tecnologia de ponta por conta das reservas se encontrarem em águas profundas, e em campos cada vez mais difíceis de explorar, a reforma procurou maiores investimentos para partilhar riscos, tecnologias e experiências com a Empresa Estatal de Petróleos Mexicanos (PEMEX)35.
Foram modificados três artigos da Constituição dos Estados Unidos Mexicanos, o artigo 25, que estabelece a responsabilidade do setor público nas áreas de petróleo, e a exigência de que o Governo Federal deve manter a propriedade e controle das empresas produtivas do Estado; o artigo 27, que proíbe as concessões para exploração e extração de hidrocarbonetos, mas permite estas atividades por meio de alocações ou por meio de contratos com agências do estado ou particulares, deixando explícito no contrato que o Estado Mexicano é o proprietário dos hidrocarbonetos no subsolo; e por fim o artigo 28, que determina que o Estado Mexicano terá um Fideicomisso público chamado Fondo Mexicano del Petróleo para la estabilización y el desarrollo que tem como objetivo a administração e distribuição dos ingressos derivados das atividades petrolíferas.
A lei já foi aprovada, porém a reforma contempla que leis secundárias irão regulamentar vários dos aspectos que não foram especificados. Por enquanto, é importante salientar que a reforma trouxe uma inovação em matéria contratual, dado que, podem ser celebrados contratos na modalidade de contraprestação, a saber: de serviços, de utilidade, de partilha de produção ou de licença. O Estado Mexicano deverá pagar a suas empresas ou aos particulares, contraprestações em dinheiro para o caso dos contratos de serviços; com uma porcentagem de utilidade para os contratos de utilidade partilhada; uma porcentagem da produção obtida, para os contratos de produção compartilhada; e com a transmissão onerosa dos hidrocarbonetos extraídos, para os contratos de licença.
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A reforma permitirá que a PEMEX tenha uma menor carga tributária; autonomia orçamentária, e menor carga previdenciária (SHCP, 2014, p. 3).
A reforma criou o Fundo Mexicano do Petróleo para a Estabilização e o Desenvolvimento, no entanto, o país já tinha um fundo, O Fondo de Estabilización de los Ingresos Petroleros (FEIP) que foi criado no ano 2000 a partir de uma recomendação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que alertava sobre a necessidade de aumentar a arrecadação fiscal e reduzir a dependência das finanças públicas das flutuações do mercado petrolífero, dado que, 30% do orçamento do setor público vêm da renda de produção e exploração dos hidrocarbonetos (INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLOGICAS, 2009). A OCDE recomendou a criação de um fundo ―independente das finanças públicas‖, capaz de absorver os efeitos diretos das flutuações do mercado internacional de petróleo e o estabelecimento de um preço de referência abaixo daquele esperado, com a finalidade de criar recursos excedentes, a serem destinados ao fundo (INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLOGICAS, 2009).
Por meio do FEIP, a PEMEX transfere para o governo federal 60,8% de suas receitas e 39,2% dos lucros extraordinários gerados a partir de um nível de preço de referência. Do total das receitas geradas pelo setor e arrecadadas pelo governo federal, parte é transferida a um fundo de participação, que é distribuído para todas as unidades federadas de acordo com o tamanho de sua população e sua capacidade de geração de receitas fiscais (GOBETTI, 2011, p. 20).
Segundo a exposição de motivos do decreto que reforma a política energética do país, o fundo existente era limitado, e, portanto, devia ser criado um novo fundo para que conseguisse dar conta das novas receitas geradas pelos novos contratos. O Fundo Mexicano do Petróleo para a Estabilização e o Desenvolvimento, será o encarregado de transferir recursos para o FEIP, portanto, não o extinguiria, de fato, uma iniciativa de lei secundaria, que contemplaria que com as receitas deste novo fundo, se duplique o montante de receitas para o FEIP (MEXICO, 2014). A mesma lei secundária também determina que o novo fundo designe receitas ao orçamento até de 4,7% do PIB (o FIEP está incluso dentro do orçamento), e que as rendas adicionais sejam alocadas em uma conta de poupança de longo prazo dentro do próprio fundo.
Em suma, todas as rendas do petróleo não serão mais depositadas na Tesouraria da Federação, senão no Fundo Mexicano do Petróleo, que estará a cargo de administrar as receitas dos
contratos e outras atribuições, e transferir os recursos a seus correspondentes destinos e usos (MEXICO, 2014, p. 4).36
No tocante aos royalties, o México apesar de ser o maior produtor de petróleo da América Latina (INTERNATIONAL ENERGY AGENCY, 2013) não tinha nenhuma contrapartida em favor do Estado que pudesse ser considerada como royalty (GONZALEZ, 2012). A PEMEX não pagava royalties por ser a empresa estatal e devido à ausência de participação privada na produção não era necessário estabelecer essa compensação. Como mencionado anteriormente, com a reforma aprovada em 2013, será permitido que os particulares invistam e participem do ciclo, consequentemente, o governo mexicano mandou ao legislativo uma proposta de lei secundária que contempla um royalty de 10% por barril de petróleo, que já foi aprovada.
Os royalties da extração do petróleo serão alocados no fundo, que distribuirá tais receitas entre todos os municípios e estados do país. Em síntese, apesar de não existir a compensação chamada especificamente royalty, no México todas as unidades da federação têm participado das receitas do petróleo por meio dos fundos de estabilização das receitas. A reforma trouxe
uma oportunidade de inclusão da contrapartida ‗royalty‘ e de compensar estados e municípios
produtores, o que foi debatido no Congresso da União e aprovado, sendo que pela primeira vez os estados e municípios produtores começaram a receber receitas de maneira diferenciada (MEXICO, 2014, p. 4). Contudo, as receitas dos recursos não renováveis serão distribuídas entre todas as unidades da federação, como sempre.
Em termos gerais, a reforma mexicana dialogou por um lado com a reforma colombiana, brasileira e argentina em relação à intenção de atrair maiores investimentos; por outro lado, criando a contrapartida royalties que beneficiaria os entes produtores, assemelhou-se com a reforma argentina e equatoriana fortalecendo os entes produtores. Contudo, em grande maioria, as receitas são alocadas em todas as unidades da federação por meio de fundos.