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VERTEBRA’DA STABİLİTE VE ANSTABİLİTE KAVRAMI Omurga kırıklarında, stabilite ve anstabilite kavramı önemle üzerinde

A experiência científica é, portanto, uma experiência que contradiz a

experiência comum. Aliás, a experiência imediata e usual sempre guarda

uma espécie de caráter tautológico, desenvolve-se no reino das palavras e das definições; falta-lhe precisamente esta perspectiva de erros retificados que caracteriza, a nosso ver, o pensamento científico. (BACHELARD, 1996, p. 14, grifo nosso).

Este capítulo trata da IC no cenário da ciência, da tecnologia, da inovação e da pesquisa, considerando sua trajetória e seus marcos regulatórios que evidenciam a consolidação das atividades de investigação sob uma perspectiva de formação científica e profissional. As ações institucionalizadas de incentivo e fomento à pesquisa são adotadas como políticas de ciência.

Nas discussões, contextualizo a ciência a partir de um breve contexto histórico que a evidencia a partir das transformações e interferências da própria história. A ciência passa a ser caracterizada pela tentativa do homem apreender e elucidar por meio da razão a natureza. Destaco as fases que explicam o cenário da ciência e da tecnologia: antecedentes históricos; evolução e consolidação das políticas; e a incorporação da inovação a essa realidade.

Em seguida, descrevo o crescimento das bolsas de IC, como demanda espontânea e chamada pública, destacando a pertinência do PIBIC e dos perfis da IC na educação básica e superior. Retrato, também, o estado de conhecimento da IC que revelam limites e contribuições acerca do processo de formação científica (FC) do estudante de graduação.

Na perspectiva do novo da IC nas produções da ANPEd e da Capes, a abrangência e os significados dessa política pública representam um forte indutor na graduação, avançando para além do despertar de uma vocação científica (coletar, organizar, analisar, discutir e comunicar os resultados da pesquisa). A IC corrobora para a produção e difusão da ciência, bem como intensifica a interculturalidade e favorece as redes colaborativas de pesquisa.

2.1 CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

[...] e toda ciência seria supérflua, se a forma de manifestação e a essência das coisas coincidissem imediatamente. (MARX, 1985, p. 271).

O desenvolvimento do homem e sua história derivam de vários fatores que implicam nas inter-relações e interferências recíprocas entre ideias e condições concretas do meio. Dentre as ideias produzidas pelo homem emerge o conhecimento de mundo (senso

comum, filosófico, teológico, estético, científico etc.). Este último é determinado pelas necessidades materiais do homem em cada momento histórico. Então, “[a] ciência caracteriza- se por ser a tentativa do homem entender e explicar racionalmente a natureza, buscando formular leis que, em última instância, permitam a atuação humana” (ANDERY et al, 2007, p. 13).

A ciência propõe conhecer a realidade através de atividades metódicas que se modificam e são aceitas de acordo com as epistemologias que as produzem. Na Grécia antiga, os critérios permeavam a autoridade de certos pensadores, tendo como base de sustentação a religião. O período medieval concebeu o mundo dentro de uma hierarquia ordenada, sendo o homem um sujeito dos desígnios de Deus e proposições da igreja. No século XVI (a partir de Galileu), a observação e a experimentação foram valorizadas como via de produção científica (ANDERY et al, 2007). Assim,

[a] mudança das concepções implica necessariamente uma nova forma de ver a realidade, um novo modo de atuação para obtenção do conhecimento, uma transformação no próprio conhecimento. Tais mudanças no processo de construção da ciência e no seu produto geram novas possibilidades de ação humana, alterando o modo como se dá a interferência sobre a realidade. (ANDERY et al, 2007, p. 14).

Com Galileu, a ciência moderna se instituiu na transição do feudalismo para o capitalismo. Esse termo só pode ser empregado quando se trata da sociedade moderna em que

“[...] a produção maciça de mercadorias repousa sobre a exploração do trabalho assalariado,

daquele que nada possui, realizada pelos possuidores dos meios de produção” (VILAR, 1975, p. 36).

A sociedade feudal era constituída pelos feudos que tinham uma economia de subsistência, basicamente agrária na primeira metade da idade média. A partir da segunda metade da época medieval houve a ativação do comércio que estimulou o crescimento das cidades e a oferta de trabalho. Os habitantes passaram a se dedicar ao artesanato e ao próprio comércio, reduzindo o número de produtos agrícolas e crescente aumento populacional. Surge o trabalho livre e a expansão marítima produziu muitas riquezas, incentivando o desenvolvimento do comércio (PEREIRA; GIOIA, 2007a).

Da existência de uma classe trabalhadora livre e sem propriedades emerge o desenvolvimento da indústria moderna. Agora, podia-se acumular capital por meio de troca de

mercadorias. “Entretanto, essa não foi a única forma: pirataria, saque, conquistas e exploração

de base para a grande expansão industrial dos séculos XVII e XVIII (PEREIRA; GIOIA, 2007a, p. 170).

Nessa ocasião, a ciência moderna era descrita como de “[...] caráter empírico e concreto, em oposição ao caráter abstrato e livresco da ciência clássica e medieval. [...] o empirismo da ciência moderna repousa na experimentação. Mas ressalta também a estreita

ligação existente entre a experimentação e a elaboração de uma teoria” (GIOIA, 2007, p.

191). A partir desse pressuposto, entendo que “[...] se uma experiência científica – como Galileu tão bem exprimiu – constitui uma pergunta formulada à natureza, é claro que a atividade cujo resultado é a formulação dessa pergunta é função da elaboração da linguagem

na qual essa atividade se exprime” (KOYRÉ, 1982, p. 272).

No período entre 1561 e 1626, Francis Bacon defendia a aplicação da ciência à indústria e ao serviço do progresso, por acreditar que o bem-estar do homem dependia do controle científico obtido por ele sobre a natureza com vistas a facilitar sua própria vida (PEREIRA, 2007).

René Descartes (1596-1650) acreditava na possibilidade de conhecer e de chegar a

verdades pela recuperação da razão alcançada por meio do método. “As ideias claras e

distintas, aspecto central do pensamento cartesiano, encontram-se ligadas à noção de inato.

[...] acrescido das ideias matemáticas, existem no próprio indivíduo” (RUBANO; MOROZ,

2007, p. 205).

Em 1632 e 1704, John Locke institui a experiência como fonte das ideias e as ideias como fonte do conhecimento. Essa teoria o afasta do cartesianismo e

[prepara] uma filosofia crítica e centrada no problema do conhecimento ao anunciar a impossibilidade do conhecimento de verdades essenciais, ao reduzir o conhecimento científico ao conhecimento dos fenômenos pela via da percepção, e ao exigir a experiência como critério de verdade do conhecimento humano. (ANDERY; MICHELETTO; SÉRIO, 2007, p. 236).

Isaac Newton (1642-1727) instituiu o universo como infinito dentro de um

movimento mecânico e universal. “A ampla repercussão de suas descobertas, de sua maneira

de ver o mundo e, principalmente, de sua mecânica celeste pode ser percebida já no início do século XVIII. A genialidade de seus estudos foi reconhecida por seus contemporâneos” (GIANFALDONI, 2007, p. 237). A intenção relação entre a matemática e a experimentação foi uma marca no modo de fazer ciência de Newton que entendia o universo de forma explicável.

Os séculos XVIII e XIX foram marcados pelas revoluções Industrial (na Inglaterra e na Alemanha) e Francesa. A primeira significou “[...] um conjunto de transformações em diferentes aspectos da atividade econômica (indústria, agricultura, transportes, bancos etc.) que levou a uma afirmação do capitalismo como modo de produção dominante, com suas duas classes básicas: a burguesia e o proletariado” (PEREIRA; GIOIA, 2007b, p. 257). A revolução Francesa (iniciada em 1789) foi o maior acontecimento político da época. Marcou além do seu país de origem, a Alemanha. A França tinha um governo monarquista absoluto de caráter agrário e feudal. A crise também se estendeu no plano social.

Nessas condições histórico-sociais,

[...] o progresso do conhecimento científico-natural, que se traduz na constituição da ciência moderna, converte-se numa necessidade prática social de primeira ordem. A passagem a uma teoria científica firme e coerente se vê impulsionada, a seu turno, pela experiência, seja a oferecida diretamente pela produção, seja a oferecida pela experiência organizada e controlada, ou experimentação. (VÁZQUEZ, 1977, p. 217).

Dentro desse panorama, cabe destacar a proposta para as ciências de Auguste Comte28. “O conhecimento científico é, portanto, baseado nas observações dos fatos e nas

relações entre fatos que são estabelecidas pelo raciocínio” (ANDERY; SÉRIO, 2007, p. 381).

Para as autoras, isso significa que o conhecimento científico positivo é constituído por um conjunto de leis que regem os fenômenos de forma a refletir sobre o modo como essas leis operam na própria natureza.

Nessa perspectiva, o desenvolvimento da humanidade, que perpassa por três estados (o teológico, o metafísico e o positivo), sintetiza-se no incremento do espírito, do conhecimento (BRÉHIER, 1997). Comte estabeleceu uma divisão entre as ciências abstratas (ocupam-se dos fenômenos da Matemática, Astronomia, Física, Química, Biologia e Sociologia) e as ciências concretas (estudam as combinações possíveis que a natureza nos apresenta. São as ciências aplicadas e dependem das ciências abstratas).

No final do século XIX e início do XX, a grande quantidade de produtos disponibilizada resultou na Revolução Técnico-Científica (RTC)29. “Todavia, a

28 Viveu na França em um momento pós-revolucionário, quando a burguesia ascendia ao poder. “Apesar do pensamento de Comte parecer ser uma resposta às condições histórias específicas do capitalismo francês do século XIX, os lemas positivistas que emergem do pensamento de Comte difundiram-se além das fronteiras francesas, chegando a influenciar a política (e a sociedade) de países em situação histórica bastante diferente da França” (ANDERY; SÉRIO, 2007, p. 373).

29 A RTC também ficou conhecida como Segunda Revolução Industrial. Essa revolução fundamentou-se na aplicação da ciência para a resolução das questões técnicas (MOTOYAMA, 2004).

institucionalização da História da Ciência e Tecnologia só se efetua nos anos 1950, sobretudo nos Estados Unidos” (MOTOYAMA, 2004, p. 2).

No Brasil, três fases são consideradas para explicar o cenário da Ciência e Tecnologia (C&T): a primeira retrata os antecedentes históricos; a segunda aborda a evolução e consolidação das políticas de C&T, desde os governos do regime militar até o início da nova república (até 1990); e, por fim, a terceira esclarece como a inovação foi incorporada às C&T, (LEMOS, CÁRIO, 2013). Ver os principais contextos que envolvem a história da C&T no quadro 1:

Quadro 1 – Breve Contextualização Histórica da Ciência e da Tecnologia no Brasil

PERÍODO PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Colonial

(1500-1808)

Política de desenvolvimento das navegações (final século XV).  Primeiro esforço de implementação de uma política científica.  Divulgação, na Europa, dos conhecimentos advindos dos índios.  Sistematização científica das características naturais brasileiras.  Presença portuguesa na área de construções urbanas de vulto.

 Nações metropolitanas somam-se aos jesuítas para o ensino aos nativos.  Surgimento das academias.

Brasil Império

(1808-1889)

 Transformação do Brasil em nova sede (reino).

 Abertura para o ensino profissional (nas áreas de comércio, medicina-

cirúrgica, botânico-agronômica, e também de formação de militares e engenheiros) com vistas ao estímulo da ciência.

 Expedições científicas francesas e russas.

 Importância das comissões geográficas e geológicas, contribuindo para a

demarcação do território.

 Criação das academias de direito, dos observatórios astronômicos e dos

empreendimentos na siderurgia.

 Contribuição de técnicos estrangeiros na constituição da Sociedade

Auxiliadora da indústria nacional.

Velha República

(1889-1930)

 Expansão da indústria e da urbanização.

 Revolução técnico-científica nos países centrais.

 Surgimento da pesquisa e de suas aplicações à área da saúde.  Criação de instituições de pesquisa agrícola.

 As primeiras instituições de pesquisa tecnológica são discutidas - vinculação

à economia cafeeira e à industrialização em São Paulo.

Estado Desenvol- vimentista

(1930- 1964)

 Ênfase nas instituições e não nas pessoas.

 Surgimento da Universidade de São Paulo (USP).

 Criação do CNPq e do Ministério da Ciência e Tecnologia com vistas ao

domínio nacional da energia nuclear e suas aplicações.

 Surgimento dos Fundos Universitários de Pesquisa para a Defesa Nacional.  Organização de um núcleo atuante da sociedade civil.

 Criação da SBPC30 e multiplicação dos institutos de pesquisa.

30 Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência é uma entidade civil, voltada para a defesa do avanço científico e tecnológico e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil. Desde sua fundação, em 1948, a

Benzer Belgeler