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O que é ser jovem e como essa categoria é construída politicamente? Quais os marcadores de identidade de uma juventude rural e quilombola e o que se tem pesquisado nos últimos anos? Os estudos que vêm sendo realizados sobre o assunto e as questões relativas à identidade quilombola, ao pertencimento étnico e às estratégias podem fornecer informações que norteiem quais as estratégias de sociabilidade que as jovens da comunidade vêm desenvolvendo e como se articulam com vistas a dar conta de seus projetos pessoais.

Samara Freire (2012) ao estudar os jovens da comunidade quilombola de Capoeiras no RN, salienta que o rural sobre o qual alguns pesquisadores50 vêm debatendo, para além da categoria “jovem rural”, também é um local que se mostra “cada vez mais heterogêneo, diversificado e não exclusivamente agrícola, onde há diversidade de interesses e expectativas” (FREIRE, 2012, p.24).. Essa é a paisagem atual da Boa Vista como tenho demonstrado.

Desse modo, ser quilombola está intrinsecamente ligado a identidades singulares e “articuladas” – como forma de não fixar a diversidade dos indivíduos (BASTOS, 2010). Para a pesquisadora, jovens mulheres negras moradoras de comunidades quilombolas que transitam no meio urbano apresentam uma realidade complexa que “tem gerado novos processos de identificação que constituem identidades singulares” para uma jovem, mulher, negra e quilombola (BASTOS, 2010, p. 1).

Essas protagonistas acessam diferentes pertencimentos aos quais inserem uma necessidade de entendimento dessa identidade como um “jogo relacional em que aparecem ao mesmo tempo a diversidade e as relações de poder e a produção de desigualdades” (BASTOS, 2010, p. 1). Para Bastos (2010), pesquisar suas trajetórias promove um “reconhecimento do tipo de espaço relacional que essa identidade constitui e pelo qual é constituída”, por se tratarem de “identificações que na sociedade de classes são marcas não só de diferença, mas fundamentalmente de desigualdades” (BASTOS, 2010, p. 2).

A complexidade do real tem gerado novos processos de identificação que constituem identidades singulares, como a de jovem mulher negra quilombola. Os diferentes pertencimentos dos sujeitos trazem a necessidade de entendermos a identidade como um jogo relacional em que aparecem ao mesmo tempo a diversidade e as relações de poder e a produção de

50 Alguns autores que se concentram no debate sociológico da categoria jovem rural, cuja problemática está

pautada na migração rural/urbano, na invisibilidade e em questões relativas à herança, hierarquia, sucessão da propriedade familiar e às relações de desigualdade de gênero, entre outros citados no texto, são: Abramovay (1998), Carneiro (1998), Guaraná (2005), Stropasolas (2002), Wardeley (2003) e Weishmeier (2004).

desigualdades. Neste sentido, pesquisar as trajetórias de jovens mulheres quilombolas permite o reconhecimento do tipo de espaço relacional que essa identidade constitui e pelo qual é constituída. Trata-se de identificações que na sociedade de classes são marcas não só de diferença, mas fundamentalmente de desigualdades (BASTOS, 2010, p. 2).

A pesquisa de Priscila da Cunha Bastos (2010), realizada no Quilombo São José (RJ), revela uma semelhança com o que encontrei na Boa Vista: as jovens apresentam elevado nível de escolarização com ensino médio completo e, desse modo, não se inserem no perfil das trabalhadoras domésticas, como vivenciado anteriormente por suas mães. A pesquisadora destaca que o trajeto das jovens “não configura a entrada no mundo adulto, mas sim uma ampliação nas possibilidades de ser jovem quilombola” (BASTOS, 2010, p. 7). No entanto, ela ressalta que o avanço na escolarização não significou uma nova entrada no mundo do trabalho urbano para as jovens mulheres negras.

O que ela percebe na geração de jovens atualmente, eu percebi na geração das mães e tias das jovens da Boa Vista: o trabalho doméstico “é a porta de entrada no mercado de trabalho urbano e possibilidade de aquisição de uma autonomia econômica” (BASTOS, 2010, p. 6), o que modifica as relações familiares bem como a forma como as mulheres são vistas dentro e fora do quilombo, como é o caso da Boa Vista. As jovens Heloisa, Swesley e Suyanne exercitam suas potencialidades a partir de experiências de trabalho em estágios na área da educação, no atendimento dentro do comércio local e ainda com a inserção no mundo da moda, participando de desfiles, da produção de vídeos e de editoriais de moda. Nesse exercício, agregam conhecimento e ampliam seus campos de possibilidades com vistas à consolidação de seus projetos de vida.

A juventude negra quilombola é pensada então a partir de contextos inerentes à juventude contemporânea, uma vez que existem aproximações. Por esse viés, questões relativas ao pertencimento e às socializações são pontos para uma reflexão acerca de processos de construção de uma identidade étnica dessa juventude. Nesse sentido, a sociedade de consumo, a comunicação e as exigências de mercado atuam no imaginário e na memória dessas jovens, bombardeadas por imposições socioculturais sujeitas a todo tipo de hierarquia, que procuram em todo o processo invisibilizá-las.

Nesse cenário, diante de um contexto social racista e excludente, quais são suas estratégias de sobrevivência e sociabilidade? A esse respeito, retomo as falas das jovens da comunidade, na busca de elucidar as influências em seus projetos de vida e as relações que estabelecem na família, com amigos e na escola. Quando as jovens foram entrevistadas em 2013, não apresentam experiências de trabalho fora de casa, com excessão de Suyanne que já

incursionava no mundo da moda, nitidamente influenciada e apoiada por sua mãe, Suelma, que em anos anteriores havia experienciado participação em desfiles para representar a comunidade nos eventos no qual se escolhida a representante local da “garota rural”.

Interessante também observar que a filha mais velha de Suelma, embora tendo todos os requisitos de beleza exigidos nesse ramo não se identificou com esse projeto, muito provavelmente pelas experiências de discriminação pelas quais tem passado ao longo da vida nas interações sociais.

[...] eu gosto de mim do jeito que eu sou... Até as coisas que acontecem no dia a dia que deixa a gente desanimado... [relata vivências de racismo e discriminação] acho que acontece pra quem é negro assim... meu problema é mais é na escola... mas na sociedade também [conta sobre uma menina que ela não consegue falar o nome ... e de uma discussão por causa de uma música que envolveu a direção... eram bem amigas... mas tiveram vários pequenos casos...] Eu acho que eles, os professores, não são preparados muito não [para lidar com o preconceito dos alunos em relação ao negro na sala de aula] Por exemplo, fazer coisa em grupo e você ficar só. [Pergunto: em qual momento percebe que tem mais preconceito?]... não sei o que fazer quando estas situações acontecem, mas sei que brigar não adianta... Ah tem vários casos de situação nas escolas... Por essas coisas que eu não tenho amizade... por isso também que eu não mudo de escola... ali é menos e nas outras escolas aff Maria... eu até já perguntei pra Swyanne como ela consegue? e tem coisas na escola, nos livros escolares, por exemplo... a ausência de personagens negros nas sala de aula... [na relação com os pais ela conta que...] a mãe é mais brava, mas eu tenho mais ligação com ela... [Pergunto: como foi a vida escolar?] Estudei até a 5ª série no Joazeiro... e desde o 6º ano até agora em Parelhas, na mesma escola... (Swesley, 17 anos, entrevista em 02/2013, na cozinha da casa da Preta).

Um ano após esse depoimento, ela relata experiências de discriminação sofridas no ambiente de trabalho, durante um estágio que realizou por duas semanas em uma lanchonete do único shopping da cidade.

Em relação às perspectivas de futuro, Vanessa Andrade Pereira realizou uma pesquisa que visava observar dois espaços de aprendizagem e sociabilidade entre jovens frequentadores de lan house ou “casa de jogos em rede” e a escola (PEREIRA, 2010, p. 9), atenta para o fato da falta de conexão entre os jovens e seus professores, a ausência de atrativos extraclasse, que não estimulavam jogos e internet no espaço do saber escolar. Outros estudos relativos à escola pública e alunos de periferia também abordam os desencontros e as dificuldades que são gerados entre escolas e grupos culturais devido à falta de relação entre o saber, a escola e os estudantes. De todo modo, é importante refletir a respeito das relações dos jovens com os significados que eles atribuem aos saberes que cada instância proporciona, uma vez que essa relação influencia na formação de expectativas (projetos) que eles nutrem em

relação ao futuro. A timidez gerada pelos constrangimentos sociais e a indecisão sobre o que fazer profissionalmente falando são adquiridos pela experiência cotidiana:

A questão do preconceito, ela pode impedir você de seguir determinado caminho tipo: eu gostaria de ser isso, mas por causa do preconceito eu vou fazer outra coisa [...] “Eu sofri muito preconceito quando eu desfilei. Aí nem por isso eu abaixei a cabeça. [...] Realmente tem um momento que a gente até chora né? ... por causa da cor da pele!! Porque assim, eu nunca critiquei ninguém no desfile né? E eu fui muito julgada... eram 11 candidatas, comigo eram 12, ao todo e quando eu chegava, onde tava elas, era todo mundo falando... “Ah essa neguinha não vai ganhar!” E quase todo mundo que eu via, elas diziam isso sabe, em relação a mim? Me também teve um povo que me apoiava... Mãe também me apoiava muito, minhas irmãs também, “Não desista a gente esta aqui com você!” Independentemente se eu ganhasse ou perdesse, devido ao preconceito eu não ia baixar a cabeça pro preconceito... perdi uma vez e ia em busca de outro né? Por que a gente nem sempre ganha nem sempre perde né? Eu acho assim, que independente do preconceito que doa, que machuca a gente, porque é realmente o que o preconceito faz eu não desistiria não. (Suyanne,15 anos, entrevista realizada em 02/2014 na casa dos pais em Parelhas)

[Pergunto: já escolheu uma profissão?] Tanta coisa em mente... Que eu fico maluca, por exemplo, forças armadas, ou é direito... Sei lá... (sorri)... [sobre a sua história familiar – não sabe responder... lembra que brincava mais com as irmãs e primas] a Rossane tem isso também porque a [minha] mãe não deixava brincar fora nem longe de casa... [Pergunto: o que gosta de fazer?] ...escutar som... ler... se morasse em outro lugar provavelmente faria mais coisa... [Pergunto: o que faz para se divertir?]... só quando saio com as meninas... Quando a gente não tá na praça, está na casa da avó... Agora Swyanne [a irmã] é ligada na tomada... Gostava de fazer capoeira... Já fiz quando era mais nova... Agora não faço mais não... Eu gosto de ler romance mais o que eu gosto de ler é algo que tenha sentido... Cury [Augusto]... mais sobre autoestima... (autoajuda) não lembro o nome... Era alguma coisa que falava sobre a inteligência... [Pergunto: como ficam as obrigações de casa entre você e suas irmãs?] Eu fico responsável para cozinhar e arrumar elas fazem as outras coisas... [Pergunto: como é essa história de morar em duas casas uma na comunidade e outra na rua?] A gente vai pra lá porque tem coisa que não dá pra fazer morando aqui na Boa Vista ... O estudo da mãe, o trabalho de pai, também tem as coisas que Swyanne quer fazer... coisa da escola também que não tem como ir daqui... [Pergunto: como é a relação com as irmãs, quais as diferenças?] Ela [Swyanne] tem mais facilidade pra conseguir amigas... (Swesley, 17 anos, entrevista em 02/2013, na cozinha da casa da Preta).

A timidez à qual se refere demonstra seu instinto de autopreservação dos naturalmente estigmatizados e marginalizados, como colocado nos capítulos anteriores. Ao escolher uma profissão que a preserva do contato direto com a sociedade, ela destaca além do desejo de independência financeira, a necessidade de estar livre dos julgamentos estéticos quanto à sua identidade e ao pertencimento étnico.

Comecei a estudar com 5 anos, depois no Joazeiro até a 5a série... ia com as primas estudar, com Jefferson... Eu passei 1 ano no Caic [creche] – 1 ano, depois fui para o Arnaldo Bezerra, depois pro Joazeiro, depois pro Barão [da 6a série até o ensino médio...] e depois pro Monsenhor [até o ensino médio] até terminar... depois cada um foi estudar em um colégio... [Pergunto: como foi a experiência de estudar em instituiçoes diferentes? Como você se sentia?] Era ruim, porque era sempre acostumada com as mesmas pessoas, aí chegava lá ficava sem saber se ia estudar com alguém conhecido... porque de qualquer jeito tem que fazer outras amizades, mas... no caso de já ter uma pessoa conhecida ficava mais fácil... mas depois de uns 15 dias já se acostuma... às vezes tinha umas coisas que não gostava... quando era criança que ficava com aquelas brincadeiras chatas de colocar apelido [Pergunto: você lembra de ter passado alguma situação de preconceito?] Eu lembro que tinha uma vez que tinha umas meninas que elas ficavam cantando uma musica... do Luiz Caldas... aí elas ficavam cantando isso pra me insultar. Eu não ligava, deixava pra lá... fazia que não tava escutando... [Pergunto: sua mãe ficou sabendo?] Eu já tinha dito... aí minha mãe ia lá na diretoria, reclamava... eles brigavam, mas não adiantava... A disciplina que eu gostava mais de estudar era de História... agora a que eu não gostava e que não posso nem ver [ela dá risada] era Matemática e Física... porque é muito chato e eu tenho dificuldade de aprender matemática e física. Por eu já não gostar, acabo não me interessando tanto e acabo não aprendendo o suficiente... quando eu não gosto muito de uma coisa eu acabo nem me interessando muito por ela... [Pergunto: é assim com as pessoas também?] Mais ou menos, às vezes é mais por eu ser tímida (Heloisa, 19 anos, entrevista realizada em 02/2012, na sala de visitas na casa dos pais).

O que essas jovens também socializam são os momentos de desencontros com os espaços de socialização e a impossibilidade de estabelecer um vínculo pessoal e significativo tanto com o saber escolar como com o intelectual e cultural. Isso se dá pelo despreparo dos profissionais das diversas áreas de educação no que conserne às questões de diversidade, racismo e discriminação, tendo como agravante a inexistência de projetos que discutam esses temas, e isso também causa grande desinteresse pela educação bancária. Por essa razão, as jovens não se sentem representadas, nem respeitadas em sua individualidade ou identidade.

Outro ponto é a carência de opções de sociabilidade e lazer, tanto na comunidade onde moram quanto nos espaços na “rua” (as praças em frente à matriz ou os quiosques de lanchonetes, onde famílias, casais e grupos de amigos se reúnem para beber e fazer um lanche). “Se o acesso à escola definiu e classificou estratos sociais ao longo do século XX, o XXI parece privilegiar outro tipo de conhecimento: o saber informacional”, comenta Pereira (2010, p. 26), que ainda está muito aquém da educação formal ministrada na escola.

Assim, suas estratégias de inclusão perpassam as redes de sociabilidade com família (irmãos, primas) ou vizinhança, amigos da escola e das relações nem tão próximas – explicitadas nos sites de redes sociais de relacionamento. Nesse caso, acessam as tecnologias como a internet via computador e/ou celular que servem como estratégia de resistência diante

de um contexto social racista e excludente garantindo certa invisibilidade quanto a classificações ou julgamentos sociais. Essas tecnologias são ainda acessadas como opção de lazer, conhecimento e acesso à cultura, pois, como elucidaram acima, a relação escolar nem sempre é satisfatória e na maioria das vezes é entediante e fonte de decepções.

[Pergunto: e o primeiro namorado?] foi com mais ou menos 12 anos... o primeiro beijo foi com 11 anos... mais por influência do povo... uma curiosidade e não achei nada disso...ele era da mesma escola... [Pergunto: Nessa época já tinha beijo?] Não chegava perto não criatura... coisa de criança mesmo... meu próximo namorado é esse que eu tô agora... mal beijava... Ele era muito pegajoso... porque tem que ser como eu quero... Eu gosto muito de respeitar as pessoas... idosos e crianças... eu não gosto de ficar de agarramento e beijo na frente das pessoas, das minhas amigas... [Pergunto: e de quem foi essa influência?] Eu percebo isso mais de mãe... eu gosto muito de navegar na internet. O que me chama a atenção? Romance e racismo... mais pra ver a reação das pessoas... e romance é mais pra dar conselho... me chama a atenção... (Swesley, 17 anos, entrevista em 02/2013, na cozinha da casa da Preta).

Dessa forma, é possível perceber que as jovens entrevistadas, inseridas em um mesmo contexto sociocultural, priorizam seus estudos (diferentemente de suas amigas e primas na mesma faixa etária que seguem com outro tipo de projeto, mais próximo ao dos familiares que priorizam a maternidade e a busca por um parceiro com o objetivo de formar sua própria família). Elas apresentam em suas subjetividades a valorização de trânsitos entre mundos e mudanças de comportamento mais individuais que coletivas.

As Figuras 57-59, a seguir, foram elaboradas pelas interlocutoras Heloisa, Swesley e Suyanne, e representam os projetos de vida da terceira geração. A proposta dessa produção era a de que pudessem demonstrar suas concepções de futuro. Na parte esquerda de cada figura, as jovens narram pictoricamente um momento atual de suas vidas; já à direita, elas mostram seus respectivos “projetos” de vida pensando nos objetivos que deveriam traçar para poder concretizar tais projetos.

Figura 62 – Desenho que representa projeto de vida. No computador quando recebeu a noticia de que fora aprovada para fazer o estágio em ala de aula. No dia da sua formatura de licenciatura de História.

O projeto de ser independente para pela educação de nível superior

Fonte: Interlocutora Heloisa

Figura 63 – Desenho que representa projeto de vida, a primeira experiência de trabalho com o público e o projeto futuro, independência pelo trabalho com computadores

Fonte: Interlocutora Swesley

Figura 64 – Desenho de projeto de vida que visa terminar os estudos, cursar uma faculdade de Educação Física e abrir uma academia de capoeira para poder divulgar os conhecimentos sobre o

negro

Fonte: Desenho de Suyanne – 15 anos realizado em 25/02/2014 na casa dos pais em Parelhas quando participou da conversa que tive com Swesley, sua irmã mais velha

Quando conversei sobre o desenho, uma das interlocutoras, Suyanne, explicou da seguinte forma:

Eu fiz um desenho que é relacionado de hoje e o futuro “diga não ao preconceito” para um pouco da cultura do negro. Sobre ofuturo eu falei um pouco da cultura afro brasileira a questão da capoeira que eu gosto muito eu queria muito um projeto de capoeira, eu gostaria de ver bem trabalhado a cultura afro. eu queria que você está sumiu que tivesse um maratona de eventos só de capoeiristas dança afro... gosto muito de dançar queria trabalhar bem a cultura negra desde desde quando começou e até hoje. eu Mesmo com a minha personalidade [mais expansiva, desinibida] quando chego na escola estão falando sobre Zumbi dos Palmares, eu gosto muito de dar palestras, já saio falando... Falo da história do negro, história da capoeira maculelê, a dança. Estou no último ano [ensino médio] [Pergunto: E qual é o caminho que você acha que deve percorrer para chegar até aqui?] Pelo estudo, passar no enem fazer faculdade de Educação Física e trabalhar muito com a cultura. Eu acho que tudo depende do estudo pra chegar até o nosso objetivo. Quem são seus parceiros para ajudar a realizar um sonho? Poderia me apoiar muito um grupo de capoeira de Currais Novos, por exemplo. Eles com certeza poderiam me dar a mão, eles são muito humildes, é um jogo que ensina a ser humilde a capoeira. Meu instrutor de capoeira poderia realmente me dar uma mão, e eu poderia fazer faculdade de Educação Física em Caicó ou Natal na UFRN. Mesmo com obstáculos porque fazer faculdade na capital, para chegar na faculdade de Educação Física você tem problema de sair de perto da família, precisa depositar eu gosto da minha

família mais também tem que saber que para ser vencedor, nem sempre fica perto dos pais, mas tudo depende da força de vontade. Por mais que seja difícil, eu assim, por mais que eu passe um tempo fora de casa eu iria sim, para poder al cansar meus objetivos eu iria! (Suyanne,15 anos, entrevista realizada em 25/02/2014 na casa dos pais em Parelhas).

Para Gilberto Velho (1987), os projetos constituem uma dimensão da cultura, na medida em que sempre é expressão simbólica. Além de ser conscientes e potencialmente públicos, os projetos estão diametralmente atrelados à organização social e aos processos de modificação social. Segundo ele, os mapas de orientação para a vida social mostram-se particularmente ambíguos, tortuosos e contraditórios quando se refere a uma sociedade complexa moderna.

A construção da identidade e a elaboração de projetos individuais são feitas dentro de um contexto em que diferentes “mundos” ou esferas da vida social se interpenetram se misturam e muitas vezes entram em conflito [...]. A

Benzer Belgeler